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Economia

Contrata-se: quais setores estão gerando empregos no Brasil

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IstoÉ


Caio Gandra contratado pela Alt.Bank arrow-options
MARCO ANKOSQUI/Isto É

DESENVOLVEDOR DE MOBILE Caio Granda, contratado pela Alt.Bank: “Me sinto privilegiado por ter sido empregado em uma fintech com proposta inovadora e missão social”

Com a aprovação parcial da Reforma da Previdência, a atenção se volta para ações concretas que possam retomar a atividade econômica, que ainda patina e impede a expansão dos empregos, a face mais visível da crise.

Mas há boas notícias para quem procura uma colocação mesmo em um momento difícil, como o atual. Existem atualmente áreas com carência de profissionais por deficiências históricas — como o segmento de saúde —, e outras que estão em transformação por causa de novas tecnologias — como marketing e finanças.

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Além disso, um novo cenário se desenha para o mercado de trabalho. A busca das companhias por maior produtividade será desafiadora para os profissionais, mas também pode trazer oportunidades .

Enquanto o futuro se descortina no horizonte, as empresas que lidam diretamente com recrutamento detectam aumento na procura por profissionais. A Catho, que conta com um dos maiores sites de classificados de empregos do País, confirma o aumento nas vagas.

“A partir de 2018, depois de alguns anos de quebra, as contratações voltaram a aumentar. Registramos um aumento de 5% neste ano”, diz o CEO Fernando Morette. As regiões Sul (7%) e Sudeste (6%) puxam o aumento de posições ofertadas entre janeiro e maio, na comparação com mesmo período do ano passado, segundo a Catho. Agropecuária é o setor que mais cresceu, seguida de construção e serviços.

A boa notícia é confirmada pelos números oficiais. Ainda que a alta taxa de desemprego (12,3%) atinja 13 milhões de brasileiros, segundo o IBGE, foram criados 474 mil empregos formais nos últimos 12 meses no País, de acordo com o Caged.

O maior avanço em postos se deu no Sudeste (227 mil), e proporcionalmente o maior crescimento ocorreu no Centro-Oeste (+1,93%) e no Sul (+1,48%). “O mercado é um organismo que responde às demandas da sociedade”, diz Ricardo Basaglia, diretor geral da companhia de recrutamento Michael Page.

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Para ele, a tecnologia vem transformando todas as funções, e não só as ultraqualificadas. Um exemplo é a saúde , que passa por um momento de consolidação na gestão de hospitais, laboratórios e equipamentos médicos. Outro é o varejo, em que o ambiente digital era um diferencial, e hoje passou a ser uma questão de sobrevivência. A era do marketing offline também ficou para trás.

As mudanças ocorrem em várias áreas. “As multinacionais acham que é fácil contratar por causa da grande base de desempregados. Mas a resposta não está ligada aos números. A qualificação da mão de obra não aconteceu. Quando começou a retomada, os mesmos problemas de antes da crise voltaram”, diz Raphael Falcão, diretor da Hays, empresa de recrutamento e seleção que atua em 33 países.

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“O ponto positivo é que o mercado de forma geral está mais aberto. É o que acontece com tecnologia, em que se busca um perfil comportamental adequado, e não só técnico.” Segundo ele, o Rio de Janeiro está vivendo um “boom” de petróleo e gás. Em São Paulo, há uma demanda enorme para profissionais bem formados com conhecimento de marketing, principalmente de ferramentas digitais.

“Outra área de destaque é o RH, que precisa orquestrar os novos profissionais. Não existem mais os longos ciclos das marcas nas empresas. O RH é peça fundamental para catalisar a mudança da sociedade, como diversidade. É o primeiro a ser impactado. Deixa de ser assistencialista e precisa ter visão de performance.”

Michele Nicoleti arrow-options
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MÍDIA COMERCIAL E OPERAÇÕES Michele Nicoleti, 38, reconquistou o emprego na PSAFE Tecnologia. “A empresa ia sair do Brasil, mas a partir da minha atuação voltou atrás”


Agronegócio e tecnologia

No agronegócio, o Centro-Oeste registrou um aumento no número de empregos de 11,2% entre 2012 e 2018, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq-USP. Há uma oferta crescente nesse setor, que está espalhado por muitas atividades e municípios do interior, diz José Pastore, professor da FEA-USP e presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da FecomercioSP.

“O agronegócio está diminuindo a geração de empregos diretos, porém está estimulando uma franja de empregos de comércio e serviços”, afirma. “O crescimento do PIB das cidades do interior que têm agronegócio pujante foi bem acima da média nacional e das regiões metropolitanas.”

Ester Magalhães arrow-options
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CUSTOMER SERVICE REPRESENTATIVE Ester Magalhães, 29, foi contratada na Eureka. “Insisti para atuar em negociação, que tem a ver com minha formação (RI)”


Tecnologia da informação (TI) é um dos principais segmentos com falta de profissionais . O setor abriu 43 mil vagas em 2018 e deve gerar 70 mil postos por ano, mas há apenas 46 mil formados anuais na área, segundo a Brasscom, associação das Empresas de TI e Comunicação.

