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Opinião

CLAITON CAVALCANTE – Debandada em massa

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Se o Brasil estivesse sob a égide do Partido da Social Democracia Brasileira aqueles que gostam de Carica papaya, assim como eu, estariam preocupados com a iminente escassez do fruto isso porque nos últimos meses a revoada de renomados técnicos da área econômica do ninho do atual governo é coisa para tucano ficar de bico aberto. Já são quase duas dezenas.

Quem lembra da Emenda Constitucional do Teto dos Gastos Públicos? Pois foi por causa de mais uma alteração na Emenda Constitucional nº 95/2016, que de uma só vez quatro integrantes do mais alto nível intelectual do Ministério da Economia pediram exoneração na última quinta-feira (21), por discordarem de mais uma manobra para abrir brechas no teto de gastos. Me parece manobra com “cheiro” de pedalada fiscal.

A Emenda do teto dos gastos discutida em 2016, com início de vigência em 2017, em sua essência era muito importante, em que pese ter desagradado muitos segmentos. Basta lembrar do congelamento de subsídios e da contratação de pessoal por meio de concurso público.

O teto dos gastos foi um mecanismo criado para controlar a dívida pública, tendo como freio para limitação de gastos públicos à inflação. Esse mecanismo de arrocho fiscal está ou estava – pois já não se sabe mais – previsto para durar vinte anos, conforme definido no art. 1º, da EC nº 95.

Para nós, pessoas físicas, que pratica o orçamento familiar uma das regras básicas das finanças pessoais é gastar menos do que ganha. Informação óbvia, mas muitos tem dificuldade para colocar em prática.

Promulgada no governo anterior, a EC nº 95 já sofreu algumas alterações, as principais são a EC nº 109/2021 (PEC Emergencial) e a PEC 23/2021 (PEC dos Precatórios).

A PEC dos Precatórios se aprovada no Senado, visto que foi aprovada na Câmara dos Deputados dará margem ao governo federal com essa manobra ter uma folga fiscal de R$ 83 bilhões a mais para gastar no próximo ano e consequentemente de maneira arquitetada será furado o teto de gastos.

Foi em razão dessas medidas, digamos, descontroladas e de cunho visivelmente eleitoreiro (Auxílio Brasil) que o Ministério da Economia e outros setores da área econômica do governo federal vem perdendo ano após ano com a saída de um time completo de renomados especialistas da área.

O Ministro Paulo Guedes que ao desembarcar no governo federal com a missão de revolucionar a economia, selecionou uma equipe de craques da mais alta competência com vivências de sucesso no mundo corporativo, acadêmico e nas áreas de carreira técnica do próprio governo.

Ocorre que, com essa insegurança fiscal quase vinte profissionais que formavam o esteio pensante do Ministério da Economia saíram do governo e deixou o País a deriva sendo guiado por um Ministro isolado e submisso ao capitão mandatário.

Das quase duas dezenas de profissionais que bateram em retirada citarei o nome onze deles. Onze nos remete a um time completo de futebol. O time saiu. Ficou somente Paulo Guedes. O técnico desafinado.

Na última quinta-feira (21), de uma só vez quatro pediram exoneração sendo: Gildenora Dantas, Bruno Funchal, Jeferson Bittencourt e Rafael Araújo, os dois primeiros tive a honra de tê-los como professor, sendo que o Funchal é sem sombra de dúvidas uma das mais importantes cabeça pensante da área econômica governamental do País, foi ele que colocou o estado do Espírito Santo na vanguarda do equilíbrio fiscal.

Os sete restantes para formar o time de onze são: Joaquim Levy, Waldery Rodrigues, Rubem Novaes, Marcos Cintra, Caio Megale, Roberto Castello Branco e Mansueto Almeida que a meu ver juntamente com Funchal é o maior nome e entendedor das contas públicas, além de ter sido um dos idealizadores do teto dos gastos. Deixou a Secretária do Tesouro Nacional por discordar das mazelas palacianas.

Deveras que com a saída recente de Bruno Funchal e Jeferson Bittencourt, o Ministério da Economia ficou capenga pois esses dois eram tidos com “vice ministros” da economia. Exímios conhecedores do setor público brasileiro.

