conecte-se conosco


Nacional

Bolsonaro inicia ofensiva por recursos para campanha

Publicado

source
O presidente Jair Bolsonaro durante o lançamento do Canal Educação e do Canal Libras, no Palácio do Planalto
Marcelo Camargo/Agência Brasil – 26/04/2022

O presidente Jair Bolsonaro durante o lançamento do Canal Educação e do Canal Libras, no Palácio do Planalto

O presidente Jair Bolsonaro e alguns dos seus principais aliados deram início a uma ofensiva para arrecadar recursos que vão bancar a campanha à reeleição do atual ocupante do Palácio do Planalto . A ideia é que o próprio chefe do Executivo entre em ação e atue como “garoto propaganda” para captar dinheiro para o PL, partido ao qual ele se filiou no final do ano passado. Nos próximos dias, a sigla comandada por Valdemar Costa Neto vai lançar em seu site um anúncio convidando apoiadores a fazer doações à legenda por meio de PIX.

Paralelamente, pessoas próximas ao presidente têm organizado eventos para empresários, com a presença de Bolsonaro, em busca de doadores. Aliados do titular do Palácio do Planalto têm mirado em representantes do agronegócio, segmento em que ele encontra uma fatia significativa de apoiadores, para financiar os custos da disputa deste ano. Parte dos recursos também deverá irrigar as campanhas de candidatos a governador, senador e deputados da sigla.

Embora hoje tenha a maior bancada na Câmara, com 77 deputados, o PL tem apenas a sétima maior fatia do fundo eleitoral, com R$ 283,22 milhões. O valor é considerado insuficiente por dirigentes da legenda para bancar todas as campanhas. Por isso, apostam nas doações de pessoas físicas para complementar o caixa. Apesar de as campanhas não estarem oficialmente liberadas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permite que partidos arrecadem e o dinheiro, a partir de agosto, seja utilizado para custear gastos dos candidatos como viagens, eventos e peças de propagandas.

Aliados do presidente têm a expectativa de que o reforço no caixa do PL para as eleições venha principalmente dos ruralistas. No último sábado, o titular do Palácio do Planalto esteve presente em um almoço com cerca de 80 representantes do agronegócio em Brasília, como mostrou o jornal “O Estado de S.Paulo” no último sábado.

Um dos participantes do evento foi Valdinei Mauro de Souza, o Nei Garimpeiro. Ex-sócio do atual governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, em empresas de extração de minério, ele já foi investigado por garimpo ilegal. Souza nega as acusações e também disse não ter contribuído com o caixa da campanha de Bolsonaro:

“A gente foi lá para tomar cachaça. Vi o Valdemar, vi a ministra Tereza, ninguém falou em dinheiro”, disse. E acrescentou: “O pessoal falou que, se precisar ajudar, nós ajudamos, mas ninguém deu (dinheiro). Isso aí na verdade é só lobby. Encontrar “nego” rico, um para conversar com o outro, para fazer negócios futuramente. Faz um grande evento, se der um ou dois negócios já é lindo. É o que muita gente fazia”, disse Nei.

Organizado pelo ex-senador Cidinho Santos a partir de um grupo de WhatsApp, o almoço ocorreu na casa do empresário Fernando Castro Marques, proprietário do laboratório União Química e pré-candidato do PP ao Senado pelo Distrito Federal. Oficialmente, o encontro foi organizado para homenagear a ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina, que presidiu a bancada ruralista na Câmara e é pré-candidato ao Senado pelo Mato Grosso do Sul.

“Está dentro da liberdade de cada um, e tem uma legislação em vigor que permite doações de pessoas físicas de até dez por cento (da renda do doador). Eu não doei nada. Agora, se alguém lá doou ou vai doar, cada um sabe da sua vida”, disse Fernando Castro Marques. Anfitrião do almoço, o proprietário da União Química disputou uma vaga no Senado em 2018 pelo Solidariedade. Durante a pandemia, o empresário tentou vender no país a vacina russa Sputnik contra a Covid-19, mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não aceitou o registro do imunizante, o que impediu a concretização das negociações.

