conecte-se conosco


Opinião

ALFREDO DA MOTA MENEZES – Estranho momento

Publicado

O filho do presidente, Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio e que coordena o escritório de campanha do pai para a reeleição, disse que é “impossível conter reação de apoiadores a resultado de eleições”.

Quase no mesmo dia, em encontro com empresários no Rio, Braga Neto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro, disse que “sem auditoria de votos não tem eleição”. E tem ainda autoridade incentivando o armamento da população civil.

São frases e posicionamentos de pessoas íntimas do poder que sinaliza para algo antidemocrático, inclusive com manifestações e atos violentos, se Bolsonaro perder a eleição.

Não se fala nada contra as urnas e a Justiça Eleitoral se, ao contrario, Bolsonaro ganhar a eleição. Aí, deduz-se, a urna estaria correta e a Justiça Eleitoral também.

Bolsonaro ganhou cinco eleições para deputado federal e uma para presidente com essas urnas, seus filhos também ganharam eleições com elas. Agora não seriam mais confiáveis.

Baseado em que Bolsonaro diz que ganhou a eleição do Fernando Haddad no primeiro turno? Baseado em que também o presidente diz que Aécio Neves ganhou a eleição de Dilma Rousseff? Tem alguma prova? Até ontem isso não ocorreu.

Essa coisa da direita política reclamar de fraude em eleição não é só aqui. Nos EUA, Donald Trump, mentor da direita nacional, disse que ganhou a eleição de Joe Biden. Que foi roubado. Ele também disse frase a assessores que repercutiu, “digam que a eleição foi fraudada e deixe o resto comigo”.

Não apresentou nenhum prova, foi desmentido pela Justiça dos EUA.

Tem uma investigação no Congresso norte americano sobre esse assunto. Mostram como Trump incitou a invasão do Capitólio. Mostram detalhes incríveis de como ele não queria deixar o governo dizendo que fora eleição fraudada.

É praticamente impossível fraudar a eleição nos EUA. Quem elege o presidente é  colégio eleitoral de 538 delegados.  Estados com mais população e eleitores, como a Califórnia, tem mais votos nesse colégio eleitoral, outros estados, de acordo com seu eleitorado, tem votos variáveis no colégio.

O candidato a presidente que ganhar no voto popular num estado leva todos os votos eleitorais dali. Quem tiver, no final, mais votos do colégio eleitoral, ganhou a eleição. Pode até ter mais votos na votação geral nacional, mas pode perder no colégio eleitoral. Al Gore perdeu para George Bush assim. Como fraudar aquele sistema? Teria que ter fraudes em muitos estados de forma combinada, coisa impossível.

Mas a direita política de lá criou essa desconfiança. Mostram pesquisas que a maioria dos membros do partido Republicano de Trump acredita que houve fraude eleitoral nos EUA. E não apresentam nenhuma prova. Aqui a direita política caminha na mesma trilha. Falam, antecipadamente, que a eleição será fraudada se Bolsonaro perder. A democracia, lá em cá, está na berlinda.

A direita política no Brasil não vai querer aceitar o resultado da eleição se Bolsonaro perder. Vem confusão por aí. Vejam as falas e posicionamentos de expoentes da campanha do presidente. Mas a democracia e o bom senso prevalecerão.

Alfredo da Mota Menezes é analista político

 

publicidade
Clique para comentar

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Opinião

GAUDÊNCIO TORQUATO – Cinco cenários

Publicado

O cotidiano da política é uma gangorra. A tensão sobe e desce. As expectativas fluem ao sabor dos momentos. As dúvidas ganham volume, puxadas pelos protagonistas. Em ano eleitoral, a dois meses das eleições, e tendo em vista que a contenda usará armas nunca d’antes vistas, não é de surpreender que a guerra seja a mais violenta da atualidade.

Trata-se de um pleito que fará o Brasil caminhar, amanhã, pelos caminhos da esquerda ou da direita. A contar com o maior cofre eleitoral de todos os tempos. E a abarcar o maior número de eleitores, cerca de 156 milhões. Na paisagem de fundo, mais de 30 milhões de pessoas sem acesso à mesa do pão, habitantes do território da extrema carência. Mostrando, ainda, classes médias divididas entre dois candidatos e uma parcela, que tende a crescer, ansiosa para achar a saída da dualidade, um perfil identificado com inovação.

Essa moldura pode se alterar nas próximas semanas, a depender da barreira a ser transposta pelos corredores. O obstáculo deverá aparecer no dia em que o país comemorará os 200 anos da independência, 7 de setembro próximo. A muralha a ser ultrapassada tem sido reforçada com a argamassa produzida nos fornos do presidente Bolsonaro, cujos componentes incluem uma parada militar na avenida Atlântica (Copacabana), no Rio de Janeiro, o convite para as massas comparecerem ao evento, ataques reiterados a membros do Poder Judiciário e às urnas eletrônicas e a indignação contra manifestos em favor da democracia.

