conecte-se conosco


Opinião

DIRCEU CARDOSO – A hora dos partidos começarem a existir

Publicado

Temos nada menos que 110 partidos políticos. São 33 registrados e 77 já fundados que aguardam registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Há o Fundo Partidário que, só em 2019, liberou R$ 888,4 milhões de dinheiro público para manter essas agremiações. Também foi aprovado no Congresso Nacional o projeto que destina R$ 2 bilhões para as próximas eleições municipais. A proposta inicial, de R$ 3,8 bilhões, teve a oposição do governo e a revolta da sociedade. Os partidos buscam agora homens e mulheres com prestígio suficiente para disputar os quase 68 mil postos municipais (5568 prefeito com seus vice-prefeitos e 56.810 e vereadores) que estarão em jogo nas eleições dos dias 4 e 25 de outubro de 2020. Nas cidades com mais de 200 mil eleitores onde o candidato a prefeito vencedor não alcançar 50% dos votos, se fará o segundo turno com a participação dos dois mais votados.

Se tiverem juízo, os dirigentes partidários buscarão agregar funções e utilidade de que hoje os partidos não dispõem. Da forma que funcionam, as agremiações não passam de meros cartórios homologadores de candidaturas, e podem ter a importância ainda reduzida se um dia forem aprovados os concorrentes avulsos, que vêm sendo tentados há anos. As ações da Justiça Eleitoral sobre as candidaturas-laranja, onde os partidos preencheram a cota legal de 30% de mulheres nas suas chapas, mas as titulares não eram candidatas de fato, demonstram a fragilidade do sistema. Os partidos não conseguem sequer atender às normas dos pleitos que, a bem da verdade, são discutíveis. Já ficou provado, por exemplo, que a existência de cotas – no caso a de mulheres – não se materializa quando não existem concorrentes com potencial para a participação.

Está na hora dos dirigentes agirem com perspicácia. Aproveitar que as agremiações têm a manutenção garantida pelo dinheiro público e atribuir-lhes funções políticas fora dos períodos eleitorais. Os diretórios partidários, norteados com a devida responsabilidade, deveriam funcionar como centros de discussão e ação política envolvendo seus eleitos, a militância e até os filiados. De suas reuniões os parlamentares e membros do Executivo eleitos pela sigla poderiam tirar argumento político para o trabalho nos respectivos postos. Essa seria a contribuição partidária à democracia e o oxigênio para o partido atuar permanentemente.

Todo o dinheiro público que se aplica para a manutenção partidária, pela lógica, deveria retornar à comunidade em forma de ação política e participação nos seus próprios destinos. Os diretórios nacionais, estaduais e municipais estariam melhor e seriam efetivamente respeitados se participassem da pauta de discussão dos interesses públicos, firmando posição, orientando seus representantes e, até, fechando questão. É preciso acabar com a imagem de que os partidos só servem para viabilizar as candidaturas e – pior – de que muitos deles têm “donos” que levam vantagens pessoais e institucionais sem prestar serviços que justifiquem as verbas recebidas.

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

[email protected]

 

publicidade
Clique para comentar

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Opinião

LICIO MALHEIROS – Candidatos ao Senado, e seus apoiadores

Publicado

A democracia em nosso país, tem como vertente maior o fato de que ela é importantíssima, por originar-se das pessoas para as pessoas, como tal, tendo como premissa principal nos dias atuais: a participação, o diálogo, as negociações legitimas e por aí vai.

Vivemos, momento impar em nossa política, fruto da cassação do mandato da Selma Arruda (Podemos-MT), acusada de caixa 2 e abuso de poder econômico na disputa eleitoral em 2018.

A decisão para a realização da eleição suplementar, partiu do TSE, em 17 de julho de 2020, que definiu o período de realização da eleição suplementar para o cargo de Senador da República e respectivos suplentes do Estado de Mato Grosso na mesma data do primeiro turno  das Eleições Municipais, designado pela EC nº 107/2020, para 15 de novembro.

Como já era de se esperar, onze chapas foram homologadas para concorrer à vaga ao Senado, aberta após a cassação de Selma Arruda (Podemos); existindo uma plêiade de bons nomes postulantes a tão sonhada vaga de Senador da Republica.

Dos 11 nomes colocados ao cargo de Senador da República, até o momento, quatro deles se despontam; alguns apresentando disparidades gritantes, principalmente no tocante a seus apoiadores e poderio econômico.

Senão vejamos, dos quatro nomes que estão se destacando, o primeiro Carlos Favaro (PSD), ocupa interinamente a vaga no Senado deixada por Selma Arruda, tendo como apoiadores, o ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi, voltado literalmente ao agronegócio, sendo também, apoiado pelo governador Mauro Mendes (DEM), mesmo sabendo que o (DEM), lançou Júlio Campos (DEM), suplente na chapa encabeçada por Nilson Leitão (PSDB), sem falar, do desprestigio e insatisfação, principalmente do funcionalismo público com o governador Mauro Mendes (DEM).

