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Esportes

Atletas da natação voltam aos treinos no Rio Grande do Sul

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Um grupo de 16 atletas de cinco modalidades retornou às atividades no Grêmio Náutico União, em Porto Alegre. A nadadora Viviane Jungblut, que busca classificação para os Jogos de Tóquio, é uma delas e conversou com a Agência Brasil. Com a pandemia de coronavírus ainda muito presente em praticamente todo o Brasil, o Rio Grande do Sul, que está entre os estados com os menores números de mortes e casos da doença, começa aos poucos a liberar a prática de atividades esportivas.

 O Grêmio Náutico União, tradicional clube multiesportivo e social da capital gaúcha, autorizou no dia 13 de maio o reinício dos treinos. Nessa primeira fase, são 16 esportistas e profissionais mais próximos de cinco modalidades (Ginástica Artística, Ginástica Rítmica, Natação, Remo e Tênis). A nadadora Viviane Jungblut, que busca uma vaga para os Jogos de Tóquio, está nesse grupo. Ela falou à Agência Brasil sobre o retorno ao clube depois de quase 60 dias.

“Foi uma mistura de emoções e sensações. Ao mesmo tempo que é estranho pelo momento que o mundo todo está vivendo. Você chega no clube e está tudo vazio. São poucos atletas. Foi bem diferente. Mas, com certeza, na hora que eu caí na água, senti uma felicidade bem grande. Nunca tinha ficado tanto tempo fora da piscina desde que eu comecei a nadar. Temos feito os trabalhos dentro da água e a parte física, que eu não tinha parado totalmente, sigo agora por aqui com a orientação da minha equipe técnica”, disse.

Para que essa volta fosse concretizada, o União mobilizou 26 colaboradores, incluindo técnicos, preparadores físicos, médicos e o profissionais do setor Operacional, responsável pela manutenção e limpeza da sede.

Vale destacar que, para se adequar as normas dos decretos municipal (nº 20.562 emitido dia 30 de abril) e estadual (nº 55.240, publicado dia 10 de maio), que regem as normativas no que refere-se à abertura de centros de treinamentos e clubes, uma série de medidas está em execução.

Trofeu Maria Lenk. Parque Aquatico Maria Lenk. 03 de Maio de 2017, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA Trofeu Maria Lenk. Parque Aquatico Maria Lenk. 03 de Maio de 2017, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Trofeu Maria Lenk. Parque Aquatico Maria Lenk. 3 de Maio de 2017, Rio de Janeiro – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Na chegada, todos têm a temperatura medida (em caso de detectada febre, o acesso não é permitido), a seguir passagem por tapete sanitizante. Todas as modalidades e setores têm álcool gel. As estruturas como academia, ginásio recebem, antes e após os treinos, uma pulverização com solução de quartenário de amônia – produto recomendado pela Anvisa para desinfecção de objetos e superfícies.

Os protocolos são diferenciados também, de acordo com cada modalidade. Na Natação, por exemplo, tem-se o cuidado de cada atleta ocupar apenas uma raia da piscina. “Isso dá também mais segurança para a gente. Ver que o clube está tomando todos os cuidados e seguindo todos os protocolos para que o retorno seja o mais seguro possível”, disse Viviane.

O último treino da nadadora dentro da água havia sido no dia 18 de março. Algo que, principalmente para atletas de alto nível, pode acabar prejudicando e fazer com que o retorno ao preparo anterior demore mais. “No dia 19 de março, o clube já estava totalmente fechado. Foi o meu maior período longe da água. Em um primeiro momento, essa situação foi assustadora e angustiante. O prejuízo físico é grande. Sem dúvida”, afirmou.

Segundo Viviane, a piscina é fundamental para o atleta de natação. “Em outras modalidades, os atletas até conseguem adaptar os treinos em casa sem maiores problemas. Mas para nós fica difícil. Sem o contato com a água, o atleta perde muita sensibilidade e muito rápido. Para retornar ao ponto que eu estava antes de toda essa pandemia vai demorar alguns meses. Mas, acho que, se todo mundo estiver com saúde, vai valer a pena.”

Futuro

A Seletiva Olímpica Brasileira, que estava marcada inicialmente para junho deste ano, foi adiada para o ano que vem, e ainda não tem uma nova data prevista.

A nadadora gaúcha considerou a decisão como a mais correta. “Os primeiros dias depois que o clube fechou foram os mais difíceis. Foi bem angustiante, principalmente, porque ainda estávamos com os Jogos Olímpicos marcados. Era reta final de preparação para a seletiva olímpica. Mas, com certeza, a saúde de todos deve estar sempre em primeiro lugar”, disse.

