Do ponto de vista social — observando o que acontece ao nosso redor — percebe-se que em qualquer grupo (familiar, profissional ou social) todos notam quando alguém está “sentado sobre o erro”.
O silêncio alheio nem sempre significa ignorância; muitas vezes é apenas o tempo necessário para que o sujeito perca, aos poucos, toda a sua credibilidade. No fim das contas, a limpeza do que se fez exige coragem, pois obriga o indivíduo a encarar a própria sujeira.
No cenário político, essa analogia é ainda mais poderosa. O “sentar em cima” é, na maioria das vezes, uma estratégia deliberada de negação para manter o apoio do eleitorado. Quando focamos na falta de atenção ao votar, a frase atua como um alerta contra a complacência.
Resumindo: errar é humano, mas persistir no erro é uma escolha. Nesse ambiente, quem não corrige o erro contamina todo o resto. E o pior: o eleitor nem sempre percebe isso de imediato.
Em política, o erro raramente nasce da ignorância; costuma ser uma escolha baseada em orgulho ou conveniência. Nela, “sentar em cima” representa a negação de escândalos, a manutenção de alianças espúrias e a insistência em projetos fracassados. O eleitor pode até ignorar os fatos, mas não consegue escapar das consequências: o “mau cheiro” da gestão pública no dia a dia.
Na brasileira, quando um representante comete um equívoco — seja por má gestão, corrupção ou incompetência — a estratégia comum não é a correção, mas a negação sistemática através de narrativas acreditando que, se ignorar o problema, o povo também o fará.
O que deveria ser um erro de cálculo óbvio já que a inflação, a insegurança e o mau serviço público são sentidos por todos, infelizmente nem sempre é compreendido pelo público.
O eleitor que ignora esses sinais sensoriais, muitas vezes por falta de base educacional, e vota novamente em quem não corrige os próprios erros, torna-se cúmplice da estagnação. Corrigir o curso é o que separa o líder do oportunista.
Em qualquer situação, nenhum erro se apaga com o tempo; eles apenas se acumulam até que o ambiente se torne insuportável. “Limpar a própria bunda”, neste contexto, significa ter a humildade de mudar a rota quando ela se prova desastrosa.
Quem não tem competência para reconhecer e limpar as porcarias que faz, não serve para liderar. Qualquer liderança baseada nisso não passa de uma perigosa ilusão.
A diferença entre o erro corrigido e o erro persistente é a mesma entre a honestidade e o cinismo.
Marcelo Augusto Portocarrero é engenheiro civil