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Saúde

A região na América do Norte em que não houve caso de Covid-19

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BBC News Brasil

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Jessica Murphy – BBC News, Toronto

A região na América do Norte do tamanho do México em que não houve caso de coronavírus

Os casos de covid-19 estão aumentando em muitas partes do Canadá, mas Nunavut, um território ao norte, é o caso raro na América do Norte de um lugar que pode dizer que suas comunidades estão livres do coronavírus.

Em março, quando as fronteiras ao redor do mundo foram fechadas devido o aumento das infecções por coronavírus, as autoridades de Nunavut decidiram que não correriam riscos.

Eles impuseram alguns dos regulamentos de viagens mais rígidos do Canadá, impedindo a entrada de quase todos os não residentes.

Os residentes que voltam do sul para casa precisam primeiro passar duas semanas, às custas do governo de Nunavut, em “centros de isolamento”, que são hotéis nas cidades de Winnipeg, Yellowknife, Ottawa ou Edmonton.

Guardas de segurança foram colocados em todos os hotéis e há enfermeiras que controlam a saúde de quem se isola.

Até o momento, pouco mais de 7 mil residentes de Nunavut (os nunavummiut) passaram algum tempo nesses centros como uma parada no caminho para casa.

Houve desafios: algumas pessoas foram flagradas violando o isolamento e precisaram permanecer por mais tempo.

Isso contribuiu para a formação de fila de espera para conseguir entrar em alguns centros. Também houve reclamações sobre a comida disponível para as pessoas confinadas.

Mas o fato é que, mesmo com as infecções por coronavírus se espalhando pelo Canadá e com o número de casos aumentando novamente, a contagem oficial de casos em Nunavut permanece zero.

Mãe Inuit

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Mãe Inuit com sua filha na Ilha Baffin, Nunavut

A decisão “bastante drástica” de introduzir essas medidas foi tomada devido à potencial vulnerabilidade da população à covid-19 e aos desafios únicos da região ártica, explica o diretor de saúde pública de Nunavut, Michael Patterson.

Aproximadamente 36 mil pessoas vivem em Nunavut, delimitada pelo Oceano Ártico ao norte e pelos Territórios do Noroeste a oeste, em 25 comunidades espalhadas por seus dois milhões de quilômetros quadrados.

É a mesma área do México, ou o dobro da região Sudeste do Brasil.

Distâncias espantosas

As distâncias são “espantosas às vezes”, diz Patterson.

O isolamento natural provavelmente é parte do motivo da falta de casos: essas comunidades só podem ser acessadas de avião durante todo o ano.

No final de setembro, houve um surto entre trabalhadores que voaram do sul para uma remota mina de ouro a 160 km do Círculo Polar Ártico. Esses casos são atualmente contados como infecções nas jurisdições de origem dos mineiros, mantendo a contagem oficial de casos de Nunavut em zero.

Esse surto “quase não tem chance” de ter se espalhado pela comunidade porque não há viagens entre a mina e qualquer uma das comunidades há meses, diz Patterson.

Inukshuk em Iqaluit

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O isolamento natural de Nunavut é provavelmente parte da razão para a falta de casos

No entanto, embora o isolamento possa ajudar, também pode criar obstáculos.

A maioria das comunidades não tem capacidade de realizar testes de covid-19 localmente, então as amostras precisam ser enviadas de avião.

Os resultados dos testes podem levar uma semana, o que significa que “você fica realmente atrasado no tempo que leva para identificar e dar uma resposta”, diz Patterson.

Esforços estão em andamento para aumentar a capacidade de teste e os tempos de resposta para obter resultados no território.

Os recursos médicos também são limitados no norte.

O Hospital Geral Qikiqtani, na capital Iqaluit, tem 35 leitos de terapia intensiva e poderia tratar cerca de 20 pacientes com covid-19, estima Patterson.

Em caso de surto, “entre as pessoas que precisam de tratamento, ou precisam de renda, muitas vão acabar tendo que ir para o sul e isso vai colocar mais um peso em nosso sistema de saúde”.

Risco de infecções

Muitas comunidades inuítes, em Nunavut e em outros lugares, correm um risco muito maior.

Existem alguns fatores em jogo, incluindo condições de moradia inadequadas e inseguras e altas taxas de superlotação, uma realidade muito comum no território.

A alta prevalência de tuberculose é outra preocupação.

