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Educação

Crédito estudantil próprio dobra em faculdades privadas

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Instituições de ensino superior privadas apostam no crédito estudantil para atrair e manter estudantes. A porcentagem de calouros matriculados no ensino superior que usam algum financiamento ofertado pelas próprias instituições de ensino quase duplicou em três anos, passando de 14,4% em 2014 para 28,3% em 2017.

Os dados, baseados no Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), foram apresentados hoje (29) pelo Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior do Brasil.

Além de ofertar financiamento próprio, as instituições também concedem descontos. Em média, a mensalidade dos cursos superiores no Brasil custa R$ 444, segundo o levantamento. O desconto médio aplicado no país é de 20,4%.

O ensino superior privado reúne a maior parte dos estudantes, cerca de 75% dos estudantes estão matriculados em instituições particulares.

Mudança de perfil do aluno

A Fundação Hermínio Ometto (FHO), localizada em Araras (SP), foi uma das pioneiras na concessão do crédito próprio. Em 2008, a FHO lançava o Pagfácil, que permite aos estudantes pagar até 50% da mensalidade após concluírem o curso. Se um curso dura quatro anos, por exemplo, o aluno vai passar oito anos – os quatro do curso e mais quatro após concluir a graduação – pagando o equivalente à metade da mensalidade. O pagamento do crédito é feito apenas com os reajustes anuais das mensalidades, sem a incidência de qualquer taxa ou juros.

 “A gente identificou que o crédito estudantil no Brasil era ínfimo quando comparado com outros países como os Estados Unidos e isso veio junto com uma mudança muito grande do perfil de aluno, com um acesso das classes C e D ao ensino superior, que antes não tinha. E os estudantes têm necessidades diferentes”, disse o diretor Administrativo-financeiro da Fundação Hermínio Ometto, Francisco Elíseo Fernandes Sanches.

Segundo ele, cerca de 80% dos estudantes da instituição vêm de escolas públicas. Atualmente 60% dos alunos são beneficiados pelo crédito. “De fato tivemos sucesso. Desde então tivemos um crescimento significativo das matrículas e temos índices de evasão inferiores à média do mercado”. Sanches ressalta que o crédito é um dos fatores que levou a esses resultados. Além disso, a instituição também fez investimentos pedagógicos que ajudaram a atrair mais alunos.

Preço importa

Diante de um orçamento familiar apertado, o preço das instituições e os incentivos que oferecem é fundamental na hora de escolher uma faculdade. Outro estudo, o Panorama do Ensino Superior Privado do Brasil 2018, do Quero Bolsa, plataforma online em que estudantes podem obter descontos em instituições de ensino, mostra que o valor das mensalidades é o principal fator, tanto na escolha da instituição de ensino – os estudantes acabam escolhendo a instituição com base no preço –, quanto de abandono do curso, quando não conseguem mais pagar os estudos. Cerca de 50% dos estudantes apontaram a questão financeira como motivo de ingresso ou de evasão.

Segundo o diretor executivo do Semesp, Rodrigo Capelato quando a escolha é feita apenas pelo custo, é mais fácil o estudante desistir antes de concluir os estudos. “Quando o estudante ingressa com a questão do dinheiro resolvida e não tem que escolher só por conta do preço, ele acaba evadindo menos, porque escolhe melhor o curso. Só tem efeitos positivos”, diz. Nesse sentido, os incentivos são importantes para que se tenha um melhor aproveitamento e ingresso.

De acordo com a pesquisa feita pelo Quero Bolsa, a maior parte dos estudantes de graduação pertence à classe B ou C. A renda per capita varia entre uma média de R$ 1.563,78 na região Sul e R$ 806,19, na região Nordeste.

