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Caso Flordelis: a história e os mistérios do assassinato de Anderson do Carmo

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Anderson do Carmo e Flordelis
Reprodução

Caso já teve diversas reviravoltas, envolvidos e segue um mistério para a polícia do Rio

A morte de Anderson do Carmo, que aconteceu na noite do último dia 15 de junho, tomou conta do noticiário nacional. O pastor, que era marido de deputada federal Flordelis, foi executado a tiros na entrada de casa, poucos minutos após ele e a parlamentar voltarem de um passeio.

Leia também: Flordelis recebeu profecia da morte de pastor, mas desdenhou: “Profetiza do cão” 

A morte do Anderson ganhou enorme repercussão por conta da parlamentar e a tragédia ficou conhecida como ” caso Flordelis “. O casal era fundador da igreja Ministério Flordelis, no Galo Branco, em São Gonçalo e a pastora foi a sexta deputada federal mais votada no Rio de Janeiro nas últimas eleições. Eles também ganharam fama pelo tamanho da família: eles são pais de 55 filhos, a grande maioria adotados.

A história

Flordelis
Fernando Frazão/Agência Brasil

Em entrevista, deputada afirmou que justiça precisa ser feita

À princípio, o crime era tratado como uma tentativa frustrada de assalto. O principal indício era o depoimento da própria Flordelis, que estava com o marido no momento dos tiros e disse que Anderson morreu “tentando defender a família”.

No entanto, a investigação mudou de rumos rapidamente e começou a apontar que, na verdade, a morte do pastor havia sido premeditada. Ainda no velório de Anderson, Flávio dos Santos, filho biológico de Flordelis, foi detido pela polícia por envolvimento no crime.

Logo após a prisão, a deputada se irritou e defendeu o filho. “Isso é uma grande mentira, uma inverdade. É especulação. Não vou permitir que ninguém acuse nenhum dos meus filhos sem ter provas”, declarou.

Pouco tempo depois, os policiais também prenderam Lucas dos Santos, filho adotivo do casal. Ele foi detido na casa onde Anderson do Carmo foi morto. No mesmo dia do enterro, os dois prestaram depoimento na Delegacia de Homicídios de Niterói. Flordelis, que acompanhou os filhos, voltou a defendê-los. 

“É ridículo. Estão acusando sem provas. Ele [Anderson] morreu defendendo a família, é nisso que eu acredito”, disse.

Flordelis e Anderson do Carmo
Reprodução/Facebook

Dois filhos do casal são os principais suspeitos do assassinato do pastor

Os dois permaneceram detidos e tiveram prisão temporária decretada no dia 20 de junho. Nesse meio tempo, de acordo com a polícia, Flávio confessou que deu seis tiros no padrasto. O depoimento do acusado, no entanto, tinha contradições. Uma das linhas de investigação é que os irmãos teriam se voltando contra Anderson por conta de um suposto caso extraconjulgal do pastor. Flordelis, novamente, negou.

No dia 21, toda a família foi convocada para prestar depoimento e um dos filhos de Flordelis, que não teve a identidade revelada, implicou a própria mãe e três irmãs no crime. O jovem afirmou que não ouviu barulho de carro ou moto em fuga. Flordelis havia dito que viu duas motos seguindo o carro e que, depois de o casal entrar em casa, Anderson voltou para buscar algo no carro. O filho ainda relatou que encontrou Flávio ao lado de Anderson, que estava caído no chão. A parlamentar não se pronunciou sobre a informação.

Dois dias depois, quando o crime completou uma semana,  a deputada foi às redes sociais e, novamente, defendeu os filhos. “Acusam meus meninos, mas eu tenho esperança de os acusadores estarem errados e quero muito confiar na Justiça. É uma dor, às vezes, insuportável”, escreveu