Os inuítes, que representam mais de 80% da população do território, são geralmente um grupo de alto risco para infecções respiratórias, incluindo tuberculose, diz o Inuit Tapiriit Kanatami, um grupo de defesa nacional inuíte.

meninos e meninas inuítes

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Muitas comunidades inuítes, em Nunavut e em outros lugares, correm um risco muito maior de infecções

Devido a uma experiência na família com esta doença respiratória, Ian Kanayuk viu os perigos potenciais da covid-19.

O estudante de 20 anos e sua mãe contraíram tuberculose há alguns anos. Ele passou nove meses sob medicação e sua mãe teve uma longa internação.

Ambos estão bem agora, mas “foi muito sério”, diz o jovem.

Por isso, ele é favorável a medidas de distanciamento social, restrições a reuniões e regras de uso de máscaras que vêm sendo impostas em todo o território, apesar da inexistência de casos.

Patterson garante que as medidas ainda são necessárias porque “embora os centros de isolamento existam, eles não são perfeitos”.

Existem também algumas exceções ao isolamento obrigatório fora do território, por exemplo, para certos trabalhadores essenciais.

No entanto, mesmo sem casos comunitários, a pandemia afetou o território de forma semelhante à forma como afetou as pessoas que vivem em todo o Canadá.

Kanayuk, como muitos estudantes universitários em outras partes do mundo, está desapontado por ter que estudar remotamente de sua casa em Iqaluit, e não em Ottawa, a capital nacional, onde ele planejava participar pessoalmente do Nunavut Sivuniksavut, um programa para jovens inuítes de todo o país.

“É de partir o coração não poder ir”, diz ele. Os inuítes têm quase 300 vezes mais probabilidade de contrair tuberculose do que os canadenses não indígenas.

Iqaluit, Canadá

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Mais de 80% dos residentes de Nunavut são inuítes

Há também o desafio adicional de que a baixa velocidade da internet no território afeta o aprendizado remoto.

A pandemia também colocou mais pressão em um sistema de correio que já estava pressionado, levando à frustração das longas filas para pegar entregas.

O correio de Iqaluit já era um dos mais movimentados do Canadá, com muitos residentes contando com a entrega gratuita da Amazon na cidade do Ártico.

Essa agência postal experimentou um aumento no número de pacotes durante a pandemia “além do que poderíamos ter previsto”, disse em um comunicado o Canada Post, principal operador postal do país.

Desde que as medidas de restrição entraram em vigor em Nunavut em março, já houve algum relaxamento das regras.

Com algumas condições, os residentes de Nunavut agora podem viajar para os Territórios do Noroeste e retornar sem isolamento, assim como as pessoas que vão a Churchill, Manitoba, para tratamento médico.

Mas, como explica Patterson, é necessário que existam medidas para limitar o contágio quando o vírus chegar a Nunavut, pois ele não acredita que a região ficará livre da covid-19 para sempre.

“Não, não indefinidamente”, diz ele. “Eu não teria apostado que ficaria assim por tanto tempo.”

Toronto

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Algumas regiões do Canadá impuseram restrições às atividades internas

Como está o restante do Canadá?

Como um todo, o Canadá conseguiu conter o surto durante os meses de verão graças aos bloqueios impostos na primavera, até a chegada da reabertura.

Até a última semana de outubro, há mais de 10 mil mortes registradas e cerca de 222 mil casos.

Com o período mais frio do ano se aproximando, as infecções têm aumentado drasticamente em muitas partes do país, impulsionadas pelas províncias altamente populosas de Quebec e Ontário.

O número médio de pessoas internadas em hospitais a cada dia também está aumentando nos locais com mais casos, e as autoridades de saúde alertaram que, se houver um grande aumento, o sistema de saúde pode ficar sobrecarregado.

Além disso, as infecções começaram a reaparecer em lares de idosos e outros centros de cuidados.

Partes de Ontário e Quebec adotaram algumas medidas restritivas para tentar controlar as infecções, com a suspensão de eventos com refeições em ambientes fechados e fechamento de academias nos locais com mais casos, como Montreal e Toronto.

Outras partes do Canadá estão se saindo melhor.

As províncias na costa do Atlântico (as quatro províncias a leste de Quebec) conseguiram limitar a propagação de infecções e implementaram “bolhas de viagens”, com liberdade de movimento para os residentes e ordens de isolamento de 14 dias para visitantes externos.

O país ainda está atrasado em termos de capacidade de teste e tem enfrentado longas filas e lentidão nas respostas aos resultados em algumas áreas, conforme as crianças voltavam à escola.

