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Após boatos, PF nega encontro de corpos de indigenista e jornalista

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PF confirmou encontro de material orgânico 'aparentemente humano', mas negou encontro de corpos
Reprodução/Exército 7.6.2022

PF confirmou encontro de material orgânico ‘aparentemente humano’, mas negou encontro de corpos

A Polícia Federal desmentiu neste sábado (11) boatos que circularam nas redes sociais sobre as operações de busca pelo indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips terem encontrado corpos nos rios da região do Vale do Javari, na Amazônia. Segundo a PF, as buscas pelos desaparecidos continuam.

O material orgânico, descrito como ‘aparentemente humano’, encontrado na sexta-feira já chegaram ao Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, onde passara por perícia. Outros vestígios coletados nas buscas também já estão sob análise.

Segundo a PF, foi feita na sexta-feira a coleta do material genético de referência do jornalista e do indigenista desaparecidos. Ele será utilizado na comparação com amostras de sangue encontradas na lancha de Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como Pelado, o principal suspeito de envolvimento no desaparecimento da dupla. Amarildo teve sua prisão temporária decretada nesta quinta-feira.

Segundo a Polícia Federal, material genético foi coletado junto ao irmão de Bruno Pereira, em Recife. Material referente ao jornalista Dom Phillips foi coletado em Salvador, onde ele tem residência.

O desaparecimento da dupla foi alertado pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) nesta segunda-feira. O Vale do Javari é a região com a maior concentração de povos indígenas isolados do mundo.

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Uma testemunha chave afirmou ter visto Pelado carregar uma espingarda e fazer um cinto de munições pouco depois que o indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips deixaram a comunidade de São Rafael com destino à Atalaia do Norte, na manhã do último domingo, data em que foram vistos pela última vez.

De acordo com a narrativa da testemunha, Pelado, a quem a testemunha se referiu como “homem muito perigoso”, já vinha prometendo “acertar contas” com Bruno e afirmou que iria “trocar tiros” com ele tão logo o indigenista aparecesse no local.

Logo depois que Bruno e Phillips deixaram a comunidade, um colega de Pelado foi visto em seu barco com o motor ligado em ponto morto, à espera dele. Outra pessoa também estaria deitada na embarcação, que estava perto de onde Bruno e Phillips desapareceram.

A testemunha contou ainda que, logo mais abaixo no rio Itaquaí, Pelado foi novamente visto no barco, desta vez com mais quatro pessoas, passando em alta velocidade. Depois disso, não foi visto mais. A testemunha disse ainda que não “resta dúvidas” de que ele e os demais foram atrás da embarcação para fazer “algo de ruim” contra a dupla.

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Nacional

Projeto da Faixa Azul entra no 5º mês de operação com bons resultados

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Imagem do trânsito em uma rodovia de São Paulo
Rovena Rosa/ Agência Brasil

Imagem do trânsito em uma rodovia de São Paulo

O projeto piloto da Faixa Azul para motocicletas completa cinco meses de operação na avenida 23 de Maio, sentido Santana/Aeroporto, com resultados positivos: nenhuma morte envolvendo motos e a redução da lentidão em 21,8% no trecho.

Além disso, a faixa azul permanece com o índice de utilização de cerca de 78% pelos motociclistas nos horários de pico.

A lentidão média reduziu 21,8% no período de maio/junho, frente a 14,4% em abril/maio, na comparação com os mesmos períodos em 2019, quando não havia a faixa azul.

Os sinistros envolvendo motos e autos apresentaram uma queda, porém ainda foram ocasionados pela falta do uso da seta e movimento brusco de troca de faixa.

Os sinistros envolvendo motos em junho foram:

– Fora do espaço da faixa azul: um sem vítima e um com vítima leve. Tanto o motorista quanto o motociclista não sinalizaram a troca de faixa e colidiram de leve.

– No espaço da faixa azul: dois sem vítimas e três com vítimas, gerando duas vítimas leves e uma grave, também ocasionados pelo não uso da sinalização de seta ou pelo movimento brusco de troca de faixa.

Os sinistros envolvendo motos em abril foram:

– Fora do espaço da faixa azul: três sem vítimas e três com vítimas leve. Os motoristas dos veículos não sinalizaram a mudança de faixa com a seta e colidiram de leve com as motocicletas.

– No espaço da faixa azul: dois sem vítimas e nove com vítimas, gerando duas vítimas graves e dez leves, também causados pelo não uso da sinalização de seta ou pelo movimento brusco de troca de faixa.

– Dois sinistros com vítima levadas ao hospital: um morador em situação de rua que foi atropelado (lembrando que a via não permite passagens de pedestres e o sinistro não tem relação à implantação da faixa azul); e um motociclista que bateu na traseira de um veículo ao mudar repentinamente de faixa.

