conecte-se conosco


Nacional

Abrigos de crianças tentam reinventar rotina em meio à pandemia

Publicado


source

BBC

menino sentado em balanço de costas
Andre Borges/Ag Brasília

”A gente está se reinventando a cada dia, com festas e atividades, para este período não ser maçante para as crianças’, conta funcionária de abrigo

Havia uma grande expectativa em torno de 13 de junho, o próximo sábado, em um abrigo municipal de 16 crianças e adolescentes na zona leste de São Paulo.

Na data, seria celebrada a festa junina anual da casa, reunindo as crianças com seus padrinhos, voluntários, familiares e pessoas da comunidade.

Leia também

Como é de costume em todos os sábados, seria também a oportunidade de algumas crianças reverem seus pais e outros parentes próximos, de quem estão (ao menos temporariamente) afastados.

Os planos, é claro, foram mudados pela pandemia do novo coronavírus.

“Nas festas, costumamos encher a casa de amigos e voluntários”, conta à BBC News Brasil Deise (nome fictício), uma funcionária do local. “Mas vamos fazer a festa junina mesmo assim. A gente está se reinventando a cada dia, com festas e atividades, para este período não ser maçante para as crianças.”

As danças, brincadeiras e guloseimas juninas ficarão restritas às crianças e à parcela da equipe do abrigo que se mantém trabalhando. As famílias vão assistir via chamadas de vídeo, “para que possam participar da diversão e fazer com que se sintam perto das crianças”, conta Deise.

Assim como em qualquer lar sob quarentena, os abrigos infantis tiveram sua rotina bastante alterada pela pandemia, com o agravante de que, nesses locais, existe uma preocupação especial em fazer com que as crianças preservem os vínculos com seus familiares, padrinhos e amigos – vínculos que costumam já estar fragilizados pelo fato de as crianças não estarem morando sob o mesmo teto que suas famílias.

Esses serviços de acolhimento abrigam crianças e adolescentes que foram afastadas do convívio familiar por decisão judicial, em decorrência de alguma violação grave de seus direitos – violência física doméstica ou negligência estão entre os motivos mais comuns.

Familia

Getty Images
Falta de contato presencial com as famílias costuma ser a parte mais dura da pandemia para as crianças abrigadas

Na maioria dos casos, a meta é que se criem condições para que elas possam voltar a viver com as suas famílias. Na impossibilidade disso, as crianças permanecem abrigadas.

Uma minoria está à espera de adoção: das cerca de 34,5 mil crianças abrigadas do Brasil, ao redor de 8,7 mil aguardam serem adotadas por uma família.

“Temos por princípio trabalhar a manutenção do vínculo das crianças com suas famílias, para a reintegração familiar”, explica à BBC News Brasil Maria José Geremias, coordenadora de proteção social na Secretaria de Assistência Social de Campinas (SP), cidade que tem atualmente 339 crianças e adolescentes em abrigos.

“Normalmente, as crianças receberiam as visitas das famílias ou passariam os finais de semana com elas, e isso não está sendo possível no momento. Mas manter esse contato é primordial. Há as relações de afeto, a saudade, a necessidade de contato com a família. Na pandemia , temos feito videochamadas para os familiares e, para as crianças que têm o próprio celular, trocas de mensagens com as famílias.”

Sessões de fotos e autoestima

Sem passeios ou visitas externas e com as crianças passando a totalidade do tempo dentro dos abrigos, educadoras e assistentes sociais dos locais consultados pela BBC News Brasil estão, além de reforçando as medidas de limpeza e segurança, se desdobrando para criar novas atividades que mantenham as crianças entretidas e animadas.

“As adolescentes costumavam se arrumar e se maquiar (para passear ou verem seus familiares no fim de semana). Agora, se arrumam quando têm vontade, e por que não? Incentivamos e aproveitamos para fazer desfile de moda, sessão de beleza, tirar fotos diferentes, para cuidar da autoestima delas”, conta Mariza Abrão, coordenadora do abrigo Conviva Aparecida 1, que atende atualmente 15 crianças entre 3 e 14 anos em Campinas.

