SELECT p.*, IF(LENGTH(fotos)>10,0,(SELECT id FROM w229_post_fotos WHERE post=p.id ORDER BY principal DESC, id LIMIT 1)) AS fotoGal FROM w229_post AS p WHERE p.id=31024 LIMIT 1
O Documento - Gonçalo Domingos de Campos e seus segredos

WILSON PIRES

Gonçalo Domingos de Campos e seus segredos

Por: Wilson Pires
Gonçalo Domingos ao lado da esposa Dirce Leite
Gonçalo Domingos ao lado da esposa Dirce Leite

Filho de família tradicional na política mato-grossense, o comerciante Gonçalo Domingos de Campos era conhecido pela sua franqueza. Não tinha “papas na língua” e sempre dizia aquilo que pensava, às vezes até ofendendo outras pessoas.
Foi vereador e presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, quando Napoleão José da Costa era prefeito.
Por muitos anos, resistiu à tentação de ser candidato à Prefeitura Municipal e, em 1969, lançou a candidatura do seu filho mais velho Ary Leite de Campos.
Trata-se do comerciante Gonçalo Domingos de Campos, nascido em 10 de janeiro de 1916, irmão de Júlio Domingos de Campos, o seu Fiote e tio dos ex-governadores Jaime e Júlio Campos.
Descendente de Nossa Senhora do Livramento, Gonçalo Domingos de Campos não pensou duas vezes para se casar, em 1940. Desposou dona Dirce Leite de Campos, filha do coronel João Vicente Pedro de Barros, líder que comandou a política por muitos anos em Nossa Senhora do Livramento, nas décadas de 30, 40 e 50.
Foi casado por mais de 50 anos com dona Dirce Leite de Campos. O casal teve oito filhos, quatro homens e quatro mulheres: Ary Leite de Campos, Terezinha Catarina de Campos Monteiro, João Nazarello de Campos, Gonçalo Domingos de Campos Filho, Atair Leite de Campos, Maria Nazarello Campos, Antonina Leite de Campos e Marize Leite de Campos. Deles, o mais velho Ary Campos foi o único que sucedeu o pai na vida pública.
Seo Gonçalo Campos sempre foi comerciante, começando a trabalhar no ramo aos 16 anos de idade.
O primeiro empório que teve foi na Travessa 24 de Maio, vendendo secos e molhados. Depois, ampliou a sua empresa e montou uma máquina de beneficiamento de arroz, uma das primeiras da Baixada Cuiabana.
“Naquele tempo, tudo era difícil” lembrava Gonçalo Domingos, dizendo ainda que havia apenas um ônibus ligando Várzea Grande até Cuiabá, três vezes ao dia.

VIDA PÚBLICA

De família tradicional na política mato-grossense, Gonçalo Domingos de Campos sempre acompanhou as disputas eleitorais dos últimos 50 anos a Cidade Industrial. Porém, durante toda a sua carreira política ele foi adversário de seu irmão Júlio Domingos de Campos – Fiote. Gonçalo pertencia à UDN e Fiote ao PSD.
Em 1969, Sarita não queria que Ary fosse candidato a prefeito e impôs a candidatura de Antonino Costa. “Não sei porque ela era contra Ary”, recordava seo Gonçalo. Gonçalo Domingos se reuniu com o irmão Fiote e firmou compromisso de eleger Ary nas eleições para prefeito de 1969 e Júlio Campos em 1972. A estratégia deu certo.
Com a eleição para prefeito do recém formado engenheiro agrônomo Júlio José de Campos, sobrinho de Gonçalo e filho de Fiote, vencendo o empresário Rubens dos Santos e o jornalista Almerindo Costa (MDB), a família Campos continuou unida. A partir dessa eleição, Gonçalo Domingos passou acompanhar a família Campos nas disputas eleitorais. Ele se orgulhava de ter coordenado todas as campanhas de Ary Leite de Campos – prefeito de Várzea Grande e três para a Assembléia Legislativa, todas vitoriosas. Em 1982, Ary foi deputado estadual mais votado de Mato Grosso, tendo recebido quase vinte mil votos.

ACOMPANHAMENTO

Mesmo afastado da militância, Gonçalo Domingos seguia o cotidiano da política em Várzea Grande.
Domingos de Campos dizia na época que o sobrinho Jaime Campos estava sendo um bom governador para Mato Grosso. “Ele foi um bom prefeito de Várzea Grande, como Júlio e Ary: agora segue a mesma linha de Julinho no governo (1983/86), realizando muitas obras”, sintetizava.