Um dos polos de crescimento é Santa Catarina, que tem o maior índice de startups por habitantes do país. São mais de mil vagas disponíveis nas cidades de Florianópolis, Joinville, Blumenau e Criciúma, segundo a plataforma Nift. A perspectiva é de expansão, segundo Daniel Leipnitz, presidente da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate).

Ele diz que é necessário buscar profissionais de outras regiões e até do exterior para servir as 12 mil empresas de tecnologia e startups locais. Uma delas é a Serasa Consumidor, fintech da Serasa Experian, que dobrou de tamanho nos últimos três anos e pretende chegar a 250 postos até dezembro, segundo o gerente sênior Giresse Contini. Sua unidade de Blumenau tem 32 oportunidades.

Outro polo é Recife. Lá, o Porto Digital, um centro de inovação que reúne 320 startups e empresas de diferentes portes — incluindo Microsoft, OI, Samsung, HP e Motorola — tem nesse momento 800 vagas abertas para profissionais de TI.

Como há dificuldade em preencher as posições, foi feita uma parceria com o Centro Universitário Tiradentes (Unit) e a Fundação Dom Cabral, entre outros, para capacitar mão de obra. Só em 2020, estão previstas 2 mil novas vagas. 

A Accenture, multinacional de consultoria e gestão, é uma das companhias instaladas no local. Tem 2,5 mil funcionários no Porto Digital e quer chegar a 3 mil até o final de 2019. A companhia afirma que a operação local será dobrada dentro de dois anos.

Carolina Burilli Emprego arrow-options
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ATENDIMENTO Carolina Burilli, 19, contratada pela Singu. “Batalhei muito. Sem curso superior, as chances diminuem”


Indústria

As montadoras — que representam o segmento com a maior cadeia industrial — estão em processo de retomada , após a crise. A Volkswagen é um exemplo. Está em meio à maior ofensiva de produtos de sua história, com 20 lançamentos até 2020.

Sua fábrica de São José dos Pinhais (PR) recebeu R$ 2 bilhões para fazer o primeiro SUV nacional. Foram contratadas 60 pessoas e o segundo turno de produção da unidade foi retomado, depois de uma suspensão de 18 meses.

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Com isso, 500 empregados que estavam em layoff (suspensão temporária) retornaram ao trabalho. “A renovação completa da linha de produtos está fortemente apoiada na nova estratégia de regionalização”, diz Marcellus Puig, vice-presidente de Recursos Humanos.

O aumento nas vagas também foi sentido no Centro de Integração Empresa Escola, o CIEE, que faz o meio de campo entre as empresas e os jovens que buscam o primeiro emprego . Marcelo Gallo, Superintendente Nacional de Operações, diz que as ofertas cresceram 10% nos primeiros quatro meses desse ano em comparação a 2018 — para 190 mil.

“Nos programas de estágio e aprendizagem o número de contratados subiu 5%, para 159 mil. Em alguns casos, o jovem aprendiz é o único que tem carteira assinada na família. Geralmente empregamos 30 mil pessoas por mês.”

A falta de qualificação dos candidatos ainda é um problema. É o que aponta a Prefeitura de São Paulo, que tem 24 Centros de Apoio ao Trabalho e dá mais de um milhão de atendimentos por ano.

“Às vezes temos vagas que carecem de profissionais com conhecimento técnico. Quando não encontramos essas pessoas, mesmo sem formação no ensino médio, a posição fica aberta”, afirma Aline Cardoso, secretária de Desenvolvimento Econômico e Trabalho do município. “Há 4 mil vagas. Profissionais acreditam que só temos postos para pessoas com escolaridade baixa, mas não é verdade.”

Empresas geradas pela economia disruptiva, como Uber, Rappi e outras, estão absorvendo uma grande parte dos que não conseguem colocação em suas áreas de origem. “Essas novas formas de trabalhar estão incorporando profissionais de todos os níveis, mas não se pode dizer que estão contribuindo para reduzir o desemprego”, diz Pastore.

Com a crise, já chega a quase 18 milhões o número de brasileiros que ganham dinheiro por meio de aplicativos, segundo o Instituto Locomotiva. Para a Fipe, eles levaram a um número maior nos serviços de entregas nas grandes cidades e ampliaram as oportunidades de trabalho e geração de renda.

Isso beneficia empreendedores individuais e empresas, incluindo startups, que podem disputar espaço com companhias já estabelecidas, criando a reboque novos empregos formais para segmentos menos favorecidos. O cenário de empregos abundantes ainda está distante , mas os exemplos acima demonstram que oportunidades existem — e podem ser alcançadas.

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Economia

Comércio varejista recua 0,1% em outubro, diz IBGE

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O volume de vendas do comércio varejista brasileiro recuou 0,1% na passagem de setembro para outubro deste ano. É a terceira queda consecutiva do indicador, que acumula no trimestre uma perda de 1,8%, segundo dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada hoje (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O setor também recuou 7,1% na comparação com outubro de 2020. No acumulado do ano e em 12 meses, o comércio varejista apresenta altas de 2,6%.

