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Antigo Reino de Bagan é conhecido por mais de 10 mil templos budistas

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A ação de saqueadores e da natureza varreram milhares de templos anticos
Sebastien Goldberg/Unsplash

A ação de saqueadores e da natureza varreram milhares de templos anticos

Bagan é motivo de encanto e parada obrigatória para a grande maioria dos visitantes do sudeste asiático, e isso se deve às maravilhosas vistas que a região apresenta. Espalhadas por uma vasta planície empoeirada é possível ver dezenas de milhares de templos budistas exóticos.

Os reinos de Bagan tiveram início ainda no século 2 a.C., mas chegou ao auge muitos anos depois, já em 1057, durante o reinado do rei Anawrahta. Com o passar dos anos, a cada novo rei que assumia o posto, mais templos, pagodes e outras estruturas religiosas em homenagem a Buda eram construídas, chegando a ter mais de 13 mil.

Em 1287 as forças de Kublai Khan (Império Mongol) invadiram e saquearam muitos dos tempos, reduzindo em muito a população local, desde então a ação de criminosos e grandes desastres naturais – como terremotos – varreram grande parte dos templos. Atualmente, existem pouco mais de 200 templos permanecem de pé.

Já nos anos de 1990, o governo local decidiu restaurar centenas de templos, porém o processo não foi bem sucedido, por usarem materiais modernos, bem diferentes dos usados originalmente, o que o diferenciou muito do estilo de arquitetura. Toda essa mudança fez com que a Unesco se recusasse por muitos anos a reconhecer Bagan como  Patrimônio Mundial da Humanidade.

O primeiro pedido foi feito em 1996, e veio a ser aceito somente em 2019, algo que os moradores da região entenderam como uma correção histórica. Os templos são os últimos vestígios do antigo Reino Pagão da Birmânia (atual Myanmar).

O passeio de balões é um dos grandes atrativos de Bagan
Charlie Costello/Unsplash

O passeio de balões é um dos grandes atrativos de Bagan

O que fazer por lá

Opções do que se fazer em Bagan é o que não faltam, mas não há duvidas que os templos são o maior chamariz para turistas – seja para visitar ou sobrevoar em passeios de balão.

O Templo Ananda

Foi concluído em 1091, pelo Rei Kyanzittha. É inspirado em uma lendária caverna chamada Nandamula, situada nas montanhas do Himalaia. Com mais de 51 metros de altura, recebeu um topo dourado já em 1990, em comemoração aos 900 anos. Dentro do templo estão quatro grandes estátuas de Budas, das quatro eras. Kakusandha está virada para o norte, Konagamana para o leste, Kassapa para o sul e Guatama, o Buda mais recente, está para o oeste.

O Templo Gawdawpalin

Foi construído no século 12 pelo rei Narapatisithu, o templo de 60 metros foi muito danificado em um forte terremoto de 1975, sendo totalmente reconstruído anos mais tarde.

O Templo Dhammayangyi

Este é o maior templo em Bagan, foi construído pelo rei Narathu que reinou de 1167 a 1170.

O Templo Shwesandaw

Foi construído em 1057 pelo rei Anawahta, A estupa retrata os cabelos do Buda. Às vezes é chamado de Templo de Ganesh, deus hindu com cabeça de elefante cujo as imagens estavam nos cantos de cada um dos cinco terraços.

O Templo Mahabodhi

Uma réplica exata, em tamanho menor, do famoso templo Bodhi em Bodh Gaya, na Índia. Foi construído durante o reinado do rei Nantaungmya, entre 1210 e 1234.

O Templo Shwezigon

Este pagode foi construído como o mais importante santuário relicário em Bagan. Iniciado pelo rei Anawrahta e concluído pelo rei Kyanzittha em 1089. Ele contém vários ossos e cabelos do Buda.

O famoso passeio de balão

Os balões de ar quente sobrevoam Bagan a mais de 600 metros de altura
Pexels

Os balões de ar quente sobrevoam Bagan a mais de 600 metros de altura

Quando se procura por imagens de Bagan, depois dos grandes templos, o que mais se destaca são as imagens dos grandes balões de ar quente que sobrevoam a região a mais de 600 metros de altura. Este passeio está na lista de desejos de qualquer um que vá visitar Myanmar – a menos que tenha muito medo de altura.

Os voos de balão são silenciosos e estáticos, combinando com a luz do nascer do sol proporcionam um visual deslumbrante dos templos e de toda a área. É, sem dúvidas, uma experiencia inesquecível.