“O presidente não estava previsto ir e passou rápido por lá. Nem almoçou. Fez uma fala rápida basicamente sobre o que ele já fala, que trouxe paz ao campo diminuindo as invasões de terra, etc”, disse o ex-senador Cidinho Santos, um dos presentes ao encontro. Ele diz que não houve compromisso de doações durante o evento.

Ex-suplente do senador Blairo Maggi, Cidinho Santos ocupou a cadeira do titular por períodos intermitentes entre 2012 e 2018. Há três anos, ele foi condenado pela 8ª Vara Federal de Cuiabá a pagar multas por adquirir ambulâncias superfaturadas quando era prefeito de Nova Marilândia, em Mato Grosso, na esteira do esquema que ficou conhecido como a “Máfia dos Sanguessugas”. Ele, que nega as acusações, recorreu ao TRF-1, e o processo aguarda decisão do tribunal.

Churrasco com agronegócio

Em 26 de março, no sábado que precedeu o lançamento da pré-candidatura de Bolsonaro, outro churrasco no Lago Sul de Brasília já havia atraído lideranças do agronegócio e da campanha de reeleição do presidente. O churrasco foi realizado na casa da médica Adriana Sousa e Silva, que desde 2019 é diretora do Departamento de Saúde Digital da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde. Durante a pandemia, ela defendeu o tratamento precoce para Covid-19.

Na ocasião, entre os convidados estavam o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o ex-senador Magno Malta (PL-ES), a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), o deputado Major Vitor Hugo (PL-GO) e o assessor Léo Índio, primo dos filhos de Bolsonaro, que este ano disputará nas urnas o cargo de deputado distrital. Um dos empresários do agronegócio presentes no local foi Reinaldo Morais, dono da Suinobrás, uma das maiores produtoras de carne suína do país. Em certo momento do evento, Bolsonaro telefonou e sua voz foi amplificada por caixas de som. Ele agradeceu a presença dos participantes. No começo de abril, Valdemar já havia afirmado que com o crescimento do partido após a entrada de Bolsonaro ia ter que recorrer doações. Em conversa com alguns jornalistas da qual O GLOBO participou, o dirigente disse que o fundo eleitoral e partidário do PL “não dá nem para sair”.

“Vamos ter que ir atrás de doação. O duro é que é só de pessoa física e vamos ter que lutar por isso. O dinheiro nosso não dá nem para sair. Temos 17 candidatos ao Senado, 12 ao governo do estado, como o pessoal vai trabalhar sem um tostão?”, afirmou Valdemar, na ocasião.

O presidente do PL lembrou ainda que a campanha presidencial será a prioridade dos investimentos do partido. Em 2018, Bolsonaro gastou apenas R$ 2,8 milhões. Neste ano, além de mais tempo de TV e mais dinheiro para propaganda, a campanha precisar ressarcir os cofres públicos pelo uso do avião presidencial.

Entre no  canal do Último Segundo no Telegram e veja as principais notícias do dia no Brasil e no Mundo. Siga também o  perfil geral do Portal iG.

publicidade
Clique para comentar

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Nacional

MEC corta R$ 619 milhões de colégios e universidades federais

Publicado

source
Universidade Federal de Alagoas
Divulgação

Universidade Federal de Alagoas

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) anunciaram nesta sexta-feira que as instituições federais de ensino perderam, juntas, mais de R$ 600 milhões do orçamento discriminado em junho.

As universidades federais tiveram um corte de R$ 217 milhões na última sexta-feira (24) e R$ 220 milhões no começo do mês. Metade desse dinheiro, segundo a Andifes, foi remanejado para o Programa de Garantia de Atividade Agropecuária. Já os colégios da rede federal perderam R$ 92 milhões agora e outros R$ 92 milhões no começo do mês. Juntos, os cortes somam R$ 619 milhões.


O Proagro é um programa do governo federal que garante o pagamento de financiamentos rurais de custeio agrícola quando a lavoura amparada tiver sua receita reduzida por causa de eventos climáticos ou pragas e doenças sem controle. Ele tem como foco principalmente os pequenos e os médios produtores, mas pode ser utilizado por todos dentro do limite de cobertura.

“Nestas portarias, os valores das emendas do relator do orçamento, da rubrica RP9 (o chamado ‘orçamento secreto’), que somam aproximadamente R$ 17,2 milhões, não foram afetadas por nenhum remanejamento”, observa a Andifes, em nota.