Viviane vai tentar as marcas em duas provas, os 800 metros e os 1.500 metros. “Mudou um pouco o meu planejamento. As provas são mais curtas. E tenho um pouco mais de controle sobre o que acontece nessas distâncias. Isso exige um trabalho diferente. É isso que vou procurar fazer daqui para frente. Quero nadar muito para estar em Tóquio.”

A Temporada de 2019 – No Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos do ano passado em Gwangju, Coreia do Sul, no ano passado, Viviane chegou muito perto de carimbar o seu passaporte para Tóquio. Na Maratona Aquática, estavam em jogo dez vagas e ela finalizou os 10 quilômetros na décima segunda colocação. “Vinha trabalhando muito forte com o meu técnico e a minha equipe multidisciplinar. A gente imaginou e planejou a prova toda. E eu consegui fazer tudo aquilo que era o meu objetivo. Mas, infelizmente, fiquei fora. Depois de 10 quilômetros, a prova foi decidida na chegada. Do primeiro ao décimo segundo, a diferença foi inferior a cinco segundos. É difícil, mas tive que ver a parte positiva”.

A nadadora, no entanto, teve pouco tempo mesmo para lamentações. Partiu da Ásia para o Peru, onde disputou os Jogos Pan-Americanos e fez história. Com a medalha de bronze nos 800 metros livre, a atleta da natação do Grêmio Náutico União foi a primeira brasileira subir no pódio nessa prova em um Pan-Americano.

Como já havia conquistado também o bronze na Maratona Aquática em Lima, Viviane foi também a primeira nadadora a conquistar medalhas nas águas abertas e na piscina em uma mesma edição dos Jogos.

“O Pan  me mostrou que o trabalho vinha sendo bem feito. Perder a vaga olímpica por menos de um segundo e dar a volta por cima não foi fácil. Mas, consegui. Tive uns dois dias para descansar em casa e fui para Lima para virar a página. Na piscina não tive os meus melhores tempos lá no Peru, mas consegui chegar perto deles. O bronze nos 800 metros foi bom. Fiz em 08:36.04 e saí feliz da piscina. Essa é uma das provas nas quais eu vou tentar o índice olímpico. E fiquei mais confiante com aquela conquista para retomar os treinos para chegar em Tóquio.” Nos 400 metros, a Viviane ficou em sexto lugar com o tempo de 04:15.35.

Ana Marcela e Poliana Okimoto

Vivianne falou também sobre as maratonistas Ana Marcela e Poliana Okimoto. Ressaltou que as duas atletas são referências da natação internacional, principalmente em maratonas aquáticas. “São as minhas primeiras referências dentro da Maratona Aquática e inspirações no esporte. Tive a oportunidade de conviver e viajar junto com a Ana Marcela”.

Viviane lembra que, na Seletiva de 2017, nadou a maratona aquática com Ana Marcela e Poliana na prova e isso foi um “ponto crucial” e um  “divisor de águas”, para passar a priorizar a competição na sua carreira.

“Eu sabia que a prova seria muito dura. Os 10 quilômetros. Estava com as duas na mesma prova. Mas eu fui muito confiante. Sabia que tinha feito o meu melhor. Tinha treinado muito. Acabei ficando em segundo, disputei a primeira posição com a Ana Marcela até a chegada. E consegui a classificação para o Mundial de Maratonas Aquáticas em 2017. Até ali eu estava um pouco em cima do muro. Não sabia muito bem se ia para a Maratona ou para a piscina. Nadava as duas coisas, mas sem um foco. A partir dali, a minha prioridade passou a ser a Maratona.”

Edição: Aécio Amado

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Crivella debate com 14 clubes e Ferj o reinício do Campeonato Carioca

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O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, e o Presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), Rubens Lopes, se reuniram na tarde de ontem (24) com representantes de 14 dos 16 clubes que integram o Campeonato Estadual, entre eles, Vasco e Flamengo. O objetivo do encontro era discutir a retomada do torneio a partir de 14 de junho. Vale destacar que Botafogo e Fluminense, contrários à volta imediata dos jogos, não enviaram representantes à reunião. Algumas atividades físicas foram liberadas a partir de amanhã (26). 

Em nota oficial, a Ferj afirmou que diante da “previsão de volta do futebol possivelmente para meado de junho, mas sem público, os clubes devem progredir, passo a passo, com fase de avaliação clínica, testes físicos, exercícios de reabilitação dos efeitos da inatividade muscular e atividades de recuperação da capacidade laborativa”.

