conecte-se conosco


Opinião

CÉLIO FERNANDES – A pandemia e a exclusão setorial!

Publicado

A Pandemia tem afetado profundamente toda sociedade, seja pelo sofrimento causado com a doença e pelas vidas perdidas, ou pelo impacto gerado na economia. Em relação à doença, prefiro tratar num outro momento, uma vez que é um tema bastante complexo e polêmico, em suas diferentes abordagens. Quero me ater, neste momento, a economia e principalmente nas decisões políticas que afetam a economia, e consequentemente toda sociedade.

Há pouco mais de um ano, com a descoberta da Covid-19, iniciou-se um grande esforço mundial para a contenção da expansão do vírus, com adoção de medidas restritivas extremas. Essas medidas eram necessárias para evitar um colapso no sistema de saúde, com grande número de pessoas infectadas ao mesmo tempo, necessitando de cuidados médicos.

Naquele momento a falta de conhecimento sobre a doença e sobre a sua dinâmica de transmissão, gerou um medo coletivo e literalmente o mundo parou por alguns dias, o caos se instalou, e com ele o medo e a insegurança. Poucos questionavam as medidas de isolamento, atormentados pelo inimigo invisível, e pela propaganda do terror e das mortes, em diversas partes do mundo.

Um ano depois, mesmo com todas as experiências e aprendizados sobre a doença, voltamos ao mesmo problema, o risco do colapso da saúde pública. Qual é a solução? Fechar tudo indiscriminadamente, promovendo isolamento horizontal? Ou fechar seletivamente quem representa maior risco de contágio? Mas onde ocorre o contágio com maior probabilidade? Em casa? No trabalho? No transporte público? Será que é mais provável eu me contaminar tomando todas as medidas de biossegurança ou quando estou relaxado no convívio com a família ou amigos? Não há verdades absolutas, o que se vê são muitas opiniões e achismos.

Uma coisa é certa, e nisto a grande parte dos pesquisadores concordam, o vírus não será exterminado com facilidade, é bem provável que tenhamos de conviver com ele por muitos anos, mesmo após toda população ser vacinada. Então, se temos que aprender a conviver com o vírus, o ideal é que se respeite o distanciamento, que se cumpram medidas de higiene, uso de máscara, e outras. Isto pelo me parece já se tornou normal nas empresas, escolas, igrejas e outros ambientes públicos ou privados, mas é raro que esse controle ocorra nas residências, nas festas e encontro de amigos. Diante disso, me parece lógico que o foco de combate à pandemia não deve mirar nos locais onde há controle de distanciamento e aplicação de medidas de segurança, mas na conscientização da população sobre a responsabilidade que temos uns com os outros. Porém, até para se conscientizar tem que haver limite, restrição, fiscalização e punição por parte do ente público.

Hoje o risco de colapso da saúde pública é ampliado e os governantes devem demonstrar atitude para coibir o “avanço da pandemia”. Com isso, o Conselho de Crise se reúne e encontra a solução “vamos reduzir horário de funcionamento dos vilões da transmissão”, e aí reside o problema, colocaram na mesma regra empresas que cumprem as medidas protetivas, com outros que sabidamente são fonte de aglomeração sem o mesmo controle. Não dá para igualar um Bar a um Restaurante, Um evento público ou privado com controle e proteção, as baladas e festas de rua. Assim como não dá para mudar a cultura da população de uma hora para outra. É sabido que os Supermercados e Shoppings Centers têm horário de maior movimento no fim do dia, portanto, encurtar a abertura é o mesmo que promover maior aglomeração no último momento.

Por favor, qual é a lógica disso? Quais são os dados que embasam a decisão? Por que alguns setores e trabalhadores devem ser condenados a perder seus empregos em detrimento de outros? Qual é de fato o problema a ser tratado? Parece-me que ainda não está claro, nem para a sociedade, muito menos aos governantes.

Mas onde é mais fácil agir? Sobre o comportamento humano em se aglomerar, festejar, ou sobre CNPJs que têm um Alvará e um representante legal?

