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Acidente no carnaval: o que se sabe sobre morte de menina no Rio

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Raquel Antunes da Silva, de 11 anos, morreu após ser imprensada por carro alegórico
Reprodução/Twitter – 22.04.2022

Raquel Antunes da Silva, de 11 anos, morreu após ser imprensada por carro alegórico

O acidente com um carro alegórico da escola Em Cima da Hora, na noite da última quarta-feira, causou a morte da estudante Raquel Antunes Silva, de 11 anos . A menina, que sofreu luxações e fraturas expostas, chegou a ser operada durante oito horas no Hospital Municipal Souza Aguiar, precisando amputar a perna direita, mas acabou não resistindo aos ferimentos e morreu no início da tarde da última sexta-feira. Ao saber da notícia, a mãe de Raquel, Marcela Portelinha Antunes, passou mal e teve de ser socorrida.

O acidente ocorreu por volta das 22h50, no momento da dispersão do carro alegórico da escola “Em Cima da Hora”, na Rua Frei Caneca, no Estácio, próximo ao número 350, já fora do Sambódromo. Os desfiles da Série Ouro, antigo Grupo de Acesso, foram interrompidos.

Segundo uma amiga da mãe da menina, Daiane da Costa, de 25 anos, Raquel tinha sentado no carro, que estava parado, para tirar uma foto, quando ficou imprensada entre a alegoria e um poste.

“A gente estava na pracinha. Compramos lanches, e ela ficou brincando com uns coleguinhas. As crianças foram andando no sentido do carro alegórico, e ela sentou para tirar uma foto. Não viram que ela estava sentada e empurraram o carro de frente pra trás, o que imprensou a perna dela no poste. Raquel ficou presa, e, quando puxaram a alegoria, ela caiu” conta Daiane.

A amiga da família acompanhou Raquel na ambulância até o Hospital Souza Aguiar, no Centro do Rio. Ela disse que a menina teve fratura exposta e que a mãe dela, Marcela Portelinha, desmaiou diversas vezes desde o acidente e está traumatizada. Outra amiga, Aline da Mota, relatou ao G1 que a mãe soube do acidente pelo irmão.

“Ela foi pra outra praça, do outro lado. Quando a mãe olhou, ela não estava. Logo após, foi coisa de 5 minutos, já veio o irmão avisando que ela foi atropelada. O carro alegórico espremeu ela no poste. Ela estava bem encostada pra ver os carros passarem” contou.

No momento do acidente, a família estava em uma lanchonete perto da Marquês de Sapucaí. Muitas crianças estavam no local do acidente, o que atrapalhou o guincho do carro alegórico. Uma funcionária da Liga-RJ teve que pedir para elas se afastarem para que outro acidente não acontecesse.

Em cima do carro ficaram os dois chinelos arrebentados que seriam da menina. Além disso, a alegoria ficou destruída. Elementos foram quebrados e parte do forro foi arrancada. Parentes e amigos da criança estiveram no Hospital municipal Souza Aguiar ao longo da madrugada e no início da manhã. A mãe de Raquel passou mal ao ser informada sobre o estado de saúde da filha.

Investigações

A delegada Maria Aparecida Salgado Mallet, titular da 6ª DP (Cidade Nova), determinou a apreensão do carro alegórico que imprensou Raquel. O “Embarque no famoso 33”, da “Em cima da hora”, foi levado para um barracão, também na Região Portuária do Rio, e está à disposição de novas perícias complementares de profissionais do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), que o analisaram, o fotografaram e trabalham para determinar as causas do acidente. Devem ser ouvidos na delegacia o presidente administrativo da escola de samba e um auxiliar do motorista do reboque que puxava a alegoria.

Em depoimento prestado na delegacia, o motorista José Crispim Silva Neto, coordenador de dispersão da Liga-RJ, contou que, antes de Raquel ter sido imprensada contra um poste, ouviu pessoas gritando “para o reboque, tem uma menina em cima do queijo” e “tem criança em cima do carro”. Ele relatou ainda que a menina foi a única das cinco crianças que não conseguiu descer a tempo de o carro alegórico da “Em Cima da Hora” colidir, e chegou a vê-la caída no chão com fraturas expostas nas pernas.

