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Alvo de racismo, Koulibaly escreve no Players Tribune: “Somos todos irmãos”

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koulibaly
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Koulibaly fez relato emocionante no Players Tribune

Kalidou Koulibaly, zagueiro do Napoli, virou notícia em 2018 por diversos casos de racismo no futebol italiano. Mas não é por esses episódios que ele quer ser lembrado. Em carta divulgada pelo site The Players Tribune, o francês de 28 anos abriu o coração sobre diversos assuntos e contou sua história.

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Koulibaly nasceu no dia 20 de junho de 1991, na cidade de Saint-Dié, na França. Filho de imigrantes senegaleses, o pequeno Kalidou se apaixonou pelo futebol quando ainda era criança e, em seu relato, conta um episódio engraçado que viveu na primeira visita ao Senegal, aos seis anos de idade.

“Foi um choque para mim ver como as pessoas viviam em outras partes do mundo. Todas as crianças estavam correndo e jogando futebol sem sapatos, e eu fiquei muito chateado com isso. Implorei para minha mãe ir até uma loja e comprar sapatos para todos, mas então ela disse ‘Kalidou, tire seus sapatos. Vá brincar como eles’. E eu fui”, comentou.

Koulibaly se profissionalizou no clube da cidade e se transferiu para o Metz em 2010. Lá, chamou atenção do Genk, da Bélgica, onde ficou de 2012 a 2014 e foi então que chamou atenção de Rafa Benítez, recém-contratado pelo Napoli .

“Quando eu estava na Bélgica, meu amigo Ahmed estava indo para minha casa me visitar. Fui esperá-lo na estação de trem e um número estranho me ligou. Eu atendi: ‘Olá, quem é?’ e a voz respondeu: ‘Olá, é o Rafa Benítez’. Achei que fosse brincadeira do Ahmed e desliguei o telefone”, relembra Kouli.

Porém, era realidade. Rafa Benítez ligou para ele pedindo que se transferisse para o Napoli. Depois de alguns ‘desencontros’, Koulibaly fechou negócio e se mudou para a Itália. Lá ele disse que aprendeu muito com o treinador espanhol e passou por uma situação complicada com Maurizio Sarri no nascimento de seu filho.

“Estava na clínica pela manhã, nós [Napoli] íamos jogar contra o Sassuolo à noite. Minha esposa me ligou cinco ou seis vezes. Eu saí da sala, atendi e ela me disse ‘Você tem que vir agora. Nosso filho está chegando’. Eu falei para Sarri ‘Senhor, sinto muito, mas tenho que ir agora! Meu filho está chegando’”, lembra.

Sarri não gostou muito da ideia, mas liberou Koulibaly se ele retornasse ao clube a noite porque a equipe precisava dele. O zagueiro viu o filho Seni nascer e retornou ao clube. Porém, quando chegou as coisas foram diferentes.

“Estava me trocando e o Sarri entrou no vestiário com a folha da equipe. Eu olhei… olhei … olhei e meu número não estava lá. ‘Senhor, você está brincado comigo? Meu filho, minha esposa, eu os deixei. Você disse que precisava de mim’ e ele respondeu ‘Sim, precisamos de você no banco’”, comentou Koulibaly. O atleta disse que não sente raiva de Sarri pelo episódio e lembra com alegria do ocorrido.

“Somos todos irmãos”

torcida do napoli
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Torcedores do Napoli apoiam Koulibaly após caso de racismo

Em toda a publicação da The Players Tribune , Koulibaly não falou muito sobre os casos de racismo porque acredita que eles não o definem, mas chegou a comentar que no início a descriminação o incomodou.

“Lembro-me de pensar comigo: Porque eles fazem isso? Porque eu sou preto? Não é normal ser negro neste mundo? Você está apenas jogando o jogo que ama, como você já fez mil vezes antes. Você se sente magoado. Você se sente insultado. Honestamente, chega a um ponto em que você se sente praticamente envergonhado de si mesmo”, disse.