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Faz uma semana que perdi meu marido. Quem conheceu a minha vida com ele imagina a falta que ele me faz e pode imaginar o quanto estou atordoada. Mas, sou forte. Deus me fortalece. Por isso, não perco a fé. Canto em silêncio uma das músicas que sempre me deu muita força: “Volta por Cima” ”Quem impedirá o agir de Deus?”. Deus tem me dado forças. Vejo isso no olhar dos meus meninos e das minhas meninas, minhas filhas e meus filhos, frutos da minha uma dedicação férrea à vontade de fazê-los felizes. A semana me passou a ideia de que o tempo parou. A dor é enorme, pela perda e pelas calúnias e notícias confusas que a cada minuto, cada minuto mesmo, brotam sabe-se lá de onde. Já falaram ter sido um crime passional, já disseram ser um crime por dinheiro, já incluíram a infidelidade. Acusam meus meninos, mas eu tenho esperança dos acusadores estarem errados e quero muito confiar na Justiça. É uma dor, às vezes, insuportável. O crime aconteceu na nossa casa e isso me faz reviver aquele momento trágico cada minuto em que estou presente. A imprensa não me deixa em paz. Na segunda-feira, serei ouvida pela polícia. O primeiro depoimento como manda a lei. Já fiz isso várias vezes. A primeira, poucas horas após o crime. Sem direito ao luto. Na terça-feira, à tarde, falarei com a imprensa . Um calvário necessário, para ver se consigo aplacar as insinuações, as dúvidas que criam versões desencontradas. Quem sabe, conseguirei? Peço as orações, mesmo daqueles que sem conhecer a história me condenam e condenam meus filhos. A todos os que acreditam em Deus, eu peço as orações para que se faça Justiça. Nossa última sessão de fotos!

Uma publicação partilhada por Flordelis ⚜️ (@flordelismk) a 22 de Jun, 2019 às 7:12 PDT

Já no dia 25, um novo capitulo surgiu na investigação. A defesa de Flávio dos Santos colocou em dúvida a suposta confissão do enteado de Anderson do Carmo. O advogado Anderson Rollemberg, que defende o filho biológico de Flordelis, disse que seu cliente contou não ter confessado o crime.

“Ele falou pra mim que não confessou. Não existe confissão . A autoridade diz que houve confissão, mas [ele] disse pra mim que não confessou [o crime ]”, justificou. Rollemberg também contesta o vídeo que a polícia diz ter gravado com a confissão de Flávio sobre o assassinato. “Vocês viram o vídeo? Eu não vi o vídeo”.

Questionado pela imprensa se poderia pedir a anulação do depoimento, o advogado respondeu: “Não tenha dúvida”.

“Se ela [a confissão] existe, eu estou dizendo desde já que ela não é idônea. Quem nos garante que ele [Flávio] assinou [o depoimento] de livre e espontânea vontade”, questionou. Ele afirma também que Flávio não prestou depoimento formal à polícia.

Um dia depois, Flodelis, pela primeira vez,  admitiu a possibilidade dos filhos estarem envolvidos no crime. “ Se for provado que foram os meus filhos, eu quero que eles sejam punidos, quero justiça. Seja quem for que cometeu tal ato. Quero justiça pelo o que aconteceu ao meu marido”, afirmou. No entanto, ela voltou a dizer que ainda acreditava na inocência dos filhos.

Em uma nova entrevista, dias depois, a parlamentar mudou de opinião e disse que  “não acreditava mais em nada”.

Já nesta sexta-feira (5) , a deputada voltou às redes sociais para desabafar contra as pessoas que a acusavam de participação no crime. “Já me sentenciaram sem que eu tivesse um julgamento. Acusar sem ter certeza é um ato indecente e covarde. Tem aparecido tanta gente pra me julgar, me intimidar, me desejar mal. Deixem eu chorar em paz pela perda do meu marido, meu cúmplice, meu amigo”, escreveu.

Os mistérios

Quase um mês após a morte, diversas pontas permanecem soltas na investigação. Celulares e arma do crime desaparecidos, a real motivação, o número de tiros que atingiram o pastor e até uma explicação para a fogueira encontrada no quintal da casa de Flordelis são alguns dos temas que a polícia ainda precisa entender.

1 – Arma do crime

Arma
Gilvan de Souza / Agência O Dia

Além do laudo da arma, policiais também não receberam resultado do exame toxicológico feito nos cães da família

Até o momento, a  única arma que foi relacionada ao crime é a encontrada no quarto de Flávio dos Santos, filho de Flordelis que está preso. Apesar de ser o principal suspeito, a defesa sustenta que a  arma pode ser sido plantada pelos investigadores.

Além disso, a polícia revelou que ainda  não recebeu o laudo do Instituto de Criminalística sobre o teste realizado na arma, uma pistola 9mm. A corporação pediu agilidade no processo, para que a investigação possa continuar.

