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Coluna – O erro de estratégia e a falta de memória dos dirigentes

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O Flamengo não errou no domingo (27). A postura equivocada com relação à disputa do Brasileirão é uma falha que deve ser atribuída aos dirigentes que administram o clube, lá se vão quase dois anos. O Flamengo, pelo qual o torcedor vibra e a imprensa acompanha, empatou com o Palmeiras e voltou pra casa com um ponto importante. O Flamengo, da garotada criada na base, tem atletas como o goleiro Hugo, destaque da partida. O jovem há 12 anos veste o uniforme rubro-negro, tem muito mais tempo no Flamengo se comparado àqueles se apresentam como dirigentes do clube da Gávea. Esses erraram, falharam ao tentar adiar uma partida não se importando com o regulamento e possíveis punições. Isso sem falar no explícito desrespeito ao torcedor. O Flamengo tinha de ir a campo como foi. E, independentemente do resultado, teria honrado sua camisa e cumprido os compromissos assumidos.

Mas, não dá para deixar passar em branco a enxurrada de críticas que o clube recebeu, como se fosse o culpado por tudo o que acontece de ruim no futebol brasileiro. Até porque, ficou parecendo que nenhum outro clube no país já recorreu a outras esferas, ou já tentou mudar a data de realização de um jogo, cancelar resultado, suspender punição à atleta, principalmente em véspera de grandes finais. São todos santos. Pelo visto, como foi dito e repercutido, só o Flamengo olhou para “o próprio umbigo” ao longo da história do futebol brasileiro.

Vale lembrar que não foi o Flamengo o responsável pela volta do Campeonato Carioca antes dos demais. O Vasco o apoiava na decisão. No último domingo (27), em nota oficial, o Sindicato de Atletas Profissionais de São Paulo (Sapesp) também pediu o adiamento da partida entre o Rubro-Negro e o Verdão. https://sindicatodeatletas.com.br/noticias/juridico/nota-oficial:-palmeiras-x-flamengo.html)

Voltando um pouco mais no tempo, nem precisamos ir longe. No dia 21 de fevereiro de 2011 a CBF reconheceu o Flamengo campeão brasileiro de 1987 (https://www.cbf.com.br/futebol-brasileiro/noticias/campeonato-brasileiro-serie-a/cbf-reconhece-titulo-do-fla). Mas, uma decisão da Justiça Comum, impediu a entidade de oficializar o reconhecimento do título. E ninguém se manifestou e ficamos assim: fingindo que o fato não houve, ou nos esquecendo dele.

Em 1986, fato semelhante aconteceu com o Fluminense, no Campeonato Carioca – e é bom destacar que o Tricolor não se manifestou na polêmica de domingo passado. Na época, o problema era a dengue e o time teve nove jogadores infectados. O clube entrou na Justiça Comum pedindo o adiamento da partida contra o Americano, o que não foi aceito. Perdeu por WO, não sofreu qualquer punição, e acabou ficando fora da disputa do título – Tricolor tentava na época um inédito tetracampeonato.

Em 2016, o Atlético Mineiro pediu adiamento de uma partida contra o Palmeiras, porque tinha jogadores convocados para seleções – a rodada era próxima a uma data Fifa – e não queria entrar em campo desfalcado, pois lutava pela liderança. E já tinha feito o mesmo para a partida contra o Corinthians, sem sucesso. Aliás, o Corinthians, em 2015, também recorreu à Justiça Comum para defender a presença da torcida dele em uma partida contra o Palmeiras.

Falando dos dois times paulistas, em 2018 o Verdão fez de tudo para anular a final do Paulistão, vencida pelo Corinthians. Recorreu até ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), sem sucesso. O mesmo Palmeiras, que ano passado buscou um efeito suspensivo para liberar Felipe Mello –  condenado a quatro jogos de suspensão por ter agredido Lucca, na partida contra o Bahia –  para encarar o Flamengo, no Maracanã.

E vamos ficar aqui lembrando de diversos outros fatos, de todos os lados. Inclusive do Flamengo, que também não é um “santo” nessa história e já buscou seus recursos em várias instâncias.