Na passagem de setembro para outubro, cinco das oito atividades pesquisadas tiveram queda no volume de vendas: livros, jornais, revistas e papelaria (-1,1%), móveis e eletrodomésticos (-0,5%), combustíveis e lubrificantes (-0,3%), supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,3%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-0,1%).

Por outro lado, três atividades apresentaram alta: tecidos, vestuário e calçados (0,6%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,4%) e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (5,6%).

Edição: Valéria Aguiar

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Economia

Mercados informal e ilegal no Brasil geram o mesmo que o PIB da Suíça

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Trabalho informal cresce no Brasil
Tânia Rêgo/Agência Brasil

Trabalho informal cresce no Brasil

A economia informal já movimentou R$ 1,3 trilhão este ano, o equivalente a 16,8% do PIB brasileiro. O valor é também semelhante ao PIB de países como Suécia e Suíça. É o que aponta o Índice de Economia Subterrânea (IES), feito pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO) e pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), obtido com exclusividade pelo GLOBO.

O levantamento mostra que a economia subterrânea — que concentra desde as atividades legais não registradas realizadas por ambulantes e autônomos até os mecanismos ilegais como sonegação, pirataria e contrabando — já mostra tendência de alta. O índice voltou ao patamar de 2017.

Na passagem de 2019 para 2020, o indicador caiu de 17,3% para 16,7% em razão dos impactos da crise sanitária nos trabalhadores e serviços informais. Agora, o lento início da normalização da atividade econômica acaba por estimular o avanço da informalidade.

Mercado fragilizado

Segundo dados da Pnad do IBGE referentes ao trimestre encerrado em setembro, o Brasil tem uma taxa de informalidade de 40,6%. “Estamos percebendo que a atividade econômica está voltando ao normal em 2021, mas a economia não se recupera, com índices apontando recessão técnica. A informalidade voltou a operar de forma mais rápida que o mercado formal, e o índice voltou a crescer”, diz Edson Vismona, presidente do ETCO.

O resultado desse movimento é a volta a um padrão de informalidade de 2017, momento em que o indicador começou a subir de forma mais intensa por causa da crise econômica iniciada em 2014. O mercado de trabalho, que desde 2016 mantém a marca de dez milhões de desempregados, ficou ainda mais fragilizado com a pandemia.

Pouco depois do início da pandemia, em maio do ano passado, a empreendedora Alana Villela, de 36 anos, optou por deixar a agência de marketing onde trabalhava e hoje presta seus serviços de produção para empresas e influenciadores de forma autônoma. Ela trabalha na informalidade.

“A regularização acaba fazendo com que você lucre menos. Tudo tem uma burocracia. Por isso que muitas vezes a gente faz tudo de boca. Sejam R$ 50 ou R$ 10, neste momento isso faz falta”, conta.

Informalidade em alta

Com a economia patinando, a tendência é que o percentual de informais suba, mesmo com mecanismos que ajudem a combater a informalidade, como a facilidade de registro de atividades pelo Simples e a reforma trabalhista, explica Vismona.

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“Há condições de a gente recuperar mercado para a formalidade mas, com a nossa economia em situação difícil, a informalidade tende a crescer. É como se fosse uma gangorra. Quando a economia vai bem, a informalidade cai. Já quando a economia entra em um processo de recessão, a informalidade sobe. É o que vimos na nossa curva histórica”, afirma.

Fernando de Holanda Barbosa Filho, economista do Ibre/FGV, avalia que o Brasil tem uma taxa de economia subterrânea intermediária. É pior do que a de países desenvolvidos, cujos índices estão em torno de 10% — caso dos Estados Unidos, com estimativa entre 11% e 12% em 2020, com base em dados referentes a 2018 —, mas melhor do que de países que estão na faixa dos 30% a 40% — como a Turquia, cuja taxa está em torno de 30%, segundo dados do FMI de 2019.

Conjuntura ruim

Barbosa Filho lembra que, não fosse a sobreposição de crises econômicas, o país seguiria uma trajetória de melhora gradual do indicador, dado que a ampliação da escolaridade média dos brasileiros nos últimos anos contribui para a formalização do trabalhador.

Outros fatores importantes são também a expansão do mercado de crédito, que incentiva a formalização das empresas, e a melhora da eficiência arrecadatória por parte da Receita Federal, com a implantação das notas fiscais eletrônicas (NFes), o Simples e o MEI.

“Apesar de os fatores estruturais estarem indo em uma direção correta, o fato de vivermos uma situação conjuntural ruim impede que essa melhora ocorra no nosso dia a dia. O efeito de um baixo crescimento e as constantes crises dificultam o declínio da economia subterrânea”, afirma.

O IES foi criado em 2003, com o objetivo de mensurar a produção e comercialização de bens e serviços, que não é reportada oficialmente ao governo.

A FGV utiliza um modelo desenvolvido nos EUA, chamado de “Underground Economy”, calculado pela média de dois fatores: o indicador monetário, que mensura equação de demanda por moeda, e o indicador do mercado de trabalho informal, que inclui percentual de trabalhadores sem carteira assinada e da renda do trabalho informal. 

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