José Crispim Silva Neto contou que, por volta de 22h50, estava caminhando pela Frei Caneca, ao lado esquerdo do reboque, que estava puxando o carro alegórico. Ao ouvir os gritos, ele afirmou que a alegoria estava devagar e logo parou. As outras quatro crianças que estavam no veículo logo, mas Raquel não teria conseguido, sendo imprensada contra o poste.

O motorista diz ter corrido para o lado direito do carro e depois ido chamar ajuda para a menina. Nesse momento, um coronel do Corpo de Bombeiros encaminha a menina para um dos postos médicos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) no Sambódromo e, de lá, ela foi enviada ao Hospital Municipal Souza Aguiar, também no Centro do Rio.

O motorista disse ainda que é comum que diversas crianças esperem a passagem de carros alegóricos para subir e tirar fotos. Ele ressaltou que não é sua função guiar o reboque, e estava no local tão somente para acompanhá-lo.

Alerta do MP

Desde 2019 que a Promotoria da Tutela Coletiva da Infância e da Juventude, por meio de recomendações, chama a atenção dos organizadores do carnaval e órgãos públicos para o perigo dos carros na área da dispersão.

Na Recomendação 01/2019, assinada pela promotora titular da infância, Rosana Cipriano, oito órgãos são orientados a zelar pela proteção às crianças e aos adolescentes durante o megaevento do carnaval. Entre os 13 itens listados, está o de “providenciar segurança aos carros alegóricos para evitar que crianças e adolescentes se coloquem em riscos, especialmente, nos momentos de concentração e dispersão das escolas de samba”.

Segundo a promotora Rosana Cipriano, embora o documento seja de 2019, ele continua sendo válido. Além disso, todos os anos, o MPRJ envia ofícios, por e-mail, aos ógãos responsáveis pelo megaevento, relembrando-os sobre suas responsabilidades. São eles: Liesa, Liga-RJ, Riotur, Secretaria Municipal de Assistência Social, Guarda Municipal, Polícia Militar e outros.

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“Não é porque há novas edições dessas recomendações que são revogadas. Pelo contrário, elas se complementam. Damos ciência a todos sobre suas responsabilidades, fazendo um papel preventivo estratégico. Isso faz parte do nosso cuidado com o público infanto-juvenil. Cobramos resposta de tudo. O que aconteceu com a Raquel nos deixou consternados” lamentou a promotora, em entrevista ao GLOBO.

Órgãos se manifestam

Em nota, a Prefeitura do Rio informou que “lamenta o acidente ocorrido com a menina Raquel Antunes, de 11 anos, e se solidariza com a sua família” e que “a Secretaria Municipal de Ordem Pública vai acompanhar as investigações da Polícia Civil sobre as causas e os responsáveis por esse acidente”. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, lamentou a morte da criança em seu perfil no Twitter.

“A morte da pequena Raquel nos deixa um grande sentimento de tristeza. Vamos acompanhar de perto a investigação policial que apura as responsabilidades e estamos, através de nossa secretaria de Assistência, dando apoio aos familiares. Minha solidariedade neste momento de dor”, disse Paes.

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, no mês passado, o órgão enviou uma recomendação para os organizadores do desfile que menciona a necessidade de segurança no momento da dispersão dos carros alegóricos.

Organização do carnaval

A escola ainda não se posicionou oficialmente. Segundo a sua assessoria, “a agremiação está esclarecendo alguns pontos junto à Liga e às autoridades”. A escola classificou o acidente como “fatalidade” e disse estar “muito consternada e se solidariza com a família”.

Wallace Palhares, presidente da Liga-RJ, entidade responsável por organizar os desfiles da Série Ouro, afirmou, na noite da última quinta-feira, antes da morte de Raquel, que o órgão “não tem que dar suporte” para a família de Raquel.

“A Liga não tem que dar suporte à família porque ali é uma área fora do Sambódromo. O que acontece ali é cultural e precisa de polícia. O que ocorreu foi uma fatalidade, o que tem de ter é segurança. O carro já estava sendo rebocado quando tudo aconteceu” disse Palhares, que acrescentou: “Ali, eles entram para roubar tudo. Fui presidente da Acadêmicos do Sossego, e a gente tinha de catar tudo para não roubarem. Ontem (quarta-feira), a Cubango perdeu toda a iluminação. É um prejuízo de R$ 20 mil.”

Após a publicação, o presidente da Liga-RJ voltou atrás sobre a declaração. Palhares afirmou então que “o acidente foi uma fatalidade” e que ‘a entidade está prestando todo o apoio para a família da criança, mesmo o acidente tendo acontecido em um espaço externo da Sapucaí”.