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Com taxas a partir de U$ 300 (cerca de R$ 1.7 mil) por pessoa, os passeios acontecem somente entre outubro e abril, quando o clima está mais propicio para o voo. Os voos podem durar de 45 minutos a uma hora.

A melhor época para viajar

A bicicleta em Bagan é um dos meios de transporte mais usado
propelahed/Flickr

A bicicleta em Bagan é um dos meios de transporte mais usado

Entre os meses de março e maio acontece a considerada “época seca”, quando a temperatura é bem quente, passando dos 40°C durante o dia. De junho a outubro as monções do sudeste asiático chegam à Myanmar, deixando a temperatura com uma média de 30°C e com fortes chuvas por quase todo o período.

Entre novembro e fevereiro está a melhor época para se viajar, as temperaturas ficam mais amenas e, durante o dia, beiram os 35°C. Por outro lado, a grande procura faz com que os preços fiquem bem elevados, o indicado é que se faça a reserva com bastante antecedência.

Se bem programado é possível visitar alguns dos maiores templos de Bagan em apenas dois dias, mas também há muito charme a ser explorado em templos menores – e que exigem um pouco mais de tempo -, que ficam fora do roteiro mais tradicional e podem ser acessados por pequenas trilhas. Para agilizar o passeio, podem ser alugadas bicicletas em hotéis, restaurantes e lojas locais.

Alugar uma bicicleta, porém, pode não ser a melhor das ideias em dias mais quentes, já que as trilhas são longas e exigem um dia inteiro de pedalada. Para isso também existe a alternativa de aluguel de motos e scooters. Para quem desejar mais conforto, mas sem tanta liberdade, também pode optar por usar o transporte público que passa somente pelas principais vias.

O turista também pode usar o serviço de Taxi, no qual o motorista o levará por onde quiser, mas é preciso combinar os valores com antecedência, para evitar um choque na hora de pagar a corrida – caso dinheiro não seja problema, também é possível agendar um tour com agências de turismo locais.

O pôr do sol no rio Irrawaddy

O pôr do sol no rio Irrawaddy
Shimmerx Lyan/Unsplash

O pôr do sol no rio Irrawaddy

Antes era possível escalar os grandes templos para assistir ao pôr do sol em Bagan, no entanto, com o aumento do tráfego de turistas acidentes se tornaram frequentes e a prática foi proibida.

Existem dois tempos ao longo do rio Irrawaddy que não contam com níveis para escalar, sendo muito mais seguros. Para quem sofre com dificuldade de locomoção, ou prefere vistas ribeirinhas, a dica é ir ao Bupaya Pagode e ao Lawkananda Pagode, onde se pode apreciar um belíssimo pôr-do-sol.

Explore o mercado local

O mercado em Myanmar
toozler/Flickr

O mercado em Myanmar

Para quem deseja fazer compras pode visitar as áreas fora da Zona Arquológica de Bagan, também conhecidas como “Nova Bagan”, ao norte da cidade mais antiga de Nyaung-U, próximo ao aeroporto de Bagan.

O Mercado Mani Sithu conta com a presença de moradores locais comprando e vendendo carne fresca e produtos secos. A cidade de Myinkaba, próxima a Bagan, foi um grande centro de produção de laca (louças artesanais) durante séculos. As oficinas atuais usam técnicas bem semelhantes às originais e são bem únicas. Ao contrário de outras peças de artesanato, as cores das lacas ficam mais claras com o passar dos anos, tornando a laca antiga especialmente apreciada por colecionadores.

A culinária local

A culinária local é bem variada, com influência também de outras regiões devido a alta no turismo
bengawanty/Flickr

A culinária local é bem variada, com influência também de outras regiões devido a alta no turismo

Graças ao grande fluxo de visitantes estrangeiros, o cenário alimentício de Bagan se tornou mais acomodado ao longo dos anos. Ao ir de Nova Bagan para Nyaung-U, existem restaurantes que atendem às tradições culinárias não somente birmaneses e chineses, mas também tailandeses, indianas, e até tibetanas e britânicas. A maioria dos restaurantes com uma boa relação custo-benefício pode ser encontrada em Nyaung-U.

Onde se hospedar

Bagan Hotel em Myanmar
Jacques Rollet/Flickr

Bagan Hotel em Myanmar

Em Nyaung-U também está localizada a maior oferta de hotéis a um bom preço. Apesar de ser um pouco mais afastada da região dos templos é, sem dúvida, o melhor local para se hospedar.

Velha Bagan

Região mais próxima aos templos, também mais indicada para quem deseja visitar os antigos portões da velha cidade. Os hotéis da região proporcionam vistas aos grandes templos e podem ficar às margens do rio Ayeyarwady (ou também chamado de Irrawaddy). O custo aqui é um pouco mais elevado, mas proporciona mais opções para o turista.