Ausentes ao encongro, Fluminense e Botafogo se posicionaram por meio de notas oficiais. O Tricolor afirmou, no comunicado oficial, que não foi convidado a participar da reunião. “Nosso entendimento é de que jogos sem público não impedem aglomerações (…). O futebol, por movimentar paixões, deve estar ciente de seu compromisso social e não alimentar ansiedades”.

Já o presidente do Botafogo, Nelson Mufarrej, reiterou em nota oficial sua preocupação com o reinício do Estadual. “-Reafirmamos não ser o momento para voltar a ter treinos presenciais. O futebol é um instrumento de altíssimo impacto e repercussão social. Passar essa imagem de retorno imediato, no auge da crise, de mortes, com a curva ainda em ascensão, é estar em desconexão com a realidade. Além de desumana é insensível do ponto de vista interno, com nossos atletas, comissão técnica, funcionários e seus familiares. Vai chegar a hora de voltarmos, mas não será agora”.

Na reunião, o prefeito revelou que o Comitê Científico classificou como irrepreensível o Protocolo Jogo Seguro de retorno aos treinamentos, produzido pela Ferj  e médicos. O encontro contou com a participação de dirigentes do America, Americano, Bangu, Boavista, Cabofriense, Madureira, Portuguesa, Macaé, Nova Iguaçu, Flamengo, Vasco, Volta Redonda, Friburguense e Resende.

Ao final do encontro, ficou combinado que novas reuniões deverão ocorrer para troca de informações, reavaliação e ajustes de diretrizes.

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

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Esportes

Beach Handebol brasileiro busca alternativas para se manter no topo

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Cinco títulos em oito Mundiais disputados. Medalha de ouro no World Beach Games de Doha, no Catar. Três títulos no World Games, espécie de Olimpíada dos esportes que não fazem parte do programa olímpico. 

Esse é o histórico da Seleção Brasileira masculina de Beach Handebol, inegavelmente a maior potência da modalidade no mundo. Quem olha apenas os resultados pode imaginar que o esporte e os atletas passam por um bom momento. Mas a história que a Agência Brasil vai contar mostra que essa não é a realidade.

As dificuldades são muitas e começaram há bastante tempo. Em 2017, antes dos Jogos Mundiais de Praia da Polônia, as equipes masculina e feminina do Brasil quase não conseguiram ir à Europa para buscar os dois títulos. Thiago Gusmão, ex-atleta e presidente do Novo Beach Handebol Brasil (NBHb), entidade criada em agosto de 2018, lembra daquele período. “Foram momentos muito complicados. A falta de recursos para a viagem ao World Games das seleções adultas e teve também a equipe sub-17 que não conseguiu ir aos Jogos Olímpicos da Juventude. Podemos dizer que ali foi o “embrião” do Novo Beach Handebol Brasil.” Gusmão segue falando à Agência Brasil: “conseguimos custear a viagem dos adultos com recursos próprios e outras ações. Mas em relação à seleção de base, que estava treinando e, com apenas três dias de antecedência, foi avisada que não viajaria, não tivemos como contornar o problema. Esse cancelamento só a CBHb pode explicar. Assim a ida do Brasil aos Jogos Olímpicos da Juventude em 2018 na Argentina ficou inviabilizada.”

No ano seguinte, os resultados dentro da quadra de areia no Mundial da Rússia seguiram sendo muito expressivos e as dificuldades fora dela também seguiram grandes. Ouro com os homens, depois de um 2 a 0 sobre a Croácia. As meninas voltaram com a medalha de bronze no peito, conquistada depois do 2 a 1 sobre a Espanha. “Mas já estávamos calejados com os problemas do ano anterior. Por isso, quando chegou o comunicado da falta de recursos para a nossa viagem, nós já tínhamos feito uma movimentação prévia através de parceiros, patrocinadores e um pouco de recursos próprios. Como atleta vivenciei esses dois momentos que foram complicados, mas pontuais”, lembra Gusmão. Os jogadores chegaram a fazer também uma “vaquinha” para arrecadar o dinheiro necessário. Apenas para as 27 passagens foram necessários aproximadamente R$ 190 mil.

