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Banco Central reajusta Selic nesta quarta; veja o que esperar

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Pressão da inflação, que veio acima das expectativas na prévia de outubro, riscos fiscais e alta do dólar podem fazer com que BC acelere o reajuste da Selic
Lorena Amaro

Pressão da inflação, que veio acima das expectativas na prévia de outubro, riscos fiscais e alta do dólar podem fazer com que BC acelere o reajuste da Selic

A prévia para a inflação de outubro veio acima das expectativas nesta quarta-feira, fazendo com que a variação acumulada para os últimos 12 meses chegasse a 10,34% e alterasse também as projeções para a taxa básica de juros. Analistas acreditam que a pressão da inflação, somada ao aumento do risco fiscal da semana passada e à alta no dólar podem levar o Banco Central (BC) a acelerar o aumento da Selic na decisão desta quarta-feira. A Selic está em 6,25% e a sinalização do BC na última reunião e entendimento geral do mercado até antes da decisão de pagar parte do Auxílio Brasil fora do teto de gastos era que a reunião desta quarta-feira teria uma alta de 1 ponto percentual (p.p).

A ideia dominante até então é que esse ritmo de elevação dos juros seria suficiente para manter a inflação na meta em 2022, mesmo que o ciclo de altas da Selic fosse mais longo. No entanto, a decisão do governo trouxe incerteza e insegurança para os agentes, que revisaram para cima suas expectativas de inflação, juros e câmbio e para baixo o crescimento em 2021 e 2022.

A incerteza fiscal bate diretamente no câmbio, que tende a subir nesses momentos. A alta no dólar influencia uma alta da inflação, que por sua vez pressiona o Banco Central a subir mais os juros. Com juros mais altos, a atividade econômica tende a ser reprimida.

Andrea Damico, economista-chefe da Armor Capital, é uma das que alterou sua projeção para 1,5 p.p depois dos acontecimentos da última semana. Ela argumenta que não é só mais um gasto de R$ 30 bilhões ou R$ 40 bilhões, mas a mudança no regime fiscal cria uma incerteza para o futuro.

“Está se mudando uma regra que se tornou a regra mais poderosa do ponto de vista da contenção de gastos. Você não tem mais isso pela frente e daí acho que isso gera sim várias incertezas para o longo prazo, algo que a gente não tinha antes. Com o teto a gente sabia que as despesas como proporção do PIB iriam ceder, então acho que foi isso que me fez mudar”, apontou.

A maior parte das projeções aponta para uma alta de 1,5 p.p, mas há agentes de mercado com projeções de 1,75 p.p, 2 p.p e até 3 p.p, como é o caso da Genial Investimentos. Yihao Lin, economista da casa, explica que a principal questão foi mudar a regra do jogo.

“Com a fragilização do teto de gastos a gente tem essa perda da credibilidade da política fiscal, então isso acaba fazendo bastante preço e é importantíssimo o BC ir atrás da reunião do Copom passar uma visão, ganhar credibilidade em relação à política monetária”, explicou.

Pressão da inflação

Além do risco fiscal, que é o principal fator para a expectativa de alta mais intensa dos juros, a própria inflação registrada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pressiona o BC. A prévia da inflação de outubro mostrou alta de 1,20% no mês, acima das expectativas dos analistas.

Lin lembra que a projeção do Banco Central era de que o pico da inflação seria em setembro, mas os dados do IBGE apontam para mais uma alta.

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“Se olhar a composição, a gente vai que essa inflação que o BC diz que é transitória tá dando sinais de que não é tão transitória assim”, destaca o economista da Genial.

Depois da resolução do Auxílio Brasil e da fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, de uma “licença” para furar o teto de gastos, o relatório Focus, que reúne as projeções do mercado, mostrou uma inflação de 8,96% para 2021 e 4,4% para 2022. Na semana anterior, elas estavam em 8,69% e 4,18%, respectivamente.

A previsão de Selic também subiu e passou para 8,75% este ano, contra 8,25% anteriormente. Para 2022 aumentou de 8,75% para 9,5% e já há agentes apostando nos dois dígitos.

A economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, ainda mantém sua estimativa de alta de 1 p.p porque um ciclo nesse ritmo seria suficiente para manter a inflação na meta. Ela ressalta que caso o BC faça um movimento maior, ela deve revisar suas projeções para a Selic em dois dígitos no próximo ano.