2 – Celulares desaparecidos

Ainda não foram encontrados os aparelhos de Anderson do Carmo e de Flávio dos Santos . Porém, a polícia já sabe que o aparelho que pertencia ao pastor foi  utilizado após o crime e mensagens foram enviadas a grupos da família.

Uma testemunha, inclusive, disse ter visto uma neta do casal atirando o aparelho no mar . O homem seria o mototaxista que levou a jovem até uma praia de Niteroi e viu o momento em que ela se livrou do celular.

Em depoimento, Michele do Carmo, irmã do pastor assassinado, disse ter visto o celular do irmão na  casa de Flordelis após o crime. Até o momento, este é o último ponto em que a investigação sabe do paradeiro do aparelho. Porém, nem mesmo esta informação foi confirmada ou desmentida.

3 – Causa da morte e autoria

Inicialmente apontado como principal suspeito, principalmente após confessar o crime , Flávio dos Santos voltou atrás e afirmou ao seu advogado que não matou o pai adotivo. Com isso, a defesa entrou com um pedido de anulação da confissão , afirmando que ela não foi obtida de forma idônea.

Com isso, a polícia ainda não sabe quem é o verdadeiro autor do crime. Seguidas vezes, Flordelis chegou a afirmar que  acreditava na participação dos filhos no caso, mas acabou voltando atrás, preferindo se manter na linha da ‘busca por justiça’ .

Além disso, outro ponto que segue incerto é de como se deu a morte do pastor. Na confissão, Flávio disse ter atirado seis vezes no pai, mas exames apontaram pelo menos 30 disparos. A polícia, no entanto, não sabe precisar quantos orifícios são de entrada ou de saída, nem quantos foram realmente dados na vítima.

4 – Motivação

Família Flordelis
Reprodução

Em depoimento, Flordelis disse que o filho Lucas tinha uma desavença com o pai

No início da investigação, a parlamentar afirmava que a morte tinha acontecido durante uma tentativa de roubo. Porém, conforme os fatos foram surgindo, a possibilidade de um latrocínio, um roubo seguido de morte, acabou caindo por terra.

Na sequência, surgiu a informação de que a morte poderia ter sido motivada por um  caso de adultério de Anderson, o que teria causado a ira dos filhos e da deputada. A hipótese ganhou força pelo fato de o corpo ter sido alvejado diversas vezes na região do órgão sexual. Entretanto, a ideia foi descartada por Flordelis , que ressaltou confiar no marido.

Por fim, um dos filhos do casal revelou à polícia que a  própria Flordelis poderia ter participação no assassinato e que um dos acusados teria recebido uma proposta de R$ 10 mil para matar o pastor. Em depoimento , ela negou que os filhos tenham recebido qualquer quantia, mas revelou que existia uma desavença entre o pastor e o filho Lucas.

5 – Saída após o crime e fogueira

Durante as investigações, policiais descobriram dois pontos que não condizem com a linha do tempo montada até o momento. Em uma primeira visita ao local do crime , dois dias após a morte, os agentes encontraram marcas de uma fogueira feita no quintal da casa. O material foi rechido e passa por perícia.

Outro ponto é a saída de Flávio logo após o crime. Segundo a polícia, câmeras de segurança flagraram o rapaz deixando a residência e voltando cerca de 15 minutos depois. Em depoimento, Flordelis afirmou que o filho foi chamar a polícia, mas os investigadores desconfiam que possa haver um sentido oculto nessa movimentação.

Fonte: IG Política
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Projeto autoriza uso de fundo na ampliação da infraestrutura aeroportuária

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Está pronto para ser votado na Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) o Projeto de Lei do Senado (PLS) 468/2017, que autoriza o uso dos recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) para custear desapropriações de áreas destinadas à ampliação da infraestrutura aeroportuária e aeronáutica civil.

O projeto altera a Lei 12.462, de 2011, a fim de prever nova aplicação para os recursos do FNAC. O texto torna explícito que os recursos do fundo poderão ser utilizados para cobrir custos de desapropriações em áreas de ampliação aeroportuária.

A Lei 12.462, de 2011, especifica que os recursos do FNAC serão aplicados exclusivamente no desenvolvimento e fomento do setor de aviação civil. Por sua vez, o Decreto 8.024, de 2013, que regulamenta o funcionamento do FNAC, além de reiterar a possibilidade de aplicação de recursos do fundo em aeroportos concedidos, elenca, entre outras possibilidades, que os recursos poderão ser utilizados para a realização de investimentos em modernizações, construções, reformas e ampliações da infraestrutura aeroportuária e aeronáutica civil.

