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Economia

Contas externas têm saldo negativo de US$ 3,9 bi em fevereiro

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As contas externas registraram saldo negativo de US$ 3,904 bilhões em fevereiro, informou hoje (25) o Banco Central (BC). Em fevereiro do ano passado, o déficit em transações correntes (contas externas), que são as compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda do Brasil com outros países, foi menor: US$ 3,334 bilhões. O resultado é o maior para meses de fevereiro desde 2018 (US$ 5,020 bilhões).

Segundo o BC, em fevereiro deste ano comparado ao mesmo mês de 2019, a elevação de US$ 570 milhões no déficit decorreu da redução de US$ 154 milhões no superávit da balança comercial de bens, de maiores déficits nas contas de serviços (aumento de US$ 239 milhões) e de renda primária (US$ 224 milhões) e da elevação dos ingressos líquidos de renda secundária (US$ 47 milhões).

Nos dois primeiros meses do ano, o déficit em transações correntes chegou US$ 15,784 bilhões, contra US$ 12,379 bilhões em igual período de 2019. Para esse período, é o maior déficit em transações correntes desde 2015 (déficit de US$ 19,415 bilhões).

O déficit em transações correntes nos 12 meses encerrados em fevereiro de 2020 somou US$ 52,9 bilhões (2,91% do PIB), ante US$52,3 bilhões (2,86% do PIB), em janeiro de 2020. Esse resultado em 12 meses é o maior desde dezembro de 2015, quando o déficit atingiu US$54,5 bilhões.

Balança comercial

As exportações de bens totalizaram US$ 16,386 bilhões em fevereiro, aumento de 4% em relação ao mesmo mês de 2019. Na mesma base de comparação, as importações de bens aumentaram 6%, para US$ 13,868 bilhões. Na comparação entre os primeiros bimestres de 2020 e 2019, as exportações reduziram 8,6% para US$ 30,887 bilhões, enquanto as importações aumentaram 2,9%, totalizando US$ 30,932 bilhões.

De acordo com o BC, a contração do saldo comercial, de superávit de US$ 3,728 bilhões no primeiro bimestre de 2019, para déficit de US$ 45 milhões em igual período de 2020 “determinou a ampliação do déficit em transações correntes no período”.

Serviços

O déficit na conta de serviços (viagens internacionais, transporte, aluguel de investimentos, entre outros) atingiu US$ 2,594 bilhões no mês, 10,2% superior ao resultado de fevereiro de 2019 (US$ 2,355 bilhões). O BC destacou o aumento na despesa líquida (descontadas as receitas) de aluguel de equipamentos, de US$ 937 milhões para US$ 1,454 bilhão, e a redução nas despesas líquidas (descontadas as receitas) de viagens, de US$ 760 milhões para US$ 403 milhões.

No caso das viagens internacionais, as receitas de estrangeiros em viagem ao Brasil chegaram a US$ 478 milhões, enquanto as despesas de brasileiros no exterior ficaram em US$ 881 milhões, o menor resultado desde fevereiro de 2016 (US$ 841 milhões).

Segundo o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, como as estatísticas divulgadas hoje referem-se ao mês de fevereiro, e ainda não há impactos mais expressivos da pandemia do coronavírus. “A rubrica com impacto mais significativo parece ser a das viagens internacionais, com redução interanual de 12% nas receitas (estrangeiros viajando ao Brasil) e de 32% nas despesas (brasileiros viajando ao exterior)”, disse.

Neste mês, até o dia 23, as receitas chegaram a US$ 335 milhões e despesas de US$ 570 milhões.

Rendas

Em fevereiro de 2020, o déficit em renda primária (lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários) aumentou 6,1% na comparação com fevereiro de 2019, somando US$ 3,904 bilhões. Os gastos líquidos com juros somaram US$ 1,369 bilhão no mês, aumento de 35,3% na comparação interanual, com incremento de despesas e estabilidade nas receitas. As despesas líquidas de lucros e dividendos somaram US$ 2,545 bilhões, redução de 6,1% ante fevereiro de 2019.

