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Opinião

JORGE MACIEL – A FMF e marcas que patrocinam a segregação e o monopólio no futebol

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JORGE MACIEL

Faz poucos dias e espero a tramitação que consome mais algum tempo, protocolei no Ministério Público (MPE), como jornalista e como [muito] pequeno empresário das comunicações uma petição a fim de me acercar do modus operandi da sra. FMF (federação de futebol local), cujos procedimentos pertinentes ao campeonato mato-grossense são, ao meu ver, completamente sombrios e duvidosos.

Ora, há em curso uma competição em que puseram uma única TV, exclusividade, para explorar [no sentido letal da palavra] o certame, com um contrato nada insuspeito em que jogos, que de maneira arrepiante ou cômica, são transmitidos de dentro para dentro, com fosca comprovação de audiência, afastando o torcedor dos estádios – ou a fazer torcedores, que não vão aos estádios, trocarem de canais  para outras praças de SP, RS ou RJ.

Essa é o eis da primeira questão !

A Federação de futebol local, não se sabe bem ao quê, envida todos e quaisquer esforços para que empresas de porte patrocinem os clubes (e a FMF), sem que a opinião saiba que, no fundo, essas empresas (Sicredi, Eletromóveis Martinello, Fiat / Domani, Unimed sic, sic) estão drenando suas verbas publicitárias[ tolamente ou pela intenção de também segregar -,  para uma única emissora e de forma antiética e nada democrática .

Como se sabe, há rádios, outras TVs, sites e jornais que cobrem a competição, mas todas as campanhas  publicitárias são dadas pela FMF, como uma mãe serve como colher o ‘papá’ à cria, na boca e esôfago famintos da TVCA.

O campeonato mato-grossense não pertence, verdadeiramente, ao público (veja que torcedores pagantes são, na média, menos que 380 pessoas por partida, porque o interior do Estado ajuda muito – posto que na Arena Pantanal esse número despenca, pela média, para o abismal montante de 210 torcedores pagantes/jogo. Desde que essa transmissão foi instituído, a média de público vem caindo como pencas.

Mesmo no tempo de crise bem maior que esta, o público ainda era de 1.200 na média total dos campeonatos daquela época: até o quádruplo, antes desse espetáculo enfadonho e de aborrecimento das 15 horas, aos domingos.

Mesmo com o esconde-esconde de seus atos, pudemos levantar que a TVCA transfere a cada um dos dez clubes de Mato Grosso a bagatela de cerca R$ 30 mil para toda a jornada, ou seis mil reais mensais que deverão, por lei, ser repassados aos planteis [atletas, pelo sistema naming right, ou direito de imagem], dados referentes a 2019. Ao cabo do campeonato, nenhum atleta receberá mais que R$ 10 ou 13 reais, individualmente. É uma forma de escravidão.

O Sicredi, Martinello, Fiat, e afins, se sabem dessa exploração (de índole inegavelmente escravagista) misturam-se à política suja e excludente da FMF, pois que, em sabendo, julgo natural pô-las no esquadro da famosa frase do cientista e escritor Johann Goete: “Diz-me com quem anda, dir-te-ei quem és”. Alguns cartolas assinam embaixo, a custa de “merreca” e  se unem à essa política discriminatória.

Todos sabemos que as federações de futebol de outros estados, alguns bem mais pobres que Mato Grosso, como Sergipe e Piauí, auxiliam (pagam, na verdade) as emissoras de rádio, TVs, sites e jornais que cobrem os campeonatos patrocinados por elas, sem monopólio.

Todos sabemos, também, que a FMF, como todas as demais federações, recebem da CBF o quinhão para custeio de estrutura e logística, incluindo folha e salário do presidente. Mas a FMF sempre se mostra indiferente e incapaz de esclarecer isso. Como faz com o contrato com a única emissora.

Há, contam nas bocas e botecos, variáveis procedimentos na gestão institucional do futebol profissional que são lucrativos e bons para um ‘grupelho’, mas são nocivos ao o futebol,  protagonizados pela dupla FMF, com o auxílio luxuoso de empresas que a patrocinam.

