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Opinião

CARLOS AVALLONE – Preservar e produzir não são antagonismos

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Se formos produzir uma lista com os temas que mais despertam acalorados debates, por certo o Meio Ambiente estará entre os principais. Essa paixão não poderia ser diferente, uma vez que diz respeito não somente ao que temos ao nosso redor, mas também à nossa própria existência, às condições para que a vida exista nesse pálido ponto azul perdido no espaço que chamamos de Terra e que, até onde sabemos, possui essa característica ímpar de ser habitado.

Assim, nossa existência – com os quase 8 bilhões de habitantes no planeta – é um grande desafio entre o “produzir” e o “preservar”. Sem a produção, haverá fome e morte. Sem a preservação, em algum tempo não haverá vida. Dessa maneira, estamos permanentemente em um verdadeiro tabuleiro de xadrez, onde cada peça movimentada implica consequências que nem sempre podem ser recuperadas. A busca é a de que o rei (ou a vida) não entre em xeque.

Essa preocupação com o meio ambiente fez com que se criasse uma rede para o seu debate e proteção, onde se incluem além de inúmeras entidades da sociedade civil, um ministério, secretarias de estado, secretarias municipais e, dentro do Poder Legislativo das três esferas, Comissões de Meio Ambiente.

Na condição de deputado estadual, fui indicado como membro da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso e tenho a honra de presidi-la neste tão conturbado ano de 2020. Como já era de se esperar, os temas que chegam para o debate na Comissão promovem acaloradas  discussões entre os membros e é justamente nesse momento que o Parlamento mostra seu grande valor, como sendo o que se chama de “caixa de ressonância” da sociedade.

Temos, agora, em debate um desses projetos que vem movimentando não apenas o Parlamento intra muros, mas provocou um ruído que atravessou até mesmo o oceano. Cuida-se do Projeto de Lei Complementar nº 17/2020, de autoria do Governo do Estado, e que propõe alterações no Código do Meio Ambiente.

Dentro de sua competência legislativa, o Governo do Estado apresentou um projeto que, dentre outros temas, propõe algumas alterações referentes às terras indígenas em nosso Estado. Aliás, para ser preciso, propõe algumas alterações no relacionamento entre os proprietários de áreas que estão em estudo (frise-se que estão em estudo) para que, ao final  do processo, possam (ou não) ser homologadas como terras indígenas.

Talvez não seja do conhecimento de todos, mas a partir do momento em que o Ministério da Justiça publica portaria declaratória com a proposta de delimitação da área para a criação ou expansão de alguma terra indígena, imediatamente o produtor deixa de ter direitos sobre a ela. Ainda que seja uma área de produção onde por vários anos ele tivesse toda a documentação e esteja rigorosamente dentro das normas da Secretaria de Meio Ambiente, a

área deixa de poder ser utilizada. Se há autorizações de uso, elas deixam de valer e resta ao ocupante da área tão somente a obrigação de zelar por ela, sendo que se houver algum problema (como um incêndio ou uma invasão), ele será responsabilizado. Inclusive os impostos sobre a área que ainda é do ocupante no papel, continuam sendo cobrados na íntegra.

No entanto, houve um grande problema gerado por falha de comunicação onde entendeu-se algo muito diverso do que se pretende. Em nenhum momento houve qualquer menção sobre diminuir ou entrar em terras indígenas. Essas são terras protegidas e não há nenhum debate contrário a elas. No entanto, não parece, de fato, razoável que a área tenha sua função social bloqueada em virtude de um estudo que pode, ao final, decidir pela não demarcação da pretensa terra indígena.

O cabo de guerra entre o produzir e o preservar tem como ponto médio o desenvolvimento sustentável, onde se prima pelas boas práticas no campo, pelo respeito às áreas protegidas e pelo respeito às normas legais vigentes. Isso é fundamental para que haja segurança jurídica a todos. Tanto aos indígenas em suas terras, quanto aos produtores.

A Comissão de Meio Ambiente existe para o debate, para que cheguemos sempre nesse ponto médio. Não trabalhamos com permissionismos, visando anistiar os que promoveram ilegalidades. Também não seremos partidários de protecionismos exacerbados, pelos motivos que já declaramos. E, em virtude do intenso debate referente ao PLC 17/2020, foi que optamos por um trâmite mais longo acerca dessa proposta de mudança no que se refere às terras indígenas. Assim, o projeto continuará o processo de votação com a supressão desses dispositivos.