A conta de renda secundária (renda gerada em uma economia e distribuída para outra, como doações e remessas de dólares, sem contrapartida de serviços ou bens) teve resultado positivo de US$ 76 milhões, contra US$ 29 milhões em fevereiro de 2019.

Investimentos

Os ingressos líquidos em investimentos diretos no país (IDP) somaram US$ 5,996 bilhões no mês, ante US$ 7,682 bilhões em fevereiro de 2019.  De acordo com o BC, o fluxo foi composto por ingressos líquidos de US$ 2,336 bilhões em participação no capital e de US$ 3,660 bilhões em operações intercompanhia.

No primeiro bimestre, o IDP chegou a US$ 11,615 bilhões, ante US$ 13,510 bilhões de janeiro a fevereiro de 2019.

Nos 12 meses encerrados em fevereiro de 2020, o IDP totalizou US$ 76,7 bilhões, correspondendo a 4,22% do PIB (Produto Interno Bruto), em comparação a US$ 78,3 bilhões (4,28% do PIB) no mês anterior.

Quando o país registra saldo negativo em transações correntes, precisa cobrir o déficit com investimentos ou empréstimos no exterior. A melhor forma de financiamento do saldo negativo é o IDP, porque os recursos são aplicados no setor produtivo.

Em fevereiro, a saída líquida de investimento em carteira no mercado doméstico somou US$ 3,358 bilhões, com saídas líquidas de US$ 4,495 bilhões em ações e fundos de investimento e ingressos líquidos de US$ 1,137 bilhão em títulos de dívida.

No caso de ações totais (negociadas nos mercados doméstico e externo), as saídas líquidas de fevereiro de 2020 de US$ 4,428 bilhões são as mais elevadas desde outubro de 2008 (saídas líquidas de US$ 6,065 bilhões).

No primeiro bimestre deste ano, houve saídas líquidas de US$ 1,907 bilhão nesses tipos de investimento, contra a entrada líquida de US$ 10,714 bilhões observados em igual período, em 2019.

Segundo Rocha, em março, “os fluxos de IDP continuarão sólidos”, com resultado parcial até o dia 23 em US$6 bilhões. “Por outro lado, tem havido saídas líquidas mais significativas em instrumentos de portfólio [carteira] no país, enquanto continua bastante elevada a taxa de rolagem para papéis e empréstimos externos”.

“Conforme a entrevista do presidente do BC [Roberto Campos Neto] na última segunda-feira, os impactos da pandemia nos mercados financeiros são significativos, com o banco tomando todas as medidas necessárias para garantir a liquidez, em moeda estrangeira e nacional, e o funcionamento dos mercados”, disse o chefe do Departamento de Estatísticas da instituição, Fernando Rocha.

Previsões

Para o mês de março, a estimativa para o resultado em transações correntes é de déficit de US$1 bilhão, enquanto a de IDP é de ingressos líquidos de US$ 7 bilhões.

Edição: Nádia Franco/Denise Griesinger

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Economia

Dólar fecha abaixo de R$ 5,10 pela primeira vez em duas semanas

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Agência Brasil

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MARCELLO CASAL JR./AGÊNCIA BRASIL

Dólar fecha abaixo de R$ 5,10

Em reação à desaceleração de casos do novo coronavírus em diversos países da Europa e em algumas regiões norte-americanas, o dólar caiu para o menor nível em duas semanas. A bolsa de valores caiu depois de três altas seguidas, mas fechou a semana com alta de 12%. Mesmo assim, o dólar comercial encerrou a quinta-feira (9) vendido a R$ 5,091, com recuo de R$ 0,053 (-1,02%). 

A moeda chegou a operar em alta nos primeiros minutos de negociação, mas reverteu a tendência ainda durante a manhã. Na mínima do dia, por volta das 12h, a cotação chegou a atingir R$ 5,05. A cotação está no menor nível desde 26 de março, quando tinha fechado em R$ 4,996.