Os sinistros envolvendo motos em março foram:

– Fora do espaço da faixa azul: quatro sem vítima e quatro vítima leve. Os motoristas dos veículos não sinalizaram a mudança de faixa com a seta e colidiram de leve com as motocicletas.

– No espaço da faixa azul: um sem vítima e um com vítima leve, também causados pelo não uso da sinalização de seta ou pelo movimento brusco de troca de faixa.

Os sinistros envolvendo motos em fevereiro foram:

– Fora do espaço da faixa azul: um sem vítima e um com vítima grave. Os motoristas dos veículos não sinalizaram a mudança de faixa com a seta e colidiram de leve com as motocicletas.

– No espaço da faixa azul: três sem vítima e um com vítima leve, também causados pelo não uso da sinalização de seta ou pelo movimento brusco de troca de faixa.

Os sinistros envolvendo motos em janeiro foram:

– Fora do espaço da faixa azul: sete sinistros sem vítima e quatro com vítima. Os motoristas dos veículos não sinalizaram a mudança de faixa com a seta e colidiram de leve com as motocicletas.

– No espaço da faixa azul: quatro sem vítima e um com vítima leve, também causados pelo não uso da sinalização de seta ou pelo movimento brusco de troca de faixa.

– Um funcionário que fazia a zeladoria no canteiro central da Avenida 23 de Maio, ao lado da faixa azul, foi atingido por um veículo que trafegava de forma perigosa no local.

– O motociclista que trafegava pela faixa azul teve um mal súbito (desmaio) e caiu dentro do espaço, mas não houve interferências ou acidentes envolvendo outros veículos.

A CET reforçou os alertas aos motociclistas e motoristas sobre o uso da sinalização ao trocar de faixa, respeito aos limites de velocidade e que manobras bruscas podem ocasionar sinistros graves. A CET já solicitou para a SENATRAN autorização para a expansão da Faixa Azul e aguarda a deliberação do órgão.

Histórico

A Faixa Azul, que funciona no trecho entre a Praça da Bandeira e o Complexo Viário Jorge João Saad, foi aberta oficialmente no dia 25 de janeiro deste ano.

De lá para cá, os técnicos da Companhia de Engenharia de Tráfego – CET – vêm realizando o monitoramento diário dos índices de lentidão e acidentalidade com o objetivo de averiguar a funcionalidade da nova sinalização.

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Fonte: IG Nacional

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Bruno e Dom: suspeito foi preso em 2019 com 200 munições de espingarda

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Acusado de matar Bruno e Dom havia sido preso em 2019 com 200 munições de espingarda
Reprodução – 15/06/2022

Acusado de matar Bruno e Dom havia sido preso em 2019 com 200 munições de espingarda

Atalaia do Norte (AM) — O pescador e caçador Amarildo da Costa de Oliveira, 41, o “Pelado”, que segundo a polícia confessou ter matado o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips e indicou onde estavam os corpos, já havia sido preso em flagrante pela Polícia Civil em 2019 pela posse de 200 cartuchos de espingarda calibre 16. Até aqui, acreditava-se que não havia registro policial de “Pelado” anterior aos assassinatos.

De acordo com o depoimento de “Pelado” sobre os assassinatos, ele utilizou uma espingarda com esse mesmo calibre para matar Bruno e Dom no dia 5 de junho. A polícia ainda procura a arma, que o pescador disse ter jogado no leito do rio Itaquaí logo depois do crime.

A Agência Pública localizou na Polícia Civil de Benjamin Constant (AM), que fica a 40 minutos de carro da cidade de Atalaia do Norte (AM), o registro público da ocorrência policial que levou “Pelado” à prisão. Ele foi solto logo depois – não fica claro, na documentação, quanto tempo ele ficou na cadeia; teria sido menos de um dia, de acordo com fontes consultadas pela reportagem.

A apuração também concluiu que “Pelado” não chegou a ser denunciado pelo Ministério Público pois foi excluído do relatório final da polícia. Embora tenha sido indiciado pela polícia, não houve a ratificação do indiciamento no relatório final. A Agência Pública apura os motivos dessa exclusão e, assim que o ponto ficar esclarecido, este texto será atualizado.

A prisão de “Pelado” foi feita por uma equipe da Polícia Militar de Benjamin Constant no dia 26 de fevereiro de 2019 sob acusação de infração ao artigo 12 da lei 10.826/2003.

Após embarcar “caixas de gelo” em sua canoa “com o intuito de pescar”, ele foi deixar Elismário Almeida de Alegria na casa do colega pescador, na rua 13 de Maio, quando “foi abordado pela guarnição de serviço” da PM. De lá, foi levado pela PM à sua casa, na rua Irmão Balduíno, também em Benjamin Constant.

