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Opinião

CRISTHIANE BRANDÃO – O papel da mãe na governança familiar

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Um dos conceitos centrais da teoria do psicodrama é o de papel definido por J. L. Moreno como a unidade psicossocial da conduta, que significa uma forma de estar no mundo a partir do desempenho de papéis. Desde o início da nossa vida, e durante toda a sua extensão, é deste modo que nós nos tornamos quem somos.

Com base nesse conceito de papel que Moreno desenvolve sua teoria das relações interpessoais. Afinal, o que essa teoria tem a ver com as mães? Quais papéis exercidos pela mulher e como lidar com eles, em especial, na família empresária? De que modo encontrar equilíbrio frente aos diversos papéis?

Ainda que “a família seja uma coisa e o trabalho outra”, a prática exige jogo de cintura, pois como a mãe vai ser conselheira da empresa e avaliar o executivo, que é o filho? Como apoiar a decisão do presidente do Conselho, que é marido e pai do executivo? Como ser justa nos negócios e na família? Como assegurar o legado dos negócios e da família, equilibrando tempo entre família e negócios?

É inegável, a família vem passando por uma transformação tão rápida e profunda que a educação, a convivência e os valores estão permanentemente em xeque. Portanto, é normal a esposa e mãe muitas vezes se sentir perdida e até estressada, pois precisa exercer o papel tradicional de ser “amorosa” sem deixar de “impor limites”.

Neste contexto, a família empresária vive um grande desafio: seus integrantes precisam conviver, ter intimidade e ao mesmo tempo disciplina, mas também conseguir separar vida pessoal e profissional.

Observe que já não é mais tão simples para as empresas sobreviverem no atual cenário altamente competitivo e tecnológico, portanto, é imprescindível desenvolver uma estratégia inteligente para definir com clareza os papéis e sistematizar as práticas para a consolidação do legado da empresa.

A mulher novamente é uma peça-chave para a governança familiar devido ao seu papel de educadora, que intuitivamente trabalha pela integração da família e valoriza cada passo do processo de desenvolvimento. Ela é uma espécie de “continente”, onde a família se abastece e nutre.

Se antes o lugar delas era restrito apenas à casa, ao lar, e isso por muito tempo foi desvalorizado, hoje, tornou-se um valor essencial para a família empresária onde os papéis transitam com menos rigidez. Uma nova concepção de empresa e de família surgiu, mais integrada.

O objetivo com a governança familiar é justamente que a família experimente maior leveza na condução do trabalho, o que oferece inclusive uma oportunidade incrível: mais tempo para que mulheres e mães possam cuidar de si mesmas. Elas, sempre tão sobrecarregadas, poderão ter mais qualidade de vida.

Porém, é importante compreender que a governança familiar é antes um processo e uma construção. A família empresária precisa olhar para isso, e geralmente a mulher tem mais sensibilidade para compreender o momento necessário.

A governança bem implementada atua na equidade das relações, permeia a cultura existente, introduz novos interlocutores (conselheiros), cria condições para o futuro do negócio e perspectivas para a família, respondendo a questões que geralmente são endereçadas pela necessidade que se apresenta à família e podendo ser trabalhadas de forma preventiva e alinhadas a todos os envolvidos no processo, tais como:

“Quem fará a sucessão da mãe na família empresária? Quem assumirá os compromissos, responsabilidades e ainda perpetuar: a família, os negócios e a propriedade?”.

Quando ingressamos, então, na esfera da empresa, percebemos que essa mulher/mãe também estende a maternidade para os “filhos funcionários”, cuidando deles, assegurando condições de trabalho, exigindo resultados, e cuidando das estratégias do negócio. E continua cuidando da sua família.

Seja você mãe, filha, neta, mulher, irmã, sócia, gestora, enfim, cada um dos papéis tem sua importância e abrangência. No desenrolar do processo de governança, naturalmente o peso vai saindo dos ombros de alguns membros da família. Para além dos conflitos, medos e angústias, existe muito amor envolvido na família empresária! Hoje é sem dúvida uma datar importante, parabéns mães!