Quando foi confirmada a notícia sobre a morte de Raquel, a Liga-RJ divulgou a seguinte nota:

“A Liga-RJ lamenta profundamente a morte de Raquel Antunes, de 11 anos, vítima de um acidente na saída da alegoria da Em Cima da Hora, na Rua Frei Caneca, na última quarta-feira e se solidariza com familiares e amigos da jovem. O acidente aconteceu do lado de fora do Sambódromo. Na ocasião, Raquel foi prontamente socorrida e levada ao Hospital Sousa Aguiar, onde foi submetida a cirurgias. A Liga-RJ segue acompanhando o caso e colaborando com as autoridades.”

Alegorias sem vistoria

De acordo com o Corpo de Bombeiros, nem o “Embarque no famoso 33”, nem os demais carros alegóricos da Série Ouro que desfilaram na primeira noite do carnaval, na Marquês de Sapucaí, foram vistoriados e receberam autorização do órgão para entrar na Avenida.

Por três vezes, houve uma tentativa de notificar a Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Lierj) para informar que nenhuma das escolas do antigo Grupo de Acesso pediram a vistoria para suas alegorias. Por conta disso, nenhum deles teria autorização para desfilar.

Ainda segundo o Corpo de Bombeiros, a última tentativa aconteceu horas antes de os desfiles começarem, na noite de quarta-feira. Antes disso, apenas quatro das oito escolas solicitaram a vistoria. A “Em Cima da Hora”, agremiação de Cavalcanti, na Zona Norte do Rio, não era uma delas. No Grupo Especial, todas as escolas já protocolaram seus documentos, que estão sendo analisados.

O “Embarque no famoso 33” já havia apresentado problemas ainda no desfile. Houve dificuldade de movê-lo na concentração e durante o desfile na Sapucaí durante metade da apresentação. Antes de passar pela Avenida, o carro precisou se movimentar ao menos sete vezes até ser posto dentro do sambódromo.

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Bolsonaro defende remédio sem eficácia comprovada durante discurso

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PF indica que Bolsonaro cometeu crime durante live
Antonio Cruz/Agência Brasil

PF indica que Bolsonaro cometeu crime durante live

No mesmo dia em que a  Polícia Federal (PF) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar o indiciamento do presidente Jair Bolsonaro por divulgação de informações falsas sobre Covid-19, o chefe do Executivo voltou a defender a “liberdade” de médicos para “clinicar sugerindo medicamentos para seus pacientes”, em uma referência ao uso de remédios sem eficácia comprovada. Questionado sobre o pedido da PF, o presidente não respondeu.

A notícia do pedido do PF foi divulgada enquanto o presidente estava em um encontro com prefeitos em um hotel em Brasília.

“Acredito que fizemos muito levando-se em conta o que aconteceu na pandemia no Brasil. Eu lamento e muito uma pressão enorme em cima dos médicos contra a sua liberdade. O médico sempre teve liberdade para clinicar, sugerindo medicamentos para o seu paciente em comum acordo com o mesmo ou com a família para que esse medicamento fosse administrado. Pode ter certeza de uma coisa: notícias já começam a aparecer e brevemente nós saberemos que muitas vidas poderiam ter sido evitadas no Brasil se os médicos tivessem realmente a plenitude, a sua garantia de clinicar”, afirmou Bolsonaro durante o evento.

A PF também solicitou permissão para tomar o depoimento de Bolsonaro sobre o assunto. A investigação apura informações divulgadas por Bolsonaro em uma transmissão ao vivo realizada em junho do ano passado, na qual ele citou uma relação inexistente entre a vacina da Covid-19 e o aumento do risco de desenvolver Aids.

Para a PF, essa associação poderia ser classificada como uma contravenção penal de “provocar alarma a terceiros, anunciando perigo inexistente”. A contravenção é uma infração penal considerada de menor gravidade, punível de forma mais branda pela legislação.