Ademais, há o sentimento estreito de que é a tevê em tela a dona do campeonato, cujos repórteres são tratados com mimos, enquanto os demais são quase que escorraçados (nada contra os profissionais, pessoalmente). Como entidade de perfil indiretamente público, o presidente da FMF deveria por à mesa as cartas, ser mais transparente e mais educado, deixar de pensar que é onisciente e impermeável às ações da lei.

O maioral da minha profissão, Assis Chateaubriand, cunhou uma frase onde se lê que “o jornalista nada sabe, mas quer saber”. A minha iniciativa de conhecer pormenores de um contrato que me parece estrambótico e maléfico ao futebol do meu estado não é de má intenção. É apenas porque assimilo e nutro admiração pela frase cunhada por Martin Luther King, segundo a qual é criminoso maior não aquele que pratica o crime, mas o que vê e se omite.

JORGE MACIEL

Jornalista – Fenaj/MT 404-02

JORGE MACIEL 
Jornalista – Fenaj/MT 404-02
É diretor de Redação do Futebolpress, correspondente em MT do Futebolinterior,  e editor-adjunto (plantonista) do Grupo ODocumento, site odocumento e TV Cuiabá. Foi editor de vários jornais grandes da Capital e de Goiânia (Diário da Manhã (GO), O Popular (GO), A Gazeta, Folha do Estado, Diário de Cuiabá, Revista RDM e Municípios, Assessor de Imprensa do Conselho Regional de Economia,  IBGE, Creci entre outros veículos)  

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LÍCIO MALHEIROS – O poder de propagação

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A chamada em questão não se trata de um sofisma (argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade….); muito pelo contrário, tentaremos mostrar, que em tempos de Sars-CoV-2, responsável pelo aparecimento da Covid-19, doença respiratória cujos sintomas incluem febre, tosse e dificuldade para respirar.
Com a propagação desse maldito vírus no Brasil, o que é pior, com o  aumento considerável dos casos  de transmissão local. O governo brasileiro tomou conta da situação, capitaneado pelo presidente da República Jair Messias Bolsonaro, contando como o apoio maciço da brilhante equipe de Saúde Pública, tendo à frente da mesma, o competentíssimo Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.
Neste momento, a informação oficial  é o melhor remédio, e que a população,  fique atenta em relação a uma parte da mídia televisiva, em especial a toda poderosa, que não está de forma alguma, preocupada com  o Covid-19, e sim, tentando disseminar o  medo, o pavor na população, pensando em aferir lucros e dividendos a custa de milhões de brasileiros.
Brasileiros estes, que se não morrerem pela infecção desse maldito vírus; após o termino dessa pandemia, irão estar acometidos  infelizmente por uma fobia chamada  agorafobia, que está diretamente ligada a transtornos de ansiedade e síndrome do pânico.
Obviamente, cada vez que a toda poderosa, inicia um jornal ou outro programa qualquer, com suas aberturas triunfais, nossos corpos já  arrepiam, pois sabemos que irão chegar informações, tendenciosas e desconexas.
Para quem já está acometido pelo medo, pela incerteza, pela insegurança, na qual me incluo aquela chamada televisiva, causa pânico e terror, em função disso muitos irão desenvolver agorafobia.
As pessoas, com agorafobia sentem medo incontrolável de viver situações que irão lhe provocar crises de pânico ou sensação de falta de controle e constrangimento.
Pelo amor de Deus, não façam igual a toda poderosa, não invertam ou mudem o que estou  querendo dizer.
Não estou dizendo, que o Covid-19 não seja um vírus extremamente perigoso, causador de uma doença   preocupante, principalmente pelo fato do contágio  do mesmo acontecer de forma invisível, para evitá-lo, necessário se faz redobrar os cuidados básicos, com:  higiene, assepsia, e por ai vai. Nos casos dos idosos e pessoas com doenças preexistentes, e os de baixa imunidade, o melhor remédio ainda é o isolamento.
Agora, o que é discutível sob todos os aspectos é a forma acintosa e vergonhosa como essa emissora televisiva, vem conduzindo seus jornais e programas, criando na população ainda mais pânico, com um viés político, vergonhoso e imoral, querendo aumentar no país o medo e até mesmo a discórdia, entre os poderes constituídos, por isso, a chamada tem esse título, o poder de propagação dessa emissora televisiva, tendenciosa e inescrupulosa.
Pare o mundo, quero descer!

