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Opinião

OSVANIRA F. Silva – A Educação é moeda de ouro

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Enquanto a pátria assiste ao horror dos discursos da reforma da previdência – sem que se fale em cortar as astronômicas aposentadorias de deputados, senadores, governadores e do judiciário, para dar alguns casos, a educação segue cambaleante, com desenfreada e permanente cortes de investimentos. Parodiando o escritor e poeta Coelho Neto, é no trabalho com a educação que se revelam os estadistas. Os governos consideram a educação muito dispendiosa e de alto custo. Se ponderassem com responsabilidade, veriam que a ignorância e o analfabetismo custam muito mais.

Na contramão da nossa realidade, felizmente, há algumas luzes no fim dos túnel pelo país, com boas iniciativas. Em Cuiabá, por exemplo, a Secretaria Municipal de Educação começou a por em prática dois que vão de encontro a toda retórica parcimoniosa e prática excludente do governo federal: o projeto “A escola de inteligência” e o “Proac – Programa de Alfabetização Cuiabano”. O primeiro, considera importante estimular o raciocínio da criança, para que ela aprenda a pensar com lógica e que entenda  aquilo que lê, o que observa e o que lhe é ensinado pelos professores. Também, em outra frente, esse projeto visa discutir, avaliar, contornar e resolver o comportamento do aluno e as suas emoções, item que se pode chamar de busca para a saúde emocional, além de trabalhar para as melhores relações sociais – criança, educadores, funcionários das escolas e seus colegas da escola.

Não menos importante, o projeto de “Alfabetização Cuiabano” é para que o aluno, a família, principalmente esta, e os educadores formem uma só força para ações combinadas que resultarão no convívio saudável do aluno, no universo social, familiar e educativo, para a melhor produção do ensino. No entendimento do secretário municipal de Educação, Alex Vieira Passos, que acaba de implantar essa ideia inicialmente em algumas unidades da rede, e da educadora e secretária-adjunta Edilene Machado,  o investimento, nas duas pontas, é exclusivamente pessoal e pedagógico, sem a necessidade de ampliação ou melhoramento das estruturas físicas nas escolas para o seu sucesso.

Entendo que o seu pensamento, já absorvido pelo corpo pedagógico da rede em encontros e palestras, é formar bons alunos com a grade curricular, claro, mas oferecer condições para que cada criança também experimente e aprenda os valores da família, do pensamento e do bom convívio com os colegas e outras pessoas que não estejam, necessariamente, no conjunto das práticas escolares – vizinhos, colegas do bairro ou qualquer outro cidadão.

No caminho de perto de três décadas que percorri como educadora e gestora de unidades escolares, assim como meus colegas com quem conversei, vejo com muito entusiasmo, pois já percebemos, nós educadores, que é realmente investir muito além que grade curricular ou armações físicas – alvenarias e concreto. Pensar a escola reunindo trabalhos nos contextos educativos e produção do ensino, e associando-os à melhor convivência do aluno com os valores reais da vida – com a efetiva participação dos pais ou responsáveis –  é uma ideia brilhante. Todos acompanhamos os esforços da Secretaria Municipal de Educação para o melhoramento do ensino.

Na atual gestão, projetos como estes dois, entre outros tantos em curso, ampliam a capacidade dos gestores na melhor formação das crianças e pré-adolescentes, no alicerce seguro para jovens e adultos, no futuro. E não há muito o que se gaste. Mesmo que exigisse investimento, fico com o pensamento do Padre Antônio Vieira, que, em vida e nos seus escritos,   sempre nos ensinou que “A boa educação é moeda de ouro. Em toda a parte tem valor. Ou que a Educação nunca foi despesa. Sempre foi investimento com retorno garantido.

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Osvanira Francisca da Silva é pedagoga e gestora escolar em Cuiabá

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JOSÉ ANTONIO LEMOS – Base aérea em Cáceres

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O presidente Jair Bolsonaro em sua “live” do último dia 19 trouxe o ministro da Justiça e o superintendente da Polícia Federal no Amazonas mostrando sua preocupação com a segurança das fronteiras brasileiras, não só em relação às drogas e armas, como em relação à saída de nossas riquezas naturais para o exterior.

Falou da recente instalação por seu governo de um radar em Corumbá (MS) visando detectar aeronaves suspeitas, em especial no pantanal. Lembro que em 2019, tão logo empossado, o secretário de Segurança de Mato Grosso anunciou que levaria este assunto ao governo federal, colocando na época inclusive a necessidade de instalação de uma base aérea na região, assunto capital para as cidades brasileiras e, em especial para as mato-grossenses.

A proposta da base aérea então levantada pela administração estadual é consistente pois Cáceres dispõe de uma pista de pouso subutilizada com 1.850 x 30m capaz de receber jatos, em posição estratégica aos 1.100 Km da fronteira bem como em relação ao Pantanal, que vem servindo de base receptora de cargas de drogas e armas lançadas por pequenos aviões ou vindas por terra mesmo. Seria o começo de uma revolução na segurança da fronteira e na vida de nossas cidades.

Recordo ainda que em 2009, entre os inúmeros casos semelhantes que se sucedem, a Polícia Federal apreendeu no Trevo do Lagarto um carregamento de armas modernas e poderosas destinadas ao Rio de Janeiro. O transportador informou que aquela era a terceira viagem desse tipo que fazia. Quantas outras cargas já teriam passado?