VELHOS TEMPOS

Seo Gonçalo se considerava um privilegiado por ter acompanhado todo o processo de desenvolvimento de Várzea Grande. Recordava que no passado os tempos eram bem mais difíceis. “Quando fui vereador na Cidade Industrial: faltava tudo. Energia elétrica era escassa, beneficiava menos de 20% da população e não existia rede de água tratada e nem esgoto. A água era retirada dos tradicionais poços de fundo de quintal, perfurados “no muque”, com ferramentas rudimentares”, dizia.
“Até 1942, para se chegar a Cuiabá, era apenas de balsa. Então foi construída a Ponte Júlio Muller, conhecida como “Ponte Velha”, ligando Cuiabá a Várzea Grande. Mesmo assim, o transporte continuou deficiente. Passou de charretes para um ônibus que ficava maior parte do tempo estragado, aguardando peças de reposição do Rio de Janeiro. O ônibus tinha três horários de partida para Cuiabá: ás 7, 11 e 17 horas.
Mas o principal meio de transporte continuou sendo a charrete até o final da década de 60, quando começaram a circular os ônibus convencionais. Primeiro, da empresa Rápido Noroeste que depois passaria a se chamar Estrela D’alva”.
A maior diversão da época eram as corridas de cavalo no antigo Morro Vermelho, onde hoje estão instaladas as empresas Grande Veículos e Trescinco Caminhões, havia ali uma raia para corridas. Tinha arquibancadas de madeira que comportavam aproximadamente duas mil pessoas e as apostas eram altas. “O comerciante Ulysses Pompeo de Campos, possuía os melhores cavalos da época em Várzea Grande. Como cavalo “Brinde”, Pompeo de Campos dominou as corridas por quase dez anos na Cidade Industrial. Quando Brinde corria era fácil ganhar apostas: em várias ocasiões ganhei dinheiro apostando nesse cavalo”, rememorava Gonçalo Domingos de Campos.
Os desportistas de Várzea Grande se dividiam em dois grupos: os que gostavam de futebol e aqueles que se dedicavam às corridas de cavalos. Os adeptos do futebol, mais tarde, ajudaram Rubens dos Santos a fundar o Clube Esportivo Operário de Várzea Grande, em 1949. Gonçalo Domingos de Campos pertencia ao grupo dos apaixonados pelas corridas de cavalo.
Gonçalo Domingos de Campos se considerava um homem realizado. Ele dizia que compreendia a situação do seu filho João Nazarello de Campos – João Federal, que politicamente sempre esteve contra a família Campos, apoiando sua esposa Zilda Pereira Leite de Campos em muitas eleições.
Gonçalo Domingos de Campos morreu em 08 de junho de 1992 sem conseguir realizar o seu sonho de muitas décadas e que não escondia de ninguém, que era ver seu filho Ary Leite de Campos governador do Estado de Mato Grosso.

* Wilson Pires de Andrade é jornalista em Mato Grosso.


 

 

Comentários

Atenção! Seu comentário é de sua inteira responsabilidade.
O site "O Documento" é livre para rejeitar comentários ofensivos, com linguajar de baixo calão, denúncias sem evidências e outros que julgar inapropriados. Mesmo que o seu comentário seja aprovado pela nossa equipe, a responsabilidade sobre ele continua sendo sua.
O IP da sua conexão (54.166.228.35) será armazenado e disponibilizado às possíveis vítimas caso este espaço seja utilizado para atingir a honra ou prejudicar a imagem de alguém.
Enviar
    SELECT id,nome,email,comentario,i_cadastro,positiv,negativ,aprovado FROM w229_post_coment AS t WHERE aprovado>=0 AND post_id=31024 ORDER BY id DESC
  • 0
    1
    Autor:
    Excelente e muito bem contada historia da vida do tio Goncalo Domingos de Campos( conheçido como Xalo Branco) e um tio que nos deixou muita saudades. So quero retificar a data do seu nascimento: foi 10 de Janeiro de 1916 e nao 1917. Pois em 09 de Janeiro de 1917 nasceu o seu irmao cacula e meu pai Julio Domingos de Campos (seo Fiote).Parabens ....