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Assassino de Bruno diz que cumprimentou indigenista no dia do crime

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Bruno entoando música indígena virou símbolo de sua luta
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Bruno entoando música indígena virou símbolo de sua luta

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou, nesta sexta-feira (22), à Justiça Federal de Tabatinga (AM), denúncia pelos crimes de duplo homicídio qualificado e ocultação dos corpos contra os três principais suspeitos de participação nas mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips , em 5 de junho. 

Baseiam o documento, principalmente, os depoimentos dados à polícia por Amarildo da Costa Oliveira, vulgo Pelado, Jeferson da Silva Lima, o Pelado da Dinha, e de Oseney da Costa Oliveira, o Dos Santos, acerca do crime, além de relatos de testemunhas. Todos eles são ligados à prática de pesca ilegal na região, sobretudo em território indígena do Vale do Javari. 

As narrativas detalhadas reforçam a frieza e a crueldade dos executores. Amarildo, por exemplo, conta ter dado “bom dia” a Bruno na manhã anterior ao assassinato, e diz que o tiro dado na cabeça do indigenista, já baleado e desfalecido, foi “um confere”, para assegurar-se de que ele estava realmente morto.

Na manhã do dia 4 de junho, um sábado, Pelado contou aos policiais que foi até a casa de seu tio, Raimundo Bento da Costa, conhecido como Raimundinho, na entrada do Lago do Jaburu, para “pedir benção”. Dom e Bruno estavam hospedados lá: pernoitavam antes de seguir viagem rumo a Atalaia do Norte (AM), após o jornalista ter feito algumas entrevistas com indígenas na sede da Funai. 

Amarildo narrou à polícia que, no momento em que chegou ao local, “Bruno estava em pé na varanda da casa de Raimundinho”, e que “cumprimentou Bruno falando ‘bom dia’, e que o mesmo respondeu”. É nesse momento, no entanto, que o pescador cita que, “quando baixou com sua canoa”, ouviu Bruno falar para Phillips: “Tira a foto dele”.

Sabe-se, no entanto, que Amarildo já conhecia Bruno. O próprio confessou conhecê-lo “de vista”, mas um vídeo da TV Al Jazeera, divulgado no último dia 16 de junho, já mostrava um encontro entre os dois em outra oportunidade, quando Bruno e membros da Univaja abordaram a embarcação de Pelado. 

Uma conversa num grupo de fiscalização da Univaja, que também consta na denúncia, mostra o momento em que, no mesmo dia 4 de junho, não se sabe se antes ou depois no suposto encontro na varanda de Raimundo, Orlando Possuelo, fiscal da Univaja, conta, através de mensagem por satélite, que a embarcação onde ele, Bruno e Dom estavam foi ameaçada por Pelado, e que o indigenista teria feito vídeos da ação.

‘Bora matar ele?’ O depoimento de Amarildo segue e ele narra que, no dia seguinte – dia 5, data do crime –, por volta das 7h da manhã, estava em sua casa, na comunidade São Gabriel, passando gasolina do tambor para umas latas, quando viu Bruno Pereira e Dom Phillips passando, numa embarcação do União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). Ele afirma que “observou que Bruno tirou foto de seu bote” e teria dito “esse é o bote do invasor”, o que teria provocado sua ira. 

Ele conta, então, que imediatamente “chamou Jeferson, também conhecido pelo apelido de Pelado, e disse: “lá vai o cara, bora matar ele?”. Segundo o relato, ele não hesitou. Pegaram cada um uma espingarda e foram atrás de indigenista e do jornalista.

‘Pego de surpresa’: a dinâmica do crime pelos executores Os depoimentos dão conta de que Amarildo, o Pelado, foi em busca de parentes que fossem com ele atrás de Bruno. Uma testemunha, que tem a identidade mantida sob proteção, contou que escovava os dentes naquela manhã, quando, após ter visto a embarcação branca de Dom e Bruno passando no rio em direção a Atalaia do Norte, ouviu Pelado indo até a casa de Jeferson e falando: “Bora, Chico (Jeferson), é hoje que vou me vingar desse cara!”. 

