Carlos Madeiro/UOL - Os bastidores da política alagoana estão fervendo neste fim de ano com a possibilidade cada vez mais concreta de a primeira-dama de Maceió, Marina Candia, ser candidata ao Senado em 2026. Apesar de nunca ter disputado cargo eletivo na vida, ela desponta como nome forte na disputa por uma das duas vagas do estado.
Se confirmada, a candidatura muda significativamente o cenário atual, que hoje tem dois nomes de grande relevância nacional como favoritos: o senador Renan Calheiros (MDB) e o deputado federal Arthur Lira (PP).
Marina Candia é formada em direito e administração e nunca disputou cargo eletivo. Ela é cuiabana e neta do ex-vice-governador de Mato Grosso José Monteiro de Figueiredo (1971 a 1975), conhecido como "doutor Zelito".
Aos 35 anos, a mato-grossense se destaca em aparições públicas ao lado do prefeito JHC (PL) e com postagens de alto engajamento nas redes sociais —ela tem 438 mil seguidores no Instagram, mais que Lira (326 mil) e Renan (331 mil). Ela, inclusive, mudou recentemente o nome de seu perfil de Marina Candia para Marina JHC.
Início planejado
Que Marina entraria na política, parecia só questão de tempo. A ideia inicial ventilada, no entanto, era de que ela disputasse uma das nove vagas de Alagoas na Câmara Federal — cargo que seu marido, JHC, ocupou entre 2015 e 2020.
Nos últimos meses, o nome de Marina ganhou força nos bastidores e ela passou a figurar em pesquisas para o Senado. Em todas que foram tornadas públicas, ela aparece à frente de Renan Calheiros e Arthur Lira, respectivamente.
Caso entre na disputa e seja eleita, Marina manterá uma das vagas alagoanas do Senado com a família. A mãe de JHC, Eudócia Caldas (PL), exerce atualmente o cargo. Ela era primeira suplente e assumiu a vaga após a renúncia, em 2024, do então senador e hoje vice-prefeito de Maceió, Rodrigo Cunha (Podemos).
Eudócia não deve disputar a reeleição, já que não aparece bem posicionada nas pesquisas.
Ao UOL, a primeira-dama confirmou que avalia uma possível candidatura. "É um assunto que precisa ser discutido com JHC e com o grupo político do qual ele faz parte. Mas ele sempre apoiou meus projetos e minhas escolhas — e não será diferente agora, se eu decidir pela candidatura", afirmou.
Sobre o bom desempenho nas pesquisas, Marina reconhece que ele está relacionado ao nome de JHC — que sempre aparecia em primeiro lugar quando testado para o Senado —, mas avalia que também há reconhecimento, especialmente em Maceió, de sua atuação em projetos nas áreas social, esportiva e de empreendedorismo feminino.
Inicialmente, JHC era o nome considerado certo na disputa de 2026, fosse ao governo de Alagoas ou ao Senado. Em julho, porém, ele teria selado um acordo com o presidente Lula para a indicação de sua tia, Marluce Caldas, à vaga de ministra do STJ.
O acerto envolveria a permanência de JHC na prefeitura em 2026, o que facilitaria as candidaturas de Renan Filho (MDB) ao governo e de Renan Calheiros e Arthur Lira ao Senado.
O chamado "acordo de Brasília" nunca foi confirmado oficialmente, mas a candidatura de Marina seria uma forma de não romper, ao menos de forma direta, o pacto.
JHC mantém silêncio sobre o assunto, e nem mesmo aliados próximos sabem se ele pretende ou não renunciar ao cargo até abril. Avesso a entrevistas, o prefeito não fala sobre o cenário político estadual ou federal.
Apesar de ser do PL e ter feito campanha para Bolsonaro no 2º turno de 2022, ele não participou desde então de atos ou fez qualquer manifestação em apoio ao ex-presidente. Inclusive, cogita-se que ele volte ao PSB (que deixou em 2022), já que tem proximidade com o prefeito do Recife e presidente nacional do partido, João Campos.
Com bom desempenho em pesquisas para o governo de Alagoas, JHC ainda pode surgir como candidato ao Executivo estadual, avaliam aliados. "O cavalo está passando selado", diz um dos entusiastas dessa possibilidade.