O que quero dizer disso tudo é que os dirigentes do nosso futebol jogam, e muito mal, “pra galera”. Fizessem o dever de casa direito – pensando no futebol como empresa e profissionalizando a administração – talvez pudéssemos ver jogos de melhor qualidade e nada de discussão fora de campo, nem jogos de cena.

E também, quem sabe, veríamos os salário dos jogadores.  Aliás, não existe punição para atraso de salários, inclusive com perda de pontos?

Infelizmente, a memória e o discurso dos dirigentes caminham apenas para o lado que mais lhes interessa.

*Por Sergio du Bocage, apresentador do programa “No Mundo da Bola”, da TV Brasil

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

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Botafogo demite técnico Bruno Lazaroni, com menos de um mês no cargo

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A derrota por 1 a 0 pela Copa do Brasil para o Cuiabá na noite de ontem (27) custou o cargo do técnico Bruno Lazaroni. Em nota oficial, divulgada, nesta quarta (28), o Botafogo explica que o time será dirigido pelo preparador de goleiros, Flavio Tenius, na partida contra o Ceará, no próximo sábado (31), em em jogo válido pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro.

O Alvinegro carioca explica ainda em nota que “ofereceu a oportunidade ao profissional de permanecer no clube como integrante da comissão técnica” e aguarda a definição de Lazaroni. O preparador físico Felippe Cappela e o auxiliar-técnico Fábio Lefundes também estão de saída do Botafogo. O departamento de futebol da equipe carioca ainda disse em nota que buscará “no mercado” um novo treinador para a equipe profissional.

Bruno Lazaroni é o 14º técnico a perder o cargo em times da Série A do Brasileirão. Ele havia assumido o comando do time em 1º de outubro, em substituição a Paulo Autuori, que deixou a função, também após uma derrota: 2 a 1 para Bahia, no Campeonato Brasileiro.

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

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Caminho inverso no futebol feminino marca trajetória do Kindermann

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Município com pouco mais de 78 mil habitantes, Caçador fica na região do Contestado, meio oeste de Santa Catarina, a 400 quilômetros da capital Florianópolis. Mesmo distante dos principais centros econômicos do Brasil e até do próprio estado, a cidade abriga uma das camisas mais tradicionais do país no futebol feminino. Adversária do Internacional nas quartas de final da Série A1 (primeira divisão) do Campeonato Brasileiro – em confronto que começa nesta quarta-feira (28), às 17h (horário de Brasília) – a Associação Esportiva Kindermann seguiu um caminho diferente da maior parte dos times envolvidos na modalidade.

Fundado em 1975, o clube deixou o futebol masculino no início dos anos 2000 para se dedicar ao futsal, primeiro entre os homens, depois abrindo as portas às mulheres. O sucesso nas quadras do time feminino, iniciado em 2004, foi decisivo para mudar a trajetória da agremiação fundada pelo empresário – e ainda hoje presidente – Salézio Kindermann.

“Fomos campeões da Taça Brasil de Futsal sub-20 no primeiro ano. Em 2005, ganhamos no adulto pela primeira vez. Tínhamos um super-time, com sete jogadoras da seleção brasileira. Depois, o futsal decaiu um pouco, as competições não estavam mais acontecendo. Fomos para o futebol de campo [feminino] em 2008. No ano seguinte, disputamos a primeira Copa do Brasil e já ficamos em terceiro. Para um time que veio do futsal, fomos muito bem. Só que chegou uma hora que não dava para fazer as duas coisas. Paramos com o futsal e ficamos só no campo, onde estamos até hoje”, relata Salézio.

Julia Bianch, Avai KindermannJulia Bianch, Avai Kindermann

A meia Julia Bianch foi revelada pelo time da cidade de Caçador (SC) – Andrielli Zambonin/Avaí Kindermann/Direitos reservados

Nos últimos 12 anos, foram 11 títulos estaduais, um vice-campeonato brasileiro (2014), uma semifinal de Série A1 (2019) e o maior feito: a conquista da Copa do Brasil (2015). “É comum a gente frequentar o mercado, as lojas da cidade e as pessoas nos perguntarem sobre os jogos e nos parabenizar”, conta a meia Júlia Bianchi, revelada pelo Kindermann e atual camisa 10 do elenco. “A população de Caçador abraça o time”, completa.

