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Cowboy ultrapassa histórico de acidentes e vai à Paralimpíada em 2021

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O mês era agosto de 2019. A cidade era Szeged, na Hungria. Foi lá, no Mundial de Paracanoagem, que Fernando Rufino, conhecido como o “Cowboy de Aço”, chegou em sexto lugar na prova do caiaque KL2 200m e conquistou a vaga para os Jogos Paralímpicos de Tóquio de 2021. Assim, ele escreveu mais um capítulo de uma história interrompida lá atrás, em julho de 2016. Às vésperas dos Jogos do Rio de Janeiro, já com a vaga garantida, o ex-peão de rodeio foi cortado da equipe nacional após ser diagnosticado com um problema cardíaco, depois de realizar exames que constataram uma elevação da pressão arterial.

“O ser humano não pode desistir diante de nenhuma adversidade. Desde que eu entrei na paracanoagem, em 2012, o sonho sempre foi estar em uma Paralimpíada. Nem sabia o que era um caiaque, depois fui tomando conhecimento da dimensão do evento. Agora, eu sei que, se existir alguém em Marte, acho que até eles acompanham os Jogos. É algo grandioso. Eu digo que eu não tenho a medalha. Mas conquistei o cordão da medalha lá no Rio “, comentou o Cowboy à Agência Brasil.

E é justamente no ano que vem, nos Jogos de Tóquio, que ele vai poder completar essa história indo para o pódio.

“Não é uma expectativa de hoje, de agora. Já estamos há anos falando de Tóquio. Não é qualquer campeonato. Vou estar velhinho, com uns 80 anos, e lembrando de 2021”, projetou o atleta da classe KL2 (para pessoas que usam o tronco e os braços na remada). Depois de ser cortados dos Jogos do Rio de Janeiro, Rufino passou dois anos fora das competições de alto nível. Só retornou, em agosto de 2018, no Mundial de Portugal.

Mesmo com a pandemia de covid-19 tendo complicado bastante a periodização de treinos, o Cowboy busca alternativas para seguir no rumo da medalha. “Tem que ter uma meta, um norte na cabeça para sabermos que temos esse compromisso. Eu falo bastante com o João Tomasini (presidente da Confederação Brasileira de Canoagem – CBCa), Vitor Loni (preparador físico), Thiago Pupo (técnico). Estou bem otimista, confio demais neles. Eles passam as metas e eu bato todas elas. Então, falo “é nóis””.

Treino na água, o atleta faz no Rio Paraná, no município de Itaquiraí (MS). “Mas não é fácil, amigo. O bicho é grande, fundo e perigoso, tem jacarés, sucuris, piranhas. Aqui, o pau tora. Não é uma lagoinha qualquer. Eu tenho um pouco de medo. E nesse período tem bastante vento aqui na cidade. Por isso, tenho evitado um pouco entrar na água”.

Evento-teste e festa

No ano passado, em setembro, a equipe brasileira da modalidade esteve no Japão para participar do evento-teste, ocorrido no Sea Forest Waterway, palco dos jogos do ano que vem. Luís Carlos Cardoso ficou com a prata no KL1 e o bronze no VL2. Caio Ribeiro faturou a prata no VL3. E o Fernando Rufino ficou com o ouro no KL2 e a prata no VL2. Todas as provas ocorrem na distância de 200 metros. E na volta para casa, o Cowboy foi homenageado com uma carreata pelas ruas de Itaquiraí (MS), onde o atleta nascido em Eldorado (MS) reside há mais de 20 anos. “Coisa bonita de se ver. Veio um caminhão dos Bombeiros. Subi lá em cima com a minha família. Foguetório, gente, carro. Foi bacana demais. Momento de reconhecimento. Por todos nós daqui do interior, ter alguém daqui que conseguiu chegar lá no Japão, no outro lado do mundo, e voltou com medalhas é demais. Eu sempre represento todos eles”.

Canoa e caiaque em Tóquio

A paracanoagem surgiu em 2009, através de uma iniciativa da Federação Internacional da modalidade olímpica. O primeiro Mundial do esporte foi disputado em 2010, em Poznan, na Polônia, e contou com a participação de atletas de 31 países. No programa paralímpico, a modalidade ingressou nos Jogos do Rio de Janeiro em 2016 apenas com as disputas no caiaque. E, nos Jogos de Tóquio, a canoa também estará presente. E deve ter uma disputa bem acirrada entre brasileiros pelas medalhas na categoria VL2. Fernando Rufino – que venceu a Copa Brasil em março deste ano em São Paulo, mas, segundo a CBCa, ainda aguarda a definição oficial da sua vaga nessa prova em Tóquio depois de algumas alterações causadas pela pandemia – e  Luís Carlos Cardoso, dono de 12 medalhas em Mundiais, podem ficar lado a lado nas raias japonesas. “Eu sei que seria uma grande prova. Se acontecer, será uma honra dividir a raia com ele, que é um super-heroi do esporte brasileiro. Em relação aos dois barcos, o caiaque e a canoa se ajudam mutuamente. Na canoa, se rema de um lado só. Isso ajuda para a largada nas provas do caiaque”.