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“Dessa forma, é importante que haja explicitação, no texto da lei, de que os recursos do FNAC poderão ser utilizados para cobrir custos de desapropriações em áreas de ampliação aeroportuária. Por conseguinte, a medida contribuirá para facilitar a ampliação de aeroportos ao disponibilizar recursos para tal fim, especialmente no momento em que o fundo recebe vultosos aportes em razão das últimas rodadas de concessões realizadas pelo governo federal”, observa o relator da proposição, senador Marcos Rogério (DEM-RO), favorável à aprovação do texto.

A proposição será analisada em caráter terminativo na CI. Se aprovada, seguirá direto para a Câmara dos Deputados, a não ser que haja apresentação de recurso para votação no Plenário do Senado.

De autoria do ex-senador Dalírio Beber, a proposição já foi aprovada na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), em dezembro de 2018.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado
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Reforma tributária é prioridade deste ano no Congresso

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Ano novo, reforma nova. Se 2019 foi marcado pela alteração na aposentadoria dos brasileiros, a promessa para 2020 é a mudança na cobrança de impostos. Senado e Câmara dos Deputados instalam em fevereiro uma comissão mista que terá a função de reunir em um só texto as principais matérias sobre o assunto no Congresso Nacional. O ministro da Economia, Paulo Guedes, já avisou que o Poder Executivo quer sugerir ajustes.

O Poder Legislativo analisa mais de 100 propostas de emenda à Constituição (PECs) para reformar o Sistema Tributário Nacional, mas o esforço recente gira em torno de duas matérias. A PEC 45/2019, apresentada em abril pelo deputado Baleia Rossi (MDB-SP), aguarda parecer na comissão especial da Câmara. A PEC 110/2019, sugerida em julho pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, está pronta para votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

A principal convergência entre as duas propostas é a extinção de diversos tributos que incidem sobre bens e serviços. Eles seriam substituídos por um só imposto sobre valor agregado (veja abaixo um quadro comparativo das propostas). A PEC 45/2019 extingue cinco tributos: três de competência da União (IPI, PIS e Cofins) e dois de estados e municípios (ICMS e ISS). Além desses, a PEC 110/2019 acaba com outros quatro impostos federais (IOF, salário-educação, Cide-combustíveis e Pasep).

A mudança traz algumas vantagens: simplicidade na cobrança (com o menor número possível de alíquotas e regimes especiais); incidência apenas sobre o consumo; e uniformidade em todo o país. Mas as semelhanças entre as duas propostas param por aí, e o desafio da comissão mista será harmonizar as divergências, que não são poucas [veja arte].

O presidente e o relator do colegiado já foram definidos: o senador Roberto Rocha (PSDB-MA) e o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Rocha é relator da PEC 110/2019 na CCJ do Senado, enquanto Ribeiro relata a PEC 45/2019 na comissão especial da Câmara. A expectativa dos parlamentares é unificar a discussão e acelerar a aprovação da reforma tributária, que hoje tramita de forma fatiada no Congresso.

— Temos duas propostas: uma na Câmara e outra no Senado. Elas têm o mesmo chassi, muda apenas a carroceria. Temos um acúmulo grande. Só no Senado são quase 200 emendas apresentadas. Não creio que seja uma tarefa muito difícil — argumenta Roberto Rocha.

A expectativa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é ver a reforma tributária aprovada nas duas Casas ainda no primeiro semestre, com a colaboração do Ministério da Economia.

— Não adianta termos uma proposta na Câmara e outra no Senado sem ter a participação efetiva do governo. A palavra é conciliação. Uma conciliação da Câmara, do Senado e do Poder Executivo para entregarmos para a sociedade brasileira uma proposta que faça com que os empreendedores e a população possam se ver contemplados em uma reforma que vai melhorar a vida das pessoas.

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A previsão inicial era de que a comissão mista destinada a analisar a reforma começasse a recolher sugestões dos parlamentares e do Poder Executivo em dezembro passado, durante o recesso. Mas o início dos trabalhos foi adiado porque os líderes partidários ainda não indicaram os 15 senadores e 15 deputados que devem integrar o colegiado. Mesmo após o adiamento, o presidente da Câmara continua confiante na aprovação da reforma em 2020.

