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O Documento - MPF denuncia Lula por corrupção passiva na Operação Zelotes

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MPF denuncia Lula por corrupção passiva na Operação Zelotes

Por: Da Redação
Ex-presidente e Gilberto Carvalho teriam recebido R$ 6 milhões em propina
Ex-presidente e Gilberto Carvalho teriam recebido R$ 6 milhões em propina

O Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF) denunciou o ex-presidente Lula e mais seis pessoas pelos crimes de corrupção ativa e passiva. De acordo com as investigações, as irregularidades foram praticadas no período de elaboração e edição da medida provisória que prorrogou por cinco anos benefícios tributários para empresas do setor automobilístico.

Segundo a investigação, a edição da MP envolveu o pagamento de vantagens indevidas a intermediários do esquema e a agentes políticos. De acordo com a denúncia, R$ 6 milhões dos R$ 33 milhões negociados foram prometidos ao ex-presidente Lula e ao então chefe de gabinete do petista Gilberto Carvalho. E o dinheiro teria sido destinado para o custeio de campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores (PT).

Esta é a segunda denúncia contra o petista motivada por investigação da Operação Zelotes. Na primeira, ele e o seu filho Luiz Cláudio Lula da Silva se tornaram réus e respondem pelos crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Na denúncia enviada nesta segunda-feira à Justiça Federal, o MPF pede que os envolvidos paguem R$ 12 milhões a título de ressarcimento ao Erário e multa por danos morais coletivos.

Metade do valor acertado foi repassado pela montadora MMC-Mitsubish à empresa M&M. A empresa foi o canal utilizado para viabilizar o recebimento e a distribuição da propina, de acordo com o MPF.

Além de Lula, foram denunciados Gilberto Carvalho, os empresários Carlos Alberto de Oliveira Andrade, do Grupo Caoa, e Paulo Ferraz Arantes, da Mitsubishi, o ex-presidente da montadora MMC-Mitsubish Paulo Arantes Ferraz, o ex-conselheiro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), José Ricardo Silva, e o lobista Alexandre Paes dos Santos.Os dois últimos são suspeitos de atuar como intermediários do esquema.

A empresária e sócia do escritório Marcondes e Mautoni Empreendimentos Cristina Mautoni, o ex-ministro da Fazendo Guido Mantega, a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, o ex-ministro do Desenvolvimento Miguel Jorge, o atual ministro do Planejamento Dyogo Oliveira e Nelson Machado, Nelson Machado, que foi secretário executivo do Ministério da Fazenda, eram investigados no mesmo processo, mas não foram denunciados.

Além de garantir a edição e aprovação da MP no Congresso, os recursos também foram usados para comprar o cancelamento de um débito de R$ 265 milhões que era objeto de um recurso no Carf. Este fato, no entanto, é objeto de outra ação penal em tramitação na 10ª vara da Justiça Federal em Brasília.

De acordo com o MPF, a investida do grupo criminoso junto ao governo começou em junho de 2009 quando José Ricardo Silva, recebeu do diretor jurídico da M&M duas cartas endereçadas ao então presidente da República com os pedidos de alteração legislativa. Os documentos foram elaborados pelo diretor jurídico da M&M, Ricardo Rett e chegaram a sugerir que a mudança legislativa fosse efetivada por meio de Medida Provisória, o que acabou ocorrendo.

Entre as provas mencionadas pelo MPF estão manuscritos, e-mails e até atas de reuniões apreendidas com os envolvidos. Para o MPF, as expressões “kit de material enviado a Gilberto Carvalho e “café Gilberto Carvalho” que constam de documentos apreendidos evidenciam a relação do grupo criminoso com os agentes públicos.

Além disso, os procuradores destacam uma mensagem em que Alexandre Paes dos Santos afirma que “colaboradores” de Mauro Marcondes teriam exigindo R$ 10 milhões e que o valor foi reduzido para R$ 6 milhões após “esforço de sensibilização de Mauro”. Para o MPF, trata-se do ex-presidente Lula e de Gilberto Carvalho. A mensagem endereçada aos responsáveis pela empresa SGR Assessoria, de propriedade de José Ricardo, foi elaborada após a empresa Caoa ter desistido de pagar a sua parte no combinado.

A negociação inicial previa o pagamento de R$ 33 milhões. No entanto, recebeu só a metade, o que teria dificultado o pagamento das propinas. Também constam da ação, referências a manuscritos e a registros feitos por José Ricardo da Silva e João Batista Gruginski que, na avaliação do MPF, confirmam a cooptação dos agentes públicos com o objetivo de garantir a edição da Medida Provisória.

O Instituto Lula ainda não se pronunciou sobre a denúncia do MPF. O GLOBO entrou também em contato com a defesa de Paulo Arantes Ferraz e Alexandre Paes dos Santos e aguarda retorno. As defesas dos demais denunciados ainda não se manifestaram sobre o assunto.


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