Questionado pela Agência Brasil, Ricardo Luiz de Souza, conhecido como Ricardinho, presidente da Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) por 23 meses desde abril de 2018, depois do afastamento do ex-presidente Manoel Luiz, respondeu da seguinte forma: “A CBHb auxiliou dentro das suas limitações. Tínhamos enviado as seleções para o Pan-Americano nos Estados Unidos, quando conseguimos as vagas para o Mundial. Tanto o Pan quanto o Mundial estavam contemplados no planejamento da Confederação para 2018, mas tivemos a não renovação do contrato de patrocínio com o Banco do Brasil de mais de R$ 15 milhões entre 2016 e 2018, e ficamos apenas com os recursos da Lei Agnelo Piva (que repassa 2% do valor arrecadado com as loteriais federais ao Comitê Olimpíco Brasil (COB) e ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB)). Isso dificultou todas as ações planejadas para aquele período. Além de auxiliar diante dessa realidade, buscamos apoio com o COB [Comitê Olímpico do Brasil] e empresas privadas. Mas, pelo cenário à época, não conseguimos. Tínhamos também acabado de assumir a presidência da CBHb em meio a maior crise do Handebol. Porém demos toda a assistência possível naquele curtíssimo período de tempo que tivemos até o Mundial”.

Novo Beach Handebol Brasil

“Desgastados por esses problemas, refletimos sobre a necessidade de trabalharmos com mais força fora das quadras. Os atletas mais veteranos da seleção lideraram esse processo todo que culminou com a criação da NBHb em agosto de 2018. Nossa intenção sempre foi ajudar e andar em paralelo com a possível chancela da CBHb, por detectarmos que naquele período tínhamos visões diferentes da gestão da modalidade”, lembrou Thiago Gusmão. “Muita gente queria que as coisas mudassem, que o esporte tivesse mais visibilidade. Precisávamos de pessoas correndo atrás das coisas do Beach Handebol. Dentro da Confederação, o nosso esporte sempre ficou um pouco de lado digamos assim. Mesmo com muitos títulos e mantendo o primeiro lugar no ranking, com finais em todas as competições, quando era necessário algum corte, era sempre o Beach Handebol que mais sofria. A gente sabe que as categorias de quadra também tinham problemas. Mas, a gente, por estar em um esporte que não é olímpico, acabava sempre sofrendo mais”, lamenta o goleiro Pedro Budega à Agência Brasil. O carioca continua: “Dificilmente recebemos alguma coisa. A gente se vira do jeito que dá. Muitas vezes, deixamos família, trabalho, às vezes ficando até sem renda. Eu não participei do processo de criação da NBHb, mas sei que a entidade surgiu com a ideia de ter uma administração mais profissional, algo no estilo do NBB. Ainda espero que a gente possa colher esses frutos”.

Falando um pouco sobre o trabalho desenvolvido até o momento, o presidente e ex-atleta Thiago Gusmão ressalta as parcerias: “em 2018, atuamos em cojunto com Federação do Rio de Janeiro, e, no ano passado, selamos também uma parceria com a própria CBHb para a gestão compartilhada do nosso circuito brasileiro e para o Sul-Centro. Entregamos um circuito com 100% de transmissão live streaming no Facebook da NBHb e da CBHb, com recursos de parceiros da nossa entidade. Auxiliamos diretamente a organização com o caderno de encargos, identidade visual e prestação de contas após cada uma das etapas mantendo sempre a transparência firmada com os clubes”.

Para esse ano, porém, não houve um acordo entre a NBHb e a CBHb. “Após o aval dos clubes, formulamos uma nova proposta de parceria para que tivéssemos a chancela da CBHB no circuito. Mas, a Confederação nos informou que não daria a total gestão e a chancela para a gestão dessa temporada. E não foi possível manter a parceria. Para o futuro, seguimos trabalhando firme com a Federação do Rio de Janeiro para um torneio estadual e existe a possibilidade de uma competição open”.

“Ricardinho”, presidente da CBHb no período, falou o seguinte à Agência Brasil: ” fizemos uma aproximação que gerou a parceria para o circuito brasileiro do ano passado. Nesse ano, participei de uma reunião com o diretor da modalidade, Carlos Roque, e com o presidente da NBHb, Thiago Gusmão, e não chegamos a um acordo para a manutenção da parceria.”

Estreia

Em julho do ano passado, ocorreu, em Maricá no Rio de Janeiro, a primeira edição do “Sul-Centro Americano de Beach Handebol”. Foi a estreia da NBHb à frente da organização de uma competição internacional. ” Foram sete países envolvidos. Transmissão das finais pela televisão com média de 70 mil pessoas assistindo aos jogos, um recorde para o nosso esporte, e mais de 102 mil pessoas alcançadas pelo nosso canal do Facebook, entre os dias 13 e 15 de julho. Além disso, saímos campeões no masculino e no feminino”, lembra Gusmão. O atleta Pedro Budega vai na mesma linha: “Foi algo que deu super certo. Público muito bom. Mostrando que tem muita gente que gosta do esporte no Rio de Janeiro e no Brasil”. E para fechar com chave de ouro o torneio teve dobradinha brasileira. As Seleções Feminina e Masculina levantaram os títulos.

