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Covid na Coreia do Norte: 3 questões para entender a explosão de casos

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BBC News Brasil

Covid na Coreia do Norte: 3 questões para entender a preocupante explosão de casos no país
Norberto Paredes – @norbertparedes – Da BBC News Mundo em Londres

Covid na Coreia do Norte: 3 questões para entender a preocupante explosão de casos no país

Norberto Paredes – @norbertparedes – Da BBC News Mundo em Londres

Depois de anos enfrentando a pandemia de covid-19, muitos países encerraram suas quarentenas e estão lentamente voltando ao normal. Mas na Coreia do Norte a história é diferente.

Após dois anos sem relatar um único caso de covid, Pyongyang informou em 16 de maio que mais de um milhão de pessoas adoeceram com o que é chamado na imprensa estatal de “febre”.

Os números reais podem ser muito maiores do que os oficiais, já que o governo do país de 25 milhões de habitantes é conhecido por seu sigilo. Além disso a Coreia do Norte possui capacidade de teste limitada.

Até agora, pelo menos 56 pessoas morreram, mas não se sabe quantos desses casos suspeitos testaram positivo para o vírus.

A Coreia do Norte anunciou apenas na semana passada seus primeiros casos confirmados de covid, embora especialistas acreditem que o vírus provavelmente esteja circulando há algum tempo.

“A propagação desta epidemia maligna é a maior reviravolta que aconteceu em nosso país desde sua fundação”, disse Kim Jong-un, líder do país, segundo a agência de notícias oficial KCNA.

Consequentemente, seu governo impôs um controle de “emergência máxima” em nível nacional. A Coreia do Norte já é o país mais isolado do planeta.

Liz Throssell, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), expressou preocupação na terça-feira (17/5) sobre o “provável impacto nos direitos humanos” do confinamento imposto pelas autoridades.

Três questões ajudam a entender como a Coreia do Norte chegou neste ponto.

1. Rejeição da ajuda internacional

A Coreia do Norte rejeitou a ajuda da comunidade internacional para fornecer vacinas ao país, acreditando que poderia manter o vírus sob controle apenas com o fechamento de fronteiras imposto em janeiro de 2020.

Vacinas contra a covid.

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A Coreia do Norte rejeitou ofertas da comunidade internacional para fornecer vacinas ao país

Alistair Coleman, especialista da BBC em Coreia do Norte, diz que as razões do país Norte para rejeitar ofertas de doses de vacinas do exterior não são claras.

“Algumas fontes acreditam que eles estão esperando por vacinas de mRNA mais eficazes, em vez de imunizar a população com injeções menos eficazes”, explica.

“Outra linha de pensamento é que os suprimentos estrangeiros de vacinas vêm com condições inaceitáveis ​​para Pyongyang.”

Para Kee Park, professor de Saúde Global e Medicina Social da Universidade de Harvard, há outros motivos. Em primeiro lugar, a tradicional teoria filosófica norte-coreana conhecida como “juche” enfatiza a autossuficiência.

“Pedir ajuda não é fácil para eles”, explica o professor em entrevista à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

Além disso, ele explica que desde o início da pandemia, a entrada de carga humanitária na Coreia do Sul foi reduzida porque as autoridades veem a entrada de carga e pessoal externo como uma possível via de entrada para o vírus.

“Com o vírus já dentro do país, eles teriam que reavaliar o risco e o benefício da ajuda externa”, acrescenta Park.

Nos últimos dias, um grupo de aviões da Air Koryo, companhia aérea estatal norte-coreana, fez vários voos para a China, depois de ficarem estacionado por mais de dois anos.

“Esses voos podem sugerir uma mudança na disposição da Coreia do Norte em aceitar carga aérea”, diz o especialista.

Segundo ele, isso poderia ter implicações significativas se eles finalmente decidirem aceitar a ajuda de outras organizações internacionais.

2. Deficiências do sistema de saúde

Atualmente, a Coreia do Norte não tem capacidade de testar sua população, aumentando a escassez de medicamentos e equipamentos essenciais para lidar com o coronavírus.

Medicamentos e equipamentos de proteção individual estão em falta na Coreia do Norte

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Medicamentos e equipamentos de proteção individual estão em falta na Coreia do Norte

O professor Kee Park diz que a Coreia do Sul é um país de baixa renda com um sistema de saúde limitado.

“Apesar de uma densidade relativamente alta de profissionais de saúde, o sistema teria dificuldades para lidar com o aumento de pacientes”, diz ele.

Alistair Coleman, especialista em Coreia do Norte, explica que a resposta de Pyongyang à covid sempre foi negar que o vírus exista no país.

“A resposta do Estado foi fechar as suas fronteiras e implementar uma estratégia de higiene para prevenir infeções, pulverizando locais públicos como estações de trem, escolas, hospitais, etc.”

Mas o país não poderia estar menos preparado para combater a doença.

“O sistema de saúde é bem terrível”, diz Jieun Baek, fundador da Lumen, uma ONG que monitora a Coreia do Norte.

“É um sistema muito deficiente. Fora os dois milhões de pessoas que vivem em Pyongyang, a maior parte do país tem acesso a cuidados de saúde de muito baixa qualidade.”