O segundo, Pedro Taques (Solidariedade), foi senador de (2011-2014), e governador do estado de (2015-2018), deixou o governo, com uma nuvem negra em sua cabeça proveniente de um esquema, de interceptações telefônicas que ficou conhecido como “Operação Grampolândia Pantaneira”, sem querer apontar culpados ou inocentes; essa questão inconteste, aconteceu no governo Pedro Taques (PSDB), esse acontecimento na época, deixou o governador com baixíssima popularidade.

O terceiro nome, José Medeiros (Podemos), é deputado federal, tendo sido senador entre 2015 a 2018, andou se envolvendo em algumas discussões acaloradas, entre as quais, uma deu pano pra manga.

Que aconteceu com o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), que em seu Twitter, disparou “Que coisa, nem parece o cara que mês passado estava me oferecendo jatinho, para que o apoiasse ao Senado. Já que Bolsonaro resolveu desprezar-lhe, e apoiar outro candidato. É assim que você age, Zé? Quem recusa suas ofertas vira alvo de ataque? Que atitude de trombadinha”, essas palavras, foram proferidas por ele, existindo alguns termos chulos.

O quarto nome, Elizeu Nascimento (DC), é sargento da PM de Mato Grosso, e deputado estadual; na polícia sempre esteve na linha de frente, dos seus 17 anos como policial militar nunca teve uma advertência se quer, sempre teve, uma carreira ilibada. Como deputado estadual, é recordista na apresentação de projetos exequíveis, dos quais, muitos  deles são voltados a nossa gloriosa Polícia Militar do estado de Mato Grosso.

Sua trajetória política foi meteórica, de vereador, a deputado estadual com uma votação expressiva 21.347 votos, com forte ligação comunitária. Mesmo conseguindo essa projeção rápida, ele continua morando no bairro que ajudou  criar, juntamente com seus pais e familiares o bairro Altos da Serra, é alguém que mantem arraigado em sim, a valorização desse bairro que o projetou à vida pública.

Professor Licio Antonio Malheiros, é geógrafo

Continue lendo

Opinião

ONOFRE RIBEIRO – Guardiães do Pantanal

Publicado

Os atuais incêndios no Pantanal mato-grossense de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul expuseram muito negativamente uma região que sempre foi a matriz da identidade social, econômica e política nos dois estados. Região muito poderosa antes que a agricultura abrisse os cerrados em larga escala pra produzir grãos. Antes também que a pecuária começasse a expandir-se nos cerrados nas pastagens plantadas.

Só um registro. Em 1978 os três senadores, quatro deputados federais e oito dos deputados estaduais de Mato Grosso – que ainda não era dividido – eram pecuaristas no Pantanal. As fazendas estendiam-se de Aquidauana até Barão de Melgaço, Poconé, Cáceres, Nossa Senhora do Livramento e Santo Antônio de Leverger. Após a divisão em 1979 as fazendas continuaram como antes. Mas a força política do Pantanal ficou com Mato Grosso do Sul.

Isso foi muito relevante porque lá o Pantanal continuou sendo tratado como matriz econômica. Permite a atividade com regulações normais, ao contrário de Mato Grosso onde a região foi praticamente abafada por legislações suicidas. Em Mato Grosso acabou a força política. O Pantanal ficou exclusivamente nas mãos dos fazendeiros. Mas a gota d’água viria com a implantação da reserva natural particular do Sesc Pantanal com a visão de fechar o Pantanal à exploração econômica. Por detrás, a visão contratada de ONGs ideológicas e de técnicos da Universidade Federal de Mato Grosso com a leitura de esvaziar o Pantanal. Sem a força política os fazendeiros ficaram gradualmente encurralados por visões ambientalistas de fundo ideológico.

Em 2020 os incêndios criaram um ambiente insustentável para a região e para os pantaneiros. Por isso no dia 16 de setembro fazendeiros e uma série de entidades se reuniram em Poconé para iniciar um movimento de articulação política. Deram o nome de “Guardiães do Pantanal”. Assinaram a pauta de presença entidades representativas das atividades econômicas de todas as áreas de atividades e ainda o Sesc Pantanal. O objetivo é criar uma frente de representação do Pantanal onde circulem  todas as discussões que hoje estão soltas e nas mãos de pessoas bem e nas mal intencionadas.

A associação já teve encontros políticos com o ministro do Meio Ambiente na semana passada e em se reunido frequentemente articulando posições políticas e econômicas pra tirar as discussões das páginas da mídia para o lado de quem realmente tem interesses no Pantanal. Será a primeira vez que o Sesc Pantanal, as ONGS e a UFMT e Unemat encontram contraponto pra discutir e debater.

Talvez o mais importante seja o que os “Guardiães do Pantanal” garantem: “ninguém é mais interessado na conservação do Pantanal do que quem vive e produz há mais de 300 anos”.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso  

[email protected]  www.onofreribeiro.com.br

 

 

Continue lendo

Envie sua denúncia

Clique no botão abaixo e envie sua denuncia para nossa equipe de redação
Denuncie

Política MT

Policial

Mato Grosso

Esportes

Entretenimento

Mais Lidas da Semana