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Internacional

Boris Johnson: do Brexit aos escândalos

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Pessoas protestam no Reino Unido com cartazes
Reprodução/Flickr Reggie McLarhan – 07.06.2022

Pessoas protestam no Reino Unido com cartazes

O “homem do Brexit” e talvez o líder conservador britânico mais histriônico, desgrenhado e inclinado a gafes da história moderna concluiu a sua corrida caindo perante o obstáculo intransponível dos escândalos internos.

Boris Johnson, 58 anos, se prepara para deixar definitivamente o cargo de primeiro-ministro que perseguiu por uma vida com a ilusão de se tornar uma espécie de herdeiro de Winston Churchill. Nesta quinta-feira (7), anunciou a contragosto que deixará o cargo para permitir que os “tories” sigam adiante no poder.

Uma corrida que terminou muito antes do que a de seu ídolo, depois de pouco mais de três anos transcorridos grande parte em um montanha russa constante entre triunfos eleitorais e alguns sucessos nacionais, como a campanha de vacinação contra a Covid-19, passando pela passarela internacional dos compromissos em apoio à Ucrânia invadida pela Rússia de Vladimir Putin, mas também com passos em falsos e erros em série de avaliação e de julgamento.

Tudo isso foi vivido com a “segurança” de ser um gato de nove vidas, como se diz nos países anglo-saxões, e a convicção de ser um predestinado quase que por direito de nascimento. Mas, em um quadro no qual sua capacidade retórica, as citações astutas e um certo populismo não foram capazes de salvá-lo.

Johnson, o BoJo, é filho do ex-deputado conservador do Parlamento Europeu, Stanley Johnson, e de uma pintora, a já falecida Charlotte Offlow Fawcett. Frequentou as melhores escolas do Reino Unido, cursou na Universidade de Oxford, onde cultivou a paixão pela literatura, a história e os períodos clássicos.

Nascido em Nova York (EUA), com o nome Alexander Boris de Pfeffel Johnson, tem antepassados muçulmanos e judeus, além de cristãos. Escolheu a carreira jornalística, com passagens pelo “Times” e “Daily Telegraph”, e atuou como correspondente em Bruxelas, para narrar os fatos da União Europeia.

Porém, a carreira teve textos com exageros retóricos, se não fake news como as conhecemos hoje, que também foram relembradas pela oposição durante a campanha do referendo do Brexit em 2016.

Essa “propensão” acabou virando o seu calcanhar de Aquiles e que foi relembrado pela oposição nos últimos meses, a de “mentiroso patológico”.

Johnson foi acusado de mentir em seus discursos na Câmara dos Comuns sobre o escândalo Partygate – quando ele e funcionários de seu governo violaram regras sanitárias para conter a Covid-19 – e em outros escândalos. E isso o seguiu até o caso “fatal” da cobertura dada ao ministro e assessor Chris Pincher, o “apalpador” de vários homens.

A sua carreira jornalística atingiu o ápice com a nomeação a ser diretor do jornal conservador “Spectator”.

Já a entrada na carreira política aconteceu em 2001, quando faz uma estreia bombástica assumindo uma cadeira no Parlamento. Em 2004, chegou a ser por alguns meses vice-ministro na pasta de Cultura, mas perdeu o cargo após ter mentido sobre uma das não poucas relações extraconjugais. É também alvo de diversas matérias dos famosos tabloides britânicos por conta de sua conturbada vida pessoal.

Johnson tem sete filhos (conhecidos) e se casou três vezes. A esposa atual, Carrie Symonds, esteve ao seu lado nos três anos em que ele esteve em Downing Street, com quem teve mais dois filhos.

E, contra a primeira-dama, também pesam acusações de interferência nas equipes de governo, que a levaram para um confronto com conselheiros revelado pela mídia, incluindo o ex-poderoso “guru” da Brexit, Dominic Cummings – figura fundamental na ascensão e queda de Johnson.

