Conteúdo/ODOC - O ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena em Brasília, solicitou ao Supremo Tribunal Federal autorização para receber a visita do senador por Mato Grosso Wellington Fagundes (PL). O pedido foi protocolado neste domingo (1) pela defesa do ex-presidente e endereçado ao ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal que resultou na condenação.
Bolsonaro foi sentenciado a 27 anos e três meses de prisão na Ação Penal 2668, que apurou tentativa de golpe de Estado. Inicialmente, ele cumpria pena na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, mas no mês passado teve a custódia transferida por decisão de Moraes para uma sala de Estado-Maior instalada no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, no Complexo Penitenciário da Papuda.
No documento encaminhado ao STF, a defesa argumenta que o encontro solicitado tem caráter pessoal e busca viabilizar um diálogo direto com o ex-presidente, em data a ser definida. Caso a autorização seja concedida, esta será a primeira visita de Wellington Fagundes a Bolsonaro desde a transferência do ex-presidente para a nova unidade.
O pedido ocorre em meio a mudanças no cenário político interno do Partido Liberal. No ano passado, Bolsonaro chegou a sinalizar apoio do PL ao vice-governador Otaviano Pivetta na disputa pelo Governo de Mato Grosso. Posteriormente, com a definição de Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência, o ex-presidente indicou alinhamento com a pré-candidatura de Fagundes ao Palácio Paiaguás.
Em dezembro do ano passado, uma reunião da cúpula nacional do PL, realizada em Brasília e liderada por Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, consolidou o apoio do partido ao senador mato-grossense. Na ocasião, Fagundes destacou a importância da articulação entre as lideranças estaduais e federais para fortalecer o projeto político da legenda. Em vídeo divulgado após o encontro, Flávio confirmou que pretende visitar Mato Grosso nas semanas seguintes e reforçou o apoio ao senador.
A solicitação atual contrasta com um episódio ocorrido em novembro do ano passado, quando o prefeito de Cuiabá Abilio Brunini (PL) tentou autorização para visitar Bolsonaro, mas teve o pedido negado. À época, a decisão de Moraes ocorreu no contexto da rejeição de um pedido de prisão domiciliar humanitária apresentado pela defesa do ex-presidente, o que levou o ministro a considerar prejudicadas as solicitações de visitas.
Abilio havia informado que pretendia conversar com Bolsonaro em meio às divergências na direita mato-grossense, intensificadas após embates públicos entre o governador Mauro Mendes (União) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Naquele período, o prefeito também afirmou que o apoio do PL ao governador ficaria para um momento posterior e que José Medeiros seria, então, o único nome do grupo ao Senado.