Com isso, todo o orçamento das instituições que estavam bloqueados não serão recuperados. Isso significa que eles tiveram outras destinações e o contingenciamento virou, de fato, um corte.

O orçamento discriminado é aquele no qual o governo federal consegue cortar porque não são gastos obrigatórios — como salários e aposentadorias. No entanto, essa verba é fundamental para o funcionamento das universidades. É com ela que se paga contas de água, luz, segurança e manutenção, além de investimentos em pesquisa, bolsas e auxílios a estudantes carentes.

“Foram retirados recursos que impactam em todas as nossas ações. A manutenção das nossas escolas, a realização de atividades de pesquisa, de ensino, de extensão, de assistência estudantil que garanta a permanência e êxito dos nossos estudantes”, afirma Cláudio Alex Jorge da Rocha, presidente do Conif e reitor do IFPA.

Atualmente, são 618 campi de colégios federais espalhados pelo país, e inclui institutos federais (que possuem educação básica e superior), Cefets, escolas técnicas de ensino profissionalizante e os colégios Pedro II, no Rio.

Em 2015, o orçamento para os gastos discricionários era o dobro de 2021. Com isso, além das contas básicas, também ficam prejudicadas as compras de materiais para pesquisa, manutenção dos prédios e o pagamento de bolsas que garantem a permanência dos estudantes pobres.

O orçamento de assistência estudantil, que chegou a ser de R$ 1 bi em 2014, caiu para R$ 460 milhões em 2021. Enquanto isso, o número de estudantes mais do que dobrou: passou de 373 mil para 819 mil. Já a Andifes sinalizou, em nota, que se reuniu com representantes do MEC e foram informados dos detalhes técnicos da decisão tomada pela equipe econômica do governo.

“Os diretores da Andifes, inclusive fazendo menção a vários dos debates ocorridos na sessão do conselho pleno desta quinta-feira (23), deixaram clara a gravidade da situação e a inviabilidade do funcionamento das instituições sem a recomposição dos orçamentos. Novos movimentos e ações da Andifes em face desse gravíssimo deslocamento de recursos da educação pública superior serão em breve noticiados”, informou o grupo.

Continue lendo

Nacional

Aneel realizará leilão que prevê até R$ 15,3 bilhões em investimentos

Publicado

source
Serão ofertados 13 lotes de linhas de transmissão de energia
Pixabay

Serão ofertados 13 lotes de linhas de transmissão de energia

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vai leiloar na próxima quinta-feira (30) 13 lotes de linhas de transmissão de energia. As empresas que obtiverem a concessão ficarão responsáveis por construir, operar e manter as linhas, que somam um total de 5.425 quilômetros e uma capacidade de 6.180 mega-volt-ampères (MVA). O leilão vai ocorrer às 10h, na sede da B3, em São Paulo. Os contratos de concessão estão previstos para serem assinados em 30 de setembro, e as empresas vencedoras terão prazos de 42 a 60 meses para iniciar a operação comercial das linhas de transmissão. A Aneel prevê que os contratos de concessão gerem R$ 15,3 bilhões em investimentos, gerando de 31.697 empregos diretos.

Os lotes dos empreendimentos estão localizados em 13 estados: Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe. O lote de maior extensão e que deve gerar mais empregos é o de número 2, que corta os estados de Minas Gerais e São Paulo em um percurso de 1,7 mil quilômetros. O lote tem finalidade de expandir a capacidade de transmissão da região norte de Minas Gerais e, se concretizado, deve empregar 9,8 mil pessoas. A disputa dos lances se dará pelo valor de Receita Anual Permitida (RAP). Quando houver mais de uma proposta pelo mesmo lote, vencerá a que propuser o menor valor anual de receita. Os proponentes deverão depositar para a Aneel uma garantia de proposta no valor de 1% do investimento estimado, com prazo de validade igual ou superior a 120 dias após o leilão e renovável por mais 60 dias. Para a assinatura do contrato de concessão, o proponente vencedor deverá substituir a garantia anterior por uma correspondente a 5%, 7,5% ou 10% do valor do investimento previsto, a depender do deságio oferecido no leilão.

Continue lendo

Política MT

Policial

Mato Grosso

Esportes

Entretenimento

Mais Lidas da Semana