Cristhiane Brandão, Conselheira de Administração em Formação, Consultora em Governança & Especialista em Empresas Familiares. Sócia fundadora da Brandão Governança, Conexão e Pessoas

 

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Opinião

DIRCEU CARDOSO – A universidade, formadora e sem militância política

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Criadas sob inspiração liberal, com a finalidade de ensejar o desenvolvimento, as universidades vieram para reunir e qualificar os profissionais que o mercado necessita. Têm a dupla função de preparar a mão-de-obra que os empreendimentos exigem e, na outra ponta, oportunizar aos cidadãos e cidadãs as condições  para preencherem as vagas laborativas tanto no setor público quanto no privado. Ao sair das escolas, os novos profissionais  concorrem e  preenchem as vagas dos concursos públicos e nos postos oferecidos pelas empresas dos diferentes ramos.
Existem no país 2.537 instituições, entre universidades, centros universitários, faculdades, institutos federais e centros de educação tecnológica, Nelas estudam 6,5 milhões de alunos, dos quais 175 mil em pós-graduação. Formam-se anualmente 900 mil alunos (686 mil no ensino superior e os restantes no médio e tecnológico). Mesmo assim, os cursos disponíveis não têm conseguido ajustar a oferta à demanda do mercado, registrando-se sobra de formados em algumas áreas e falta em outras. A formação demora de três a seis anos de estudos, dependendo do ramo e sua complexidade. Há, ainda, ocupações que exigem pós-graduação e especializações, podendo o apronto do profissional ultrapassar uma década. O ensino é caro, tanto para os alunos das escolas privadas que pagam altas anuidades quanto para a União e os Estados que mantêm as escolas públicas. O sistema é imprescindível tanto para as atividades governamentais e econômicas quanto à população que carece de emprego e renda e, por conta da disputa e da escalada tecnológica, tem de se preparar melhor a cada dia que passa.
Além da tarefa formadora da mão-de-obra nacional, a universidade e os centros tecnológicos também prestam serviços de ponta até que estes tenham executores privados em condições de assumir a demanda. É uma importante atividade dentro de um país em frequente desenvolvimento e da chegada das novas tecnologias. Porém, com toda essa importante e inadiável missão educacional, social e econômica, o meio sofre o indevido aparelhamento político-ideológico. A esquerda infiltrou-se na universidade e em muitos casos atrapalha sua função quando, profissionais cooptados, em vez ou ao lado de formar o aluno nas áreas para as quais os cursos foram criados, insistem em transformá-los em militantes políticos. Não raramente, a formação de militantes é tratada com o mesmo ou até maior empenho que a curricular.
Ao ser criado, todo curso tem seu programa e objetiva a formação profissional. Até o ensino de ciência política é organizado de maneira a informar genericamente o aluno para que, com o conhecimento adquirido, exerça suas atividades profissionais e, se esse for seu desejo,, faça sua opção política e milite pelas causas que vier a escolher. Não é missão do professor imprimir viés ideológico às aulas. Quando ocorre, é uma grave distorção que tem de ser denunciada e combatida. Todo tempo empregado para difusão ideológica é perdido e certamente faz falta na formação do aluno dentro da carreira que abraçou. O professor, o servidor e até mesmo o aluno têm o direito de atuar  politicamente, mas nunca na sala de aula. O correto é escolherem o partido com que se identifique e participar de suas atividades, sem a promiscuidade com o sagrado templo do ensino.
É difícil identificar com certeza desde quando os esquerdistas tentam fazer da universidade o quintal de suas casas. Há quem diga que eles chegaram a esse ponto  em razão de um cochilo ou falta de interesse da direita que, se tivesse feito o mesmo, teria garantido pelo menos o contraponto. É, acima de tudo, injusta a politização da universidade e do ensino como um todo, pois a escola se destina a toda a população e deve estar acima da partição ideológica. É importantíssima para o desenvolvimento. Basta lembrar a potência em que se transformou a Coréia do Sul depois de sofrer uma devastadora guerra e optar por investir massivamente em Educação. O Brasil, que investe alto no setor, assim como a família que gasta elevadas somas para estudar os filhos, perderão muito se, em vez de profissionais, eles saírem diplomados e feitos militantes (não importa se de direita ou esquerda). O aluno tem de ser qualificado profissional e não politicamente. Sem isso, com todos os diplomas, continuará desempregado…

