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Economia

Brasileiro já adianta até 40% do salário para pagamento de dívidas

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Brasileiro já antecipa até 40% do salário para pagar dívida
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Brasileiro já antecipa até 40% do salário para pagar dívida

A combinação de orçamento apertado, multiplicação de boletos e inflação de dois dígitos levou o brasileiro a recorrer ao salário do mês seguinte para pagar a dívida de hoje. Ganha espaço entre as empresas a procura pelo serviço de antecipação de parte do salário para fazer frente a despesas emergenciais, gastos do mês, como comida ou escola dos filhos, ou para quitar dívidas com custo maior, como as de bancos e cartões de crédito.

Em geral, o serviço passa a ser oferecido a partir de pedidos dos próprios funcionários, que buscam uma forma de conseguir recursos para situações emergenciais de forma mais barata. Para muitos, a modalidade virou uma saída para chegar ao fim do mês.

Na Creditas, fintech que oferece o serviço desde o final de 2020, ocorreu aumento de mais de 200% nas solicitações de antecipação salarial no primeiro semestre de 2022, em relação ao mesmo período do ano anterior.

Média de R$ 2 mil antecipados

O levantamento foi feito levando em conta o universo de 800 mil funcionários de empresas que têm acesso ao serviço oferecido pela Creditas Benefícios. Cerca de 96% das pessoas que anteciparam seus salários no período acessaram um tíquete médio de R$ 2 mil.

A vice-presidente da Creditas Benefícios, Viviane Sales, destaca que a antecipação é vantajosa para os empregados, pois, não necessariamente, precisam de crédito, mas necessitam dos recursos para resolver questões pontuais:

“Com essa solução, você consegue dar antecipação para quem precisa e no momento em que ela precisa. Temos 80% da população brasileira endividada, 30% negativada e temos mais de 60% dos colaboradores com mais de 50% da renda comprometida. Então, dificilmente isso não está acontecendo nas empresas.”

Pela Creditas, o funcionário pode antecipar até 40% do salário. As duas primeiras solicitações são gratuitas e a partir da terceira, há uma taxa de R$ 5. Não há cobrança de juros.

Segundo pesquisa da Creditas realizada a partir de seu próprio serviço, em janeiro de 2022, 63% dos trabalhadores com carteira assinada estão com ao menos 50% da renda comprometida com dívidas.

A analista de sucesso do cliente, Paula Rodrigues, começou a usar o serviço de antecipação em março. Morando sozinha em um imóvel alugado, ela sentiu o orçamento pesar nos últimos meses e passou a recorrer a essa modalidade para situações de emergência. Ela costuma antecipar até 30% do salário pagando R$ 5 por saque:

“Já tive problemas com dívidas há alguns anos e, agora, estou tentando cuidar da minha vida financeira. Antes, era 100% descontrolada. Chegou o caso do meu nome ficar sujo no Serasa. A antecipação acaba sendo boa para emergência, quando aparece uma conta que você não esperava.”

Consultoria financeira

A fintech Paketá, que já oferecia crédito consignado a empresas, incorporou a antecipação salarial em seu leque de produtos em fevereiro após perceber que muitas pessoas acessavam o consignado para valores baixos, o que não é indicado. E houve maior demanda por áreas de recursos humanos de empresas.

“Quando a gente fala de antecipação de salário, estamos emprestando dinheiro a um prazo curto, com uma certeza muito grande de que ele vai ser devolvido. Isso faz com que a taxa fique mais baixa na comparação com outros tipos de crédito”, disse o CEO da Paketá, Fabian Valverde.

Cerca de 1.750 empresas dos mais variados setores já aderiram ao serviço. A Paketá costuma antecipar de 30% a 40% do salário, com tíquete médio de R$ 500. A taxa por saque varia em cada acordo firmado, podendo ser de R$ 2 a R$ 5. Não há cobrança de juros.

Na opção pelo consignado, por exemplo, a taxa de juros varia entre 1,70% a 3,90% ao mês, a depender da rotatividade dos funcionários.

Na fintech Leve, a antecipação passou a ser ofertada em janeiro, com o objetivo de retirar os funcionários de créditos mais caros.

Taxa de R$ 8,99

A empresa cobra taxa única de R$ 8,99 por saque, sem juros. No consignado, opção que a fintech também oferta, os juros variam de 1,29% a 2,89% ao mês.