Na semana anterior fora apreendida uma enorme carga de cocaína e no mês anterior havia sido descoberta uma fazenda no pantanal usada para distribuição de drogas que chegavam por avião. Claro que essa situação já vinha de muito e certamente continua até hoje de diversas formas em volumes muito maiores, justificando a preocupação do presidente e seu ministro.

Problema básico das cidades brasileiras, a insegurança pública lhes impõe um quadro de medo e violência jamais visto. Aqui esta situação é fomentada e se agrava pelos tráficos de drogas, armas e veículos, que se articulam em poderoso esquema nacional e internacional submetendo aos seus interesses e caprichos povos do mundo inteiro, em especial os jovens. Como pensar em qualidade de vida urbana numa situação destas?

Jamais será elogiado o bastante o trabalho difícil e arriscado das polícias militar e civil do estado, Polícia Federal, polícias rodoviárias federal e estadual, e pelo Exército, bem como a importância do apoio governamental a essas ações terrestres na fronteira.

Mas, no nosso caso é forçoso lembrar que Mato Grosso é um dos únicos estados do Brasil a não dispor de uma Base Aérea. Mato Grosso do Sul, Rondônia e Goiás têm, e esta vizinha à de Brasília. É claro o absurdo desta situação considerando os 1.100 quilômetros de fronteira do estado, dos quais 700 em fronteira seca, e a equivalência de seu território a mais de 10% do território nacional.

O problema se agrava com as rotas dos traficantes migrando para o único “rombo” fronteiriço ainda existente e que fica aqui. Só a presença do brasão da Força Aérea Brasileira seria, sem dúvida, um poderoso elemento dissuasivo ao crime. Que fosse a princípio ao menos um destacamento, com uns drones e alguns Tucanos de prontidão.

Será que o presidente Jair Bolsonaro e seu staff pensam nesta situação aflitiva vivida pela gente de Mato Grosso, justo o estado líder nacional do agronegócio tão cantado e decantado por sua importância produtiva e exemplo de povo que não parou de produzir mesmo com a pandemia? Uma base aérea em Cáceres seria um projeto do grande interesse para todos os brasileiros pois a brecha em nossa fronteira é uma das principais fontes de abastecimento do crime em todo o Brasil.

José Antonio Lemos dos Santos é arquiteto e urbanista, é conselheiro licenciado do CAU/MT.

 

 

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DIRCEU CARDOSO – No segundo turno, vote no “menos pior”, mas vote!

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A soma da abstenção e dos votos nulos e brancos, que no resumo significam a desistência do eleitor em participar da eleição, é maior do que os votos dos primeiros colocados – a maior parte deles já eleita em primeiro turno – em 483 municípios brasileiros, entre eles 18 das 26 capitais que elegem prefeitos e vereadores. Em São Paulo, 3,6 milhões de eleitores  deixaram de comparecer, anularam o voto ou votaram em branco no ultimo dia 15. Isso significa mais do que a soma dos votos obtidos pelos dois concorrentes levados ao segundo turno, Bruno Covas (1.754.013) e Guilherme Boulos (1.080.736) mais o terceiro colocado, Márcio França (728.441 votos). O que está acontecendo com o nosso povo? O que estaria levando tantos cidadãos a abrir mão do seu direito de eleger o governante de sua cidade, estado ou até do próprio país?

Nas localidades com menos de 200 mil eleitores ou até nas maiores onde um dos concorrentes obteve mais de 50% dos votos, não há mais o que fazer. Quem não votou, anulou o votou em branco, ficou fora e, moralmente, não terá o direito de reclamar quando não concordar com as atitudes dos escolhidos. Mas nos 57 municípios onde haverá eleição de segundo turno, ainda há a possibilidade de regeneração da participação popular. É importante que o eleitor compareça e vote, se não tiver motivação para escolher um dos finalistas, que vá por exclusão, votando naquele que entender “menos ruim”. Questão de lógica.

Quando um contingente tão grande da massa eleitoral deixa de votar, o resultado da eleição resta enfraquecido, embora legitimado pela legislação eleitoral que, comodamente, ignora abstenção, brancos e nulos. Ele manifesta a vontade dos que votaram, mas não do eleitorado, já que significativa parcela dele foi omissa.

A multidão dos desinteressados acaba, ainda, por favorecer as posições extremadas e radicais – tanto à direita quanto à esquerda – que, insufladas por  idéias e pregações do meio, comparecem e votam nos seus representantes. É por isso que, em algumas situações, candidatos sem qualquer chance aparente, acabam despontando com possibilidade até de se elegerem. Isso é um mal porque, mesmo que cheguem ao poder, não terão a sustentação da maioria da população, que é aquela que deixou de comparecer às urnas.

O eleitor paulistano – e das demais 56 cidades que farão segundo turno de prefeito no próximo domingo – deve por a mão na consciência, recorrer ao pouco de cidadania que ainda deve lhe restar, comparecer e votar. Por pior que o faça, ainda será melhor do que ficar à margem do processo e deixar que os outros – especialmente os radicais – escolham quem vai nos governar durante os próximos quatro anos. Pensem nisso e votem…

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

[email protected]                                      

 

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