Combater e coibir as aglomerações seja em empresas, bancos, no ônibus, ou qualquer outro local, pode não ser fácil, mas esse papel só pode ser exercido pelo poder público, na esfera municipal, estadual ou federal.

Esta Pandemia veio ao mundo para revelar nossas fragilidades, mas também para desenvolvermos maior consciência de coletividade e responsabilidade coletiva nos cidadãos. Um único ser humano que se contamina, produz um efeito cascata capaz de afetar os 8 bilhões de habitantes do planeta.

Espero que essa consciência do impacto da ação de cada ser humano sobre seus familiares, amigos e toda sociedade, se desenvolva após essa pandemia. E espero que nossos governantes deixem de lado suas desavenças e seus interesses políticos, e tomem decisões baseadas no senso de coletividade, no bem comum, agindo apenas onde devem agir, e interferindo o mínimo possível na dinâmica do mercado. O Brasil já é um país de enorme exclusão social, espero que não nos tornemos também um país de exclusão setorial.

Célio Fernandes é presidente da CDL Cuiabá

publicidade
Clique para comentar

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Opinião

LICIO MALHEIROS – Projeto Transporte Escolar

Publicado

O Calcanhar de Aquiles, dos governos: Federal, Estadual e Municipal. Passa necessariamente pela questão da educação, que já vinha apresentando fortes sinais de desaceleração e baixo rendimento, em termos de ensino-aprendizagem.

Nessa relação, educador e educando os mesmos trocam de papéis o tempo todo: portanto o educando aprende ao passo que ensina e o educador ensina e aprende com o outro, desta forma ocorre feedback.

Em função da falta de políticas públicas voltadas a atender as necessidades prementes dos educandos; por falta de profissionais qualificados na educação, além de um elemento norteador da mesma, principalmente em município mais distantes da Capital. Um outro elemento norteador que ajuda aguçar ainda mais desinformações   nas regiões mais longínquas, passa necessariamente, pela falta do transporte escolar.

O transporte escolar é um meio de acesso à educação, frequência às aulas e redução dos índices de evasão escolar, pois possibilita aos alunos residentes em áreas sem unidade escolar a devida inclusão educacional.

Agora, com o surgimento dessa doença maldita a Covid-19, as questões educacionais ficaram deixadas para segundo plano; em função da falta de aulas presenciais, que neste momento, é perfeitamente compreensivo, porém essa situação se agrava nos municípios mais longínquos da Capital, pela grande quantidade de propriedades rurais    existes e principalmente pela falta do transporte escolar,  um ônibus ou micro-ônibus.

Felizmente hoje, o parlamento estadual, mais precisamente a Assembleia Legislativa de Mato Grosso, em seus quadros, vem apresentando uma plêiade de parlamentares municipalistas, com visão altruísta e baseadas em visitações in loco por parte dos mesmos, para detectarem as regiões mais sofridas no interior.

As redes sociais hoje, representam papel de destaque no encaminhamento das informações; como acompanho pari passu as informações, deparei-me com uma informação, que talvez para nós da Capital, não surta tanto efeito, porém para a cidade de Barra do Garças e cidades circunvizinhas, está notícia por certo,  será  alvissareira.

O deputado estadual Elizeu Nascimento (PSL), em suas redes sociais, deu ênfase, ao dizer ter destinado de sua emenda parlamentar o valor de R$ 280 mil, para aquisição de um micro-ônibus para o município de Barra do Garças – MT.

Foi além ao dizer “Reconheço a real necessidade do transporte escolar para facilitar o acesso e aprendizagem dos alunos que residem no campo é importante para fortalecer sua identidade cultural, principalmente das pessoas que no campo vivem e constroem suas histórias de vida”. Ele fecha sua fala, com uma frase de efeito “Investir em Educação é investir no futuro”.

Professor Licio Antonio Malheiros é geógrafo

 

Continue lendo

Opinião

LUIS FERNANDO BOTELHO FERREIRA – Acorda, Brasil!

