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Opinião

ALBERTO SCALOPPE – A triste retrospectiva ambiental de 2020

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O ano de 2020 ficará marcado pelo esvaziamento dos compromissos do Brasil para a preservação e conservação do que é o fundamental para a vida humana no mundo. O meio ambiente que conhecemos e que sustenta a nossa existência.

O presidente da República esvaziou o Conselho da Amazônia retirando-o do Ministério do Meio Ambiente, afastando as representações da sociedade que garantiam a participação democrática. Também enfraqueceu as articulações interministeriais do Ibama e Funai com representantes da sociedade civil, entre eles povos indígenas, quilombolas, pescadores e comunidades tradicionais, que estão inseridos na realidade da região. Além disso, desdenhou dos incentivos internacionais para o Fundo Amazônia para a preservação e combate ao desmatamento e militarizou o conselho que, em seguida, nada ou pouco fez para combater as queimadas criminosas que avançaram sobre a Amazônia legal.

A política de desmatamento do governo federal, capitaneada pelo presidente Bolsonaro, praticada pela subserviência do Ministério do Meio Ambiente, utilizando-se oportunisticamente da pandemia para “passar a boiada”, desconstruir o ordenamento jurídico ambiental, legitimar o avanço do desmatamento com posturas de ausências e outras de natureza simbólica.

As agressões ambientais trouxeram insegurança às relações internacionais, prejudicando compromissos com o Mercosul e com a União Europeia. Dessa forma, colocou em risco a entrada de investimentos, inclusive em momento de crise econômica. Não são poucos os pronunciamentos de governos, certificadores e compradores.

Neste cenário, o Pantanal, a maior planície alagada do mundo, sofreu a perda de 40% do bioma com as queimadas (ICV/INPE), colapsando o equilíbrio da biodiversidade e das populações tradicionais, muito ocasionado pelas posturas governamentais de proteção e atraso na resposta. A incursão do titular do Ministério do Meio Ambiente na destruição do arcabouço de normas ambientais reflete o alinhamento do governo aos interesses de poucos, daqueles que concentram o poder econômico, que objetivam essencial e friamente o lucro e não o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e conservação do meio ambiente.

No entanto, a política de poucos para poucos não prosperará e cada vez mais a sociedade cobrará equilíbrio sócio econômico ambiental do setor privado. E esperamos que este siga as suas lideranças mais conscientes. A Confederação Nacional das Indústrias encomendou uma pesquisa na qual 77% das pessoas entrevistadas manifestaram a preocupação com a necessidade de aumentar as áreas de conservação. E para 93% dos entrevistados, preservar a Amazônia é essencial à economia.

Em sintonia com os interesses difusos e coletivos, o judiciário vem pouco a pouco admitindo e assegurando os pleitos de proteção ao meio ambiente. A gestão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) iniciada em 2020, definiu como prioridade para os próximos dois anos a proteção aos direitos humanos e ao meio ambiente.

Verificando que o Poder Judiciário recebeu mais de 24 mil casos de danos ambientais, 16 mil crimes contra a flora, mais de 11 mil ações civis públicas em relação a 8 mil crimes ambientais, o CNJ instituiu o Observatório do Meio Ambiente para alinhar o debate jurídico ambiental e fortalecer a garantia aos direitos difusos e coletivos.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso possui um dos maiores contingentes de ações ambientais, com mais de 13 mil processos, atrás apenas do Tribunal de Justiça do Pará. Os dados apresentados pelo CNJ identificam o aumento crescente de demandas ambientais após a edição do Código Florestal e, exponencialmente, nos últimos 4 anos, com média de 2 mil ações anuais por danos ambientais.

Estar na vanguarda do desenvolvimento é ser sustentável. É preciso estar em conformidade com as normas ambientais e gerar crescimento econômico respeitando a resiliência da natureza.

Depois de tantas ações negativas em 2020, esperamos que a proteção ambiental seja a tônica para este novo ano, desafiando a sociedade a pensar mais no coletivo, nos bens imateriais, na responsabilidade socioambiental e nas perspectivas sustentáveis de vida.

*Alberto Scaloppe é advogado

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Opinião

ELUISE DORILEO – O poder da Energia Feminina

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Estamos no mês da mulher. A mãe,  filha, esposa, profissional. Um acúmulo de funções que exige muita energia e muitas vezes ela é sugada por ser ligada ao lado emocional.

A energia feminina está ligada a sensibilidade, imaginação, sabedoria, intuição, influindo até mesmo em nossa energia criadora.

Quando há um desequilíbrio dessa energia feminina. O que resulta em comportamentos raivosos e temperamentais.

