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O Documento - Lembranças do Dermat

WILSON FUÁ

Lembranças do Dermat

Por: Wilson Fuá

Os funcionários do Departamento de Estradas de Rodagem de Mato Grosso, sentiam orgulho de serem chamados de rodoviários, e os Engenheiros diziam com prazer: "eu sou Engenheiro de Estradas, sou um Engenheiro Rodoviário", em seu quadro tinham componentes específicos: os Técnicos de Estradas; os Desenhistas e Projetistas; os Topógrafos; os Laboratoristas; os Administradores de Campo; os Operadores e Mecânicos de Máquinas; os Mestres Carpinteiros (construtores de Pontes de Madeira), os Cozinheiros e não podemos deixar de lembrar do pessoal da Administração e os Diretores, que gravaram seus nomes na história deste estadão de Mato Grosso, mas que foram esquecidos na hora das homenagens e festividades das inaugurações de rodovias e pontes deste Estado.
 Hoje, voltando no tempo, os servidores do Dermat ficam a imaginar os saudosos tempos onde não existiam grandes empreiteiras e todos os serviços eram executados por obras diretas (projetos; implantação; manutenção; construção e pavimentação de rodovias; pontes de madeiras e concretos, os funcionários se auto especializavam, e as experiências eram repassadas entre eles na própria execução do objeto da obra).
O Dermat tinha em suas equipes compostas de grandes engenheiros, (só para lembrar alguns e homenagear os demais citamos: Renê; João Manoel, Orlando; José Carlos, Luiz Carlos, Domingos; Arquimedes; os Fernandos - Muller, Calmon e Boca Preta; Sanduca; Carlos Siqueira; Hilton; Elesbão; Adélcio; Tércio; Filogônio; Zenildo; Mariângela; Marilda; Gisela; e Letícia e tantos outros) tinha os Rádios Amadores: Herani e Paiva que mantinham a comunicação com as frentes de serviços; os Administradores de Campo (como: Gonzaga, Leonardo; Antônio Ribeiro; Luiz Ribeiro e Ciro) , Topógrafos (como: Baiano e Seabra), Carpinteiros construtores de Pontes de Madeira (como: Mestre Paulo, Mestre Agostinho, Mestre Airton e Mestre Antônio de Andrade), Operadores de Máquinas(como: Branco; Baiano e Zacarias) Motoristas (como: Abílio, Abel, Galdino Castiça, Janildo; Lenine; Ilton, Zaféte) Mecânicos (como: Mané Bombril e Mané Sombração) , Cozinheiros (como: Dito Boi; Alcides, Mané Romão e Gregório).
Cada rodovia a ser construída tinha uma patrulha rodoviária, com seus equipamentos: Trator de Esteira, Motoniveladora, Rolo Compressor e Pé de Carneiro; Caminhões Basculantes, Pá Carregadeira e Melosa (para lubrificação).
Essas equipes chegavam à beira de um córrego e acampavam, e todas as etapas alimentares eram preparadas pelo cozinheiro da equipe, que servia a famosa "Maria Izabel", feita de carne seca com arroz, pimenta malagueta e cebolinha plantada no canteiro a beira do córrego, e a sobremesa era deliciosa marmelada em lata, ou rapadura simples, tinha o cafezinho da hora, quentinho coado no saco de pano (o Dermat fornecia a etapa alimentar), e essa equipe ficava acampada até a conclusão da estrada, velhos tempos que não voltam mais.

Essas estradas construídas estão gravadas na historia de cada um desses trabalhadores anônimos, e que através desta crônica estamos a homenageá-los, os carpinteiros juntamente com o cozinheiro, instalavam suas barracas cobertas de lonas ou folha de babaçu, geralmente na beira de um riacho ou córrego, e ficavam ali acampados até o término da construção da rodovia, e mesmo com saudade e apreensão, deixavam suas esposas e filhos para trás e dedicavam suas vidas em nome do Dermat e do Estado de Mato Grosso. Todos os funcionários do Dermat tinham orgulho de ser estradeiro e ser um desbravador de sertão.

Hoje, ainda vaga nas lembranças daqueles servidores os nomes dos grandes engenheiros que ocupavam cargos de presidentes pelo Dermat, podemos citar alguns como: o Dr. Marcelo Miranda Soares; depois Dr. Lotufo; Dr. London e Dr. Edgar Prado, entre outros também muitos importantes, só para citar alguns nomes históricos.

A partir das picadas abrindo clarão na mata, os sonhos e projetos rodoviários eram transformados em realidade, e a partir daí, nasciam novas comunidades e novos lugarejos, e enfim novas cidades e até hoje o progresso deste Estado é levado através das rodas dos caminhões. Fica aqui registrado que muitos trabalhadores perderam a vida contraindo a febre amarela e doenças tropicais, quantos trabalhadores não deram suas vidas em acidentes de trabalho?

Reconhecer é a melhor forma de homenagear, mas como o reconhecimento é difícil para chegar aos humildes, digo que nesta terra não se homenageia os pequenos trabalhadores, isso fica claro, é só pesquisarmos que apenas uma  ponte contém nome Orlando Monteiro, morto em  acidente de avião em serviço.

Parabéns a todos os servidores do antigo Dermat, muitos já faleceram, mas fica aqui essa homenagem a todos vocês, onde estiverem, pois a história há de lembrar-se de todos os verdadeiros estradeiros, que tem o sentimento de rodoviário convicto e que tem a estrada na alma.

Nas imagens dos acampamentos ficaram as lembranças de um tempo muito bom, e naquelas lembranças fazem partes da vida daqueles servidores do Dermat (as brincadeiras na colocação de apelidos, as alimentações feita na hora (quentinhas e saborosas), as noites mal dormidas nas redes (suportando os mosquitos) e tinha o lado bom, como os banhos de córregos, pescarias nas horas vagas, colheitas de frutas do serrado e caçadas de animais para diversificar a alimentação). 
Mas tenham certeza que no progresso deste Estado de Mato Grosso, ficará para sempre inserido a parcela do trabalho, do cansaço e do suor daqueles profissionais rodoviários que construíram este estadão de Mato Grosso.

Economista Wilson Carlos Fuáh – É Especialista em   Recursos Humanos e Relações Sociais e Políticas.

Fale com o Autor: wilsonfua@gmail.com         

 

 

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