” Talvez o malefício para a atividade econômica de uma aceleração do processo da elevação da taxa de juros seja muito maior do que o benefício para controle inflacionário. A gente está assistindo uma trajetória de política monetária muito por conta do desequilíbrio fiscal do que o desequilíbrio inflacionário em si”, apontou a economista

A atividade econômica sofre com juros mais altos. O Focus mostra expectativa de crescimento abaixo de 5% para este ano, em 4,97%. Para 2022, a projeção é de 1,4%, contra 1,5% na semana anterior.

Alguns bancos e consultorias também revisaram para baixo suas projeções.

O banco Itaú passou a prever recessão e aumento do desemprego em 2022, com queda de 0,5% no PIB. Anteriormente, a expectativa era de alta de 0,5%.

Já o MB Associados passou de um crescimento de 0,4% para um cenário sem crescimento.

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Economia

Auxílio Brasil de R$ 400 não chega para 17 milhões de famílias em dezembro

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Registro da posse João Roma como ministro da Cidadania
Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Registro da posse João Roma como ministro da Cidadania

Mesmo com a aprovação da PEC dos Precatórios no Senado, na semana passado, o Auxílio Brasil ainda não deve cumprir a promessa de atingir 17 milhões de famílias este mês. O benefício deve aumentar o valor para R$ 400, mas pagará apenas 14,6 milhões de famílias como em novembro. A informação é da colunista Carla Araújo.

“Ainda em dezembro pretendemos zerar a fila fazendo o benefício de R$ 400 chegar a 17 milhões”, disse o ministro da  Cidadania, João Roma, no Palácio do Planalto.

A Medida Provisória (MP) que permitirá o pagamento dos R$ 400 não prevê o aumento dos beneficiários, só do valor. A expectativa é que o texto seja finalizado nesta terça-feira (7) e os pagamentos comecem na sexta-feira (10).

Veja o calendário:

  • NIS com final 1: 10 de dezembro
  • NIS com final 2: 13 de dezembro
  • NIS com final 3: 14 de dezembro
  • NIS com final 4: 15 de dezembro
  • NIS com final 5: 16 de novembro
  • NIS com final 6: 17 de dezembro
  • NIS com final 7: 20 de dezembro
  • NIS com final 8: 21 de dezembro
  • NIS com final 9: 22 de dezembro
  • NIS com final 0: 23 de dezembro

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Economia

Conselho da UE dá primeiro passo para criar salário mínimo europeu

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Ideia é ter um valor 'justo' e que dê 'vida digna' para europeus
Divulgação

Ideia é ter um valor ‘justo’ e que dê ‘vida digna’ para europeus

O Conselho Europeu autorizou nesta segunda-feira (6) o início das negociações sobre um salário mínimo comum para todos os países do bloco. A ideia não é ter um valor fixo para todos, mas sim estabelecer critérios para que o pagamento seja “justo” em todos os Estados-membros da UE conforme a situação econômica e o custo de vida de cada local.

A liberação para a proposta apresentada pela Comissão Europeia ocorreu durante uma reunião dos ministros para o Trabalho e para Políticas Sociais e marca o início formal do processo de negociação com o Parlamento, que já havia autorizado o procedimento.

“Não podemos aceitar que pessoas que coloquem toda a sua energia para o trabalho não possam ter padrões de vida dignos. Essa lei será um grande passo para uma retribuição justa”, disse o ministro do Trabalho da Eslovênia, país que ocupa a presidência rotativa do bloco, Janez Cigler Kralj.

O ministro italiano do Trabalho, Andrea Orlando, também comemorou a aprovação e disse que a medida dá “uma resposta forte a dois fenômenos que caracterizam o mercado de trabalho: o ‘dumping’ salarial e a presença de muitos trabalhadores pobres”.

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“Essa é uma boa notícia para a Europa e também para a Itália. Trata-se de um passo importante na construção de uma Europa social. A diretriz define o percurso através do qual os países podem reforçar suas contratações”, pontuou ainda o italiano.

O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que a medida ainda “está em estudo e será flexível”. Os portugueses foram os primeiros a defender publicamente a discussão da proposta, apresentada pela Comissão em outubro de 2020, enquanto estavam na presidência rotativa do bloco.

Segundo dados da própria Comissão Europeia, os salários mínimos entre os 27 países do bloco tem uma variação enorme, sendo o menor na Bulgária (300 euros por mês, o que equivale a R$ 1.926) e o maior em Luxemburgo (pouco mais de 2,1 mil euros, quase R$ 12,5 mil).

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