A medida se fez necessária por ter havido uma grande comoção que causou desconforto dentro do poder Executivo, que acenou até mesmo com a possibilidade de retirar o projeto de tramitação, o que promoveria a perda de outras medidas que constam da proposta. Mas essa supressão não implicará em um silêncio do Parlamento sobre o tema. A Casa Legislativa é a casa do debate. Desta forma, para que não haja um vácuo acerca dessa matéria, a Comissão de Meio Ambiente apresentará um novo projeto contendo a parte ora retirada e convidará ao debate os interessados e envolvidos.

Como dito no início, o tema provoca acalorados e apaixonados debates. É função da Comissão, sobretudo minha, que a presido, arrefecer os ânimos e buscar um caminho que se mostre o melhor não apenas para o atual momento, mas também para o futuro. Nesse tabuleiro de xadrez, a manutenção do Rei (da vida) é crucial. Um xeque-mate seria, de fato, o fim. Evitemos.

*Carlos Avallone é deputado estadual, pelo PSDB, e presidente da Comissão de Meio Ambiente da ALMT

 

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WILSON PIRES – Há 83 anos nascia Júlio Birré, um boêmio equilibrado

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Seus documentos, por favor. A voz imperiosa do popular Júlio Ramos de Morais (Julinho Birre); era fato corriqueiro. E esboçava o seu posicionamento quando alguém tentava entrevistá-lo. “É preciso uma apresentação, para depois soltar a língua”, dizia em tom jocoso.

Fundador e proprietário do Bar e Restaurante Kavú, Júlio Ramos de Morais, nasceu em 14 de agosto de 1937. Sobre Várzea Grande de antigamente, ele dizia com ar de deboche: “era simplesmente sem asfalto”.

Ele sempre foi pontual em seus compromissos. Júlio Ramos de Morais, mais conhecido como Júlio Birré, proprietário do antigo Bar e Restaurante Kavú, que era ultimamente localizado, na Rua Nossa Senhora do Carmo, nº 129, no Centro de Várzea Grande. Jeito simples, e sempre disposto a conversa (“com os amigos, é claro”), Júlio Ramos é Várzea-grandense de nascimento e da infância recorda a falta de infraestrutura do município. “Aqui no centro não tinha asfalto”.

Cursou até a primeira série. Depois teve que abandonar os estudos para trabalhar. O primeiro emprego foi em um Bar, como recorda de João Pinto, na Av. Couto Magalhães. Depois foi trabalhar com seu cunhado, no famoso Bar da época o “Balança, mas não cai”, do senhor Athaíde Gomes da Silva (Athaíde Balança). Com 20 anos, Júlio Birre decidiu arrendar o Clube Esportivo Operário. O presidente na Época – lembra, era Rubens dos Santos. Essa trajetória foi de 1958 até 1964.

Os bares – após ser arrendatário do Clube Esportivo Operário, Júlio Birre montou um bar, na Couto Magalhães. Só voltava a arrendar o Operário em tempos de Carnaval. Nessa corrida, a criação do Restaurante Kavú, diz – começou na residência de dona Graci, esposa do finado Joãozito. O significado de Kavú, conforme Birre é “tempo bom”. “É uma palavra indígena”, complementa. Em 1974, devido a já exigência do mercado Várzea-grandense, Júlio Ramos de Morais criava o Jufat Bar. Nessa mesma época, casou-se com Francisca de Souza Gomes. “Eu tinha 35 anos”. Desse relacionamento Birré tem uma filha, chamada Sandra.

Tradicional ponto de encontro de várias personalidades, inclusive políticos, o Restaurante Kavú, foi parada obrigatória para quem desejava saborear, em primeiro plano, a famosa galinha com arroz, além da peixada. Ali, Júlio Birre mantinha alguns pontos pitorescos. Como por exemplo, o muro que circundava o estabelecimento. “Os frequentadores escolhiam uma parte para pintar a propaganda de suas empresas”. O mais interessante nisso tudo é que cada local tinha seu preço, era de acordo com a localização do muro.

Outro fato corriqueiro no Restaurante Kavú eram as apostas políticas. Em época de eleições, os frequentadores assíduos do Restaurante Kavú não hesitavam, após um gole e outra cerveja, em apostar neste ou naquele candidato. Muitos eram os apostadores, entre eles, conforme Birré eram: João Federal, Ary Campos, Juarez Toledo Pizza, Joaldo, Rubens dos Santos, Miltinho (seu garçom), entre muitos outros. As apostas eram feitas em cheques. “O dinheiro ficava depositado em banco, rendendo. O ganhador levava tudo. Quer dizer, menos 10 por cento da comissão do Bar”. Acontece que o Birré sempre foi o juiz das apostas.