Cerca de 10 mil pessoas já têm acesso ao produto, com uso de duas a três antecipações por mês. A procura tem sido feita, principalmente, por empresas de tecnologia.

“Fizemos uma pesquisa qualitativa e identificamos que os usos são para comprar comida, ajudar a pagar o colégio e pagar conta com desconto. Também oferecemos consultoria financeira para os funcionários sem custo. O colaborador fala com um consultor por videochamada ou WhatsApp”, destacou o CEO da Leve, Gustavo Raposo.

Pelo lado das empresas, a antecipação é uma forma de ajudar na saúde financeira dos funcionários e, com isso, melhorar sua produtividade

Foi o caso da empresa de pagamentos Pague Veloz, que passou a contar com a antecipação no final de 2020, depois de identificar a demanda por parte dos trabalhadores.

“Pelos canais que temos aberto, percebemos muitas solicitações de empréstimo, de antecipação do salário, se teria alguma forma de adiantamento ou de vale. Começaram a surgir muitas questões financeiras e, por isso, pensamos nisso para melhorar a saúde financeira dos colaboradores”, disse a coordenadora de RH, Karine Moraes.

Até o momento, 50% dos 383 funcionários já usaram. A empresa aderiu a um programa de educação financeira, com 70% de adesão.

“Vimos que fez muita diferença. Os colaboradores passaram a trabalhar com mais tranquilidade”, diz Karine.

A Emicol, que fabrica produtos eletroeletrônicos, começou a usar o serviço. Na companhia, pode ser antecipado até 30% do salário.

Para analistas, é preciso cuidado

“É opção rápida, fácil e segura para uma emergência ou necessidade”, disse a analista de administração e benefícios da Emicol, Julia Rodrigues de Paula.

Para profissionais de educação financeira, o serviço de antecipação pode ser benéfico para quem tem maior planejamento financeiro e quer sair ou evitar dívidas mais caras. No entanto, ponderam que é necessário cuidado para a prática não se tornar um vício que comprometa a renda no mês seguinte.

“O cuidado é que isso pode criar um hábito. Muitas vezes a antecipação está tapando o sol com a peneira. Fazer uma antecipação pequena só para quitar uma dívida e não pagar juros pode ser interessante. Mas a pessoa que recorre a essa prática tem que ter a consciência de que não vai receber o salário integral”, disse o consultor Vinicius de Marchi, da W1 Consultoria Financeira.

Para quem apenas busca fazer frente a um imprevisto, trata-se de modalidade mais barata do que as opções de crédito disponíveis, uma vez que não há cobrança de juros, apenas taxa fixa para saques.

Redução de gastos

O consultor ressalta, porém, que o problema por trás da antecipação frequente do salário do mês seguinte é a falta de educação financeira.

Adenias Gonçalves Filho, sócio da consultoria Bem-Financeiro, afirma que é preciso envolver toda a família na reorganização das contas domésticas para que o valor adiantado não faça falta depois:

“O que mais importa é fazer a lição de casa e reduzir gastos. Aquilo que tem comprometimento fixo, como aluguel, terá de ser pago. Mas em gastos variáveis é possível ter disciplina, evitando, por exemplo, compras parceladas.”

Com altas taxas de juros praticadas pelo mercado em diversas modalidades de crédito, Filho diz que adiantar o salário pode ser mais vantajoso do que pegar um empréstimo consignado. Com controle e estratégia, até vale a pena solicitar o adiantamento de alguma quantia para viabilizar uma renda extra.

“Se a pessoa pega R$ 1.000 e paga só R$ 5, é uma taxa baratíssima. É possível, então, usar essa antecipação de forma inteligente, comprando produtos que possam ser comercializados com velocidade e alta lucratividade depois”, analisa.

E acrescenta:

“Tem muita família que vende doces, cachorro-quente, salgadinhos. Mesmo endividada, a pessoa pode usar o dinheiro para comprar material para fazer bolo, vender e sair do aperto. Só é necessário ter consciência de que essa é uma oportunidade para que o impacto lá na frente seja o menor possível.”

Dicas para ficar no azul

Orientações dadas por Ricardo Teixeira, coordenador do MBA de Gestão Financeira da FGV, e Jansen Costa, da Fatorial Investimentos

Evite fazer gastos fora do seu orçamento

A maior dica para lidar com as dívidas é evitá-las ao máximo. Um dos grandes vilões é o parcelamento: ele pode caber no bolso naquele mês, mas as cotas mensais podem se chocar com gastos sazonais, como, o pagamento do Imposto de Renda ou IPVA.