De fato, os 18 apoiadores que o clube divulga no site oficial são de Caçador e região, sendo um deles uma universidade que fornece bolsas de estudo às atletas. Há, ainda, a parceria com o Avaí, firmada no ano passado, pela obrigatoriedade de os times envolvidos em competições da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) terem representantes no feminino. Por isso, a equipe atua como Avaí/Kindermann. Segundo Salézio, a agremiação de Florianópolis fornece uniforme e apoio financeiro.

Avaí Kindermann, campeã da Copa do Brasil 2015Avaí Kindermann, campeã da Copa do Brasil 2015

Comemoração da equipe catarinense, após conquista do título de 2015 da Copa do Brasil – Facebook/Avai Kindermann

Reconstrução

O projeto do Kindermann teve uma pausa forçada durante 2016, devido a uma tragédia. Em dezembro de 2015, Josué Henrique Kaercher, então técnico da equipe, foi assassinado por Carlos José Correa, ex-treinador do Pantera Negra, um time de futsal mantido pelos mesmos donos do clube catarinense. Estarrecidos, os responsáveis pela agremiação anunciaram o encerramento das atividades “por tempo indeterminado” dias após o crime.

“Você fica emocionalmente abalado. Eu podia ter perdido toda a minha família ali. Para mim, tinha acabado, não tinha mais futebol. A gente tinha acabado de ganhar a Copa do Brasil e o Kindermann participaria pela primeira vez da Libertadores Feminina. Acabamos abrindo mão, não tínhamos condição. Fiz trabalho psicológico por seis meses. Minha família não queria mais que eu voltasse ao futebol”, recorda Salézio.

A pausa durou cerca de um ano. Em 2017, a CBF mudou a forma de disputa do Campeonato Brasileiro, com a criação da Série A2 (segunda divisão) e a garantia de um lugar na divisão de elite às oito melhores equipes do ranking feminino da entidade. O Kindermann iniciou aquele ano justamente em oitavo lugar, mesmo após uma temporada parado.

“Naquele momento, tínhamos quase R$ 1 milhão captados em projetos para o futebol. Eu tinha esse compromisso com a cidade, que nos ajudou. Foi um trabalho longo com a família. O futebol é minha vida, não tinha como viver sem. Levei um ano para convencê-los. Graças a Deus, consegui o aval e voltamos em 2017. Começamos do zero, mas fomos bem”, destaca o dirigente, em referência à equipe ter alcançado as quartas de final do Brasileirão, parando no Rio Preto, então atual campeão.

Bárbara, goleira, KindermannBárbara, goleira, Kindermann

Goleira da seleção brasileira, Bárbara chegou ao Kindermann em 2017, na volta do time ao campeonato nacional – Andrielli Zambonin/Avaí Kindermann/Direitos reservados

Para a remontagem da equipe, o Kindermann apostou em um grupo jovem, preenchido com algumas atletas experientes. Entre elas, a goleira Bárbara, da seleção brasileira, que segue no grupo. O comando foi dado a Jorge Barcellos, ex-técnico da seleção e que também permanece no time de Caçador. “Tentamos trazer um pouco da nossa experiência, escolher as pessoas certas, não só na parte tática e técnica, mas também física, de fisioterapia. Trouxemos pessoas que contribuíram muito para o trabalho, que se envolveram e se entregaram. A coisa foi acontecendo”, recorda o treinador.

Na briga

Se o Avaí optou pela parceria com o Kindermann, outros clubes tradicionais do futebol masculino, como Palmeiras, São Paulo e Cruzeiro, montaram os próprios elencos femininos – no caso da Raposa, pela primeira vez na história. Santos, Corinthians, Flamengo, Grêmio e Internacional, por sua vez, já desenvolviam a modalidade antes da obrigatoriedade, ainda que tendo pausas nas respectivas trajetórias, por diferentes razões.