Entidades externas  

Outra opção, para além de oferecer crédito próprio, é o financiamento com uma chamada entidade externa, como o PRAVALER, que é um correspondente bancário. As instituições firmam um contrato com a entidade e, a partir daí, os estudantes podem pleitear financiamentos. Em 65% dos financiamentos, de acordo com o PRAVALER, as instituições pagam 100% dos juros e os estudantes arcam apenas com a mensalidade, cuja metade pode ser paga após o término dos estudos. Nos demais casos, as instituições arcam parcialmente com os juros.

Essas entidades, de acordo com o levantamento divulgado pelo Semesp, financiam 2,1% dos calouros. Elas já tiveram um peso maior, financiando 4,2% dos estudantes, em 2015.

Segundo o Superintendente de Marketing do PRAVALER, Fábio Castro, as instituições externas ajudam também as instituições com os créditos próprios. A vantagem, segundo ele, é a expertise da entidade com financiamento, o que evita altas taxas de inadimplência, que estavam ocorrendo em algumas instituições que optaram pelo crédito próprio.

Queda no Fies

Segundo Capelato, o aumento dos créditos próprios e dos descontos deve-se também a uma redução do financiamento público. “A crise toda do setor e principalmente no Fies [Fundo de Financiamento Estudantil], faz com que cresça o parcelamento próprio, que é a única saída que os alunos estão tendo. Ou o setor privado oferece isso ou aluno não tem como ingressar”, diz Capelato.

O problema, segundo Capelato, é que as instituições não têm capacidade financeira para ampliar os créditos estudantis a longo prazo. O Semesp defende, como forma de otimizar os recursos públicos ainda existentes, que sejam criadas linhas de crédito subsidiadas e a administração seja feita diretamente pelas instituições de ensino e não por agentes financeiros. “As instituições sabem lidar com os estudantes e, ao mesmo tempo, reduzir o risco de inadimplência”, defende.

Os dados apresentados pelo Semesp mostram que, em 2014, o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), ofertado pelo Ministério da Educação (MEC), chegou a liderar o crédito obtido pelos estudantes. Nesse ano, 21,3% dos ingressantes tinham a mensalidade financiada pelo governo. Em 2017, essa porcentagem caiu para 5,7%.

A partir de 2015, o Fies passou por uma série de modificações e restrições. O programa, que chegou a financiar em 2014 mais de 730 mil contratos, oferece hoje 100 mil vagas na modalidade juro zero, voltado para estudantes de baixa renda.

Em audiência pública na Comissão de Educação, na Câmara dos Deputados, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, criticou o Fies dizendo que é uma política equivocada da forma como é executada. Ele ressaltou o alto nível de inadimplência no Fies, que, de acordo com ele, chega a 50%. “Precisamos de política mais calibrada para financiar esses jovens”. Ele garantiu, no entanto, que o financiamento aos estudantes está mantido.

Não apenas o setor privado está sentindo os efeitos orçamentários. As instituições públicas federais tiveram também um contingenciamento de 3,4% dos R$ 49,6 bilhões para 2019. Atualmente, o Ministério da Educação (MEC) tem R$ 5,8 bilhões contingenciados, valor estabelecido pelo Decreto nº 9.741, de 29 de março. O valor representa 3,9% do orçamento do MEC de R$ 149,7 bilhões para 2019.

Edição: Denise Griesinger

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Educação

Segundo dia de Enem tem abstenção de 55,3%

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O segundo dia de aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 teve 55,3% de faltas, abstenção recorde no exame, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Do total de 5.523.029 inscritos no exame, menos da metade, 2.470.396, compareceu aos locais de prova. O índice foi maior que no primeiro dia, quando 51,5% dos inscritos não compareceram às provas. 

A média histórica de abstenção no Enem, segundo o Inep, é de cerca de 27%. O recorde anterior havia sido registrado em 2009, com 37,7% de abstenção. Foram eliminados no segundo dia 1.274 participantes por descumprirem as regras do exame, além de 14 emergências médicas. No primeiro dia, 2.967 candidatos foram eliminados.   

