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O Documento - Seo Athaíde Ferreira: o cartório de Várzea Grande

PERSONALIDADE

Seo Athaíde Ferreira: o cartório de Várzea Grande

Por: Wilson Pires
Fonte: Reportagem Local

Athaíde Ferreira da Silva, 27 de janeiro de 1918. Este nome pode representar nada, mas ele esboça a história da introdução dos serviços de cartório em Várzea Grande. Trata-se do primeiro cartorário da terra de Couto Magalhães, que desenvolveu suas atividades no Cartório Privativo do Registro Civil, hoje Cartório do 2º Ofício.
A vida do “seo” Athaíde no município é interessante e cheia de fatos curiosos.
Nascido em Várzea Grande, ainda distrito de Cuiabá, em 1918, ele iniciou seus estudos na Escola Professora Odília. Após dar baixa no Serviço Militar, foi convidado para assumir o Cartório de Várzea Grande, 1939.
Nem mesmo a vida difícil do Exército Brasileiro (16º BC), em 1918, e os estudos impediram que o seo Athaíde Ferreira da Silva, viesse a assumir as rédeas, em 1939, do primeiro Cartório existente em Várzea Grande. Seo Athaíde dizia que quem comandava os trabalhos, até então, era Jacinto Caetano Botelho, que vivia embriagado. Foi questão de pouco tempo, Jacinto abandonou tudo e seo Athaíde Ferreira, assumiu. Só existiam quatro livros, mesmo assim, em situação precária de funcionamento.
Na Várzea Grande dessa época, falava, não existia nada, nem mesmo estradas. Só tinha uma linha de ônibus, que fazia o trajeto Cuiabá/Várzea Grande, três vezes ao dia, até na balsa a beira do Rio Cuiabá. Seo Athaíde recordava das dificuldades, pois acordava às 4 horas da madrugada, para conseguir pegar a primeira balsa, que saía do Porto às 6:30. O percurso era feito a pé, até na balsa. Outros companheiros, como Salin Nadaf, Cir Botelho, Francisco Pinto e Nhonho, também escalavam estradas para ir até a capital mato-grossense.

COMEÇO DO DESENVOLVIMENTO

Filho de família tradicional da terra de Couto Magalhães (Pedro José Ferreira e Avenina Pedrosa Ferreira), “seo” Athaíde dizia que nos períodos de férias, ao invés de passear, ia ajudar o pai a capinar roça, nas proximidades do rio Cuiabá. Logo que assumiu o Cartório em 39, Várzea Grande começou a ser loteada, e a ponte, tinha sua construção também iniciada. Da mesma forma, o Exército Brasileiro trabalhava para a conclusão da estrada (hoje BR-364, que cortava o município), naquele tempo, BR-29. “Tudo foi feito pelo Grupo do Exército, o CR-5”.
O campo de aviação, hoje Aeroporto Marechal Rondon, foi construído em 1948, logo após Várzea Grande passar à condição de município emancipado.
1946 “seo” Athaíde Ferreira da Silva casou-se com Escolástica Campos Ferreira. Desse relacionamento, o casal teve 6 filhos, além de dois adotivos. São eles: Maria Clarinda Silva, Elisabeth Botelho, Hélcio José Ferreira, Alibel Ferreira (Ferreirão), Dalva C. Ferreira, Hermes Gonçalo Ferreira (Nenê), Hélio Ferreira e Odilza C. Ferreira.

ROTINA NORMAL

Sobre os trabalhos de cartório na Cidade Industrial, “seo” Athaíde Ferreira da Silva, dizia que tudo sempre transcorria de forma normal. O maior movimento era registrado em épocas eleitorais.
Pelo fato de ser militar, lembra que certa vez estava escrevendo tranqüilo quando apareceu uma Perua Kombi com vários oficiais do Exército, em busca de irregularidades. Fizeram uma devassa e nada encontraram. Em outra oportunidade, quando estava reconhecendo firma em vários documentos, notou que estava sendo observado por um coronel do Exército. Após observar a assinatura por muitas vezes, ele se desculpou e saiu, pois estava procurando um cartório que havia falsificado alguns documentos.
Outra vantagem, relatada pelo próprio, ficou por conta de um candidato, que era casado pelo Cartório de Várzea Grande. “Ele queria uma certidão de que não era casado. Ofereceu tudo o que tinha direito e não de direito. Disse-lhe que não se tratava de questão de pagamento ou não, mas sim de índole do cidadão. Não forneci e ainda por cima, o entreguei. Acontece que ele queria a certidão para conseguir casar se com uma ricaça. Ela veio no Cartório tirar informações e eu disse que ele era casado, fornecendo inclusive, uma cópia da certidão autenticada”.

POLÍTICA

“Seo” Athaíde nunca teve interesse de disputar cargos eletivos. Trabalhou muito na política, na época de Eurico Gaspar Dutra. Trabalhava até a noite para providenciar a documentação necessária. Foi seguidor do antigo PSD, entretanto sobre a política de um modo geral, Athaíde só via desilusões.

DECEPÇÃO

Os chefes políticos viam em seu Athaíde um político promissor. Lutaram muito para que o mesmo se candidatasse, mas sempre relutou. “Dizia que as pessoas pobres devem sempre ter um custeio fixo para o sustento familiar”. Para ser candidato, teria que abandonar o Cartório pelo menos seis meses antes da eleição. Isso só acarretaria em despesas.
Para se ter uma idéia da decepção do seo Athaíde com a política, ele nem sentia vontade de votar no dia da eleição, devido aos candidatos que apareciam. Não hesitava em criticar a maioria dos políticos, que em sua opinião, só trabalhavam em causa própria, se esquecendo de trabalhar pelo progresso do município.

SUOR E TRABALHO

O velho cartorário gostava de falar que tudo o que conseguiu na vida, foi com muito suor e trabalho. “A Várzea Grande de hoje precisa mesmo é de dinheiro para corrigir erros do passado. O progresso surgiu do nada e isso deveria ser levado a sério pelos políticos”, ensinava.
Quanto à migração vivida em Várzea Grande, Athaíde Ferreira desabafava: “Os que chegam de fora trazem progresso, mas também provocam desordens. É muito relativo. Aparece muita gente boa, mas também maus elementos. É preciso ficar de olho aberto. Bem aberto”.
“Seo” Athaíde Ferreira da Silva, morreu em Várzea Grande dia 24 de Maio de 2000, aos 82 anos.

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    Depois de construído e rendendo lucros, cartório passou a ser o único no Brasil a relativizar o caráter absolutista constitucional do direito adquirido, para assim privilegiar, a despeito da lei, os manipuladores da lei dentro do judiciário.