A careira política de BoJo decolou com as eleições para prefeito de Londres em 2008, onde permaneceu por dois mandatos consecutivos até 2016. Nesse tempo, preparou seu retorno para a Câmara dos Comuns, em maio de 2015. E rapidamente se colocou como fiel aliado do então premiê e velho amigo, David Cameron, até se tornar um paladino pela saída do Reino Unido da União Europeia.

A vitória no referendo, porém, não permitiu que ele se lançasse rapidamente à liderança do Partido Conservador, que para o depois de Cameron, foi para Theresa May. No governo, recebe o cargo de ministro das Relações Exteriores, que acaba largando em julho de 2018 após uma série de embates com May.

A vingança vem em 2019, com a designação com apoio amplo para que ele assuma o lugar de May e o triunfo histórico nas eleições de dezembro contra o Partido Trabalhista de Jeremy Corbyn.

A ampla maioria conquistada permitiu enfrentar o período de transição da Brexit e as difíceis tratativas com a UE, introduzir reformas controversas sobre a imigração restritiva, com a promessa de oferecer um futuro de prosperidade a um país finalmente livre de Bruxelas.

No entanto, surgem desafios históricos como a pandemia de Covid- 19 – que o atingiu de maneira própria e dramática com internação de três dias em uma unidade de terapia intensiva e o escândalo do Partygate, os encontros governamentais de violação do lockdown e a punição recebida da polícia, a primeira da história para um premiê no cargo no reinado de Elizabeth II.

A sucessiva retomada econômica foi atrasada por conta da crise energética e da guerra na Ucrânia. Mas, Johnson afundou com a multiplicação dos escândalos todos internos: a violação das regras, os comportamentos e padrões de conduta considerados talvez não tão importantes por aquele homem que, quando menino, queria ser o rei do mundo.

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Fonte: IG Mundo

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Ameaçado pelo Irã, escritor Salman Rushdie é esfaqueado em Nova York

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Escritor Salman Rushdie é esfaqueado durante evento em Nova York
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Escritor Salman Rushdie é esfaqueado durante evento em Nova York

O escritor anglo-indiano Salman Rushdie, de 75 anos, foi esfaqueado no palco de um evento em Nova York, nos Estados Unidos, nesta sexta-feira. Ainda não há detalhes sobre o estado de saúde dele. A informação foi confirmada pela polícia, acrescentando que ele sofreu ferimentos no pescoço. A obra de Rushdie fez com que ele se tornasse alvo de ameças de morte no Irã desde a década de 1980.

Um repórter da agência Associated Press (AP) testemunhou o episódio de violência registrado por volta de 10h30 no horário local. Um homem invadiu o palco do anfiteatro do centro educacional Chautauqua Institution e começou a agredir Rushdie. O escritor caiu no chão e o homem foi contido.

A endocrinologista Rita Landman, que estava na plateia, subiu ao palco para prestar os primeiros socorros após o ataque. Ela disse ao New York Times que Rushdie tinha várias facadas, incluindo uma no lado direito do pescoço, e que havia uma poça de sangue sob seu corpo.

“As pessoas diziam: ‘Ele tem pulso, ele tem pulso, ele tem pulso'”, disse Landman.

O homem detido era branco, tinha o cabelo raspado e estava usando roupas camufladas por baixo de um casaco preto. Rushdie foi levado do local de helicóptero por socorristas. A pessoa que estava entrevistando o escritor sofreu um leve ferimento na cabeça.

“Houve apenas um agressor. Ele estava vestido de preto, uma roupa preta folgada, e correu na direção dele”, disse ao Times Elisabeth Healey, 75, que estava na plateia.

“Houve um enorme lapso de segurança. Foi assustador que alguém pudesse chegar tão perto sem qualquer intervenção”, lamentou John Bulette, 85 anos.

O livro “Os Versos Satânicos” de Rushdie é proibido no Irã desde 1988. Muitos muçulmanos consideram a história uma blasfêmia. Um ano depois, o falecido líder do Irã, o aiatolá Ruhollah Khomeini, emitiu um edito, pedindo a morte de Rushdie. Uma recompensa de mais de US$ 3 milhões também foi oferecida para quem tirasse a vida dele. O escritor passou cerca de dez anos sob proteção policial e vivendo na clandestinidade. Ele mora nos EUA desde 2000.