Restou o técnico desafinado. Paulo Guedes pode ter todas as qualidades do mundo, mas não conhece de contas públicas, de políticas públicas, nem de serviços públicos, é sim, um expert na iniciativa privada, pois busca lucro a qualquer custo sendo que para isso é capaz até de ser conivente com a extrapolação do teto dos gastos.

Essa fome de poder do mandatário do super ministério da Economia tem feito com que aqueles que depositaram apoio a ele, sobretudo o mercado financeiro vem se decepcionando dia a dia. Prova disso é a retratação econômica, PIB encolhendo, desemprego em alta, etc.

Fato é que estão fazendo de tudo, inclusive, sangrando a economia usando como plano de fundo a criação do novo programa Auxílio Brasil para acobertar o impacto negativo e devastador ocorrido quando das práticas de crime de irresponsabilidade durante a pandemia agora demonstrados com a repercussão do relatório de 1.180 páginas da CPI da Covid-19.

Nesse sentido, a transferência de renda via programas sociais é importante para a erradicação da pobreza? Sem sombra de dúvidas. O problema é que com o fim do Teto de Gastos cai por terra o pouco de confiança que o mercado financeiro ainda tem no País.

Claiton Cavalcante é Contador

 

 

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Opinião

MARIA RIBEIRO – Será que sou dependente das telas?

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A vida moderna nos trouxe novos desafios. E a tecnologia nos trouxe como resultado de seus avanços uma triste realidade. Estamos produzindo cidadãos com dependência em tecnologia, e principalmente uma geração de dependentes de telas.

A digitalização que caracteriza a sociedade atual está afetando o estilo de vida adotado pelas novas gerações. Do nascimento à morte somos inundados por uma infinidade de dispositivos eletrônicos que não estão sendo tratados como ferramentas, e sim como comandantes de nossas decisões.

Se pensarmos do ponto de vista clínico, a Dependência Tecnológica é quando o indivíduo não consegue controlar o próprio uso das telas, ocasionando sofrimento e prejuízo significativo em diversas áreas da vida.

Mas não é o que todos nós estamos fazendo? Hoje os smartphones, PC, tables, e TVs passaram de suas funções iniciais de comunicação para um mix de ferramentas que estão saqueando mais a atenção do que servindo para melhorar nossas rotinas.

Diante desse cenário, como saber se sou dependente de telas? De cara, é bom lembrar que a dependência em tecnologia é uma patologia, e somente um médico e/ou psicólogo pode diagnosticar.

Mas, com tantos dispositivos à nossa volta, podemos identificar algumas coisas. Como quando seu companheiro não dorme, não come ou deixa de tomar banho porque suas atenções são para a Internet, ou perde o controle da vida porque fica horas em jogos online.

Quando seu filho fica ansioso ou irritado porque o uso da Internet é restringido. E aumenta quando os esforços repetidos por ter uma vida fora do digital são malsucedidos.

E quantas vezes tem colegas de trabalho com medo de ficar fora do mundo tecnológico, e há uma preocupação excessiva se tem sinal, se o 5g funciona, ou se o e-mail já chegou?

Quando nossos avós acham que andam passando mais tempo online do que deveriam. Sim, são as pessoas com mais de 70 anos alguns dos maiores campões em e-sports do mundo.

Em momentos que alguns de nós mente sobre a quantidade de horas conectados e tem necessidade de aumentar o tempo de uso para sentir a mesma satisfação que antes, mas esconde, porque não quer ser taxado de “viciado em tecnologia”.

Quando crianças com amigos virtuais são levados a redes sociais inúteis para fugir de relações empobrecidas, conflitos familiares e isolamento social.

A total falta de interesse de alguns amigos por uma vida real, com emoções que podemos sentir, não somente almejar.

Com líderes com faces distorcidas por tratamentos estéticos, e selfies infinitas em busca de aceitação na rede social para um marketing de propósito, sem mesmo ter um.

E fenômenos da tecnologia, criando metaverso (é a terminologia utilizada para indicar um tipo de mundo virtual que tenta replicar a realidade através de dispositivos digitais) para gerações, mas colocando seus próprios filhos em escolas com zero acesso à tecnologia, porque sabe dos malefícios das telas.