Criança em abrigo brasiliense, em foto de arquivo

Andre Borges/Ag Brasilia
Normalmente, as crianças receberiam as visitas das famílias ou passariam os finais de semana com elas, o que foi impossibilitado pela pandemia

“Estamos fazendo piquenique no quintal, festas temáticas, sessões de culinária. As próprias crianças estão planejando as refeições e amando isso”, agrega Deise, do abrigo paulistano.

Adoções e famílias acolhedoras

Logo no início da pandemia e da quarentena, o Conselho Nacional de Justiça emitiu diretrizes excepcionais para os serviços de acolhimento, pedindo “prioridade” para que crianças que tivessem o aval de equipes técnicas e da Justiça pudessem deixar os abrigos e voltar a conviver com suas famílias ou serem adotadas.

Com isso, reintegrações familiares e adoções que já estavam em processo adiantado foram agilizadas no início da pandemia.

“Conseguimos reintegrar dois pares de irmãos a suas famílias, porque o processo já estava sendo finalizado. A gente só acelerou o processo de saída”, comemora Abrão.

Em outros abrigos paulistas, “algumas crianças que tinham padrinhos foram passar a quarentena com eles. Mas nem todas quiseram isso. Alguns abrigos mandaram as crianças para a casa dos educadores (com autorização judicial), para evitar que esses funcionários se deslocassem diariamente para trabalhar”, explica Lara Naddeo, da ONG Instituto Fazendo História, que atua em abrigos do Estado de São Paulo.

Ela conta também que mais crianças foram passar o período de isolamento com famílias acolhedoras – modalidade em que crianças de zero a 6 anos moram temporariamente com famílias voluntárias, capacitadas e sob supervisão, até que chegue o momento de sua reintegração familiar ou adoção.

No entanto, passado esse momento inicial, como ficou praticamente impossível fazer visitas e reforçar pessoalmente o vínculo com as famílias biológicas ou adotivas, muitos dos processos de adoção , acolhimento ou reintegração familiar estão agora andando a passos mais lentos – cautela que é necessária para garantir o sucesso dos procedimentos e o bem-estar das próprias crianças, explica Naddeo.

Nesse contexto, a falta de contato presencial com as famílias é a parte mais dura da pandemia para as crianças abrigadas, conta Abrão, em Campinas.

“Com os voluntários, as crianças veem os vídeos que eles mandam e sabem que eles estão lembrando delas. Mas com as famílias é mais difícil. Tem a vontade de querer tocar, abraçar, e nada substitui isso”, diz ela.

Familia

Getty Images
‘Temos feito muitas rodas de conversa, trabalhando os sentimentos das crianças, para ouvi-las e cuidar de suas angústias”

“Não acho que elas estejam tristes. Teve um período, no início da pandemia , em que sentiram mais (o isolamento). Agora estão mais ocupadas com as aulas online da escola e com novas atividades, como crochê e trabalhos manuais, mas é claro que nada substitui a presença da família.”

Aulas à distância

Igual a muitas outras crianças, algumas das que moram em abrigo também têm tido receio com as aulas à distância.

“Muitos abrigos não têm recursos tecnológicos – às vezes falta internet ou só tem um ou dois computadores disponíveis para todos. As crianças estão sem a escola e sem muitos espaços de convivência”, explica Naddeo, do Instituto Fazendo História.

No abrigo da zona leste de São Paulo, a funcionária Deise tem visto suas crianças mais ansiosas quanto às aulas.

“Já ouvi de uma delas que ‘mesmo na escola a gente já não aprende muito, como a gente vai estudar agora?’. Tenho visto nossos adolescentes bem preocupados em entregar seus trabalhos escolares.”