Nova Bagan

Está ao sul da Velha Bagan, a cerca de 4,6km de distância. É a opção de menor custo entre as três. A cidade foi construída após os anos 1990 e conta com uma arquitetura bem diferente das anteriores.

Fonte: IG Turismo

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Turismo

Destino dos famosos: recifes e belezas naturais em Santa Cruz Cabrália

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As famosas Mariana Rios, Adriane Galisteu e Sabrina Sato visitaram Santa Cruz Cabrália
Reprodução / Instagram

As famosas Mariana Rios, Adriane Galisteu e Sabrina Sato visitaram Santa Cruz Cabrália

Santa Cruz Cabrália é um município vizinho a Porto Seguro, na Bahia. Ambos os destinos oferecem belos cenários, com praias de águas cristalinas, areia branca e atrações históricas, afinal, foi lá que os portugueses aportaram pela primeira vez. 

No entanto, enquanto Porto Seguro é uma cidade badalada, que atrai milhares de turistas todos os anos, Santa Cruz Cabrália é uma escolha mais intimista, menos movimentada e, portanto, mais tranquila. A cidade também é equipada com diversos resorts luxuosos, que atraíram famosas como Mariana Rios, Adriane Galisteu e Sabrina Sato.

Inclusive, foi em Santa Cruz Cabrália que realizou-se a primeira missa em solo brasileiro. O ato foi efetuado pelo Frei Henrique de Coimbra no dia 26 de abril de 1500, onde hoje está situada a Praia da Coroa Vermelha. Além disso, ao lado de Porto Seguro e Belmonte, integra a região conhecida como Costa do Descobrimento, recheada de praias que favorecem a prática de esportes aquáticos. 


Como chegar em Santa Cruz Cabrália?

Já que a cidade se encontra a 24 km de sua vizinha, o aeroporto mais próximo é o Aeroporto Internacional de Porto Seguro. A partir daí, o trajeto é feito pela BR 367, em aproximadamente 30 minutos de viagem. Passagens aéreas, saindo de São Paulo, custam em média R$ 483. 

O que fazer na cidade? 

Parque Marinho da Coroa

Uma das atividades mais buscadas no município é o passeio de barco, que ocorre, principalmente, em escunas no Parque Marinho da Coroa Alta. Estabelecido a 2,5 km da costa, a região é composta por uma barreira de corais e um banco de areia em alto mar. 

Quem contratar o tour será levado aos corais em que se formam belas piscinas naturais. O local é rico em diversidade marinha, sendo uma atração propícia para mergulhos entre os peixinhos coloridos. Há também paradas na Vila de Santo André, na Ilha Paraíso e na Ilha dos Doces. Cada embarcação sai do Centro Histórico do município. 

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Praia da Coroa Vermelha

O local é importante para a história do país, já que foi onde a frota Pedro Álvares Cabral atracou, momento que ficou conhecido com o descobrimento do Brasil. Lá é possível encontrar uma cruz que marca a primeira missa brasileira. 

É a praia mais movimentada de Cabrália, além de ser a mais preparada para receber turistas. São diversos hotéis, resorts, pousadas, restaurantes e lojas de artesanato. A apenas 8 km do centro, tem aproximadamente 300 m de areia branca e águas tranquilas. 

Centro Histórico

Construções históricas do século 17 e 18, tombadas pelo Patrimônio Histórico Nacional, é o que o turista encontrará ao caminhar pelo centro de Santa Cruz Cabrália. Edifícios como a Igreja Nossa Senhora da Conceição, o quarto templo mais antigo do Brasil, e a Casa de Câmara e Cadeia recebem destaque. Além deles, ainda existem várias ruínas e casarões. 

Quem deseja apreciar a vista da cidade do alto, também pode escolher entre os dois mirantes presentes no local. 

Comércio Indígena Pataxó

No distrito de Coroa Vermelha é possível visitar a Aldeia Pataxó Nova Coroa, conhecer os costumes e cultura dos indígenas Pataxós. Há demonstrações de danças e artesanatos, além de uma trilha guiada em que são apresentadas armadilhas, bem como aulas sobre plantas dos nativos. 

No centro de artesanato Pataxó, quem se interessar pode adquirir objetos artísticos e utensílios feitos pelos indígenas. Itens de madeira, gamelas e pilões, cocares, bijuterias e artefatos de palha são encontrados ali.