As pessoas estão perdendo o controle de suas rotinas e usando o tempo de tela para fugir dos problemas. Sim, estamos todos nós dependente de telas, e nossas relações sociais, afeto e opiniões estão em risco.

Ok! E o que fazemos com tremenda informação?

A primeira delas é colocar regra na vida. A máxima de ter hora para acordar, comer, dormir é a premissa de uma vida com menos telas e mais decisões.

Ah sim, já vou avisando: isso dá trabalho, porque ser melhor, vai exigir que você seja exemplo para os seus filhos, que líderes sejam motivadores de suas equipes, e que famílias comecem a exercitar a melhor ferramenta de comunicação de todos os tempos: a conversa cara a cara. Vamos praticar?.

Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e netnografia. Belicosa.com.br

 

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ALFREDO DA MOTA MENEZES – Na eleição do ano que vem

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O barulho eleitoral de 2022 ainda não chegou forte à rua. Mas nas conversas paralelas, aquelas entre amigos e grupos, a coisa anda quente.

A presença de Sergio Moro no cenário é uma das que tem mais comentários. Ninguém duvida que ele seja candidato à presidência e não ao Senado. Já aparece em pesquisa à frente de outros na chamada terceira via, passando inclusive Ciro Gomes.

De quem ele mais tiraria votos, de Lula ou Bolsonaro? É comum ouvir que ele entra mais na seara de Bolsonaro. Moro busca aproximação com o PIB nacional e os militares.

Até que ponto isso pode influenciar ou não na ida do Bolsonaro para o segundo turno também entra nas diferentes avaliações. É aceito que Moro, ou os da terceira via, não tem ainda condições de impedir a ida do presidente para o segundo turno.

Tem opinião de todos os tamanhos sobre Bolsonaro. Que ganha a eleição presidencial e até que ele poderia abandonar a candidatura lá na frente. Os que defendem esse ponto de vista arguem que, se o Bolsonaro chegar ali por junho do ano que vem, sem crescer nas pesquisas, podendo ser derrotado pelo Lula, ele abandonaria a disputa. Difícil ocorrer, mas é um dos argumentos do momento.

Alguns acham que o Lula não será candidato ou que deve aparecer algo na Justiça que impediria sua candidatura.

A maioria das opiniões vai em direção oposta, acredita que ele é candidato mesmo e que herdaria, num segundo turno, a maior parte dos votos dos candidatos da terceira via. Outros torcem para que o seu vice seja mesmo Geraldo Alkmin.

Que isso daria força à candidatura em São Paulo, lugar que Bolsonaro não tem sido muito popular.

Outra conversa é sobre os votos do Nordeste para presidente. Hoje ali o Lula tem boa votação, mostram as pesquisas. Mas com o Auxilio Brasil de 400 reais, muito maior do que se pagava no Bolsa Família, isso poderia alterar o jogo e Bolsonaro encostar no Lula no Nordeste? Grande incógnita para o ano que vem.

Daria tempo, em menos de um ano desse novo auxilio, para mudar o quadro eleitoral no Nordeste? Não esquecer que Lula é nordestino.

A terceira via nessa próxima eleição teria mais votos do que em eleições passadas? A tradição brasileira é a polarização entre duas candidaturas. A do ano que vem não foge à regra, Lula e Bolsonaro serão os nomes dessa vez. Na ultima eleição, com exceção da votação em Marina Silva, outros como Geraldo Alkmin e Henrique Meireles, nomes fortes no canário nacional, tiveram votações raquíticas? Agora seria diferente? Que patamar poderia chegar Moro?

Simone Tebet teria a preferência do voto feminino? Ciro melhora sua votação dessa vez? Como ficaria João Dória com seu PSDB no caminho do racha? Essa terceira via chegaria aos 30% dos votos na eleição 2022? Fato que nunca ocorreu antes.

Pode-se ficar aqui fazendo incontáveis especulações sobre o cenário eleitoral. Aliás, é a melhor parte da conversa sobre política.

Alfredo da Mota Menezes é analista político.

 

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