Na residência, a PM disse ter encontrado “oito caixas de cartuchos de espingarda calibre 16, totalizando 200 cartuchos”. Não fica clara a procedência do material e “Pelado” não foi indagado sobre isso. É comum, na região, a aquisição de munições no lado peruano da fronteira com o Brasil. Em Benjamin, os países são separados apenas pelo rio Javari, um trajeto de apenas dez minutos de barco.

“Pelado” foi perguntado pela PM “qual seria a finalidade das referidas munições”. Ele respondeu, segundo o termo de depoimento que foi acompanhado pelo seu então advogado no caso, Hurigel Bruno de Araújo: “Seriam levadas para a comunidade de São Gabriel, localizado no rio Itaquaí, pertencente à cidade de Atalaia do Norte, os quais seriam usados para caçar”.

No seu interrogatório em Benjamin, “Pelado” disse ser católico, com “ensino fundamental incompleto (4ª série)” e que não fora preso ou processado anteriormente. Indagado se era “dado ao uso de bebida alcoólica”, respondeu que “sim, apenas cerveja”. Disse que tinha cinco filhos, de 19, 15, 13, dez e dois anos de idade. Embora tenha reconhecido a posse da munição e que ela seria levada para sua comunidade, ao mesmo tempo e de forma contraditória “afirmou ser inocente”.

Antes do assassinato de Bruno e Dom, ‘Pelado’ foi preso em flagrante pela Polícia Civil em 2019 pela posse de 200 cartuchos de espingarda calibre 16 No seu interrogatório em Benjamin, “Pelado” disse ser católico, com “ensino fundamental incompleto (4ª série)” e que não fora preso ou processado anteriormente.

Indagado se era “dado ao uso de bebida alcoólica”, respondeu que “sim, apenas cerveja”. Disse que tinha cinco filhos, de 19, 15, 13, dez e dois anos de idade. Embora tenha reconhecido a posse da munição e que ela seria levada para sua comunidade, ao mesmo tempo e de forma contraditória “afirmou ser inocente”.

“Pelado” disse ainda que possuía uma espingarda calibre 16, “mas que deixa a mesma na comunidade de São Gabriel, para a qual tais munições seriam levadas”. Foi dessa mesma comunidade que “Pelado” partiu de barco em perseguição a Bruno e Dom na manhã do dia 5, até alcançá-los e matá-los – segundo a polícia, ele e seu colega pescador, Jeferson Lima Silva, o “Pelado da Dinha”, agiram de forma traiçoeira ao atirar em Bruno pelas costas, sem chance de defesa às vítimas.

A polícia investiga se outros membros dessa comunidade, como o irmão de “Pelado”, Oseney Oliveira, o “Dos Santos”, participaram da ocultação dos dois corpos.

O gestor da Polícia Civil em Benjamin Constant – cargo equivalente ao de delegado em municípios do Amazonas que não possuem delegado –, Alcy Barbosa, disse que um cartucho de espingarda calibre 16 pode ser adquirido por até R$ 5 no lado peruano da fronteira. No varejo brasileiro, o preço dessa munição pode chegar a R$ 10. Assim, pelos atuais valores brasileiros as 200 munições apreendidas com “Pelado” custariam até R$ 2 mil. Barbosa não estava lotado na cidade na época de “Pelado” e por isso não tinha informações sobre o registro nem explicação sobre o pescador não ter sido denunciado pelo Ministério Público ao término do inquérito.

O delegado da Polícia Civil em Atalaia do Norte, Alex Perez, disse à Agência Pública que “existe um inquérito instaurado em Benjamin Constant no qual ele [“Pelado”] inicialmente tinha sido indiciado por apreensão de cartuchos”. “Mas não sei o motivo pelo qual ele não foi incluído no relatório final do delegado ou do gestor de lá. E juntamente com o promotor fomos analisar. Só que no relatório final ele [“Pelado”] não entrou… não foi ratificado o indiciamento. Mas ele foi [sim] investigado por participação nessa situação.”

O advogado Hurigel Bruno de Araújo, que defendeu “Pelado” na prisão em flagrante, disse que atuou até a soltura do pescador e não se recorda de detalhes do processo. Afirmou que “não gostaria de comentar o conteúdo do processo” por “questões profissionais”, mas reconheceu que o processo é público.

“Faz tanto tempo que não me lembro mais desse caso. Fui chamado para socorrer ele no flagrante e ele foi posto em liberdade e desde esse dia eu não vi mais ele, não tive mais contato. Eu trabalho em Tabatinga e ele mora em Atalaia do Norte, salvo engano, numa comunidade, e não tive mais contato.”

“Na realidade [não] me chamaram nem para advogar para ele, foi para advogar para uma outra pessoa e ele estava lá, pediu ajuda. Não foi especificamente para ele. Eu tomei pé da situação lá, mas não era exclusivamente para ele, não, entendeu? Envolvia outras pessoas que foram presas e ele estava lá no flagrante”, disse o advogado.

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Fonte: IG Nacional

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