Fonte: IG Turismo

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Brasileira vai para a Austrália e oferece dicas para quem quer imigrar

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Em 2007, Bruna M. Cenço foi para a Áustralia a fim de estudar.
Divulgação

Em 2007, Bruna M. Cenço foi para a Áustralia a fim de estudar.

Quando resolveu se mudar para a Austrália, em 2007, o principal objetivo de Bruna M. Cenço era se especializar na área ambiental. A escolha do país aconteceu após considerar alguns fatores, como idioma, clima e oferta de universidades. Bruna é jornalista e desejava imigrar para um país que tivesse o inglês como língua nativa, justamente para aprimorar sua fluência. 

Após descartar alguns destinos como Estados Unidos, Reino Unido e Canadá, Bruna descobriu, por meio de uma amiga, que a Austrália se encaixava nos seus propósitos. A jornalista sempre teve aversão a lugares muito frios, então as temperaturas quentes, semelhantes às do Brasil, colaboraram no processo de decisão. Outra característica que atraiu a atenção dela foi a moeda local: o dólar australiano possui um valor menor que o americano e definitivamente menor que o euro. 

“No final, minha decisão foi bastante prática. Coloquei em uma lista o que era fundamental para mim e comecei a buscar um cenário de curso e local que se encaixasse. Algo que aprendi é que às vezes a gente tem que abrir mão de algo no processo, mas é preciso primeiro entender quais são as suas prioridades para que isso seja feito de forma consciente e sem arrependimentos”, conta. 

Estudos

Segundo o Departamento Australiano de Educação e Treinamento, o Brasil é o quarto país que mais envia estudantes para a região. No entanto, nos últimos dois anos as fronteiras estiveram fechadas por conta da pandemia, então o número de imigrantes caiu consideravelmente. Em dezembro de 2021, o governo australiano voltou a permitir a entrada de estudantes vacinados.

Para Bruna, a primeira grande dificuldade foi decidir qual curso faria e como seria a preparação para tal. A princípio, ela iria para a universidade realizar a pós-graduação, mas mudou de ideia após conversar com a escola de intercâmbio e preferiu fazer um curso curto de seis meses. “Já estava com tudo acertado, curso pago, até que a instituição de ensino me avisou que, por número insuficiente de alunos, não iria abrir a turma naquele semestre e eu poderia escolher entre trocar de curso ou adiar minha viagem para o semestre seguinte. Acabei trocando o curso em cima da hora, fazendo gestão de negócio em vez de relações públicas”, pontua.

Como não iria fazer um curso de inglês, teve que apresentar um teste de proficiência do idioma na faculdade australiana, além do diploma de conclusão do Ensino Médio e um formulário de inscrição. Quando foi aprovada, ela começou a preparar a documentação necessária para que conseguisse efetivar a aprovação do visto. Os documentos exigidos variam de acordo com o motivo da viagem, mas os principais estão listados abaixo:

• Passaporte assinado e válido e passaportes anteriores, se já houver viajado ao exterior; • Formulário 157A vigente, preenchido e assinado pelo requerente (a foto afixada no formulário deverá ser recente e sem alterações digitais – 6 meses no máximo – e do tamanho 5×7 ou 3×4); • Comprovante da Matrícula (CoE – Certificate of Enrollment); • Comprovante de Cobertura de Saúde de Estudantes Estrangeiros (OSHC – Overseas Student Health Cover); • Pagamento da taxa.

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Planejamento

Bruna explica que a dica fundamental para quem deseja morar em outro país é o planejamento. O primeiro passo é definir os objetivos e, então, pesquisar os destinos que se adaptem ao estilo de vida de cada um. A jornalista destaca que é primordial conversar com outras pessoas que vivenciaram a experiência de imigrar, avaliando os lados positivos e negativos. Ela considera que as preocupações mudam conforme o tempo que cada um decide morar fora. 

“Você quer morar um tempo fora e depois voltar, seis meses, um ano, por exemplo? Então, a preocupação é basicamente o curso e as características locais. A partir daí é seguir o passo a passo e as agências de intercâmbio são ótimas para te ajudar com isso. Já se você está disposto a sair de vez do Brasil, é preciso pensar em outras coisas, como: tudo bem ficar fora da área de atuação? Trabalhar em outras áreas, incluindo o chamado subemprego? O quanto para você é tranquilo ficar longe da família? Muitas dessas respostas você só terá certeza quando vivenciar as mudanças, mas essas perguntas são importantes para você se planejar e tomar a melhor decisão”, detalha. 