Professor Licio Antonio Malheiros é geógrafo

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Opinião

ROMILDO GONÇALVES – As grandes epidemias ao longo da história da humanidade

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O confinamento de doentes para enfermidades infectocontagiosas é uma prática antiga. a estratégia foi usada largamente em casos de hanseníase, tuberculose, peste bubônica… a desinfecção, incineração de objetos e pertences dos doentes também tem grandes significados, para evitar o alastramento desenfreado da ou das doenças especialmente as virais e contagiosas, são alternativas viáveis e bastante usadas. porém, sem alarde, alarmismo, panaceias … que não ajuda em nada.

Bactérias, vírus e outros microrganismos já mataram e causaram grandes estragos a humanidade, tanto quanto guerras, terremotos, tsunamis, erupções, vulcões… senão vejamos: a peste negra matou cinquenta milhões de mortos = Europa e Ásia de 1333 a 1351, contaminação: causada pela bactéria yersínia Pestis, comum em roedores como o rato.

. Cólera centenas de milhares de mortos – 1817 a 1824.  conhecida desde a antiguidade, teve sua primeira epidemia global em 1817. desde então, o vibrião colérico Vibrião cholerae, sofreu diversas mutações, causando novos ciclos epidêmicos de tempos em tempos.

Tuberculose 1 bilhão de mortos – 1850 a 1950, sinais da doença foram encontrados em esqueletos de 7 000 anos atrás. o combate foi acelerado em 1882, depois da identificação do bacilo de Koch, causador da tuberculose. nas últimas décadas, ressurgiu com força nos países pobres, incluindo o brasil, e como doença oportunista nos pacientes de aids.

. Varíola 300 milhões de mortos – 1896 a 1980, a doença atormentou a humanidade por mais de 3 000 anos. até figurões como o faraó egípcio Ramsés ii, a rainha maria II da Inglaterra e o rei Luís XV da França tiveram a temida “Bixiga”. a vacina foi descoberta em 1796;

. Gripe espanhola 20 milhões de mortos – 1918 a 1919. o vírus influenza é um dos maiores carrascos da humanidade. a mais grave epidemia foi batizada de gripe espanhola, embora tenha feito vítimas no mundo todo. no brasil, matou o presidente rodrigues Alves

. Tifo 3 milhões de mortos=Europa oriental e Rússia– 1918 a 1922. a doença é causada pelas bactérias do gênero Rickettsia. como a pobreza e insalubridade apresenta as condições ideais para a proliferação, o tifo está ligado a países do terceiro mundo;

. Febre amarela 30 000 mortos = Etiópia – 1960 a 1962. o flavivírus, que tem uma versão urbana e outra silvestre, já causou grandes epidemias na África e nas Américas

. Sarampo 6 milhões de mortos por ano – até 1963. da mortalidade infantil até a descoberta da primeira vacina, em 1963. com o passar dos anos, a vacina foi aperfeiçoada, e a doença foi erradicada em vários países

. Malária 3 milhões de mortos por ano – desde 1980.  em 1880, foi descoberto o protozoário plasmodium, que causa a doença. a OMS considera a malária a pior doença tropical e parasitária da atualidade, perdendo em gravidade apenas para a aids.

. Aids 22 milhões de mortos – desde 1981. a doença foi identificada em 1981, nos estados unidos, e desde então foi considerada uma epidemia pela organização mundial de saúde. fontesorganização mundial de saúde (OMS) e fundação Oswaldo cruz;

Os Coronavírus são uma família de vírus conhecida desde os anos 1960 e que circula entre animais. destes vírus, sabe-se que sete são capazes de saltar a barreira entre espécies e contaminar pessoas. eles podem causar desde um resfriado comum até problemas respiratórios graves que podem levar à morte. hoje, com a biotecnologia, rapidamente temos as ferramentas para confirmar casos.

Por fim, os infectologistas são unânimes em apontar outro motivo pelo qual é difícil comparar o atual surto com outros do passado: ainda é cedo. a chegada do coronavírus no brasil é muito recente estão sendo identificadas suas características para efetiva prevenção e combate. não podemos nos precipitar. é preciso ter cuidado e trabalhar com muita transparência e exatidão.

Romildo Gonçalves É biólogo Prof. Pesq. Em Ciências Naturais da UFMT/Seduc

 

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