Pessoas que fugiram da Coreia do Norte afirmaram no passado que as agulhas de seringa são reutilizadas até enferrujar e que as garrafas de cerveja são transformadas em recipientes improvisados ​​​​de soro.

Além de uma população não vacinada, há escassez de medicamentos e equipamentos de proteção individual.

Un agente tomándole la temperatura a un alumno como parte de los procedimientos anti covid-19 en Pyongyang el 22 de junio de 2021.

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E os testes são muito limitados: apenas 64 mil testes foram realizados desde o início da pandemia, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.

Em comparação, a Coreia do Sul realizou até agora 172 milhões de testes.

3. Baixa imunidade coletiva

Como consequência da rejeição de Pyongyang à ajuda da comunidade internacional para vacinar a população, a imunidade coletiva no país é extremamente baixa.

Apesar dos rumores de que alguns membros da elite da Coreia do Norte foram vacinados, a grande maioria dos norte-coreanos não recebeu nenhuma dose contra a covid.

De fato, durante a pandemia, a mídia estatal alertou sobre a ineficácia e os perigos das vacinas contra a covid.

Sem casos confirmados de covid-19 nos últimos dois anos, a população é “imunologicamente frágil ao vírus Sars-Cov-2” e todas as suas variantes, diz o professor de Harvard Kee Park.

“Até agora eles não tiveram nenhum surto, então ninguém desenvolveu imunidade. Além disso, eles ainda precisam vacinar a população. Eles essencialmente não têm proteção imunológica”, acrescenta.

Agricultores norte-coreanos

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Há temores de que a explosão de casos agrave a escassez de alimentos na Coreia do Norte

A Organização Mundial da Saúde expressou nesta segunda-feira sua “preocupação” com a situação na Coreia do Norte, já que a variante ômicron parece já ter afetado quase 1,5 milhão de pessoas no país asiático desde o final de abril.

“Como o país ainda não iniciou a vacinação contra a covid-19, existe o risco de o vírus se espalhar rapidamente, a menos que seja reduzido com medidas imediatas e adequadas”, alertou o diretor regional da OMS, Khetrapal Singh, em comunicado.

Liz Throssell, porta-voz do ACNUDH, destacou que, na ausência de uma campanha de vacinação, a propagação da pandemia “poderia ter um impacto devastador na situação dos direitos humanos no país”.

Em comunicado publicado na terça-feira, Throssell apelou às autoridades norte-coreanas para discutirem com as Nações Unidas a abertura de canais de apoio humanitário, incluindo medicamentos, vacinas, equipamentos e outros apoios para salvar vidas.

“Também pedimos às autoridades que facilitem o retorno de funcionários internacionais e das Nações Unidas para ajudar na prestação de apoio, incluindo populações vulneráveis ​​e aqueles que vivem em áreas rurais e de fronteira.”


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Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

Colesterol alto é fator de risco para doenças cardiovasculares

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O presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes – Regional RJ (SBD-RJ), Daniel Kendler, lembra, no Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, comemorado hoje (8), que o excesso dessa gordura no organismo é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC) ou derrame. Cerca de 40% da população brasileira têm colesterol elevado, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). 

Em entrevista à Agência Brasil, Kendler, endocrinologista e professor do Instituto de Educação Médica (Idomed) da Universidade Estácio de Sá, explicou que o colesterol é um tipo de gordura produzida tanto pelo próprio organismo quanto pela ingestão de alimentos. 

“Essa gordura é importante para a fabricação de hormônios, para a constituição de membranas celulares. Ela tem várias funções que são super importantes”. Já o excesso de colesterol, entretanto, principalmente do chamado colesterol LDL, ou colesterol ruim, é um dos principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC) ou derrame. O “colesterol bom” é conhecido como HDL.

Segundo o endocrinologista, o excesso de colesterol pode se depositar nas paredes das artérias, fazendo com que elas fiquem obstruídas e o sangue pare de chegar ao coração; no caso das artérias cerebrais, pode ocorrer o AVC ou derrame cerebral.

Combate

Para combater o excesso de colesterol, Daniel Kendler destacou a necessidade de melhorar a saúde do indivíduo como um todo. “Quando queremos melhorar o colesterol alto, logo pensamos nas medidas que evitam as doenças cardiovasculares: manter o peso adequado, fazer atividade física regular, não fumar, não ingerir bebida alcoólica em demasia. Tudo isso é importante para o indivíduo que tem colesterol alto. Porque a doença cardiovascular tem vários fatores de risco e temos que atacar todos eles”.

Outro orientação útil para a redução do colesterol alto é evitar o consumo de gorduras saturadas, principalmente gorduras de origem animal. “É o indicado para redução do colesterol”, afirmou o médico. Ele admitiu que, em alguns momentos, dependendo dos níveis de gordura, há necessidade do uso de medicamentos. “Mas vida saudável todo mundo pode e deve ter, independentemente de ir ao médico”.

