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Internacional

Chile: o que está em jogo no plebiscito 1 ano após manifestações que o mundo viu

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Manifestação de 25 de outubro de 2019 reuniu mais de 1%2C2 milhão de pessoas em Santiago%2C a capital do país.
Reprodução/Instagram/su_hidalgo

A manifestação de 25 de outubro de 2019 reuniu mais de 1,2 milhão de pessoas em Santiago, a capital do país.

Há pouco mais de um ano, o Chile se tornou palco de grandes manifestações que atraíram a atenção do mundo inteiro. O que começou como um protesto majoritariamente estudantil contra o aumento das passagens de metrô culminou em um plebiscito constitucional. Neste domingo (25), os chilenos vão às urnas para votar a favor ou contra a elaboração de uma nova Carta Magna .

Manifestações de 2019

Apesar de o Chile ser considerado um país com estabilidade econômica, esse elemento não necessariamente se reflete na qualidade de vida dos cidadãos. O fracasso das políticas neoliberais que privatizaram os serviços públicos já vinha fomentando as tensões sociais há alguns anos, aponta Everaldo de Oliveira Andrade, professor na USP e doutor em História Econômica pela mesma universidade.

Ele afirma que esse cenário deixou a população “em uma situação cada vez mais difícil para enfrentar as consequências da crise econômica mundial”. Além disso, Andrade ressalta que “as instituições políticas do país preservam muitas estruturas autoritárias do regime ditatorial de Pinochet “.

O que inicialmente levou os chilenos às ruas em 2019 foi o aumento de 30 pesos na tarifa do metrô. Este fato foi o estopim para que uma série de outras pautas relativas à desigualdade e a reformas sociais fossem inseridas nas manifestações. As principais reivindicações estavam no campo da educação, do sistema previdenciário e dos salários, aponta Andrade.

“Voz das ruas”

André Coelho, professor na Unirio e doutor em Ciência Política pela UERJ, observa que, durante as manifestações , “o mandato do Piñera ficou bastante ameaçado. Ele teve que fazer uma reforma ministerial muito grande e mostrar que estava ouvindo a voz das ruas”. Coelho diz também que os protestos, marcados por violência e repressão policiais, conseguiram reunir estratos sociais distintos e revelaram “a necessidade de uma segunda transição do autoritarismo para a democracia”.

Coelho explica que as transições do autoritarismo para a democracia ocorrem quando duas condições são satisfeitas: a realização de eleições diretas e a elaboração de uma nova Constituição. “No caso chileno, ainda não houve essa reforma completa na Constituição de 1980, que foi promulgada durante a ditadura militar”, pontua ele.

Apesar das mudanças de 1989 e 2005 terem diminuído enclaves autoritários da Carta Magna, outras tantos pontos não foram modificados. Coelho diz também que o fato da Constituição ser do período ditatorial e não ter sido elaborada com participação popular faz com que ela seja vista como ilegítima por analistas.

“Algumas questões importantes de distribuição de riqueza do país, diminuição de desigualdade, liberdade de educação e questões ligadas aos direitos sociais dos cidadãos ainda precisam de reformas”, aponta Coelho. “É necessário terminar a  transição Chilena para a democracia, que só vai se encerrar de fato com a nova Constituição e não com reformas pontuais”, afirma ele.

Plebiscito de 2020

Pesquisas de opinião apontam que provavelmente os chilenos votarão a favor de uma nova Constituição. A maior dúvida, porém, é como ela será elaborada. A população poderá escolher se os responsáveis serão integrantes eleitos especialmente com o objetivo de formular uma nova Carta Magna — os “constituintes”  — ou se haverá uma espécie de convenção mista, formada 50% por parlamentares já eleitos e 50% por constituintes.

“Há uma grande possibilidade de que a Constituinte canalize a pressão social das grandes mobilizações de massas dos meses anteriores para um confronto sobre controle dentro do Parlamento”, avalia Andrade, que também acredita que haverá uma maior movimentação quanto aos direitos econômicos e sociais fundamentais da população.

Para Coelho, a expectativa é de que a Constituição seja elaborada integralmente por novos membros eleitos especificamente com esse fim. Ele entende que, caso os constituintes eleitos possuam um viés mais progressista , o esperado é que os enclaves autoritários da Constituição de 1980 sejam encerrados e que se abra um debate sobre o modelo econômico neoliberal chileno.

“Esse neoliberalismo privatizou boa parte dos serviços do Estado e os chilenos entendem que existem muitas falhas desses serviços privatizados”, observa Coelho. Ele também diz que, no Chile, os aposentados ganham pouco e muitas pessoas não querem se aposentar para evitar uma vida miserável, o sistema de água e esgoto são caros e não necessariamente trazem melhorias de vida, assim como o sistema de saúde, pois não há saúde universal para todos.