Rotina incrível de acidentes e a pandemia de covid-19

Rufino ingressou na paracanoagem em 2012, sete anos após sofrer um acidente que o deixou paraplégico, impossibilitando que ele seguisse como peão de rodeio. “Estava em um ônibus. Não sei como a porta abriu, e eu cai para fora. Fui para debaixo dele. E o ônibus acabou me moendo. Fui arrastado e tive a lesão medular”. Mas essa foi apenas uma das muitas histórias que ele tem para contar. O Cowboy já foi pisoteado por um touro, sofreu graves acidentes de moto, teve a casa atingida por um raio, além de várias fraturas.

“A cada ano é uma coisa. Só no ano passado que não teve nada, Graças a Deus. Em 2018, estava na academia fazendo aquele exercício pullover e uma anilha de 20 quilos acabou saindo da rosca e caiu bem no meu nariz. Muito sangue”, lembrou o Cowboy.

Ele lembra também do acidente com o raio. “Muitas pessoas duvidam. Mas foi o pior acidente da minha vida. Três dias depois, eu ainda sentia aquele cheiro de pólvora. Foi um dos que eu senti mais medo. Foi bem complicado”.

Agora, já recuperado fisicamente de todos os acidentes, o próximo desafio que ele deverá enfrentar é a pandemia da covid-19, que já forçou o adiamento da Paralimpíada para 2021. “Lá, em 2016, eu já estava com a vaga e não pude participar por causa do problema no coração. Agora, só o que me faltava é esse vírus não deixar eu realizar o meu sonho de conquistar a medalha. Mas, se ele quiser, pode vir, porque aqui tem ferro no corpo por todo lado. Vai ser mais uma história para contar. E tomara que acabe lá em 2021 com as medalhas em Tóquio”.
 

Edição: Liliane Farias

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Finais estaduais impactam rodada de abertura do Campeonato Brasileiro

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A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou nesta segunda-feira (3) que remarcará os jogos de times da Série A (primeira divisão) do Campeonato Brasileiro, cujas datas coincidam com finais estaduais. Mais da metade das partidas da primeira rodada, programadas para próximo fim de semana – sábado (8) e domingo (9) – pode ser impactada.

Por enquanto, a única decisão estadual marcada para sábado (8) é a do Campeonato Paulista, entre Palmeiras e Corinthians, quando ocorrerá o jogo de volta da final. Assim, já estão adiados o duelo entre Verdão e Vasco, e o embate entre o Timão e o Atlético-GO. Segundo a CBF, “as novas datas serão oportunamente divulgadas pela Diretoria de Competições”.

A situação de outros confrontos dependerá da classificação ou não dos times às finais, e do calendário divulgado pelas respectivas federações estaduais. O Atlético-MG, por exemplo, faz na quarta-feira (5), às 21h30 (de Brasília), o segundo jogo das semifinais do Campeonato Mineiro, contra o América-MG. Se avançar, disputa a final contra o Tombense ou Caldense, em duas partidas. Com isso, pode ter adiado o embate de esteéia no Brasileirão no domingo (9) contra o Flamengo, no Maracanã, às 16h (horário de Brasilia).

Ouça na Rádio Nacional

No Rio Grande do Sul, Grêmio e Internacional também se enfrentam na quarta-feira (5), às 21h30 (de Brasília), para definir o vencedor do segundo turno do Campeonato Gaúcho. Quem passar, pega o Caxias na final do Estadual. Se o Tricolor avançar e o primeiro jogo da decisão gaúcha já for no próximo fim de semana, o duelo com o Fluminense, agendado para domingo (9), às 19h, , em Eldorado do Sul (RS), deverá ser adiado. Já em caso de classificação do Colorado, o confronto com o Coritiba, previsto para sábado (8), às 19h30, no Couto Pereira, também pode ser postergado.

A decisão do Campeonato Cearense, entre Fortaleza e Ceará, ainda não foi marcada pela Federação Cearense de Futebol (FCF). O Vozão tem compromisso amanhã (4) pela final da Copa do Nordeste, contra o Bahia. O confronto da final do Estadual será em dois jogos. Se o primeiro for marcado para o fim de semana, pode impactar nas partidas deste sábado (8) da dupla pelo Brasileirão. O Fortaleza recebe o Athletico-PR às 19h, enquanto o Ceará visita o Sport às 21h.

