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Internacional

Ataques a tiros crescem 48% nos Estados Unidos

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Robert Crimo, preso como 'pessoa de interesse' por possível envolvimento no ataque a tiros durante parada de 4 de Julho em Highland Park, Illinois
Reprodução – 05.07.2022

Robert Crimo, preso como ‘pessoa de interesse’ por possível envolvimento no ataque a tiros durante parada de 4 de Julho em Highland Park, Illinois

Os recentes ataques a tiros em Buffalo, Uvalde e Highland Park, nos Estados Unidos, evidenciam uma tendência observada no país por quem monitora a violência armada. O número de ataques cresceu 48% entre 2010 e 2020, último ano disponível no banco de dados do FBI. No mesmo período, a fabricação de armas nos EUA aumentou 69%, segundo o Escritório de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos, e leis de regulação de armas automáticas se mostraram enfraquecidas.

O número de mortes por arma de fogo, compilado também entre 2010 e 2020 pelo Centro de Controle de Doenças (CDC), passou de 31 mil para 45 mil — um aumento de 42%. Esses dados incluem homicídios, suicídios, violência policial e ataques, colocando os EUA como o país com maior índice de violência armada entre as nações de alta renda.

Os dados indicam ainda uma segunda tendência. As armas de maior calibre foram as mais fabricadas, com um salto de 237% para modelos com mais de 9mm, sendo que os de .32 tiveram aumento de 113%, de acordo com o Escritório de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos. São justamente essas armas as mais usadas em ataques em massa, como em Uvalde, Highland Park e Buffallo. “A partir de 2017, houve um aumento no consumo de armas nos EUA que é o maior aumento dos últimos 30 anos. E, com isso, a chance de haver uma elevação no número de mortes pelo uso de armas cresce”, sustenta Mariana Kalil, professora na Escola Superior de Guerra. A razão para este aumento, explica ela, é a radicalização do discurso em torno da segurança pública e autodefesa, encabeçado por grupos radicais de direita.

Cultura armamentista

Segundo sondagens do Gallup, a autodefesa é hoje o principal motivo para os americanos comprarem armas, muito acima da caça e do esporte. Em 2021, 88% dos americanos alegavam a defesa para comprar uma arma, em comparação a 67% em 2005 e 65% em 2000.

“O maior motivo que leva as pessoas a quererem comprar uma arma por razões de segurança é porque elas têm uma percepção de perigo”, explica Trevor Burrus, pesquisador do Centro Robert A. Levy para Estudos Constitucionais do Cato Institute, um centro de estudo de viés liberal com sede em Washington.

Segundo ele, mesmo que a violência nos EUA tenha diminuído nos últimos 20 anos, os americanos têm hoje uma percepção de insegurança muito maior que duas décadas atrás. É uma “paranoia” levando à uma corrida armamentista, explica.

“A pandemia criou uma extravagância de vendas de armas nos EUA. Mais americanos compraram armas em 2020 e 2021 do que em qualquer dos anos anteriores registrados. E isso tem a ver com o desconforto da pandemia e a ideia de que as coisas parecem estar ficando muito ruins e, portanto, você pode precisar se defender. Essas duas coisas realmente contribuem para a percepção de insegurança que leva os americanos a comprar armas para autodefesa”, completa Burrus.

Segunda emenda

Pesquisadores americanos há anos estudam o que chamam de “cultura de armas” no país. A liberdade para possuir uma arma está garantida na Segunda Emenda da Constituição, tornando-se um direito fundamental como a liberdade de ir e vir. Para esses pesquisadores, o marketing da indústria do setor contribui para essa internalização da necessidade de possuir uma arma. Segundo Kalil, soma-se a isso o uso pela extrema direita da percepção de insegurança.

“É uma corrida armamentista pelos grupos da extrema direita, mas que leva os grupos que se sentem ameaçados, como as minorias, a também buscarem armas para autoproteção. Então é uma corrida armamentista generalizada, com base numa perspectiva paranoica”, afirma.

Com mais armas à disposição, sem uma regulamentação dura e um ambiente de radicalização, atiradores veem uma janela de ação, segundo os especialistas. Não que a cultura das armas incentive ataques em massa, explica Trevor Burrus, mas a verificação de antecedentes de indivíduos perigosos tem sido falha. Por isso, argumenta o pesquisador, um dos caminhos para impedir atiradores é melhorar as legislações de monitoramento dos riscos. Suicídios são maior causa de mortes por armas.

Os ataques a tiros são responsáveis por um número muito baixo de mortes em relação ao total dos EUA. As estatísticas do Centro de Controle de Doenças mostram que os suicídios são a maior causa de mortes por armas de fogo no país. Logo em seguida estão os homicídios.

“Dois terços das mortes por armas de fogo nos EUA são suicídios e muitas das leis propostas visam às mortes por armas no total. Não fazemos nada pelos suicídios”, argumenta Trevor Burrus, pesquisador do Centro Robert A. Levy para Estudos Constitucionais do Cato Institute.

Segundo ele, colocar homicídios, suicídios e massacres no mesmo debate atrapalha a criação de políticas públicas. “Uma das coisas que eu defendo é focar mais em suicídios.”

