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CPI da Covid: Documento indica que garimpeiros trocaram ouro por vacina

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Documento enviado à CPI da Covid indica que garimpeiros trocaram ouro por vacina
Mariama Correia, Rafael Oliveira, Rute Pina

Documento enviado à CPI da Covid indica que garimpeiros trocaram ouro por vacina


A Frente Parlamentar Mista de Defesa dos Povos Indígenas enviou um documento à CPI da Covid segundo o qual vacinas destinadas aos povos indígenas podem ter sido desviadas a garimpeiros com pagamento em ouro. O documento ainda cita que estes povos receberam cloroquina e tiveram dificuldade para acessar os leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Segundo informações da Folha, ao menos sete denúncias diferentes foram citadas no documento. Por isso, Joenia Wapichana (Rede-RR), deputada coordenadora do grupo que, encaminhou enviou os registros a autoridades dos ministérios da Saúde, da Justiça e Segurança Pública e também ao Judiciário.

Segundo denúncias recebidas pela frente, houve a utilização de remédios sem eficácia para tratar a Covid-19 em aldeias. Um ofício encaminhado pelo Ministério da Saúde para a deputada em setembro relatava que o Distrito Sanitário Especial Indígena de Vilhena, em Rondônia, contratou profissionais para identificar os sintomas da doença precocemente.

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Além disso, kit’s Covid, contendo azitromicina e ivermectina, teriam sido montados para casos sintomáticos nas aldeias. Ainda segundo informações da Folha, um outro ofício revelava a falta de acesso à medicação adequada, como bloqueadores musculares — necessários para o processo de intubação — e a falta de leitos de UTI. O documento destacou, ainda, a ausência de testes em qualidade e quantidade suficiente no noroeste de Mato Grosso.

“Por se tratar a falta de testagem, necessária tanto para realizar o isolamento e impedir a contaminação quanto para entrar de imediato com a medicação indicada, de remédios para o processo de intubação e de disponibilidade de leitos de UTI, ocorrências em todo o país, peço urgência para a gravidade que o caso dos Cinta Larga e demais povos de Rondônia e Mato Grosso requer e que sejam tomadas as demais medidas ensejadas, pois vidas indígenas importam”, disse a coordenadora em ofício.

Empecilhos à vacinação nas aldeias

Um ofício revelava a influência de missionários nas comunidades indígenas, disseminando o temor à vacina por meio de fake news. “A campanha de desinformação seria difundida via áudios e vídeos pelo celular, pelo sistema de radiofonia entre as aldeias e por cultos presenciais. No estado do Maranhão a maior influência seria da igreja Assembleia de Deus.”

Além disso, vacinas destinadas aos indígenas teriam sido compradas por garimpeiros em troca de ouro. “É comum a queixa por parte dos yanomami de que os materiais e medicamentos destinados à saúde indígena estão sendo desviados para atendimento aos garimpeiros, em prejuízo dos indígenas”, disse Dário Vitório Kopenawa Yanomami, vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami.

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Renan Calheiros pede quebra de sigilo bancário da Jovem Pan

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Renan Calheiros (MDB-AL)
Divulgação/Agência Senado/Jefferson Rudy

Renan Calheiros (MDB-AL)

O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), apresentou requerimento da quebra do sigilo bancário da rádio Jovem Pan. Para o senador, a emissora é “grande disseminadora das chamadas fake news” na pandemia. O pedido de quebras de sigilo é retroativo ao início do ano de 2018.

O objetivo da quebra, segundo o parlamentar, é descobrir se a rádio recebeu aportes financeiros após a pandemia: “Deve ser apresentada análise comparativa entre os períodos, anterior e posterior à situação de pandemia, até a presente data”, diz trecho do requerimento.

“Ademais, a quebra, a transferência e todas as análises, em especial a comparativa, deverão ser elaboradas com dados e informações, outrossim ligações com outras pessoas naturais e jurídicas, disponíveis nas diversas bases de dados da Receita Federal do Brasil”.

A CPI pretende investigar mais a fundo a disseminação de notícias falsas sobre a Covid.

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Bolsonaro não admite corrupção na Saúde, mas fala em “responsabilizar culpados”

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Presidente Jair Bolsonaro
Agência Brasil

Presidente Jair Bolsonaro

Em meio à investigação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, o presidente Jair Bolsonaro admitiu a possibilidade de “problemas” no Ministério da Saúde, mas voltou a falar que não há nenhuma denúncia de corrupção no governo.

Neste sábado, 31, Bolsonaro e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que é formalmente investigado pela CPI, visitaram o Hospital Regional do Câncer de Presidente Prudente (SP), para oficializar o credenciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) na unidade.

“Pode ser que apareça algum problema no ministério dele (Queiroga), afinal de contas o orçamento diário dele são R$ 550 milhões. Não é fácil você coordenar, fiscalizar e executar esse recurso. Mas, repito, se aparecer algum problema, eu e Queiroga seremos os primeiros a colaborar com as investigações e chegar na responsabilização dos possíveis culpados”, afirmou o presidente.

A CPI da Covid investiga um suposto esquema de corrupção na compra da vacina indiana Covaxin, cujo contrato foi cancelado pelo Ministério da Saúde após o avanço das investigações no Senado. Os senadores suspeitam de favorecimento à empresa Precisa Medicamentos, que intermediou a negociação, e acusam Bolsonaro de ter cometido o crime de prevaricação por não ter determinado a investigação das denúncias. O governo nega as acusações e tenta conter o desgaste na CPI.

No mês passado, o ministério demitiu o diretor do Departamento de Logística da pasta, Roberto Ferreira Dias, após ele ser acusado de pedir propina para negociar vacinas. Agora, o grupo majoritário da CPI decidiu que vai solicitar o afastamento da médica Mayra Pinheiro, acusada de interferir nas apurações, da Secretaria de Gestão em Trabalho.

No evento, Queiroga declarou que Bolsonaro “interfere” no Ministério da Saúde, mas, para cobrar a execução das políticas públicas. A falta de autonomia dos ministros da pasta na pandemia de covid-19 é uma das linhas de investigação da CPI, que retoma os trabalhos na terça-feira, 3, após o recesso parlamentar.

“As pessoas me perguntam: o presidente Bolsonaro interfere no Ministério da Saúde? A resposta é sim. O presidente interfere no Ministério da Saúde e em todos os ministérios porque ele cobra que os ministros trabalhem para que todos recursos públicos sejam revertidos em políticas públicas para a sociedade brasileira”, disse Queiroga.

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