Para Maria José Geremias, da Secretaria de Assistência Social de Campinas, as crianças em abrigos da cidade estão com acesso à internet e equipamentos, e dificuldades não são diferentes das demais crianças do país estudando remotamente.

Outra questão adicional é lidar com os anseios dos adolescentes em sair, passear e ver os amigos.

“‘Que vontade de sair’, eles me dizem”, relata Deise. “Mas estão entendendo que a situação é séria e estão bem tranquilos.”

O lado positivo é que o período de isolamento tem reforçado o vínculo entre as crianças e a equipe do abrigo, conta Mariza Abrão, do Conviva.

“Temos feito muitas rodas de conversa, trabalhando os sentimentos das crianças, para ouvi-las e cuidar de suas angústias, muitas das quais naturais na adolescência”, diz ela. “É um momento de muita escuta e muito acolhimento.”

publicidade
Clique para comentar

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nacional

Chuva de granizo danifica plantações em Santa Catarina

Publicado


source
Chuva de granizo
Divulgação/Defesa Civil de Ouro

Plantações de milho, melancia e morango sofreram prejuízos.

A cidade de Ouro, no Oeste de Santa Catarina, foi atingida por uma forte tempestade na tarde do último sábado (24). Foram registradas fortes rajadas de vento e queda de granizo, o que danificou as plantações locais.

A chuva de granizo durou aproximadamente 10 minutos. Entretanto, apesar do pouco tempo, foi o suficiente para afetar plantações de milho, melancia, morango e hortaliças. As informações foram passadas pela Defesa Civil.

Os fortes ventos, por sua vez, causaram a queda de árvores e danificaram duas casas, fazendo com que uma família tivesse que deixar sua residência. Eles receberam uma lona para se abrigar.

O granizo também fez com que ocorresse um acumulo de gelo em estradas da região. A rodovia SC-467 também foi afetada. Segundo a Polícia Militar, não foi registrada nenhuma vítima até o momento.

Continue lendo

Nacional

PF aponta que Chico Rodrigues era ‘gestor paralelo’ na Saúde em Roraima

Publicado


source
Senador Chico Rodrigues (DEM-RR)
Edilson Rodrigues/Agência Senado

PF aponta que Chico Rodrigues era ‘gestor paralelo’ na Saúde em Roraima

Um relatório da Polícia Federal mostrou que o senador Chico Rodrigues, que foi flagrado com dinheiro na cueca pelos agentes, usou da proximidade que tem com o governador de Roraima, Antonio Denarium, para beneficiar empresas investigadas pela PF.

Segundo a PF, o senador atuava como um “gestor paralelo” da Secretaria Estadual de Saúde de Roraima. O documento mostra que Chico agiu para evitar a demissão do então Secretário Adjunto de Saúde de Roraima, Francisco Monteiro Neto.

Além disso, Chico Rodrigues estaria tentando articular com a gestão do estado para que o governador não abrisse uma nova licitação. Ao invés disso, ele deveria estender os contratos com empresas de Gilce Pinto, uma empresária também investigada pela PF e que estaria sendo beneficiada com a ajuda da máquina pública.

O relatório da PF aponta que em diversas ocasiões, o senador cobrava de Francisvaldo de Melo Paixão, um ex-servidor da Sesau, pagamentos para Gilce.

Histórico 

Chico Rodrigues foi preso tentando ocultar dinheiro na cueca no último dia 14. A quantia girava em torno de R$ 33 mil em dinheiro. A defesa do senador afirma que o dinheiro tem origem lícita e diz que ele não cometeu irregularidades. 

Após a polêmica e o envolvimento em atividades suspeitas que estão sendo investigadas, o senador pediu licença do cargo no Senado por 121 dias.

Continue lendo

Envie sua denúncia

Clique no botão abaixo e envie sua denuncia para nossa equipe de redação
Denuncie

Política MT

Policial

Mato Grosso

Esportes

Entretenimento

Mais Lidas da Semana