A testemunha conta que Jeferson desiste de sair para pescar com a esposa e o filho e busca espingarda e um cartucho de munição. Ambos, então, saem no barco de Amarildo e só retornam no fim do dia.

Pelado narra que ele e Jeferson seguiram em embarcação atrás de Dom e Bruno e que os alcançaram minutos depois. Ele afirma em depoimento que é neste momento que Jeferson atira em Bruno pelas costas com a espingarda calibre .16, enquanto ele pilota o barco com sua espingarda entre as pernas. 

Em seu depoimento, Jeferson diz ter atirado três vezes, mas não confirma que foi o seu tiro o primeiro que atingiu o indigenista, porque Amarildo também fez disparos. Pelado revela ainda que “o tiro foi disparado a aproximadamente 20 metros de distância” e que “Bruno foi pego de surpresa quando o primeiro disparo foi feito”.

‘Confere’ Eles contam que, após ter recebido o primeiro tiro, Bruno ainda teve forças para pegar sua pistola, disparando entre cinco e seis vezes contra os algozes, não tendo conseguido acertar nenhum dos disparos. 

Amarildo narra que “Jeferson deu mais um tiro contra Bruno, acertando novamente suas costas”, ocasião em que Bruno desmaiou no banco do barco. Em seguida, Pelado conta ter atirado na costela direita de Dom Phillips. É quando, segundo a narrativa, o barco dos dois perde o controle se choca na margem do Rio Itaquaí. 

Eles vão até a embarcação e, de acordo com Amarildo, “Jeferson dá mais um tiro ‘de confere’ no rosto de Bruno”. Ele acredita que, a esta altura, Dom já estava morto.

Os procuradores afirmam que a investigação, através do depoimento de uma testemunha mantida sob sigilo, também descobriu que Oseney, o Dos Santos, irmão de Pelado, também esteve no local, logo após o crime. A residência dele fica a apenas 2 minutos do local onde o barco de Dom e Phillips se chocaram após os disparos.


Seguindo a linha de que o crime possivelmente não tenha tido um mandante, o MPF conclui que a decisão de Amarildo de matar Bruno “decorreu do fato de a vítima ter tirado fotografia de sua embarcação, afirmando que ela era embarcação de invasor”. “Motivo fútil, portanto”, escrevem os procuradores. 

“Ainda segundo suas próprias declarações, Amarildo e Jeferson seguiram a embarcação de Bruno e Dominic, sem que eles percebessem, efetuando os disparos fatais pelas costas das vítimas, dificultando a possibilidade de resistência. Mesmo Bruno já estando desfalecido, dispararam mais um tiro em seu rosto”.

A investigação também destaca o relato de uma testemunha para reforçar o fato de que Bruno Pereira era o alvo, e não Dom Phillips. Em oitiva, esta pessoa afirmou “que ouviu Amarildo dizer que não queria matar o homem que estava com Bruno, mas não podia deixar testemunhas”.

Indígenas cobram investigação sobre mandante e outros suspeitos Após o encaminhamento da denúncia à Justiça, por parte do MPF, o procurador jurídico da Univaja, o advogado Eliesio Marubo se pronunciou sobre o conteúdo do documento. Ele afirma que faltam ainda conclusões sobre possíveis mandantes e cobra que as investigações continuem sobre outros envolvidos, além de Pelado, Pelado da Dinha e Dos Santos.

“Inicialmente, a consideração que nós fazemos é que é o início da justiça pelas mortes de Dom e Bruno. No entanto, eu entendo que a parte anterior, do inquérito policial, ainda esta inconclusiva, uma vez que não temos ainda a figura do mandante e há outras pessoas implicadas. Nós havíamos indicado isso para a autoridade policial, mas não vimos investigação sobre essa parte do inquérito: de elucidação se existe ou não a figura do mandante e se existem outras pessoas”, diz Eliesio.