Outro trecho, entretanto, foi considerado mais grave no relatório parcial da PF. Nele, o presidente citou uma informação falsa, de que as vítimas da gripe espanhola morreram em maior parte por causa do uso de máscaras do que pela gripe. A PF diz que o fato se enquadra no delito de “incitação ao crime”, previsto no Código Penal e que prevê pena de detenção de três a seis meses, ou multa. Em seu discurso para prefeitos, Bolsonaro defendeu as ações do governo no combate à pandemia, e destacou a compras de vacinas. O presidente voltou a afirmar que colocou “a liberdade acima de tudo” e citou pedidos no STF para compra de vacinas contra a varíola dos macacos. Neste momento, o titular do Planalto afirmou que aguardava a decisão do “nosso Supremo Tribunal Federal”, uma mudança de tom nas declarações sobre à Suprema Corte, alvo frequente de suas críticas.

“Nós compramos mais de 500 milhões de vacinas no Brasil. Por parte do governo federal não obrigamos a ninguém a tomar a vacina. A liberdade sempre acima de tudo. Não obrigamos que ninguém tivesse o passaporte vacinal para retirar um documento em algum lugar, para matricular em escola, seja o que for. É a liberdade acima de tudo. É igual aqui, começa a falar da varíola do macaco. Já se fala, tem um partido aí de esquerda, que entrou no supremo, entre outros pedidos, para que eu compre vacina para essa questão da varíola dos macacos. Estou aguardando para ver qual é a decisão do nosso Supremo Tribunal Federal.”

Bolsonaro foi nesta terça-feira à cerimônia de posse do ministro Alexandre de Moraes como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo interlocutores do governo, o presidente já estava ciente que receberia duros recados durante a posse.

Em outro momento, o presidente também se referiu a Alexandre de Moraes como “nosso ministro” quando foi questionado sobre decisão do ministro Edson Fachin, que deixou a presidência do TSE ontem, de aumentar o número de militares que participam do grupo de análise do código-fonte das urnas eletrônicas.

“Todo esse assunto está sendo tratado exclusivamente pelas nossas Forças Armadas, pelo ministro da Defesa, com a equipe agora do nosso ministro Alexandre de Moraes”, respondeu o presidente. Integrantes do governo vêm trabalhando nos bastidores para costurar um acordo com o novo presidente do TSE para acolher as sugestões das Forças Armadas para as urnas eletrônicas, cujas segurança é questiona frequentemente pelo presidente sem provas.

Ações do governo

Seguindo a estratégia desenhada por sua equipe de campanha, Bolsonaro ressaltou aos prefeitos algumas ações da sua gestão, entre elas as voltadas para o campo. Na fala, o presidente afirmou que os produtores rurais foram menos fiscalizados pelo ICMBio e o Ibama.

“Da nossa parte o produtor rural passou a não se preocupar tanto com as visitas dessas pessoas do Ibama, ICMBio, que não iam mais com a caneta na mão e o bloco na outra mão. Então o campo foi bastante ajudado nessa área. Como foi ajudado também na questão de armas. A propriedade privada é sagrada, não interessa se é apartamento, uma chácara ou uma fazenda, ela é sagrada, não pode ser invadida”, disse Bolsonaro.

Bolsonaro ainda exaltou as medidas do governo que aumentaram o número de armas de fogo, não apenas na área rural, mas também nas cidades.

“Quando muitas críticas caiam sobre nós que por decretos e portarias facilitamos sem transigir a lei a concessão de posse e porte de arma de fogo a violência caiu no brasil, e caiu de forma bastante violenta, vamos assim dizer. Política que deu certo no campo e na cidade”,  afirmou o presidente.

Aos prefeitos, Bolsonaro disse que nesta quarta-feira com a equipe econômica do governo sobre a previsão no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de zerar os impostos federais na gasolina, diesel, álcool e gás de cozinha. O chefe do Executivo mencionou também a possibilidade de zerar os tributos sobre o querosene para o avião. “Hoje tive uma nova conversa com parte da equipe econômica do Paulo Guedes sobre o PLOA. O nosso orçamento para o ano que vem. Garantimos para o ano que vem continuar com zero imposto federal na gasolina, do diesel, no álcool e no gás de cozinha. Pedi o pessoal agora para ver se pode zerar também os impostos do querosene de aviação.”

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Fonte: IG Nacional

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Covid: PF indica que Bolsonaro cometeu crime ao associar vacina à Aids

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PF vê indícios de crime em fala de Bolsonaro durante live
Isac Nóbrega/PR – 07.06.2022

PF vê indícios de crime em fala de Bolsonaro durante live

A Polícia Federal pediu autorização ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para indiciar o presidente Jair Bolsonaro pela prática de crime ao disseminar notícias falsas sobre a Covid-19.e desestimular o uso de máscaras de proteção. Também solicitou permissão para tomar o depoimento de Bolsonaro sobre o assunto.