Fonte: IG Mundo

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Trump diz que apoia quebra de sigilo de documentos do FBI sobre ele

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Trump diz que apoia quebra de sigilo de documentos do FBI sobre ele
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Trump diz que apoia quebra de sigilo de documentos do FBI sobre ele

O ex-presidente dos Estados Unidos  Donald Trump disse na noite de quinta-feira que apoia a “divulgação imediata” de documentos relacionados à busca do FBI nesta semana em sua residência em Mar-a-Lago, na última segunda-feira. A declaração veio poucas horas após o secretário de Justiça, Merrick Garland, pedir que o sigilo do mandado de busca e da lista de itens procurados fossem quebrados por um juiz da Flórida, argumentando que o Trump anunciou publicamente a busca e devido ao “interesse público substancial neste assunto”.

Apesar de ter anunciado a batida com grande alarde há quatro dias, denunciando uma suposta perseguição política, o republicano não havia divulgado nem o mandado nem a lista de itens apreendidos, que tinha em suas mãos. Como o Washington Post divulgou na quinta, documentos sigilosos sobre armas nucleares estavam entre os itens procurados pelo FBI, como parte dos papeis da Presidência que Trump deveria ter entregue ao Arquivo Nacional ao deixar o cargo, como prevê a lei.

“Além de não me opor à divulgação de documentos relacionados à invasão antiamericana, injustificada e desnecessária de minha casa em Palm Beach, Flórida, Mar-a-Lago, estou dando um passo adiante ao INCENTIVAR a imediata liberação desses documentos”, escreveu o ex-presidente, em um comunicado divulgado em seu site, Truth Social, pouco antes da meia-noite de quinta, depois de se reunir com sua equipe jurídica para discutir os próximos passos. “Essa instrumentalização política sem precedentes da aplicação da lei é inapropriada e altamente antiética.”

Mais cedo na quinta, o secretário de Justiça do governo do democrata Joe Biden, Merrick Garland, rompeu o silêncio e disse que aprovou pessoalmente a varredura do FBI, depois de esgotados outros recursos “menos intrusivos”. Ele anunciou ter pedido a quebra do sigilo do mandado judicial referente à batida policial e afirmou que, antes dessa quebra, a lei o impedia de divulgar detalhes da investigação que levou à ação.

O juiz federal da Flórida que autorizou a busca, Bruce Reinhart, deu a Trump até esta sexta-feira, às 15h (16h no Brasil), para decidir se recorreria do pedido do Departamento de Justiça para que o mandado e a lista de itens apreendidos fossem abertos ao público.

Segundo a imprensa americana, a operação fez parte de uma investigação que apura se Trump teria levado consigo documentos sigilosos ao deixar a Casa Branca.

O ex-presidente e a oposição republicana alegam que o ex-presidente colaborava com a Justiça e que a batida policial foi injustificável às vésperas das eleições legislativas de novembro e em meio a indicações cada vez mais fortes de que Trump concorrerá novamente à Presidência em 2024.

Todos os documentos oficiais de um presidente americano, triviais ou não, são considerados de propriedade pública, segundo a Lei de Registros Presidenciais de 1978. Quando o presidente deixa o cargo, esses papéis vão para o Arquivo Nacional e, mais tarde, são encaminhados para a biblioteca presidencial. É tradição nos EUA que cada ex-mandatário ganhe um prédio próprio para guardar seu legado.

O imbróglio vem em uma semana atribulada para o ex-presidente. Na quarta, Trump prestou depoimento à Procuradoria de Nova York, que conduz uma investigação civil sobre suspeitas de evasão fiscal em seus negócios empresariais. O ex-presidente, contudo, invocou mais de 400 vezes a Quinta Emenda da Constituição americana, que diz respeito ao direito de não se autoincriminar, para não responder às perguntas.

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Fonte: IG Mundo

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