Retorno à presidência

Presidente da Confederação Brasileira (CBHb) desde o final da década de 1980, Manoel Luiz de Oliveira retornou ao cargo em abril desse ano, depois de quase dois anos afastado por acusações de irregularidades no uso de recursos em convênios públicos. Questionado pela Agência Brasil sobre a relação da entidade com o Beach Handebol, através da assessoria de imprensa da CBHb, ele respondeu: “Temos uma relação muito próxima com o Beach. Na nossa visão, nunca deixamos de apoiar o Beach. Tivemos problemas em uma competição, mas demos tudo o que pudemos, dentro da normalidade, e os resultados que temos, as conquistas que temos, são frutos justamente do que a CBHb possibilitou. Agradecemos muito a determinação e qualidade que nossas equipes têm, que nossas comissões técnicas têm e, como consequência, somos os melhores do mundo. Talvez, eles tivessem a expectativa de receber mais, mas a CBHb nunca deixou de auxiliar como pode o Beach Handebol. Estamos tendo reuniões com as comissões técnicas, com os dirigentes e com o diretor da modalidade, e tenho certeza de que vai continuar tudo muito bem”.

O goleiro Pedro Budega da equipe brasileira reconhece que o dirigente teve bons momentos, mas pede renovação para o bem do esporte: “A grande maioria do pessoal envolvido no handebol sabe da importância do que ele fez no passado. Mas todo mundo reconhece, acho que até ele mesmo sabe, que é hora de renovação. Ninguém pode ficar tanto tempo à frente de uma organização. Ainda mais quando não se vê um desenvolvimento tão grande do esporte. Na praia, talvez, o desenvolvimento seja um pouco maior. Mas, na quadra, você não vê uma liga tão forte, com repercussão. Ao contrário, você vê muita gente saindo do país para jogar”.

Mundial de 2020

O Mundial desse ano estava previsto para os dias 30 de junho e cinco de julho, em Pescara na Itália. Mas, a pandemia do novo coronavírus que tem o país europeu como um dos mais afetados, forçou a mudança dos planos.

Em março o torneio foi cancelado e não tem uma nova data prevista para ocorrer. “Sabemos que a Federação Internacional de Handebol gostaria de manter a competição para esse ano. Mas transferindo a competição da Europa para um país árabe, que tivesse condições de bancá-la, sem grandes investimentos de infraestrutura. Mas não temos certeza de nada ainda. Está tudo parado. Vamos aguardar”, disse Pedro Budega.

Comitê Olímpico do Brasil

Procurado pela Agência Brasil, o COB lembrou que não pode investir financeiramente em modalidades que não fazem parte do programa olímpico (o caso do Handebol de Areia). Mas informou que, em anos anteriores, através de recursos extraordinários, colocou aproximadamente R$ 1,3 milhão nos dois naipes da modalidade e outros R$ 300 mil para a participação do país em Jogos Sul-Americanos. O gerente executivo de alto rendimento do COB, Sebastian Pereira, disse que “em 2019, para os Jogos Sul-Americanos de Praia de Rosário na Argentina, e dos Jogos Mundiais de Praia de Doha, no Catar, o COB investiu em treinamentos preparatórios das seleções masculinas e femininas para os dois torneios. Como são competições nas quais o Comitê é responsável por organizar as delegações que representam o país, existe a possibildade de fazer esses investimentos no ano de realização dos torneios”.

Ricardinho, presidente da CBHb entre 2018 e 2019, disse Agência Brasil que “demos total apoio para as Seleções no ano passado durante os Jogos Sul-Americanos, o Sul-Centro e o World Beach Games. Lidamos com tranquilidade com essas questões, pois temos plena consciência de que buscamos equiparar o Beach Handebol com o esporte de quadra, mesmo com as dificuldades da modalidade não ser olímpica. Sabemos também que a gestão não é apenas organizar um evento, vai muito além disso”.

O goleiro Pedro Budega reconheceu a ajuda do COB: “Em 2017 e 2018, tirando o Pan-Americano de 2018, a gente praticamente não treinou. Fomos para as competições sem nenhuma fase de preparação. E, no ano passado, conseguimos treinar um pouco mais com essa verba do COB. Claro que teve a participação da Confederação para fazer o pedido da verba. E é bom registrar também que, antes de 2016, a gente tinha uma estrutura boa. Foram várias fases de treinamento, sempre com hospedagem e alimentação muito boas. Algo que não temos recebido mais da CBHb”.

 

Edição: Aline Leal

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