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Opinião

AMÁLIA BARROS – Inclusão é olhar para o todo

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Uma frase atribuída ao físico alemão, Albert Einstein, diz: “Em toda dificuldade existe uma oportunidade”. Aos 20 anos enfrentei uma das maiores dificuldades da minha vida, a perda da visão do olho esquerdo por conta de uma doença inflamatória.

Ao longo de dez anos passei por 12 cirurgias na tentativa de recuperar a visão, sem sucesso. A solução encontrada foi a remoção cirúrgica do olho e o uso de prótese.

Minha condição de monocular me tornou mais sensível às dificuldades enfrentadas por outras pessoas como eu, com algum tipo de deficiência. A perda da visão, no entanto, não me limitou, ao contrário, me motivou a agir para transformar a realidade destas pessoas. Meu foco passou a ser a inclusão para o exercício pleno da cidadania em nível nacional.

Idealizei uma lei e trabalhei intensamente para que ela fosse sancionada. Foram muitas idas e vindas ao Congresso Nacional e muito diálogo com a classe política até que a Lei Amália Barros (Lei 14.126/2021) fosse sancionada em 22 de março de 2021.

Por conta desse instrumento jurídico os monoculares passaram a ser oficialmente reconhecidos como pessoas com deficiência, tendo assegurados os mesmos direitos e benefícios previstos na legislação para a pessoa com deficiência.

Sem qualquer cargo público ou político, consegui dar a uma parte de brasileiros novas oportunidades. Mesmo cega de um olho fiz a classe política e, por consequência, a sociedade como um todo enxergar uma necessidade que até então era ignorada e desconhecida para muitos.

Esse trabalho intenso me deu uma nova visão sobre o Brasil: a inclusão é um olhar para o todo e não só as minorias. O país possui inúmeros gargalos, muitos com impactos profundos e diretos na vida dos cidadãos como, por exemplo, a falta de creches para crianças oriundas de famílias mais pobres.

Estudo publicado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal revela que, entre as famílias mais carentes, apenas 24,4% das crianças até 3 anos de idade frequentam creches no país, ou seja, uma a cada quatro. É um número muito grande de crianças sem acesso à primeira etapa da educação infantil e de mães que, por não ter com quem deixar seus filhos de maneira segura, estão excluídas do mercado de trabalho.

As mulheres de baixa renda são as que mais precisam trabalhar (muitas delas são responsáveis pelo sustento do lar), mas são, justamente, as que menos têm acesso às creches.

O acesso à educação é um direito garantido pela Constituição e o Plano Nacional de Educação (Lei 13.005/2014) prevê que o Brasil deve atender a pelo menos 50% das crianças até 3 anos de idade em creches até 2024.

Um país é feito de quem existe nele. O Brasil só será um grande país quando nós, cidadãos, também formos protagonistas das soluções. Problemas a resolver não faltam e os obstáculos são inúmeros, mas minha deficiência e minha experiência têm me mostrado que, assim como disse Einstein, dificuldades são também oportunidades valiosas de transformação.

Amália Barros é jornalista e pré-candidata a deputada federal.

 

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Opinião

WILSON FUÁH – Os objetivos são essenciais

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Em prol do imediatismo, os valores legítimos da alma, tais como virtudes e as conquistas intelectuais, ficam esquecidos.

De acordo com as escalas de valores, os indivíduos seguem pelos caminhos de uma vida depressiva, pois ninguém está livre desses infortúnios, como: perda um emprego, privação de prestígio social, perda de um imóvel, dinheiro, carro, joias ou mesmo a perda do poder de compra de um objeto eleito como essencial.

As pessoas estão colocando no topo das suas escalas de valores os bens transitórios e assim ao atingi-los não sabem o que fazer com as conquistas, pois elas envelhecem muito rapidamente e ficam no canto do esquecimento.

A cada minuto a vida está virando as páginas, e por isso, é preciso respeitar os limites de cada ser e compreender que cada um faz o melhor que pode de acordo com o seu grau de evolução moral e intelectual, entender que não somos melhores ou piores que ninguém, apenas diferentes uns dos outros.

A tradição faz com que cada pessoa possa agregar a soma das experiências e estilos, mesmo que sejam momentâneos, fazendo com que cada um de nós sejamos apresentados: com uma “cara” ou uma “marca” e nisso cada pessoa é definida como qualificada ou desqualificada, quando na verdade foram criadas durante o crescimento individual e estão agregados nos pensamentos e que se identificam em todos os momentos das nossas vidas.

Somos apenas seres sobreviventes do que arriscamos, e assim, vamos tentando compartilhar sucessos e os prazeres das conquistas como forma de felicidade, mas por “bobeiras pessoais”, alguns desavisados apostam em prazeres individuais e pensam que a vida não tem energia própria.

O futuro não tem o poder de regeneração, e todos os momentos do passado o que passaram ficarão registrados na história da nossa vida, mas o importante é entender que os pequenos detalhes que às vezes passam despercebidos, são eles que podem assumir proporções gigantescas na lei de causa e efeito, e que na verdade são determinantes em nosso futuro e podem potencializar as diferenças para o sucesso e para o crescimento espiritual.

Saber lidar com as coisas do mundo das adversidades é descobrir o equilíbrio e crescer acima dos problemas, o importante é não inverter os valores da vida com intolerâncias desnecessárias, a paz é a consagração da nossa existência.