Dessa forma, discussões que, além de envolverem os setores previamente mencionados, incluem o sistema educacional e a exploração de recursos minerais do Chile “são questões possíveis de serem discutidas”, conclui Coelho.

Fonte: IG Mundo

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Internacional

OMS: milhões de mortes por ano podem ser evitadas com atividade física

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Até 5 milhões de mortes por ano poderiam ser evitadas no mundo com um aumento da atividade física, estimou a Organização Mundial da Saúde (OMS), ao lançar linhas orientadoras para a área.

O combate ao sedentarismo deve ser praticado em todas as idades e mesmo por pessoas com condicionantes físicas por motivo de doença, defendeu a OMS, ao anunciar as novas diretrizes.

A organização sugeriu, nesse contexto, que devem ser destinadas pelo menos duas horas e meia a cinco horas, por semana, para atividade aeróbica moderada a vigorosa, no caso dos adultos.

Para crianças e adolescentes, a média recomendada é de uma hora por dia.

De acordo os dados da OMS, um em cada quatro adultos não pratica exercício físico suficiente, o mesmo se passando com quatro em cada cinco adolescentes.

“Globalmente, estima-se que isso custe US$ 54 bilhões em cuidados diretos de saúde e mais US$ 14 bilhões em perda de produtividade”, diz o documento.

A OMS alertou que a atividade física regular é fundamental para a prevenção e o controle de doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e câncer.

Ajuda também a diminuir os sintomas de depressão e ansiedade, “reduzindo o declínio cognitivo” e melhorando a memória e saúde do cérebro.

Com as novas linhas orientadoras, pretende-se ainda incentivar a prática regular de atividade física durante a gravidez e o pós-parto, destacando igualmente os “valiosos benefícios para a saúde” em pessoas que vivem com deficiências.

As recomendações abrangem todas as idades. Os idosos (com 65 anos ou mais) são aconselhados a incluir na rotina atividades que estimulem o equilíbrio e a coordenação, bem como o fortalecimento muscular, para ajudar a prevenir quedas e melhorar a condição física, que influencia diretamente a saúde.

Citado em comunicado, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que ser fisicamente ativo é fundamental para a saúde e o bem-estar: “Pode ajudar a adicionar anos à vida e vida a anos “.

Tedros Adhanom lembrou que cada movimento conta, especialmente em meio às restrições associadas à pandemia de covid-19.

“Devemos todos nos mover todos os dias, com segurança e criatividade”, afirmou.

No guia, a OMS defende que toda a atividade física é benéfica e pode ser feita de várias formas, desde o desporto até exercícios no dia a dia, a jardinagem, a caminhada ou a dança.

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Internacional

Mutações não estão aumentando velocidade de transmissão do coronavírus

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O novo coronavírus está sofrendo mutação à medida que se espalha pelo mundo na pandemia, mas nenhuma das mutações atualmente documentadas parece torná-lo capaz de se proliferar mais rápido, disseram cientistas nessa quarta-feira (25).

Em um estudo, a partir de dados globais de genomas de vírus realizado com 46.723 pessoas com covid-19 em 99 países, os pesquisadores identificaram mais de 12.700 mutações no vírus SARS-CoV-2.

“Felizmente, descobrimos que nenhuma dessas mutações está fazendo a covid-19 se espalhar mais rapidamente”, disse Lucy van Dorp, professora do Instituto de Genética da University College de Londres e uma das líderes do estudo.

“Precisamos permanecer vigilantes e continuar monitorando novas mutações, particularmente à medida que as vacinas são lançadas”.

Sabe-se que os vírus sofrem mutações o tempo todo e alguns – como os da gripe – mudam com mais frequência do que outros.

A maioria das mutações é neutra, mas algumas podem ser vantajosas ou prejudiciais aos vírus e outras podem reduzir a eficácia das vacinas. Quando os vírus mudam assim, as vacinas devem ser adaptadas regularmente para garantir que estão atingindo o alvo certo.

Com o vírus SARS-CoV-2, as primeiras imunizações a mostrarem eficácia poderiam obter aprovação regulatória e começar a ser usadas antes do fim deste ano.

Entre mais de 12.706 mutações identificadas, cerca de 398 parecem ter ocorrido repetidamente e de forma independente, disseram os pesquisadores no estudo, publicado no periódico acadêmico Nature Communications.

Entre as 398 mutações, os cientistas se concentraram em 185, que eles descobriram ocorrer pelo menos três vezes de forma independente durante a pandemia.

Os pesquisadores não encontraram evidências de que alguma das mutações comuns esteja aumentando a transmissibilidade do vírus. Em vez disso, eles disseram que as mutações mais comuns são neutras para o novo coronavírus.

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