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Saúde

A corrida pelas embalagens para vacinas contra Covid-19

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BBC News Brasil

A corrida pelas embalagens para vacinas contra covid-19
Chris Baraniuk – BBC News

A corrida pelas embalagens para vacinas contra covid-19

O funcionário de uma empresa farmacêutica subiu no topo de uma escada, segurando um pequeno frasco de vidro na mão. Olhando para o chão, três andares abaixo, ele soltou o frasco. De propósito.

“Quicou incrivelmente bem”, disse Rob Schaut, diretor científico da Corning Pharmaceutical Technologies. Ele é coinventor do vidro usado para fazer o frasco e ouviu sobre o episódio da escada de um cliente que quis testar a resistência do produto.

Funcionários dessa empresa haviam tentado quebrar os frascos durante os testes de estresse em seu laboratório, mas não conseguiram, então, eles os tacaram de cima de uma escada.

“Este foi o teste mais intenso que eles puderam encontrar”, acrescenta Schaut.

A Corning é a fabricante do Gorilla Glass, um vidro especialmente reforçado usado para fazer telas de smartphones muito resistentes. Mas a empresa tem uma longa história e, entre outras coisas, também inventou as primeiras versões do cabo de fibra óptica usado para comunicações pela Internet.

É uma das poucas fabricantes de frascos de vidro para a indústria farmacêutica, onde os recipientes para medicamentos ou vacinas devem atender a padrões de segurança extremamente elevados, incluindo ser à prova de estilhaçamento e resistentes a temperaturas extraordinárias.

Outras empresas do setor incluem a alemã Schott, fundada por Friedrich Otto Schott, que inventou o vidro de borosilicato em 1897. Este material endurecido ainda é usado para embalagens farmacêuticas hoje, e a Schott diz que três quartos dos projetos mundiais de vacinas contra a covid-19 usam seus produtos.

Mas a Corning chamou a atenção da indústria recentemente com a força de seu produto, o vidro Valor, que foi lançado em 2017.

“É basicamente o Gorilla Glass para produtos farmacêuticos”, diz Steven Fox, analista da empresa de pesquisa de ações Fox Advisors.

Produção acelerada

Vidro líquido

MARIA STRINNI
O vidro Valor da Corning é derretido e moldado ainda quente em tubos

A Corning afirma que os frascos feitos com vidro Valor, por serem tão robustos, podem ser envasados ​​com muito mais rapidez nas fábricas, aumentando a velocidade de produção em até 50%, segundo a empresa.

Essa é uma característica potencialmente crucial em um ano em que o mundo exige bilhões de doses de vacinas no menor tempo possível.

O enchimento mais rápido é possível em parte devido à capacidade dos frascos para lidar com maior estresse mecânico.

Mas também é devido ao fato de que, graças a um revestimento especial, os frascos criam menos atrito quando centenas deles esfregam uns nos outros em uma linha de produção. Em vez disso, eles deslizam juntos rapidamente em grupos organizados e são menos propensos a cair e exigir intervenção manual.

O vidro é feito da sílica encontrada na areia, que derrete e se mistura com vestígios de outros materiais. No caso do Valor, são adicionados cálcio e magnésio para aumentar a resistência do material.

Durante a produção, o Valor é derretido e moldado ainda quente em tubos, que são resfriados e reaquecidos antes de serem moldados em frascos. Schaut explica que a próxima etapa envolve uma técnica de fortalecimento químico semelhante à usada no Gorilla Glass.

Submergindo os frascos em um banho de sal fundido, os íons de sódio no vidro são substituídos por íons de potássio maiores. Isso tem o efeito de “preencher” a superfície do vidro para torná-la mais resistente, diz Schaut. “Quando fazemos isso, a superfície do vidro fica sob compressão, tornando-a muito, muito forte.”

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Resistência a nível microscópico

Os frascos são resistentes em um nível microscópico. Entre as dores de cabeça que os pesquisadores da Corning procuraram resolver com o vidro Valor estava um fenômeno chamado delaminação, em que pedaços microscópicos de vidro descascam do interior de frascos de vidro e se misturam com a vacina ou medicamento, potencialmente reagindo e danificando o produto farmacêutico.

O boro e o sódio podem evaporar do vidro durante o processo de fabricação do frasco, o que desestabiliza a superfície do vidro, tornando-o suscetível à delaminação posteriormente, quando o frasco é preenchido.

Ao eliminar o boro e remover o sódio da superfície do vidro, a Corning evita que essa evaporação ocorra, o que mantém o vidro intacto.

Menos atrito

Frascos de vacina sendo produzidos

Corning
Uma camada extra é adicionada aos frascos para reduzir o atrito entre eles

A etapa final é adicionar um revestimento de polímero ao frasco de vidro. Isso é o que reduz o atrito entre os frascos à medida que eles tilintam nas linhas de produção.

Essa falta de fricção também reduz as partículas de poeira de vidro microscópica que se levantam quando os frascos colidem e que também pode contaminar produtos farmacêuticos.