Fique por dentro da taxa de juros de cada operação

Cartões de crédito e cheque especial costumam ter os juros mais elevados do mercado, portanto, esses pagamentos devem ser prioridade. Quando já se contraiu a dívida, vale a pena trocá-la por outra com juros mais baixos, ou, na negociação, tentar reduzir o percentual dos juros cobrados.

Se fechou acordo, não atrase o pagamento de parcelas

Outra dica é só fechar um acordo caso tenha certeza de que a parcela definida cabe no orçamento. Para isso, o planejamento financeiro é essencial. Gastos fixos e variáveis do mês devem ser anotados para ver o que sobra para pagar a dívida. A parcela de cada mês não pode ultrapassar o valor planejado.

Avalie se vender algo pode resolver o problema

Quando não sobra dinheiro, vale pensar em vender algum item para quitar o débito. Nesse caso, é melhor fazer o pagamento à vista e tentar garantir um desconto maior.

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Fonte: IG ECONOMIA

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Economia

Bares e restaurantes têm o melhor desempenho do ano em julho

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Bares e restaurantes têm o melhor desempenho do ano em julho, mas número de estabelecimentos com prejuízo ainda preocupa, informou a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

O número de bares e restaurantes que tiveram lucro aumentou de 35% para 37% em julho de 2022 e os que fecharam o mês com prejuízo caíram de 29% para 26%.

O representante da Abrasel, José Camargo, disse que o setor está otimista para os próximos meses, mas que ainda preocupa o grande número de estabelecimentos com prejuízo e com dívidas acumuladas.

Entre os estabelecimentos que tiveram prejuízo em julho, 75% deles apontam que a inflação é o principal fator para o resultado negativo.

Por outro lado, a associação  estima que o setor pode contratar até 100 mil novos trabalhadores até o final do ano, aproveitando a Copa do Mundo e as festas de Natal e ano novo.

Dos estabelecimentos consultados pela pesquisa, 35% disseram que esperam contratar novos empregados no futuro e 11% afirmaram que têm intenção de demitir trabalhadores.

A pesquisa da Abrasel entrevistou donos de 1.484 bares ou restaurantes de todo o Brasil.

Ouça mais na Radioagência Nacional:

Edição: Fábio Massalli

Fonte: EBC Economia

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Economia

Estudo mostra alta da pobreza em regiões metropolitanas

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A taxa de pobreza nas regiões metropolitanas do Brasil subiu de 16%, em 2014, para 23,7%, em 2021. Em termos absolutos, isso significa que houve um aumento de 12,5 milhões de pessoas pobres para 19,8 milhões. Em relação à extrema pobreza, a taxa evoluiu de 2,7% para 6,3% no período pesquisado, o que representou aumento de 2,1 milhões para 5,2 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza – aquelas que vivem com R$ 160 mensais ou menos – nas grandes cidades brasileiras.

Os dados constam na 9ª edição do “Boletim Desigualdade nas Metrópoles”, elaborado em conjunto pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), o Observatório das Metrópoles e a Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL), divulgado hoje (8).

A base para a sondagem é a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (PNAD Contínua) versão anual, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esta versão permite ver todas as formas de rendimento do domicílio, a partir das quais foi calculada a renda domiciliar per capita (por membro da família), informou à Agência Brasil o economista Marcelo Ribeiro, professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR-UFRJ e um dos coordenadores do estudo e membro do Observatório das Metrópoles.

Poder de compra

Foram analisadas as 22 principais áreas metropolitanas do país, de acordo com as definições do IBGE. Todos os dados estão deflacionados para o ano de 2021, de acordo com o Índice de Preços do Consumidor Amplo (IPCA). O estudo trabalhou com a linha de pobreza definida pelo Banco Mundial (Bird) para países de renda média alta, caso do Brasil.

“O Banco Mundial se baseia na paridade de poder de compra (PPC) para estabelecer uma medida comparável entre os diversos países e estabelece um valor que corresponde a essa PPC”, informou Ribeiro.