Diferenças regionais e adaptação


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De acordo com a jornalista, a Austrália é um país belíssimo e acolhe bem as pessoas. Contudo, em comparação ao Brasil, está do outro lado do planeta, logo o processo de separação pode ser mais doloroso. “Enquanto pessoas que moram nos Estados Unidos conseguem vir uma ou mais vezes por ano ao Brasil, quem mora na Austrália diminui esse número pela metade, pelo menos. Por isso, é importante pensar se isso não será um impeditivo”, explica.

Muitos brasileiros buscam um intercâmbio para encontrar melhores condições de emprego. Bruna avalia que a Austrália disponibiliza muitas oportunidades, mas é preciso considerar as áreas de atuação que ofertam mais vagas. Por exemplo, empregos em bares, lanchonetes, na área da limpeza ou da construção, que no Brasil são vistos como subempregos, podem ser suficientes para gerar uma boa renda, mas a jornalista salienta que há pessoas que sentem falta de trabalhar em posições de escritório.

“Se esse é o seu caso, não é impossível você morar em outro país e continuar trabalhando na sua área. Conheço pessoas que fizeram isso e já foram, inclusive, com maiores possibilidades de conseguir vistos de permanência, já que há profissões que são muito procuradas fora do Brasil. Essas profissões variam de acordo com o país e por isso é necessário planejamento, se informar e então providenciar a documentação”, recomenda.

Ao chegar na Austrália, Bruna revela que a maior dificuldade foi em relação à língua. “Mesmo quem fala inglês fluente tem aquele momento de adaptação ao sotaque. Eu senti isso bem forte. É diferente você assistir a filmes ou séries em inglês americano ou britânico e conversar com pessoas que têm o inglês como língua nativa em um sotaque que não é tão disseminado. Conheci colegas americanas que me diziam nem sempre entender o que os australianos falavam, então imagine para os brasileiros. Mas isso é normal e passa com o tempo. Até porque, o que mais tem naquele país é gente de vários lugares do mundo, o que te faz acostumar muito mais rápido com os diferentes sotaques, não só com o australiano”, diz. 

Ela também teve problemas para se familiarizar com a cultura dos australianos. No Brasil, as regras são mais maleáveis, o que não existe na maioria dos outros países. A Austrália tem como costume ter regras para tudo e por isso exige muitos certificados para trabalhar em bar, em cassinos ou com construção civil.

“Outra coisa que eles têm muito sério é a pontualidade. Uma vez, quando estava muito sem dinheiro, decidi que ia tentar vaga no McDonald’s. Saí de casa de bicicleta, me perdi pelo caminho, cheguei dez minutos atrasada e só fui recebida pela gerente para receber uma bronca sem ao menos chance de justificativa. Outro exemplo dessa rigidez foi no colégio: como era turma mista (australianos e estrangeiros), cheguei a fazer uma DP por falta de meio ponto, coisa que a gente dificilmente vê acontecendo no Brasil. No começo a gente estranha, mas depois se acostuma”, afirma.

Embora, em termos culturais, brasileiros e australianos dividam certos traços semelhantes, as diferenças são evidentes. “Os australianos são muito organizados e costumam seguir bastante as regras, como no respeito ao trânsito, por exemplo. A pontualidade é outra marca australiana, assim como o uso da tecnologia para agilizar os processos. Pontos de ônibus e estações de trem costumam ter uma tabela com o horário que cada ônibus ou trem vai passar. Assim você consegue se preparar antes de sair de casa e dificilmente atrasa”, salienta. 

“Uma brasileira no país dos cangurus”

A brasileira retornou ao Brasil em 2009 e, em 2020, decidiu publicar um livro ficcional baseado nas suas experiências como imigrante. Ela aponta que a ideia surgiu, pois com frequência recebia questionamentos sobre o processo para morar na Austrália. Dessa forma, por intermédio de uma campanha de crowdfunding, a jornalista lançou a obra intitulada “Uma Brasileira no País dos Cangurus”. 

“Fui percebendo que, mesmo com as informações abundantes na internet, tanto de agências de intercâmbio quanto de blog e perfis de viagem, as pessoas ainda têm uma carência de histórias mais próximas, daquele contato pessoal, que não é todo mundo que tem a chance de ter. Assim, quando percebi esta necessidade, aproveitei algumas crônicas que tinha escrito na época em que vivia na Austrália para criar este romance, com histórias reais e fictícias, que possibilitam que o leitor tenha um gostinho de como é essa experiência.”

A ideia é que o leitor possa viajar junto com as personagens, participando das conquistas, mas também das angústias de quem mora longe. “Além disso, ao final de cada capítulo, tem uma espécie de post-it com dicas bem práticas, que não interferem na narrativa, mas ajudam quem quer viajar também”, relata.

Fonte: IG Turismo

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