As vacinas contra a covid-19 que usam mRNA, como as fabricadas pela Pfizer/BioNTech e Moderna, requerem armazenamento em torno de -80ºC. O vidro Valor pode suportar temperaturas entre -180ºC e 400ºC.

A resistência ao calor extremo é útil porque as empresas farmacêuticas lavam os frascos e os aquecem a cerca de 350°C para esterilizá-los antes de enchê-los com produtos.

A robustez dos frascos de vidro é importante, mas em uma corrida para vacinar o mundo, a quantidade pode ser tão importante quanto a qualidade.

Schott disse que pretende produzir 2 bilhões de frascos até o final de 2021. O fabricante americano SiO2, que produz frascos de plástico e os reveste com uma fina camada de vidro, espera fazer 1 bilhão até abril deste ano.

Mulher segura frasco de vacina

Schott AG
A Schott diz que terá produzido dois bilhões de frascos até o final de 2021

A Corning não revelou sua meta de produção para os frascos de vidro Valor em 2021, mas a empresa acelerou a construção de uma nova fábrica na Carolina do Norte, que será inaugurada ainda este ano.

Se frascos suficientes estarão disponíveis a tempo, agora é uma questão de disponibilidade de matéria-prima e capacidade de fabricação e distribuição. Mas o Schaut está confiante que o vidro que ele coinventou fará a diferença.

“Nunca imaginei que haveria uma pandemia que precisasse de nossa invenção”, diz ele.

“Espero que isso ajude o mundo a superar esta crise e leve as vacinas até os braços das pessoas que precisam”.


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Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

Cidade do Rio de Janeiro registra recorde de vacinação em um único dia

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A prefeitura do Rio de Janeiro anunciou ter obtido neste sábado (25) um novo recorde de vacinação em um único dia. Ao todo, 123.352 pessoas receberam o imunizante. Foram aplicadas 53.306 primeira dose, 57.734 segunda dose e 12.312 doses de reforço.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, outro marco também foi alcançado. A taxa de ocupação de 45% dos leitos para tratamento da covid-19 na rede do município é a menor desde abril de 2020.

Nesta semana, o Rio ampliará a faixa etária apta a receber a dose de reforço. De forma escalonada, serão atendidos até quinta-feira (30) os idosos a partir de 80 anos. Até então, já foram convocados com esta finalidade os maiores de 84 anos.

A aplicação da primeira e segunda doses terá continuidade. No caso das pessoas com 50 anos ou mais que foram vacinadas com o imunizante da Pfizer, o intervalo entre as duas doses foi reduzido para 21 dias.

Edição: Fernando Fraga

Fonte: EBC Saúde

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Saúde

‘Reforço da vacina com meia dose pode salvar o mundo’, diz médica brasileira

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Vacinação em São Paulo
Governo de São Paulo

Vacinação em São Paulo

O reforço da vacina contra a Covid-19 com meia dose do imunizante “pode ser uma salvação para o mundo”, afirma a médica carioca Sue Ann Costa Clemens. Ela foi a responsável por trazer os testes clínicos da vacina de AstraZeneca/Oxford para o Brasil.

Sue é chefe do comitê científico da Fundação Bill e Melinda Gates, docente de Oxford, diretora do primeiro mestrado em vacinologia do mundo, na Universidade de Siena, e ganhadora do Prêmio Faz Diferença. A médica segue realizando estudos no Brasil, entre eles o que pode transformar a dose de reforço em meia dose.

“Há uma força tarefa para estudar meia dose de reforço. A terceira dose tem que oferecer proteção semelhante ou maior àquela que a pessoa teve após a segunda dose. Há vários estudos, da Pfizer, da Moderna e da Janssen, que mostram que, com meia dose ou um terço de dose, a população não vulnerável, entre 18 e 60 anos, tem um pico de imunogenicidade suficiente e maior que o da segunda dose”, afirma.

“Apresentei essa ideia ao ministério porque estive numa reunião do Covax, com OMS e Opas, e discutimos sobre isso. Se conseguirmos mostrar que o ‘booster’ de meia [dose] tem um efeito excelente, a gente dobra nossa capacidade. Pode ser uma salvação para o mundo”, continua.

Em entrevista ao Globo, a médica afirma que o reforço da vacinação pode servir não apenas para aumentar a quantidade de anticorpos no organismo, mas também para aumentar o tempo de proteção contra a Covid-19.

“Esse é o grande papel da intercambialidade [entre vacinas]. As diferentes plataformas vacinais oferecem diferente duração da proteção. As vacinas de vírus inativado, de farmacêuticas como Sinovac e Sinopharm, têm uma imunogenicidade menor e isso se traduziu numa eficácia menor. Elas estão ajudando, só que a gente tem que se preocupar com a queda de proteção que vai ocorrer. A ideia é, ao dar uma outra vacina, não só aumentar a imunogenicidade e anticorpos neutralizantes, mas também aumentar a duração da proteção”, explica.

Fonte: IG SAÚDE

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