Entre a primeira e a quinta rodadas, a Série A terá uma sequência de jogos a cada três ou quatro dias. Os times só terão uma semana de intervalo antes da sexta rodada, devido à Copa do Brasil. Para equipes que não estão no torneio de mata-mata, o intervalo vira uma alternativa para a conclusão dos Estaduais. Foi o que fez a Federação Baiana de Futebol (FBF), marcando a segunda partida da final do Campeonato Baiano, entre Bahia e Atlético-BA, clube de Alagoinhas, para dia 26 de agosto. O primeiro duelo do Baianão está marcado para quarta.

A princípio, somente três jogos da primeira rodada do Brasileirão não correm risco de ser adiados. Todos são no próximo domingo (9): Botafogo x Bahia, no Nilton Santos, às 11h; Santos x Red Bull Bragantino, às 16h, na Vila Belmiro; e Goiás x São Paulo, no mesmo horário, no Estádio da Serrinha.

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

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Piloto de F1 é novidade brasileira em maratona de Fórmula E

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O mineiro Sérgio Sette Câmara Filho será uma das novidades entre os pilotos que disputarão as seis corridas finais da temporada 2019/2020 da Fórmula E, todas em Berlim (Alemanha), em nove dias. O brasileiro, de 22 anos, substituirá o neozelandês Brendon Hartley na equipe GEOX Dragon, e estreará na categoria dos carros elétricos na etapa de quarta-feira (5), que abrirá a “maratona” no aeroporto de Tempelhof, na capital alemã.

Com Sette Câmara – piloto reserva das equipes Red Bull e AlphaTauri na Fórmula 1 – o Brasil passa a ter três representantes na Fórmula E. Além dele, competem Lucas Di Grassi, pela Audi, e Felipe Massa, da Venturi. O mineiro é fã declarado de Massa e o acompanhou de perto quando o agora companheiro de categoria quase foi campeão mundial de F1, há 12 anos.

“Eu lembro que em 2008, eu estava na arquibancada [do autódromo de Interlagos] com meu pai e avô. Na hora que o Massa ganhou a corrida, que foi emocionante, debaixo de chuva, a gente começou a gritar. Na televisão, a câmera mudou para o momento em que o [Lewis] Hamilton ultrapassou o [Timo] Glock. Mas, quem estava na arquibancada só ficou sabendo que o Massa não foi campeão uns dois minutos depois”, recordou o brasileiro, em entrevista divulgada pela Fórmula E.

Sergio Sette Camara, piloto Fórmula ESergio Sette Camara, piloto Fórmula E

Na quarta-feira (3) o piloto Sergio Sette Camara Filho competira pela primeira vez na categoria de carros elétricos. – Sho Tamura / Red Bull Content Pool/Direitos Reservados

“Nunca imaginei que fosse me profissionalizar como piloto. Sempre fui fanático por corridas e o Massa foi um herói para mim na época. Ele e o Rubinho [Barrichello] me inspiraram muito a seguir nesse esporte. O Felipe liderou o automobilismo brasileiro e ainda lidera. Poder compartilhar a pista com alguém como ele será uma honra”, completou.

Será a primeira vez de Sette Câmara na categoria. Segundo ele, apesar de curta, a vivência na Fórmula E será importante no futuro. “Em geral, no automobilismo, as equipes sempre preferem pegar os pilotos que já estão naquele meio. Como os carros elétricos são muito diferentes, eu queria ter no currículo algum tipo de experiência que me ligasse à Fórmula E”, explicou.

“Eu não esperava [a chance] porque dou prioridade à função de reserva na F1 e aos compromissos na Super Fórmula [campeonato de automobilismo japonês], porque são contratos que eu já tinha assinado. Por conta da pandemia [do novo coronavírus], achava que seria impossível fazer as três coisas ao mesmo tempo, mas encaixou que essas corridas em Berlim não batem com nada [no calendário]”, emendou.

 

 

A maratona da Fórmula E será disputada entre quarta (5) e o próximo dia 13, sempre com dois dias de prova e dois de intervalo. A cada duas etapas, muda-se o layout da pista. Devido à pandemia de covid-19, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) aprovou a finalização do Mundial com portões fechados. A categoria informou que adota “rigorosas medidas de segurança”, como limite de mil pessoas no local de prova, testes e exames diários, uso de máscara, distanciamento social e restrição de movimento nos espaços de trabalho.

A temporada 2019/2020 foi paralisada em março, após as etapas de Arábia Saudita (duas), Chile, México e Marrocos. O português António Félix da Costa lidera o campeonato de pilotos com 67 pontos, 11 à frente do britânico Mitch Evans. Entre os brasileiros, Di Grassi é o quinto, com 38 pontos, e Massa é o 19º, com dois pontos.

Por causa da pandemia, nove provas do calendário original haviam sido suspensas, entre elas, a de Berlim, a única que foi retomada. Com isso, as corridas em Nova York (Estados Unidos), Sanya (China), Roma (Itália), Paris (França), Seul (Coreia do Sul), Jacarta (Indonésia) e Londres (duas corridas no Reino Unido) não serão disputadas nesta temporada.

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

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