É nessa situação que a constelação familiar criada pelo falecido filósofo Bert Hellinger consegue ver de onde vem o desequilíbrio. Se está relacionada a algum trauma que traz a repetição de conflitos vividos por nossos antepassados, e quando constelado, quebra o ciclo de reverberação assim não atinge nossos descendentes.

O desequilíbrio pode ser notado na forma de como tratamos nossas mães que são as portadoras da energia criadora que nos traz ao mundo. Esse tratamento mostra como tratamos nossas vidas.

Afinal é a energia da mãe a nossa primeira ligação com o mundo. Essa relação começa antes mesmo de nascermos, enquanto ainda estamos no ventre materno. Por isso, se essa experiência não for prazerosa, ligadas por fortes laços de amor vai resultar em problemas emocionais que se não bem trabalhados influenciam nossas conexões futuras com amigos, parceiros e família.

Uma relação conturbada com a mãe pode nos transformar em autossabotadores.

Esse desequilíbrio é revelado na busca dar resposta as questões tão comuns ao sentimento e às emoções femininas como:

Dificuldades em viver relacionamentos afetivos saudáveis,

Repetição dos padrões masculinos,

Sentimento de raiva não assumida em relação à própria mãe,

Dilema entre profissão e maternidade,

Dificuldades em assumir a liderança através da autoconfiança,

Experiência de assédios ou abortos,

Raiva e ódio inconsciente em relação ao sexo masculino que trazem problemas de relacionamento.

Mas quando esse emaranhado é desfeito, a energia feminina se reequilibra e é vida que segue. A mulher se torna plena só por ser mulher e tudo flui.

Bora para a vida!

Eluise Dorileo é psicóloga, terapeuta familiar e maestria nas novas constelações quânticas.

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Opinião

EMANUEL FILARTIGA – O rio não deixa paz ao canoeiro

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Quem me lê sabe que a natureza é ato inaugural de um viver. Fulgura instante em que a pessoa deixa de sobreviver relesmente, ultrapassa as falas quotidianas e se desvencilha do “círculo-de-gis-de-prender-peru”.

Nas andanças de afazer fomos vistoriar trecho do Rio Jauru, este está sofrendo de PCHs (mal comum na região), pequenas hidrelétricas, muitas, que travam seu curso. O Jauru não é mais um rio considerado “íntegro” e “saudável”. São poucos os rios de curso livre no mundo … pessoas também.

Aprendi com Hermann Hesse que “são muito raros os homens que sabem escutar e ainda não encontrei nenhum que dominasse essa arte com tamanha perfeição. Também nesse ponto serei teu aprendiz [diz Sidarta]. – Hás de aprender isso – replicou Vasudeva –, porém, não de mim. Quem me ensinou a escutar foi o rio e ele será o teu mestre também. O rio sabe tudo e tudo podemos aprender dele. Olha, há mais uma coisa que a água já te mostrou: que é bom descer, abaixar-se, procurar as profundezas.”

Rio abaixo, rio acima, nenhuma das hidrelétricas e usinas que passamos possuía sistema para transposição de peixes, o que até permitiria a migração desses animais aquáticos.

O guia e barqueiro, Sr. Nilson, disse algo inusitado: “os peixes estão se suicidando!” Ele mesmo explicou: “os peixes encontram as barragens, saltam por cima e caem nas pedras!”

Os Avá-Canoeiro, povo indígena brasileiro, preferem a morte a se render ao inimigo e ganharam fama como o povo que mais resistiu ao colonizador no Brasil Central. Eles preferiam as águas, o rio, os peixes, preferiam remar…

Não sou especialista em rios, nem em peixes (na verdade não é querido a mim ser especialista em qualquer coisa), mas tenho com eles desde muito novo. Já atravessei a nado os rios Aquidauana, o Coxim, o Araguaia, o Xingu; já toquei as águas de muitos rios, e sei bem que “a gente quer passar um rio a nado, e passa; mas vai dar na outra banda é num ponto muito mais embaixo, bem diverso do em que primeiro se pensou.”

Os peixes, mencionados pelo Sr. Nilson, foram mestres dos Avá- Canoeiros: eles não pulam querendo a morte, saltam querendo a vida! E ganharão fama por este salto como bichos que mais resistiram ao colonizador. Colonizador que aporta as margens, não incorpora as vivências do rio e do peixe, não percebe a travessia… nem sabe que o rio e o peixe ensinam a percorrer, está entretido nas ideias de saída e chegada, de dinheiro e poder.

Amigo leitor, mire e veja, “o rio não quer ir a nenhuma parte, ele quer é chegar a ser mais grosso, mais fundo.”

Emanuel Filartiga Escalante Ribeiro é promotor de Justiça em Mato Grosso

 

 

 

 

 

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