“Nós inclusive acompanhamos o desdobramento de uma parte da investigação, que indicava a possibilidade de participação de políticos, comerciantes locais de pessoas que de alguma forma se beneficiavam desse esquema criminoso. Então, neste ponto, a Univaja não concorda e acredita que vai de alguma maneira estudar alguma possibilidade jurídica de indicar ainda essas possibilidades. Mas isso ainda pode acontecer. Agora, na marcha processual, teremos enfim um processo. Claro, vamos ver se a Justiça aceita a denúncia”, acrescenta. 

“Nós esperamos que a justiça prevaleça e que as mortes de Dom e Bruno não fiquem paradas nas gavetas do judiciário. Queremos também a garantia da segurança no Vale do Javari.”

Além da participação de outros homens na ocultação dos corpos, que foram esquartejados, parcialmente queimados e enterrados em covas no meio da floresta, a Polícia Federal também investiga a participação no crime de Rubens Villar Coelho, peruano conhecido como Colômbia, preso este mês após apresentar-se à polícia com documentos falsos. 

Ele é tido como uma das principais lideranças do esquema de pesca ilegal na região e seria chefe de Amarildo. O homem nega participação nas mortes de Dom e Bruno. Há suspeita, inclusive, de que o peruano possa ter sido o mandante do crime.

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Fonte: IG Nacional

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Habeas corpus de bolsonarista que matou Marcelo Arruda é negado

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Jorge Guaranho foi denunciado pelo Ministério Público
Reprodução/redes sociais

Jorge Guaranho foi denunciado pelo Ministério Público

A Justiça do Paraná negou, neste sábado (13), um pedido de habeas corpus impetrado pela defesa de  José Guaranho, o policial penal bolsonarista que matou a tiros o guarda municipal e tesoureiro do PT Marcelo Arruda, em julho. Os advogados de Guaranho pediam pela conversão da prisão preventiva do cliente.

A necessidade de cuidados médicos por parte do policial penal foi um dos motivos elencados pela sua defesa no pedido de habeas corpus. Segundo os argumentos apresentados, por não conseguir andar, ter sua visão comprometida e necessitar auxílio constante, Guaranho não apresentaria risco à ordem social e, portanto, não deveria ser submetido a prisão preventiva.

O desembargador Xisto Pereira em sua decisão afirma que os cuidados necessitados pelo bolsonarista podem ser recebidos no Complexo Médico Penal, para onde Guaranho foi encaminhado neste sábado. O seu estado de saúde não apresentaria risco de morte, sendo necessários apenas cuidados para sua devida reabilitação.

Em relação ao outro argumento apresentado pela defesa,o desembargador afirma que “a necessidade da preservação da ordem pública não se refere apenas à pessoa do paciente, mas sobretudo à conduta por ele levada a efeito, perturbadora da tranquilidade e da harmonia social”.

“O crime em tese praticado causou enorme e concreta repercussão social, até mesmo internacional, fazendo-se necessário o acautelamento da ordem pública. A intolerância, motivada por exagerada paixão, não pode ser aceita e deve ser coibida pelo Poder Judiciário, tendo em vista as eleições que se avizinham e o conturbado panorama do atual processo eleitoral, sob pena de consequente sensação de impunidade, que poderá gerar novos conflitos entre pessoas com diferentes preferências político-partidárias”, escreveu o desembargador Xisto Pereira na decisão.

Nesta sexta-feira, a Justiça havia revogado a prisão domiciliar do policial penal e determinou a transferência dele para o Complexo Médico Penal (CMP) de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

O juiz Gustavo Germano Francisco Arguello tomou a decisão de restabelecer a prisão preventiva do réu, após a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) informar que o local para onde o agente será levado apresenta plenas condições estruturais e humanas de tutelá-lo. Guaranho é acusado de homicídio qualificado pela morte do dirigente petista Marcelo Arruda.

O policial penal estava em prisão domiciliar e sendo monitorado por tornozeleira eletrônica. O Judiciário tinha aderido, na última quarta-feira, o pedido feito pela defesa do acusado após receber ofício da direção do Complexo Médico Penal afirmando não reunir condições estruturais, técnicas e de pessoal para prestar o atendimento necessário para manutenção da vida de Guaranho.

