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O Documento - Copa do Pantanal, 4 anos

ANTONIO LEMOS

Copa do Pantanal, 4 anos

Por: José Antonio Lemos

O cuiabano sempre foi amante do futebol. Na minha infância jogava-se bola em qualquer lugar com qualquer objeto de aparência esférica que aparecesse, um papel amassado, uma laranja e às vezes até uma tampinha de garrafa abandonada no pátio da escola, com dois “bambolês” de traves. Porém nem mesmo o mais apaixonado cuiabano amante do futebol havia sequer pensado que um dia Cuiabá pudesse sediar uma Copa do Mundo, o olimpo mundial de tão querido esporte. E não é que aconteceu? No próximo dia 13 de junho já se completam 4 anos do primeiro jogo da Copa do Pantanal, evento que foi até o dia 24 do mesmo mês, abrindo com Santo Antônio e fechando com São João. Contudo, um triste processo de desconstrução política a faz parecer bem mais distante, já quase esquecida. Mas não dá para esquecê-la fácil.

Junho de 2014 chegou com os primeiros turistas. O primeiro, Cristian Guerra, chileno, chegou depois de 4 meses de viagem de bicicleta. E logo chegaram aos milhares, alegres, dando aula de como torcer aos brasileiros. Os chilenos uníssonos com seus “chi-chi-lê-lê”, os australianos de cangurus e coalas. E também vieram os russos, nigerianos, coreanos, os bósnio-herzegovinos, colombianos e os japoneses ensinando civilidade ao limpar a Arena após o jogo, lição usada pela torcida do Cuiabá no primeiro jogo de seu time após a Copa, mas ficou só nesse primeiro e depois esqueceram. Podiam relembrar.

Os colombianos trouxeram sua rainha, a bela Shakira e deixaram a lembrança do gol de James Rodriguez, escolhido por ele como o seu mais bonito, ele que depois foi eleito o Craque das Américas e que chegara como mero substituto do então astro maior colombiano machucado. Veio Bachelet, a presidente do Chile, Wolverine, o príncipe da Austrália e outras personalidades globais que nem foram percebidas em meio a turba alegre e festiva que lotou a Arena, o Fan Park, a Arena Cultural e a Praça Popular ponto de encontro de todas as torcidas. Fora dos jogos e das festas, o Centro Geodésico foi lugar de visitação constante, com os turistas sul-americanos procurando suas capitais no piso do marco.

Ao final as pesquisas noticiadas constataram que 91,6% dos visitantes aprovaram Cuiabá e recomendariam Mato Grosso como destino turístico. Em pesquisa do Ministério do Turismo 99% dos visitantes escolheram Cuiabá como a sede mais hospitaleira e a Arena Pantanal foi a preferida entre os jornalistas estrangeiros pelo site UOL, logo a UOL, sempre tão dura com Cuiabá. Até o New York Times se rendeu àquela que chamou de “a menor das cidades-sede”. Quer mais?  Mais importante, cerca de três quartos da população local aprovaram as transformações trazidas pela Copa e acham que a cidade não passou vergonha, isso a 4 anos atrás, quando bem menos obras estavam concluídas ou em uso.

Mas para Cuiabá a Copa vai além dessa festa tão bonita. Ela elevou sua autoestima e ensinou o cuiabano a cobrar pelas obras e serviços públicos a que tem direito pressionando-o a continuar cobrando a conclusão de todo o legado prometido de obras públicas e que ainda estão a exigir muita atenção e cobrança pela população. Mas, uma vez aprendido, no rastro da cobrança das obras da Copa, que sejam cobradas também as demais obras públicas, muitas das quais vêm de bem antes da Copa e ainda se arrastam sem perspectivas de conclusão.

O importante é que a Copa do Pantanal, o evento em si, aconteceu com enorme sucesso em todos os sentidos, superando as expectativas dos maiores otimistas. Para aqueles que apostavam que a cidade seria o “patinho feio” da Copa no Brasil, Cuiabá acabou se mostrando como um belo tuiuiú serenando bonito no alto, para depois se assentar vitorioso no chão, como na letra do siriri tão conhecido.

JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é conselheiro do CAU/MT e professor universitário aposentado.

 

 

 

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