Cerca de 77 mil canadenses são testados diariamente, mas a meta é poder testar até 200 mil pessoas diariamente em todo o país.

Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

Em uma semana, Estados com alta de internações passam de 15 para 21, diz Fiocruz

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Reprodução: BBC News Brasil

Covid-19: em uma semana, Estados com alta de internações passam de 15 para 21, diz Fiocruz

O número de Estados com pelo menos uma região com tendência de alta nos casos de covid-19 passou de 15 para 21 no espaço de uma semana, segundo relatório periódico produzido desde o início da pandemia pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O mais recente boletim da instituição, que analisa dados de 15 a 21 de novembro, aponta que os seis Estados que se somaram ao grupo são: Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Sergipe e Tocantins.

Ou seja, atualmente apenas 6 unidades da federação registram sinais de queda ou de estabilização da pandemia: Amazonas, Amapá, Goiás, Pernambuco, Roraima e Rondônia.

O levantamento da Fiocruz analisa registros oficiais de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), que quase na totalidade são causados pelo novo coronavírus. Dos registros analisados por laboratórios, 98% foram detectados como covid-19.

Esse indicador é um dos mais precisos para tentar entender situação da doença no país porque trata de pacientes graves hospitalizados, o registro é obrigatório e, por isso, sofre menos distorção da habitual falta de testes para detectar a covid-19.

Mas esses dados mostram apenas um pedaço do retrato do que está acontecendo e não incluem as pessoas que não chegam a ser internadas. Até agora, autoridades e especialistas divergem sobre o que se passa: uma segunda de casos, um repique de uma primeira onda que nunca acabou de fato ou nenhuma das duas.

A título de comparação sobre a falta de informações precisas da pandemia no Brasil, o Ministério da Saúde registrou oficialmente a morte de 170 mil pessoas por covid-19 neste ano.

Mas a Fiocruz, ligada ao ministério, aponta que morreram em 2020 ao menos 220 mil pessoas de doenças respiratórias graves. Em 2019, esse número foi de 5.324.

Ilustração do coronavírus

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Coronavírus matou ao menos 170 mil pessoas no Brasil em 2020

O fato é que as mortes têm crescido nas últimas semanas em diversas localidades do país.

Segundo levantamento feito por um consórcio de veículos de imprensa brasileiros, a média de mortes por covid-19 registrada ao longo de um dia aumentou nesta semana 54% em relação ao registrado duas semanas atrás.

Hospitais cheios

Nas últimas semanas, diversas capitais e cidades grandes têm enfrentado o aumento da ocupação de leitos por covid-19.

Após dias de altas consecutivas, a cidade do Rio de Janeiro chegou nesta terça-feira (24) ao patamar de 91% de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) destinados a pacientes com covid-19. Na enfermaria, a ocupação é de 69%.

Em Porto Alegre, a rede privada está com 98,3% dos leitos de UTI ocupados, segundo dados do governo gaúcho. Na cidade, há 408 pessoas atualmente utilizando respiradores para enfrentar a doença.

Na região leste do Paraná, a taxa de ocupação de UTIs para pacientes com covid-19 chega a 88%.

Segundo a Fiocruz, há ao menos 12 capitais com tendência de alta de internações por doenças respiratórias: Belo Horizonte, Brasília (plano-piloto e arredores), Campo Grande, Curitiba, Maceió, Natal, Palmas, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo e Vitória.

Paciente internado na UTI do hospital Albert Einstein, em São Paulo, em foto de 16 de novembro de 2020

Nelson Almeida/AFP via Getty Images
Paciente internado na UTI do hospital Albert Einstein, em São Paulo

Florianópolis, João Pessoa e Rio Branco, que estavam em trajetória de alta, indicam ter estabilizado o avanço da pandemia.

Por outro lado, a tendência de queda dos casos foi interrompida em Goiânia, e a doença pode voltar a crescer na cidade. O candidato que lidera as pesquisas de intenção de voto no segundo turno (29/11) na capital goiana, Maguito Vilela, está intubado em uma UTI de São Paulo. Ele está internado há mais de um mês.

Segundo a Fiocruz, o patamar do número de casos de doenças respiratórias permanece bastante elevado em relação à média histórica em todos os Estados, e o espalhamento de uma doença tão contagiosa como essa pode mudar o cenário rapidamente.

Por isso, é importante reforçar as medidas de combate ao avanço da doença.

Como é possível reduzir essa taxa de contágio?