De acordo com o presidente do Inep, Alexandre Lopes, o número de faltosos foi maior do que o esperado, mesmo assim, a realização do exame foi vitoriosa. “Têm vários motivos que podem levar as pessoas a fazerem ou não a prova do Enem, é uma decisão individual e eu respeito a decisão individual das pessoas. O que é importante é o Inep assegurar a oportunidade e isso nós fizemos. Estamos dando a oportunidade de quem quer fazer o Enem poder fazer”, diz. “Conseguimos assegurar, no meio da pandemia, que 5,6 milhões pudessem fazer a prova e que 2,5 milhões fizessem as provas. Acho que isso é uma vitória”, acrescenta.

Segundo Lopes, o segundo dia transcorreu com tranquilidade. Não houve, até o momento, notificações de pessoas que foram impedidas de realizar o exame por conta da lotação das salas, como ocorreu no primeiro dia de aplicação. O Inep atualizou os números divulgados no último domingo. Até o momento, foi confirmado que isso ocorreu em 11 cidades, em 37 escolas.

Tanto esses estudantes quanto os participantes que foram prejudicados por questões logísticas, como falta de luz no local de prova, e aqueles que não fizeram o exame por apresentarem sintomas de covid-19 ou outra doença infectocontagiosa terão direito a fazer o exame na data da reaplicação, nos dias 23 e 24 de fevereiro. 

O pedido para participar da reaplicação deve ser feito na Página do Participante. O sistema estará aberto, segundo Lopes, a partir das 12h desta segunda-feira (25). O prazo vai até o dia 29. Os resultados serão divulgados no dia 12 de fevereiro, quando os estudantes saberão se os pedidos foram aceitos ou não.

Segundo o Inep, até o momento, 18.210 candidatos solicitaram a reaplicação por conta de doenças infectocontagiosas. Desses pedidos, o Inep aceitou 13.716. “Nesses casos não é preciso pedir a reaplicação porque o pedido foi feito no sistema, já foi deferido. Para essas pessoas, já estamos trabalhando na elaboração da prova. 

Enem 2021

Lopes confirmou a realização este ano do Enem 2021. Segundo ele, a prova deverá ocorrer no final do ano, entre novembro e dezembro. A autarquia se prepara para realizar o exame novamente em um ambiente de pandemia. “Vamos fazer o Enem no final do ano, também no ambiente de pandemia. Entendemos que a aplicação do Enem em novembro, dezembro será sob a cortina da pandemia. Em breve, soltaremos o edital do Enem 2021. Precisamos começar agora a preparar a aplicação do Enem”, diz. 

De acordo com Lopes, é importante que o Inep mantenha o calendário das avaliações para que a sociedade não seja prejudicada e para que os estudantes não interrompam a trajetória de estudos. 

Gabaritos

O Enem 2020 tem uma versão impressa, que começou a ser aplicada no último domingo (17) e terminou neste domingo, e uma digital, [LINK: https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2021-01/presidente-do-inep-explica-como-sera-primeira-edicao-do-enem-digital] realizada de forma piloto para 96 mil candidatos, nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro.

As notas do Enem podem ser usadas para acessar o ensino superior e participar de programas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e o Programa Universidade para Todos (ProUni). O gabarito das provas da edição impressa será divulgado na quarta-feira (27).

Confira na íntegra a coletiva de imprensa com balanço do Enem:

Edição: Paula Laboissière

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Educação

Inep e MEC fazem balanço após segundo dia de provas do Enem

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O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e o Ministério da Educação (MEC) fazem, neste momento, um balanço da aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020. As provas começaram a ser aplicadas no último domingo (17), quando os participantes fizeram as provas de ciências humanas, linguagens e redação. 

A aplicação terminou hoje (24), quando os candidatos resolveram questões de matemática e ciências da natureza. As notas do Enem podem ser usadas para acessar o ensino superior em instituições públicas e privadas. O exame é requisito para participar de programas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e o Programa Universidade para Todos (ProUni).

Acompanhe a coletiva:

Edição: Paula Laboissière

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