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) [email protected]                                                                                                     

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ALFREDO DA MOTA MENEZES – Estranho momento

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O filho do presidente, Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio e que coordena o escritório de campanha do pai para a reeleição, disse que é “impossível conter reação de apoiadores a resultado de eleições”.

Quase no mesmo dia, em encontro com empresários no Rio, Braga Neto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro, disse que “sem auditoria de votos não tem eleição”. E tem ainda autoridade incentivando o armamento da população civil.

São frases e posicionamentos de pessoas íntimas do poder que sinaliza para algo antidemocrático, inclusive com manifestações e atos violentos, se Bolsonaro perder a eleição.

Não se fala nada contra as urnas e a Justiça Eleitoral se, ao contrario, Bolsonaro ganhar a eleição. Aí, deduz-se, a urna estaria correta e a Justiça Eleitoral também.

Bolsonaro ganhou cinco eleições para deputado federal e uma para presidente com essas urnas, seus filhos também ganharam eleições com elas. Agora não seriam mais confiáveis.

Baseado em que Bolsonaro diz que ganhou a eleição do Fernando Haddad no primeiro turno? Baseado em que também o presidente diz que Aécio Neves ganhou a eleição de Dilma Rousseff? Tem alguma prova? Até ontem isso não ocorreu.

Essa coisa da direita política reclamar de fraude em eleição não é só aqui. Nos EUA, Donald Trump, mentor da direita nacional, disse que ganhou a eleição de Joe Biden. Que foi roubado. Ele também disse frase a assessores que repercutiu, “digam que a eleição foi fraudada e deixe o resto comigo”.

Não apresentou nenhum prova, foi desmentido pela Justiça dos EUA.

Tem uma investigação no Congresso norte americano sobre esse assunto. Mostram como Trump incitou a invasão do Capitólio. Mostram detalhes incríveis de como ele não queria deixar o governo dizendo que fora eleição fraudada.

É praticamente impossível fraudar a eleição nos EUA. Quem elege o presidente é  colégio eleitoral de 538 delegados.  Estados com mais população e eleitores, como a Califórnia, tem mais votos nesse colégio eleitoral, outros estados, de acordo com seu eleitorado, tem votos variáveis no colégio.

O candidato a presidente que ganhar no voto popular num estado leva todos os votos eleitorais dali. Quem tiver, no final, mais votos do colégio eleitoral, ganhou a eleição. Pode até ter mais votos na votação geral nacional, mas pode perder no colégio eleitoral. Al Gore perdeu para George Bush assim. Como fraudar aquele sistema? Teria que ter fraudes em muitos estados de forma combinada, coisa impossível.

Mas a direita política de lá criou essa desconfiança. Mostram pesquisas que a maioria dos membros do partido Republicano de Trump acredita que houve fraude eleitoral nos EUA. E não apresentam nenhuma prova. Aqui a direita política caminha na mesma trilha. Falam, antecipadamente, que a eleição será fraudada se Bolsonaro perder. A democracia, lá em cá, está na berlinda.

A direita política no Brasil não vai querer aceitar o resultado da eleição se Bolsonaro perder. Vem confusão por aí. Vejam as falas e posicionamentos de expoentes da campanha do presidente. Mas a democracia e o bom senso prevalecerão.

Alfredo da Mota Menezes é analista político

 

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