Júlio Birré é talvez, o maior colecionador de discos de Vinil da boêmia, época marcante da música popular brasileira. De Vicente Celestino, passando por Altemar Dutra, Carmem Costa, Núbia Lafaiete, Cauby Peixoto, Silvinho, Nelson Gonçalves, até Roberto Carlos (Velha Guarda) era possível ouvir saboreando uma suculenta galinha com arroz, ao lado de uma loira gelada, no Restaurante Kavú. Dessa coleção de discos de Vinil, dizem, que há aproximadamente 780 Lps. “Sempre, dizia, não vendo e nem empresto, pois já perdi muitos discos com essa brincadeira”.

Outro fato jocoso e tradicional do Restaurante Kavú era a famosa caderneta em poder de Júlio Birré. Já amarelada pelo tempo, as páginas da referida caderneta registravam velhas contas a pagar de personalidades ilustres como jogadores de futebol, radialistas, políticos, etc. Em seus últimos dias do Restaurante, essas personalidades não mais compareciam no recinto, nem para acertar o antigo débito. Tanto é, que quando entrava um cliente amigo, Júlio já ia disparando, em voz alta e bom som “acertando”. Há contas de 1977 e também cheques sem fundos. Em forma de brincadeira, Birré dizia que agora não tem mais o “marcando”.

Questionado uma vez sobre política Várzea-grandense, Júlio adiantou que nunca quis participar disputando cargos. “Já foram feitas várias reuniões de políticos no Bar e Restaurante. Todos são fregueses. Há inclusive fofocas, mas após a bebedeira, tudo ficava na mesa do Bar”, dizia Júlio Ramos de Morais, o conhecido, falado e famoso Júlio Birré.

Júlio Birré lutava incansavelmente contra o Mal de Alzheimer, uma doença incurável acompanhada de graves transtornos as vítimas.

Júlio Ramos de Moraes morreu no dia 09 de abril de 2014, em Várzea Grande. Júlio Birré e o Kavú ficarão vivos para sempre na história de Várzea Grande.

Wilson Pires de Andrade – Jornalista.

 

 

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WILSON FUÁH – Até a coerência é passageira

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Todos os dias, somos abastecidos por uma pequena cota de esperança, e com elas vêm também alguns enigmas que precisam ser entendidos ou descartados, pois nenhum dia será igual ao outro, e por isso, até a coerência é passageira, nada se completa ao final do dia.

Vivemos cercados por pessoas que tentam ser coerente o tempo todo, mas o certo é entender que não somos senhores dos nossos desejos e muito mesmos dos resultados que acontecem em nossas vidas, pois toda a sabedoria do mundo, não é nada, diante de Deus.

Muitas pessoas até tentam ser coerente, e faz da sua aparência a necessidade de se mostrar como um espelho de um mundo perfeito:

1 – só saem de casa, se a cinto estive combinando com as cores dos sapatos;

2 – e logo pela manhã abastece a sua mente com as mesmas opiniões de ontem, para não ser diferente logo no amanhecer;

3 – e procura aceitar as coisas mesmo que estejam erradas e não procuram debatê-las, porque quer ser visto, como, aquele que vive num mundo aparentemente perfeito, e para serem vistos entre aqueles que agem “politicamente correto ou coerente ao extremo”.

Mas, tudo munda no mundo verdadeiro, e em todos os instantes a realidade é outra, por isso, não devemos envergonhar-nos, por ter que mudar de opinião, principalmente quando as nossas contradições são maiores que a realidade modificada de “ontem para hoje”.

O importante é evoluir, e mudar de pensamento, desde que não prejudique ninguém. Mudar de opinião faz bem, porque, promove uma nova adequação para uma nova realidade satisfatória, e por serem mudanças necessárias, não devemos envergonhar-nos das contradições evolutivas, porque o mundo está em movimento sempre.

Todos nós temos o direito de modificar a nossa vida o tempo todo, desde que, independente do que os outros vão pensar de nós, porque eles vão pensar de qualquer maneira.

Ficar parado no tempo em nome da coerência passada, e não evoluir, é tentar interromper o movimento do Universo, que gira incessantemente em nossa volta, por isso, devemos ter certeza que o novo, envelhece a cada virada da noite.

Por isso, relaxe.

Seja um transformador constantemente e aceite a evolução, descubra a alegria de ser uma surpresa para você mesmo, saiba que durante o tempo todo, a sua vida recebe as mudanças em todos os setores das atividades sociais, tecnológicas, politicas e econômica, e tudo envelhece ao final do dia, e moderniza a cada amanhecer, a evolução será uma constância por um mundo melhor.

Economista Wilson Carlos Fuáh – É Especialista em Recursos Humanos e Relações Sociais e Políticas.

Fale com o Autor: [email protected]

 

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