Os pesquisadores transformaram isso na moeda nacional brasileira, o real. Com base na paridade de poder de compra (PPC), a linha de pobreza correspondia a US$ 5,50 por dia, enquanto a PPC para a extrema pobreza era de US$ 1,90. Em valores de 2021, em reais, a linha de pobreza alcança cerca de R$ 465 por mês per capita; a linha de extrema pobreza é de aproximadamente R$ 160 per capita mensais.

Pandemia

As regiões metropolitanas concentram quase 40% da população brasileira – mais de 80 milhões de pessoas. Tais regiões são estratégicas do ponto de vista econômico, político e social, mas também concentram desafios e problemas que afligem a sociedade brasileira, destacaram os autores do boletim. Em relação às desigualdades e à pobreza, em especial, o cenário que se vê nos últimos anos é de grave crise social, aprofundada pelos efeitos da pandemia da covid-19.

De acordo com o boletim, na região metropolitana de São Paulo – a maior e mais importante do ponto de vista econômico do país – o número de extremamente pobres cresceu de 381 mil para 1,027 milhão de pessoas entre 2014 e 2021. Na situação de pobreza, o número é bem maior, tendo evoluído de 1,986 milhão, em 2014, para 3,922 milhões, em 2021. No mesmo período, nas regiões metropolitanas de Salvador e do Rio de Janeiro, por exemplo, o número de extremamente pobres pulou de 103 mil para 483 mil, e de 336 mil para 926 mil, respectivamente.

Segundo Andre Salata, professor da PUCRS e um dos coordenadores do estudo, os efeitos da pandemia da covid-19 agravaram uma situação que já vinha piorando há alguns anos. “A pandemia age, então, sobre um patamar de vulnerabilidade que já estava muito elevado mesmo para os nossos padrões.”

Salata explicou que isso ocorreu com a renda dos mais pobres. No ano de 2014, os 40% mais pobres das regiões metropolitanas brasileiras tinham renda média de R$ 515. Cinco anos depois, em 2019, essa cifra caiu para R$ 470. Já no contexto da pandemia, em 2021, a renda média havia chegado a R$ 396. 

A análise de cada região metropolitana separadamente mostra padrão semelhante. Entre 2014 e 2021, a renda dos mais pobres cai de R$ 535 para R$ 404, no Rio de Janeiro; de R$ 354 para R$ 246, no Recife; e de R$ 714 para R$ 581, em Curitiba.

Desemprego e inflação

Marcelo Ribeiro acrescentou que o país já estava com uma trajetória de aumento da pobreza desde 2015. Quando chegou o ano de 2020, em plena pandemia de covid-19, a política expansionista de renda fez com que a taxa de pobreza diminuísse, “pelo valor da transferência de renda que passou a ser feito do auxílio emergencial”. Mas, a partir de 2021, o nível de pobreza aumentou. 

Como efeito da pandemia, não somente as desigualdades aumentaram, como a média de rendimentos caiu e atingiu os menores valores da série histórica. O rendimento médio no conjunto das regiões metropolitanas, em 2019, era de R$ 1.935; em 2020, ele caiu para R$ 1.830; e, em 2021, chegou a R$ 1.698. No Distrito Federal, a renda média caiu de R$ 2.784 para R$ 2.476 no período. Na região metropolitana de Recife, a queda foi de R$ 1.593 para R$ 1.079 e, em Porto Alegre, foi de R$ 2.218 para R$ 1.947.

O estudo mostra ainda que os efeitos da pandemia da covid-19 sobre os indicadores de pobreza e desigualdades se fizeram sentir a partir de 2021, quando aumentaram de forma abrupta. Entre o final de 2020 e o início de 2021, a taxa de pobreza evoluiu rapidamente de 19% para 24,7%, enquanto a extrema pobreza subiu de 4,1% para 6,7%.

Tendência

Apesar de observar, nos últimos meses, uma redução da taxa de desemprego no país, embora ainda permaneça em patamares elevados, o professor do IPPUR-UFRJ afirmou que se essa queda do desemprego se mantiver, isso teria um efeito positivo para contribuir na reversão desse processo. Observou, porém, que há uma permanência da taxa de inflação em patamares elevados, o que reduz o poder de compra da população. “Só o fato dela ter acesso à renda, com aumento do emprego, não é suficiente se a inflação continuar elevada. As pessoas vão ter acesso à renda, mas com poder de compra muito reduzido, o que faz com que elas continuem nesta situação.”

Edição: Pedro Ivo de Oliveira

Fonte: EBC Economia

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