“O tabu da saúde mental é algo que possui um papel fundamental nos dados de mortes por suicídio”, concorda Mariana Kalil, professora na Escola Superior de Guerra. “Não se conversa sobre saúde mental na política pública, em nenhum lugar do mundo.”

Já os homicídios, diz Burrus, são impulsionados por outro problema crônico dos EUA pouco explorado: a guerra às drogas. “A violência armada está altamente concentrada em cidades, até mesmo em lugares onde há leis de armas muito rígidas, como em Chicago, em Baltimore, Filadélfia e no sul.”

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Fonte: IG Mundo

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Internacional

Com melhora, Salman Rushdie é retirado de respirador

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Salman Rushdie, o aclamado autor que foi hospitalizado na sexta-feira (15) com ferimentos graves após ser esfaqueado repetidamente em uma aparição pública no Estado norte-americano de Nova York, foi retirado do respirador e sua condição está melhorando, disse seu agente neste domingo.

“Ele está fora do respirador, então o caminho para a recuperação começou”, escreveu seu agente, Andrew Wylie, em um e-mail à Reuters. “Será longo; os ferimentos são graves, mas sua condição está indo na direção certa.”

Rushdie, de 75 anos, estava prestes a dar uma palestra sobre liberdade artística na Chautauqua Institution, no oeste de Nova York, quando um homem de 24 anos invadiu o palco e esfaqueou o escritor indiano, segundo a polícia. Há promessas de recompensa pela cabeça de Rushdie desde que seu romance de 1988 Os versos satânicos levou o Irã a incentivar que os muçulmanos o matassem.

O suspeito do ataque, Hadi Matar, de Fairview, Nova Jersey, se declarou inocente das acusações de tentativa de assassinato e agressão em uma audiência a tribunal no sábado, disse à Reuters seu advogado nomeado pelo tribunal, Nathaniel Barone.

Após horas de cirurgia, Rushdie foi colocado em um respirador e não conseguia falar na noite de sexta-feira, disse Wylie em uma atualização anterior sobre a condição do escritor, acrescentando que ele provavelmente perderia um olho e tinha danos nos nervos, no braço e feridas no fígado.

Wylie não forneceu mais detalhes sobre a saúde de Rushdie em seu e-mail deste domingo.

Apoio

O esfaqueamento foi condenado por escritores e políticos de todo o mundo como um atentado à liberdade de expressão. Em uma declaração no sábado, o presidente dos EUA, Joe Biden, elogiou os “ideais universais” de verdade, coragem e resiliência incorporados por Rushdie e seu trabalho.

“Estes são os blocos de construção de qualquer sociedade livre e aberta”, disse Biden.

Nem as autoridades locais nem federais ofereceram detalhes adicionais sobre a investigação no sábado. A polícia disse na sexta-feira que não havia estabelecido um motivo para o ataque.

Uma análise inicial das redes sociais de Matar mostrou que ele era simpático ao extremismo xiita e ao Exército dos Guardiães da Revolução Islâmica, conhecido popularmente como Guarda Revolucionária Iraniana, embora nenhum vínculo definitivo tenha sido encontrado, segundo a NBC de Nova York

Fonte: EBC Internacional

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Internacional

Equador: 5 pessoas morrem em explosão atribuída ao crime organizado

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Região onde explosão ocorreu é conhecida com o
Reprodução/Twitter @ACTVNoticiasEc1 14.08.2022

Região onde explosão ocorreu é conhecida com o “Cristo de Consuelo”

Cinco pessoas morreram e outras 16 ficaram feridas neste domingo por causa de uma explosão em Guayaquil. O governo do Equador atribuiu o ocorrido ao crime organizado, informaram autoridades e entidades de socorro.

“Mercenários do crime organizado, que narcotizaram a economia durante muito tempo, agora atacam com explosivos. Não é um problema da polícia do Equador. É uma declaração de guerra ao Estado” escreveu no Twitter o ministro do Interior, Patricio Carrillo, ao compartilhar a notícia.

O incidente, cujas causas ainda não foram detalhadas pela polícia, também provocou destruição em oito imóveis e dois carros, segundo o Serviço Nacional de Gestão de Riscos (SNGR). Foi uma “explosão de grandes proporções”, indicou a polícia no Twitter.

O Equador está situado entre Colômbia e Peru, os maiores produtores de cocaína do mundo, e enfrenta uma onda de criminalidade vinculada ao tráfico de drogas, que deixa um cenário de terror com corpos decapitados e pendurados em pontes, ao estilo dos cartéis mexicanos. Os enfrentamentos se estendem às prisões, nas quais, desde fevereiro de 2021, ocorreram sete rebeliões que resultaram na morte de cerca de 400 detentos.

“Ou nos unimos para enfrentá-lo (o crime organizado), ou o preço será ainda mais alto para a sociedade”, advertiu Carrillo em sua mensagem. No ano passado, o Equador, que conta com uma população de 18 milhões de pessoas, registrou uma taxa de 14 assassinatos por cada cem mil habitantes, quase o dobro do registrado em 2020.

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Fonte: IG Mundo

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