Publicado

Avaliando os últimos e recentes dados divulgados pelas Nações Unidas quanto ao ranking do Índice de Desenvolvimento Humano-IDH, deparamo-nos com a estagnação do Brasil na 84ª posição. Já quando olhamos somente para a desigualdade social, a nossa “Pátria amada” perde 17 posições. O alarme soa quando observamos que perdemos para países como Colombia, Chile e México!.

Em contrapartida a esses números, é sabido que possuímos a maior carga tributária do mundo, onde é divulgado o dígito de 36,2% do PIB como sendo da carga tributária. Porém isso reflete apenas se levarmos em conta o que os governos conseguem arrecadar. Se considerarmos o que os brasileiros deveriam pagar, essa aberração numérica chegaria a 47,9% do PIB. Você está espantado? Sim, os governos tentam ficar com aproximados 50% de toda a produção dos habitantes da Terra Brasilis.

Poderíamos até comemorar, pois uma arrecadação dessas faria com que fôssemos 9ª economia do mundo, no entanto nossos resultados são tão pífios que a muitos desanima. Apesar de todas essas montanhas e montanhas de recursos arrecadados, a maioria, “em troca”, continua a receber os piores serviços de saúde, educação, transporte, infraestrutura, dentre outros. Tudo isso parece exercício de retórica, pois o sofrimento do brasileiro é de domínio público, tendo este que trabalhar 5 meses por ano somente para manter a lenta caminhada desse elefante chamado Administração Pública, que está cada vez mais gorda e corrupta e que, dia-a-dia, busca intervir mais na vida do contribuinte. Estado faminto e habilidoso em criar, cada vez mais, burocracias e entraves, devolvendo quase nada de resultados, ou seja, todos os poderes em uma corrida incessante por verba, verba e mais verba.

Com uma inflação que transpôs a barreira dos dois dígitos, e além, devido à era Lula/Dilma, começou já nesses governos o desmoronamento do Castelo de Areia construído pela economia ideológica da esquerda, que, em piscar de olhos, passou da esperança à crise, sem sustentabilidade da nossa realidade. Castelo construído na base da irresponsabilidade e escândalos, como “nunca antes na história”; decorado pelas mãos e ações dos marqueteiros laranjas, todos presos. A Copa do mundo 2014, Olimpíadas 2016 e demais projetos faraônicos e mentirosos, ao arrepio de planejamento e recursos, não poderiam ter nos deixado outro legado e rastro que não o de um tsunami: obras públicas inacabadas (7.000 obras), sistemas educacional (aparelhado), de segurança, de saúde e de empresas públicas falidos! Está bom para você? Claro que não! Para limparmos isso tudo não bastará vontade, mas uma operação pós-guerra!

Hoje vemos asseclas desses ex-governantes falando de estufar o papo do quanto foi bom aqueles tempos. Fala sério! Que tempo? Hoje percebemos que foram tempos de desenvolvimento e fartura ilusórios, operados por gangsteres que nos roubaram, inclusive, a esperança. Se tivesse sido bom mesmo, estaríamos usufruindo até hoje. Alguém está, porem poucos privilegiados, veja o IDH.

Um verdadeiro plano desenvolvimentista tem que ser alicerçado em boas e viáveis estratégias. Consequentemente o sucesso será para gerações e atenderá aos interesses de todos os grupos sociais da nação. Não aceitemos mais que nosso futuro seja construído em areia como foi, mas sim em bases sólidas de VERDADES, para que consigamos atravessar, ao menos, uma ventania.

A diferença entre as nações pobres e ricas não está na dependência de recursos naturais nem da idade de sua descoberta, mas da responsabilidade de seus governantes e agentes públicos.

Luis Fernando Botelho Ferreira é servidor público municipal

 

Continue lendo

Envie sua denúncia

Clique no botão abaixo e envie sua denuncia para nossa equipe de redação
Denuncie

Política MT

Policial

Mato Grosso

Esportes

Entretenimento

Mais Lidas da Semana