A entrada dos chamados “times de camisa” no Brasileiro Feminino, porém, não tirou o agora Avaí/Kindermann da parte de cima. No ano passado, as catarinenses terminaram a primeira fase na terceira posição e caíram apenas na semifinal para a campeã Ferroviária. Desta vez, a equipe avançou às quartas de final com a sexta melhor campanha e estabeleceu a maior goleada (9 a 0 sobre o Audax) da competição, além de ter o segundo ataque mais positivo, com 39 gols, empatado com o Inter – o Corinthians, com 48 gols, lidera a estatística.

“A gente não fica para trás. Os times fizeram pontuações parelhas [na primeira fase], com exceção do Corinthians e do Santos – de quem nós ganhamos [2 a 1, em Caçador]. Nosso investimento é bom, R$ 2 milhões por ano. Não somos um time que paga salário mínimo às atletas. Muitas meninas se formaram aqui [com apoio do clube], acredito que mais de 60 meninas tenham saído de Caçador com diploma. Temos boa estrutura, alimentação, um trabalho médico legal. Brigamos de igual para igual”, garante Salézio.

A meia Julia Bianch reforça a opinião de Salézio. “Acho que, em parte do Brasil, as pessoas nos veem como uma equipe pequena, por causa dos times de camisa. Hoje, temos a parceria com o Avaí, mas o Kindermann já tinha história e tradição”, afirma a jogadora, que está na terceira passagem dela pelo clube, após atuar na Ferroviária, Figueirense, Centro Olímpico e Madrid CFF, da Espanha. “As atletas, quando começam, querem passar por equipes grandes, entre elas o Kindermann. A gente vê pelo número de meninas inscritas nas peneiras. Sempre recebo mensagens de meninas querendo vir para cá”, completa.

Pela taça

A CBF definiu que os oito clubes que continuam na briga pelo título do Brasileiro Feminino deverão atuar em seus estádios principais. Com isso, o Kindermann mandará a partida desta quarta-feira contra o Internacional na Ressacada, em Florianópolis, casa do parceiro Avaí, ao invés do estádio Carlos Alberto da Costa Neves, em Caçador. O jogo de volta do confronto será no domingo (1), às 16h, no Beira Rio, em Porto Alegre. Em caso de empate na soma dos resultados, o duelo será decidido nos pênaltis.

“Temos um grupo de qualidade. O Jorge comandou a seleção feminina por sete anos. A Bárbara é a titular da seleção, temos a [lateral] Bruna Calderan, a [zagueira] Camila e a nossa fisioterapeuta [Ariane Falavinia], que também são de seleção, e o Luiz Rodrigo [preparador físico] na seleção sub-20, com a Camila. Acho que isso nos credencia a brigar pelo título. O único que não temos é o Brasileiro”, projeta Salézio.

Avai Kindermann, vitória de 1 a 0 sobre o Grêmio, antes da pandemiaAvai Kindermann, vitória de 1 a 0 sobre o Grêmio, antes da pandemia

Antes da pandemia, Avai Kindermann derrotou em casa o Grêmio, por 1 a 0 – Andrielli Zambonin/Avaí Kindermann/Direitos reservados

O técnico Barcellos também está confiante. “Considero o Brasileiro um dos campeonatos femininos mais difíceis do mundo. No ano passado, a Ferroviária foi uma das últimas equipes a se classificar e foi campeã. O jogo é jogado. Nosso time cresce a cada jogo, evoluindo muito”, avalia o treinador, que considera positivo o intervalo de duas semanas entre o fim da primeira fase e o mata-mata. “Teve ocasião em que fizemos quatro partidas em 11 dias. [Com o intervalo] Pudemos treinar bastante e potencializar o que temos de positivo. Precisamos da vitória [em casa] para buscar a classificação na volta”, completa o técnico.

Após o Brasileirão, o Avaí/Kindermann perseguirá outro título inédito. Adiada devido à pandemia do novo coronavírus (covid-19), a Libertadores Feminina referente a 2020 ainda não foi reagendada pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), mas está prevista para o início de 2021. O terceiro lugar na última Série A1 assegurou às catarinenses a vaga no principal torneio do continente. Postergado em 2016, o sonho de brigar pelo posto de melhor time da América poderá, enfim, ser realizado.

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

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