Sem vacinas disponíveis ainda, centenas de especialistas afirmam que isso envolve uma série de estratégias de combate à doença, como distanciamento social, uso de máscaras e rastreamento de pessoas que tiveram contato com alguém infectado.

Mas nenhuma dessas medidas sozinha é perfeita, e algumas são de responsabilidade de cada pessoa e outras são dos governantes ou da sociedade como um todo.

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BBC

Por isso, o virologista Ian M. Mackay, da Nova Zelândia, encontrou uma ótima analogia para ajudar as pessoas a se protegerem contra a covid-19: o queijo suíço.

“Nenhuma medida isolada de prevenção que tentamos implementar para combater a covid funciona 100%”, mas, quando “começamos a juntar diferentes camadas (medidas), criamos uma barreira efetiva”, disse o cientista à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

RJ tem 8º dia de aumento na média móvel de mortes; ocupação de leitos preocupa

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Rede SUS da capital tem 87% de ocupação nas UTIs; leitos municipais, 96%
Foto: EPA

Rede SUS da capital tem 87% de ocupação nas UTIs; leitos municipais, 96%

O Estado do Rio registrou 113 mortes e 2.145 novos casos do novo coronavírus nesta terça-feira, de acordo com a última atualização feita pelo governo estadual. Com isso, a média móvel chega ao oitavo dia em alta, com tendência de aumento no contágio da doença.

O crescimento de 216% na média móvel de óbitos, na comparação com duas semanas atrás, é o maior índice desde o dia 20 de abril, auge da pandemia. Ao todo, são 340.833 infectados e 22.141 vidas perdidas em todo o território fluminense desde o início da pandemia, em março.

Nesta terça, a capital concentrou 75% das mortes (85) registradas e 45% dos casos (961). Ao todo, a cidade do Rio soma 132.349 infectados e 13.064 vítimas da doença desde março.

Com os dados atualizados, a média móvel passa a ser de 95 mortes e 1.537 casos. Em comparação com duas semanas atrás, há uma subida de 43% na média móvel de casos e de 216% na média móvel de mortes, o que, por estar bem acima de 15%, indica um cenário de aumento no contágio da doença, pelo oitavo dia seguido.

Nos dias 6, 8, 9 e 10 de novembro não houve atualização no número de mortes, de acordo com o governo, em função de um problema no sistema do Ministério da Saúde, já solucionado. Este fato ainda pode influenciar no cálculo da média móvel durante alguns dias. No entanto, mesmo que os números tivessem sido preenchidos naquelas datas, seguindo a tendência diária daquele momento, ainda assim, seria observado um aumento.

A análise dos dados foi feita a partir do levantamento do consórcio de veículos de imprensa formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo, que reúne informações das secretarias estaduais de Saúde.

Rede SUS da capital tem 87% de ocupação nas UTIs; leitos municipais, 96%

No município, o número de internações por Covid-19 continua alto, segundo os dados contidos na última atualização, feita no início da tarde desta terça-feira. Nos leitos disponíveis para a doença em toda a rede SUS da cidade — que inclui leitos de unidades municipais, estaduais e federais —, há lotação de 91% (511 internados) nas vagas de UTI, onde ficam os casos mais graves, e de 69% (573 pacientes) nas enfermarias.

Nos leitos disponibilizados pela prefeitura exclusivamente para o tratamento de infectados com o novo coronavírus, há 259 pacientes internados nas 271 vagas de UTI ( 96% de lotação). Outros 267 estão em enfermarias (42% de ocupação).

Na rede SUS da chamada Região Metripolitana 1, que engloba capital e municípios da Baixada Fluminense, há 156 pessoas já com leitos de destino regulados em processo de transferência. Deste total, 59 são para UTI Covid.

Os municípios com mais mortes pela Covid-19 no RJ são:

  • Rio de Janeiro – 13.064
  • São Gonçalo – 839
  • Duque de Caxias – 829
  • Nova Iguaçu – 734
  • Niterói – 554
  • São João de Meriti – 521
  • Campos dos Goytacazes – 462
  • Belford Roxo – 345
  • Petrópolis – 283
  • Magé – 269

As cidades com mais casos registrados desde março no RJ são:

  • Rio de Janeiro – 132.349
  • Niterói – 17.389
  • São Gonçalo – 15.746
  • Duque de Caxias – 11.508
  • Belford Roxo – 11.395
  • Macaé – 10.644
  • Teresópolis – 9.228
  • Campos – 9.048
  • Nova Iguaçu – 8.365
  • Volta Redonda – 8.349
Fonte: IG SAÚDE

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