— A reforma tributária é a mais importante para o crescimento econômico e para destravar a economia do país. Defendo a simplificação do sistema tributário brasileiro, que atualmente é confuso e com excessivas leis. Essa reforma, ao simplificar o sistema, vai diminuir o desequilíbrio existente hoje. A sociedade continua pagando muitos impostos, e os serviços públicos continuam piorando. Isso precisa mudar — escreveu o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, em uma rede social.

A comissão mista da reforma tributária deve apresentar um parecer em 90 dias. Depois disso, o texto ainda precisa ser votado na Câmara e no Senado. Como se trata de uma mudança na Constituição, a proposta depende da aprovação de 308 deputados e 49 senadores, em dois turnos de votação. 

Impacto para os estados

perdasganhosO Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou em janeiro uma análise sobre as PECs 45/2019 e 110/2019. De acordo com o estudo Reforma Tributária e Federalismo Fiscal, a unificação de IPI, PIS, Cofins, ICMS e ISS no futuro Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) resultaria em uma tributação de 26,9% — uma das mais altas do planeta. “A alíquota do IBS deve chegar a níveis próximos de 27%, segundo as nossas estimativas, o que colocaria o Brasil entre os países com as maiores alíquotas-padrão de IVA [imposto sobre valor agregado] do mundo, ao lado da Hungria, que tributa em 27%, e acima de países como Noruega, Dinamarca e Suécia, com alíquotas de 25%”, afirmam os pesquisadores Rodrigo Orair e Sérgio Gobetti.

Os analistas compararam a receita atual de ICMS e ISS de cada unidade da Federação com a estimativa potencial de arrecadação com o futuro IBS [veja arte]. A conclusão é de que 19 estados podem ganhar com as mudanças. Entre eles, os 12 entes considerados de renda baixa (com nível de produto interno bruto per capita até R$ 20 mil por habitante), que devem arrecadar R$ 24,8 bilhões a mais por ano. Os maiores beneficiados são Pará e Maranhão, com ganhos de R$ 5,6 bilhões e R$ 4,2 bilhões.

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No outro lado da moeda, oito estados de renda média (entre R$ 20 mil e R$ 30 mil per capita) e alta (acima de R$ 30 mil) perdem com as mudanças. Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo juntos deixam de arrecadar R$ 34,3 bilhões por ano. Paulistas e mineiros pagam a conta mais alta, com prejuízos de R$ 21,2 bilhões e R$ 4 bilhões.

O Ipea analisou ainda o impacto das duas PECs no combate às desigualdades sociais. Pela regra atual, a fatia mais pobre da população paga 26,7% da renda em impostos sobre o consumo. Os mais ricos desembolsam apenas 10,1%. A reforma tributária reduz essa diferença, mas de maneira discreta: 24,3% para os mais pobres, e 11,2% para os mais ricos. 

Reforma enxuta

O Poder Executivo deve enviar em fevereiro sugestões para aperfeiçoar a reforma tributária. As mudanças serão apresentadas na forma de emendas por senadores e deputados. O ministro da Economia, Paulo Guedes, ainda não detalhou quais pontos do texto pretende alterar. Mas durante o Fórum Econômico Mundial, realizado em janeiro na Suíça, disse que o Palácio do Planalto defende uma reforma “mais simples”.

Em entrevistas a órgãos de imprensa, Paulo Guedes tem defendido a substituição dos diversos tributos sobre bens e serviços por um só imposto sobre valor agregado (IVA) — como preveem as PECs 45/2019 e 110/2019. Mas, segundo o ministro, o Poder Executivo quer uma alíquota de apenas 11%. Para compensar a perda de arrecadação, seria criado um novo imposto sobre pagamentos digitais.

O presidente do Senado é contrário à ideia. Ele lembra que o Congresso já derrubou tentativas de criação de um novo imposto nos moldes da extinta CPMF. A Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira incidiu sobre todas as transações bancárias e vigorou no Brasil por 11 anos, até 2007.

— A gente já falou em outras ocasiões, tanto o Senado como a Câmara, que o Brasil não aguenta mais aumentar a carga tributária. As pessoas insistem em falar sobre isso, que é um tema que o Parlamento já decidiu que não vai fazer. Na Câmara, o sentimento do presidente Rodrigo Maia é que não passa a criação de um novo imposto, seja ele qual for. E no Senado também, eu já falei sobre isso — disse Davi Alcolumbre.

conheca proposta

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado
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