A realização de exame de sangue anual para medir o colesterol é importante, lembrou o presidente da SBD-RJ. Isso se explica porque o colesterol alto não apresenta sintoma nenhum. A orientação é que, a partir de 40 anos de idade, ou antes, se a pessoa tiver outros fatores de risco, como obesidade, diabetes, história familiar, pressão alta, deve fazer, além da consulta, exame laboratorial para avaliar os níveis de colesterol.

Recomendação

Kendler ressaltou que não existe receita mágica, porque cada indivíduo é diferente. Mas a recomendação geral para evitar o colesterol alto é “não fume, beba com moderação, faça atividade física regular e tenha uma alimentação balanceada em relação à proteína animal, com pouca gordura saturada, muita fibra, vegetais, frutas”. Acrescentou que a proteína animal, com muita gordura, tende a aumentar o colesterol.

O especialista destacou que anualmente, no Brasil, as doenças cardiovasculares são as principais causas de óbitos registrados. Observou ainda que a hereditariedade também pode determinar o colesterol alto, mesmo em indivíduos que tenham hábitos saudáveis. É a chamada hipercolesterolemia familiar, comentou.

Edição: Graça Adjuto

Fonte: EBC Saúde

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Saúde

Varíola pode adiar fim das máscaras em voos, diz Antonio Barra Torres

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Diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres
Alan Santos/PR

Diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres

É numa sala espaçosa no último andar da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em Brasília, que o diretor-presidente Antonio Barra Torres despacha. Na parede atrás da mesa do contra-almirante da reserva da Marinha, chama a atenção uma foto do presidente Jair Bolsonaro, com quem se desentendeu ao longo do último ano ao defender a vacinação contra Covid-19.

Agora, diante de um novo alerta sanitário no país, de varíola dos macacos (monkeypox), Barra Torres mais uma vez adota posição conflitante com a do presidente ao questionar se é o melhor momento de liberar as máscaras em ambientes fechados, como nos aviões.

Bolsonaro, por sua vez, derrubou a medida de proteção ao primeiro sinal de arrefecimento da pandemia. Portos e aeroportos, porém, são atribuição da Anvisa, que mantém a exigência.

Na entrevista a seguir, o diretor-presidente da Anvisa conta quais serão os próximos passos da agência diante da nova ameaça.

O Ministério da Saúde anunciou a compra de vacinas e de antiviral contra monkeypox, mas a Anvisa não foi acionada. Como vê isso?

Isso retrata o exercício de um poder que é do Ministério da Saúde. A pasta tem esse poder legítimo, de, em situações onde entenda haver necessidade, superar atribuições da Anvisa. Então, ao assim agir, não está fazendo absolutamente nada de errado, que não esteja previsto. Na sua avaliação, por que houve uma mudança de postura agora? Não tenho ideia.

As responsabilidades recairão sobre o ministério?

Uma análise rasa diria que sim. Porém, a agência não está eximida por lei de suas responsabilidades, inclusive as de monitoramento de quaisquer eventos adversos. A gestão é madura, não tem criança aqui que vá fazer beicinho por um produto que não passou por nós. Precisamos ser, obviamente, invocados para isso, e não vejo por que não.

A Anvisa avalia alguma mudança em relação às fronteiras ou aos voos para conter a varíola dos macacos?

A OMS não preconiza restrições de ir e vir em relação à monkeypox. Mas temos, ainda, práticas não farmacológicas de evitar Covid-19 que se encontram vigentes em aeroportos e aeronaves. A forma de contágio não é a mesma, mas as medidas gerais, que procuram diminuir ou evitar a transmissão, vêm sendo aplicadas. É obrigatório o uso (de máscara em aviões), entretanto nós temos a possibilidade da refeição a bordo, que cria um período de tempo em que você estará sem máscara. Nós observamos — falando de Covid-19 — certo arrefecimento. Então, é possível que seja considerada, no futuro, a flexibilização.

Então a Anvisa avalia flexibilizar o uso de máscara em portos e aeroportos?

Dá para dizer que é uma possibilidade. Existem outros fatores que vieram, infelizmente, ao mesmo tempo, como a própria monkeypox, em que a máscara poderia ajudar a conter. Isso tudo pesa numa decisão: “Será que temos realmente condições agora: sim ou não?” Eu te digo: não me surpreenderia com uma flexibilização, mas, também, caso não venha neste momento, também não seria algo a surpreender.

A OMS declarou varíola dos macacos como uma emergência em saúde pública. É possível que a doença vire uma pandemia?

Não é atribuição do regulador avaliar essa questão. Isso quem faz muito bem são as sociedades de epidemiologia e infectologia aqui no Brasil, que monitoram, bem como a Câmara Técnica de Avaliação Epidemiológica do Ministério da Saúde, que poderá, talvez, dizer, pelas características, se tende a virar pandemia.

A Anvisa liberou a CoronaVac para crianças a partir de 3 anos, mas não houve campanha específica. O que deveria ser feito?

A campanha de vacinação é uma atribuição do ministério. A agência não faz campanha de vacinação ou uso de medicamento. Se a pasta o fizesse, bom seria, porque há uma progressão muito lenta do reforço em adultos e da aplicação em crianças.

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Fonte: IG SAÚDE

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