A investigação apura informações divulgadas por Bolsonaro em uma transmissão ao vivo realizada em junho do ano passado, na qual ele citou uma relação inexistente entre a vacina da Covid-19 e o aumento do risco de desenvolver Aids.

Para a PF, essa associação poderia ser classificada como uma contravenção penal de “provocar alarme a terceiros, anunciando perigo inexistente”. A contravenção é uma infração penal considerada de menor gravidade, punível de forma mais branda pela legislação.

Outro trecho, entretanto, foi considerado mais grave no relatório parcial da PF. Nele, o presidente citou uma informação falsa, de que as vítimas da gripe espanhola morreram em maior parte por causa do uso de máscaras do que pela gripe. A PF diz que o fato se enquadra no delito de “incitação ao crime”, previsto no Código Penal e que prevê pena de detenção de três a seis meses, ou multa. 

Para a PF, Bolsonaro “disseminou, de forma livre, voluntária e consciente, informações que não correspondiam ao texto original de sua fonte provocando potencialmente alarma de perigo inexistente aos expectadores, além de incentivá-los ao descumprimento de normas de sanitárias estabelecidas pelo próprio governo federal, que seria o uso obrigatório de máscaras pela população brasileira, de acordo com o disposto na Lei n° 13.979, de 6 de fevereiro de 2020”.

“Esse ‘encorajamento’ ao descumprimento de medida sanitária compulsória, encontra-se subsumido à conduta descrita no art. 286 do Código Penal, o qual descreve o tipo penal de incitação ao crime”, diz a PF. 

O relatório parcial apresentado pela PF cita que as informações falsas foram produzidas pelo ajudante-de-ordens do Palácio do Planalto, Mauro Barbosa Cid, e disseminadas de forma consciente pelo presidente da República.

Para a PF, Jair Bolsonaro “de forma direta, voluntaria e consciente disseminou a desinformação de que as vítimas da gripe espanhola, na verdade teriam morrido em decorrência de pneumonia bacteriana, causada pelo uso de máscara, incutindo na mente dos expectadores um verdadeiro desestímulo ao seu uso no combate à COVID-19, quando naquele momento, por determinação legal, seu uso era obrigatório pela população, contrariando as orientações mundiais atinentes ao combate à pandemia da COVID-19 promovidas pela Organização Mundial de Saúde, à utilização de vacinas no enfrentamento da Covid-19.

Essa investigação foi aberta após um pedido da CPI da Covid. A Procuradoria-Geral da República (PGR) entrou com um recurso contra a abertura do inquérito, mas Moraes negou esse recurso. O relatório parcial é assinado pela delegada Lorena Lima Nascimento, da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq).

O posicionamento da PF sobre os crimes atribuídos a Bolsonaro também é diferente das manifestações já adotadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A PGR já apontou, em investigações arquivadas, que não usar máscara não caracterizaria crime. Foi esse um dos entendimentos adotados para arquivar parte das apurações feitas pela CPI.

No relatório, a PF informa a Moraes que o ajudante de ordem “praticamente defendeu a propagação de “falsas notícias”, ao pugnar pela inexistência de crime a ser apurado nos autos sob o argumento de que “… até o momento, não há tipificação de “fake news” no ordenamento jurídico brasileiro”.

Na avaliação dos investigadores, a defesa de Mauro Cid serve como “demonstração do descaso na produção das desinformações que serviram de base para realização da live presidencial do dia 21 de outubro”.

“Ocorre que não se tratou de uma mera opinião, conforme defendido por Mauro Cid, mas sim de uma opinião de um Chefe de Estado, propagada com base em manipulação falsa de publicações existentes nas redes sociais, opinião essa, que por ter a convicção de que atingiria um número expressivo de expectadores, intencionalmente, potencialmente promoveu alarma”, disse a delegada.

Em julho, a PF havia pedido que Moraes determinasse ao YouTube que informasse o número de visualizações da live realizada por Bolsonaro no momento de sua transmissão, bem como até o momento da retirada de seu conteúdo das respectivas plataformas. Por isso, a delegada responsável disse “aguardar o ofício” por parte de Moraes para a continuidade das investigações.

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Fonte: IG Nacional

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