O Banco Central (BC) interveio no mercado. A autoridade monetária não vendeu dólares das reservas internacionais hoje, mas leiloou US$ 297 milhões em contratos de swap cambial, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro. Em 2020, o dólar comercial acumula alta de 26,85%.

Veja:  Bolsonaro reivindica autoria do auxílio emergencial

Bolsa de valores

Depois de três dias seguidos de alta, o índice Ibovespa, da B3 (bolsa de valores brasileira), fechou o dia aos 77.682 pontos, com recuo de 1,2%. Mesmo assim, o índice acumula valorização de 12% na semana.

Há várias semanas, os mercados financeiros em todo o planeta atravessam um período de nervosismo por causa da recessão global provocada pelo agravamento da pandemia de coronavírus. As interrupções na atividade econômica associadas à restrição de atividades sociais travam a produção e o consumo, provocando instabilidades.

Petróleo

A bolsa subiu durante quase todo o dia, mas reverteu a tendência depois do fim da reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Os países fecharam um acordo para reduzir a produção global em 10 milhões de barris por dia em maio e junho. No entanto, dúvidas se países de fora da Opep também reduzirão a produção fizeram diversas bolsas internacionais cair.

A guerra de preços de petróleo começou há cerca de um mês, quando Arábia Saudita e Rússia aumentaram a produção, mesmo com os preços caindo por causa da baixa demanda provocada pela pandemia. Na semana passada, a cotação do barril do tipo Brent chegou a operar próxima de US$ 20, no menor nível em 18 anos. Segundo a Petrobras, a extração do petróleo na camada pré-sal só é viável para cotações a partir de US$ 45.

Por volta das 18h30, o Brent era vendido a US$ 31,99, com recuo de 2,59%. As ações da Petrobras, as mais negociadas na bolsa, também caíram. Os papéis ordinários (com direito a voto em assembleia de acionistas) desvalorizaram-se 3,66% nesta quinta. Os papéis preferenciais (com preferência na distribuição de dividendos) recuaram 2,89%.

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Bolsonaro reinvindica autoria do auxílio emergencial de R$ 600

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⚠️ Atenção ⚠️ Fonte: Governo Federal

Uma publicação compartilhada por SecomVc (@secomvc) em 9 de Abr, 2020 às 11:49 PDT

A Secretaria de Comunicação do governo publicou nesta quinta-feira (9) uma campanha destinada a explicar que o  auxílio emergencial de R$ 600  a informais é pago pela administração federal, em oposição a governadores e prefeitos.

“O auxílio emergencial não é fornecido por prefeituras nem governos estaduais. O auxílio emergencial é fornecido pelo governo federal, para a população, graças aos impostos pagos pela própria população”, diz a campanha do governo federal.

Nesta quinta-feira, o presidente criticou o “uso político” do auxílio emergencial por parte de governos estaduais durante live nas suas redes sociais. “Isso aí é uma fraude. Não vou acusar o governador porque não temos prova de que foi feito pelo governador”, disse, sem especificar a qual governador nem a que ação estava se referindo.

Leia: Copacabana Palace fecha pela primeira vez em 97 anos

Antes, a equipe econômica de Bolsonaro queria conceder R$ 200 aos informais. Depois, a ideia passou a ser sobre o valor de R$ 300. Após críticas do Congresso, o valor foi elevado a R$ 500. Como forma de finalizar o processo com protagonismo, Bolsonaro decidiu que o valor final seria de R$ 600.

Com a pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), Bolsonaro e a maior parte dos governadores tiveram divergências. Isso porque o presidente  critica as medidas restritivas impostas pelos governadores estaduais para conter a expansão da doença, seguindo recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde.

O presidente perdeu o apoio de alguns daqueles que foram seus aliados, como os governadores João Doria (PSDB-SP), Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Wilson Witzel (PSC-RJ) e tem constantemente ameaçado o cargo do atual ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta.

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