Guaranho teve alta do Hospital Ministro Costa Cavalcanti, em Foz do Iguaçu, na última quarta-feira. O agente penal matou a tiros o guarda municipal Marcelo Arruda, que comemorava seu aniversário de 50 anos, na madrugada de 10 de julho.

Ex-candidato a vice-prefeito na chapa do PT de 2020 em Foz do Iguaçu (PR), Arruda fazia uma festa com tema do PT quando foi alvejado por Guaranho, na sede da Associação Esportiva Saúde Física Itaipu.

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Fonte: IG Nacional

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RJ: Procuradoria pede impugnação da candidatura do vice de Castro

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Washington Reis e Claudio Castro
Reprodução/Instagram @wreis_oficial 13.08.2022

Washington Reis e Claudio Castro

A Procuradoria Regional Eleitoral do estado entrou com um pedido junto à Justiça Eleitoral pedindo a impugnação da candidatura de Washington Reis (MDB), vice da chapa à reeleição pelo governo do Rio do governador Claudio Castro (PL).

De acordo com o procuradoria, o ex-prefeito de Duque de Caxias está inelegível por crime contra a administração pública. O processo se refere a uma condenação de Reis dada pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), em dezembro de 2016, por crime ambiental.

À época, por unanimidade, cinco ministros do colegiado consideraram irregular a divisão de terrenos vendidos ao deputado para a construção de um loteamento em Xerém, na Baixada Fluminense, no entorno da Reserva do Tinguá.

Reis foi condenado a sete anos e dois meses de prisão em regime semiaberto por crime ambiental, além do pagamento de multa de 67 salários mínimos. Para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio, pela condenação, Reis não pode se candidatar a um cargo público pelo prazo de oito anos até o cumprimento da pena, o que seria em fevereiro de 2024.

De acordo com o pedido da TRE, os embargos de declaração pedidos pela defesa de Reis foram apreciados e rejeitados em maio de 2021, mantendo a condenação. “Não se tem notícia da concessão de novo efeito suspensivo ao recurso, razão pela qual os efeitos do acórdão condenatório proferido pela Suprema Corte não se encontram tolhidos”, diz o documento.

A procuradoria solicita à Justiça a notificação de Reis e da coligação “Rio Unido e Mais Forte”, composta pelo PL, MDB, Avante, Democratas, Podemos, Pros, PRTB, PSC, PTB, Republicanos, Solidariedade e União Brasil.

O ex-prefeito acompanhou a agenda do presidente Jair Bolsonaro pelo Rio, que está na Marcha para Jesus. Questionado sobre o processo, rebateu: “Todo ano eles (o TRE) pedem e eu ganho”.

Crime ambiental

Por unanimidade, os cinco ministros do colegiado consideraram irregular a divisão de terrenos vendidos ao deputado para a construção de um loteamento em Xerém, na Baixada Fluminense, no entorno da Reserva do Tinguá.

As obras foram iniciadas em 2003 e incluíram corte de vegetação em encostas e área de preservação permanente e a terraplanagem em beira de rio, desviando o curso da água, de acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF).

Segundo a acusação, os lotes foram negociados sem passar pelo Registro Geral de Imóveis e construídos fora dos seus projetos originais, o que representa descumprimento da licença estadual e autorização da Reserva do Tinguá.

“Ele ignorou os autos de infração e os embargos às obras, a demonstrar sentimento de impunidade, desrespeito às autoridades ambientais e a ausência de freio moral para a consecução do seu objetivo de implantar o loteamento irregular à custa da degradação ambiental das áreas”, disse o ministro Dias Toffoli, relator da ação, ao votar pela condenação do político.

Toffoli considerou não haver dúvidas de que Reis promoveu “a degradação ambiental da área (para) nela viabilizar a implantação do loteamento irregular Vila Verde, no qual, como já dito, inclusive construiu sua casa”.

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Fonte: IG Nacional

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