Apesar dos cânticos racistas , Koulibaly sempre se manteve firme e ganhou apoio de torcedores, amigos e até de um juiz. “O árbitro, Sr. Irrati, parou o jogo. Ele veio correndo até mim e disse: ‘Kalidou, estou com você, não se preocupe. Vamos parar esses cantos. Se você não quiser terminar o jogo, me avise’”, relembra ele. Na ocasião, em jogo contra a Lazio ele permaneceu em campo.

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Para encerrar, Koulibaly disse que sonha em punições severas na Itália como na Inglaterra e finalizou. “Talvez nós sejamos diferentes, sim. Mas somos todos irmãos”.

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Debate aborda desafios do futebol feminino nacional pós-pandemia

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O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, confirmou no início dessa semana o retorno da Série A1 do Brasileiro Feminino para o dia 26 de agosto. Sem jogos desde o dia 15 de março, muitas das 16 equipes que fazem parte da competição tiveram mudanças significativas nos planteis, e várias ainda nem tem previsão do reinício dos treinamentos. Ou seja, a tendência é que a volta dos jogos seja marcada por muitas dificuldades na principal competição do futebol feminino do país. Esse cenário de incertezas será o tema do encontro “O futuro do Futebol Feminino Pós-Pandemia”, promovido pelo Museu do Futebol de São Paulo no próximo sábado (11). A iniciativa vai ser transmitida a partir das 20h pelos perfis das redes sociais do Museu.

Nomes de destaque da modalidade estarão presentes ao bate-papo. Uma delas é a Aline Pellegrino, diretora de futebol feminino da Federação Paulista de Futebol. “Momento importante e relevante para as pessoas entenderem um pouco mais aquilo que vamos enfrentar nos próximos meses. Teremos cenários nos quais algumas equipes enfrentarão dificuldades maiores, e outros cenários com times passando por problemas um pouco menores. Mas, sem dúvida, vai ser uma realidade que exigirá muita atenção de todos”, disse à Agência Brasil a ex-jogadora da seleção brasileira.

Também farão parte do debate Emily Lima (ex-técnica da seleção brasileira e atual comandante da seleção equatoriana), Duda Luizelli (coordenadora técnica de futebol feminino do Internacional), Solange Bastos (ex-jogadora da seleção brasileira e atual auxiliar técnica do Bahia) e Amanda Storck (gerente de futebol feminino do Fluminense). A mediação será da jornalista Elaine Trevisan.

Na sequência, às 21h30, dentro do programa Cinema na Rede, está prevista a exibição de dois curtas-metragens dirigidos por Cristiano Fukuyama, Luiz Nascimento e Edson de Lima.

Edição: Fábio Lisboa

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Nova realidade financeira tira Valinhos da elite da Superliga feminina

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O Valinhos, equipe do interior de São Paulo, informou à Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) que não terá condições de continuar na elite da Superliga feminina para a temporada 2020/2021. O time, mesmo tendo sido rebaixado dentro de quadra, com apenas quatro vitórias em 22 jogos, havia sido convidado pela CBV para seguir na Série A após o Itajaí, que tinha conseguido o acesso na quadra, confirmar que não vai participar da primeira divisão.

O prazo para essas confirmações encerrou-se no dia três de julho. A alegação do time paulista é de que ele não conseguiu apresentar as garantias financeiras necessárias para conseguir fazer um bom campeonato. “Por dificuldades herdadas de anos anteriores, quitação de algumas situações e pela dificuldade em conseguir novos patrocínios em tempo hábil por caso da pandemia do covid-19 e para não fugirmos da nossa missão de manter o vôlei vivo na cidade, preferimos colocar os pés no chão e trabalhar com o que já conseguimos para fazer um bom campeonato na Superliga B e voltar com mais força no próximo ano”, comentou à Agência Brasil o diretor adjunto de modalidades, Rafael Enderle.

Edição: Fábio Lisboa

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