Econ. Wilson Carlos Soares Fuáh – É Especialista em   Recursos Humanos e Relações Sociais e Políticas. Fale com o Autor: [email protected]

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Opinião

DEUSDÉDIT DE ALMEIDA – Semana nacional da família

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A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), através da Comissão Nacional de pastoral para a Vida e Família, promoverá a 26ª Semana Nacional da Família, com o início no dia dos Pais (14  a 21 ).

É um acontecimento religioso consolidado em nossa história e na vida eclesial. É uma semana de intensa oração, reflexão e mobilização em defesa dos valores da família. O tema deste ano é: “Amor familiar, vocação e caminho de santidade”.

Este tema motivador é um convite para que Pais e filhos descubram a doce, prazerosa e reconfortante alegria de viver o amor cristão no relacionamento conjugal e familiar.

Realmente, o que faz a beleza, o encanto e a felicidade da vida em família é o amor cristão. Mas o que significa o amor cristão? No ensinamento de Jesus, o amor significa doação, gratuidade, alteridade e oblatividade. É sair de si em direção ao outro. O amor cristão é o bem querer, sem querer nada do outro.

O verdadeiro amor não é interesseiro. Assim, o amor familiar cristão, transforma a família em fonte de alegria, paz e serenidade de seus membros. Diante das investidas devastadoras contra a unidade e identidade da família, precisamos proclamar a beleza e a grandeza da união indissolúvel e perene. Apesar do ambiente social e cultural desfavoráveis ao arranjo familiar, hoje, podemos constatar milhares de casais que cultivam gestos solícitos de bondade, de compreensão e ternura que encantam o mundo, tornando adoráveis os relacionamentos!

Quantas famílias vivem a grandeza do amor conjugal e familiar, celebrando bodas de prata, de ouro e diamante.

São muitos os casais que vivem na fidelidade, em harmonia conjugal e cultivando a santidade no dia a dia. Pois, o amor familiar é o melhor caminho de santidade. A vida exemplar destes incontáveis números de casais é o melhor anúncio da boa nova da família!

Mais do que nunca, hoje, precisamos aglutinar e somar as forças em favor da unidade, da identidade e da função da família na sociedade e no mundo. Pois, estamos mergulhados numa cultura “anti-família” e com uma forte mentalidade contraceptiva.

Com a semana nacional da família, a Igreja quer, uma vez mais, salientar a importância da família, que, talvez, mais do que outras Instituições, tem sido impactada pelas amplas, profundas e rápidas transformações da sociedade e da cultura. Vivemos uma mudança de época. Isto é, mudam-se os critérios de compreensão ou visão da pessoa humana, da família, da sociedade e do mundo.

Neste cenário, é necessário um olhar atento dirigido à família, como a mais bonita invenção Divina e a “Joia” mais preciosa da humanidade. Não compensa ganhar o mundo e perder a família!

No plano natural, ela é a primeira e fundamental expressão da natureza social do homem. É uma comunidade de pessoas, a menor célula social, e como tal, é uma instituição fundamental para o equilíbrio da sociedade. Ela é o espaço privilegiado para forjar no coração do homem os valores perenes, sejam eles humanos ou espirituais, e as virtudes sociais. Por esta razão, a família é o bem maior da pessoa humana, da Igreja e da sociedade.

O momento atual exige da nossa ação evangelizadora um profundo e renovado ardor missionário para ajudar as famílias na realização de sua missão na Igreja e no mundo.

No dia dos Pais, recordamos aos filhos que o bom comportamento, a docilidade, o amor e a retidão de vida, constituem os elementos reconfortantes e consoladores do coração de um Pai! Gosto de lembrar a canção “quando eu me chamar saudade”, do sambista Nelson Cavaquinho: “Flores, carinho e mão amiga eu quero em vida.

Quando eu morrer, quero preces e nada mais”.  Finalmente, a exemplo de Jesus, precisamos amar e acolher com carinho, todas as famílias nas condições em que elas se encontram: famílias incompletas, irregulares, em segunda ou terceira união, famílias desestruturadas e machucadas pela extrema pobreza. Pesquisas recentes, apontam para o aumento da pobreza nas grandes Metrópoles, incluindo Cuiabá. Dados da Secretaria Estadual de Assistência social e cidadania (CadÚnico), registram a existência de 18.385 famílias vivendo em situação de extrema pobreza em Cuiabá (fila dos ossinhos).

É muito contraditório, um Estado produtor e exportador de alimento para mundo marginalizando tantas famílias no próprio Estado.  Em relação às famílias irregulares, disse o Papa Francisco: “Devemos ser uma Igreja mais acolhedora e menos julgadora! A Pergunta é: o que Jesus faria se estivesse em nosso lugar, diante destas novas situações em que se encontram as famílias?  Ainda que nenhuma família seja perfeita, precisamos nos orgulhar da família que temos, dizendo: “Amo minha família, pois, embora não sendo perfeita é o bem maior e mais precioso da minha vida”!

E que Deus abençoe as famílias! Parabéns a todos os Pais, colaboradores de Deus na obra da transmissão da vida!

Deusdédit de Almeida é padre da Catedral de Cuiabá

 

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