O que aguarda o país, após 7 de setembro? Paz ou guerra? Que o leitor tire suas conclusões, após tentar extrair os efeitos dos seguintes cenários:

  1. Mar bravio – O desfile de 7 de setembro – militares de diversas categorias e postos, tanques esmagando o asfalto, continência dirigida ao comandante-em-chefe das Forças Armadas, ele mesmo, o presidente da República – tem o condão de mostrar que o capitão Jair é poderoso e tem forças para anunciar medidas de caráter extraordinário. Medidas que disfarcem a imagem de um golpe, fenômeno que desviará o país de sua rota, mas possível de ocorrer, principalmente se a mobilização de rua implicar devastação, quebra-quebra, desordem, conflitos. Hipótese que será viável/inviável, a depender do comportamento das Forças Armadas,
  2. Céu de brigadeiro – O evento de 7 de setembro ocorrerá com tranquilidade, sem açodamento, brigas entre alas, soldados cumprindo sua tarefa de desfilar, votos de paz e harmonia social, expressos pela sociedade civil. O presidente se manteria de boca fechada, sem jogar lenha na fogueira e até jogando água em algum fogo persistente. Desse modo, o céu de brigadeiro seria visto até outubro, mês do primeiro e do segundo turnos.
  3. Horizonte turvo – Nuvens plúmbeas, pesadas, prenunciando raios, trovão e chuva intensa, emergirão em todos os quadrantes, e seus primeiros sinais apareceriam no dia 7 de setembro, com escaramuças desfechadas por alas bolsonaristas e grupos lulopetistas. O prenúncio de guerra, a se travar nas ruas após a comemoração cívica, criaria as condições para o presidente continuar seu discurso belicoso. E preparar o espírito de suas bases para a alteração das regras no tabuleiro democrático, caso o vencedor do pleito seja o candidato das esquerdas. As instituições da República reagirão e a gangorra de tensões voltará à paisagem.
  4. Luz no fim do túnel – A policromia do arco-íris será manchada com borrões e pichações, nos próximos dias, que enfeiarão o desfile de 7 de setembro, abrindo buracos na sociedade, contribuindo para os polos do extremo ideológico acirrarem suas divergências. A polarização chega ao pico da montanha. Mas acende uma luz no fim do túnel. Toma corpo a taxa de racionalidade. E tal impulso viabiliza um terceiro nome, um perfil com um discurso de harmonia e reinserção do país na roda do desenvolvimento. Pode ser utopia. Mas…
  5. Visita do Imponderável – Uma visita do Senhor da Imprevisibilidade também é possível. Para evitar o mau agouro, este analista deixa de lado as hipóteses desse cenário.

Seja qual for o cenário, urge crer no Brasil, com seu território continental, riquezas naturais, belezas incomparáveis, pedaço importante do planeta. E que, um dia, realizará o sonho de uma grande Pátria: a revolução da Educação.

Gaudêncio Torquato é jornalista, escritor, professor titular da USP e consultor político [email protected]

 

Continue lendo

Opinião

WILSON FUÁH – Tenha cuidado com os extremistas

Publicado

O pior estágio da existência humana é nunca ter tomado um lado ou mesmo não ter realizado tudo aquilo que poderia ter feito por fugir de posicionamentos, e às vezes para evitar confrontos desnecessários preferimos   ficar em cima da linha das indecisões e por isso, podemos até ser  julgados pelos pares contemporâneo como não confiável, simplesmente porque entendeu que o debate pode ser qualificado como inútil, pois não devemos ser o objeto do tema, mas sim, ser o agente que pode fomentar um grande debate.

Neste momento da proximidade de mais uma eleição, os nervos estão à flor da pele, pois existem os dois extremos buscando defender o lado que ele pensa ser o melhor para o Brasil, e ao participar de uma reunião social,  logo alguém  de um dos dois lados, logo pergunta em quem você vai votar, e independente do lado que você posicionar, começa a discussão e a coisa pode piorar, porque logo alguém pode utilizar a linguagem em forma de ódio e destruição histórica de ambos os lados, e não levará a nada.

Mas, a politica está muito diferente, muito cheia de confronto desnecessário, e as pessoas estão brigando entre irmãos, entre amigos, e amizades de uma vida inteira estão sendo encerradas; relacionamentos estão sendo bloqueados, tem famílias que já não podem reunir, e será que isso, vai acabar após as eleições e será que a paz ira retornar a normalidade dos encontros dos amigos e parentes como era antes, será?

Os conflitos pessoais produzidos pelas perdas ou fracassos no posicionamento de uma tese, logo vem o começo dos confrontos na tentativa de desmerecer o outro lado, e  com a elevação da voz, gera conflitos em forma de desrespeitos, e logo fomenta os posicionamentos descontrolados, mas isso, não atinge as pessoas que têm a estrutura emocional baseada na inteligência e perceptibilidade, pois estas,  sabem a hora certa de encerrar qualquer confronto desnecessários, e tem a humildade, se for o caso, pedir desculpas por não ser do lado que outros querem que você seja.
Temos que externar os nossos pensamentos sempre, mesmo sabendo haverá discordância, porém será a nossa visão até então, que ao expor e dialogar com os outros sobre novos conceitos, serão desdobrados em infinitas antíteses, pois pior que possa ser a nossa tese, com certeza as nossas verdades poderão um dia serem aceitas, contestadas, seguidas ou reconstruídas, por que, nas alturas as vezes tudo pode ser visto em forma de miniaturas, por isso, não devemos obrigar a ninguém a decidir por coisa nenhuma ou ser do lado que queremos que ela seja.

Temos que nos posicionar de acordo com os nossos conhecimentos e/ou “nossas verdades” sobre algo ou naquilo que acreditamos ser realmente. Não devemos ter dificuldade em enxergar algo além das nossas próprias necessidades, fugindo da alienação social ou do prazer imediato, mesmo sabendo que será impossível evitar a geração de conflitos em forma de agressividades, esses estágios é que nos levam a utilizar do nosso equilíbrio e  colocar-nos no lugar dos outros, usando sempre a inteligência analítica e assim, estar a altura para defender fortemente ou abandonar qualquer confrontos “desinteligente” ou tolos, porque já temos as nossas convicções estudadas, pesquisadas e formadas.

Economista Wilson Carlos Fuáh – É Especialista em Recursos Humanos e Relações Sociais e Políticas. Fale com o Autor: [email protected]     

 

Continue lendo

Política MT

Policial

Mato Grosso

Esportes

Entretenimento

Mais Lidas da Semana