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O Documento - "Minha permanência traz mais segurança jurídica ao Brasil", diz Temer

ABRINDO O JOGO

"Minha permanência traz mais segurança jurídica ao Brasil", diz Temer

Por: Reportagem Local

Entrevista exclusiva concedida pelo Presidente da República, Michel Temer, à rádio Bandeirantes AM e FM de São Paulo.

Jornalista: Presidente Michel Temer, é um prazer falar com o senhor, pelo cargo que o senhor ocupa, pela história que o senhor tem na política brasileira. O senhor é Corintiano presidente, ou não?

 

Presidente: Eu sou São Paulino, viu, Datena?

 

Jornalista: Bom, todo mundo tem defeito, ninguém é perfeito não é, Presidente, lá em casa eu vou contar uma história para o senhor, Presidente, lá em casa eu sou Corintiano, mas a minha mulher é São Paulina, e saiu tudo São Paulino, bando de traíras que eu tenho lá em casa. Mas é um prazer falar com o senhor, Presidente, como está o tempo aí em Brasília, está bom o tempo aí em Brasília?

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Presidente: Tá bom, tá bom, o tempo tá bom, temporalmente, a temperatura está boa.

 

Jornalista: A temperatura está boa mas o clima é quente.

 

Presidente: Eu tenho muito gosto em falar com você, e falar aos seus ouvintes, o seu prestígio, que tem o seu programa, seu prestígio pessoal que você tem como comunicador, de modo que para mim é que fico eu muito honrado em poder me dirigir aos seus ouvintes por intermédio do seu programa. É um prazer estar com você.

 

Jornalista: A honra é toda minha Presidente. Presidente, como dizia um amigo meu do interior, o senhor é do Tietê também, sabe como é que a gente conversa, é melhor começar pelo começo, quando a gente senta em um boteco para conversar, é melhor começar pelo começo. Tem uma manchete aqui do UOL, que é: “a defesa do Temer, muda tática para barrar Odebrecht e acelerar desfecho no TSE”. Quando houve o adiamento do processo da chapa Dilma/Temer, no TSE, ficou clara a expectativa, apesar do Planalto negar, de que se julgaria com o tempo, aquela história de empurrar na justiça brasileira. Mesmo depois que fosse julgado no final do ano, tem recurso no TSE, depois no Supremo, daqui para frente. Agora, sentiu-se um clima, segundo essa reportagem estampada no UOL, e deve ter em outros portais, em outros jornais, e outras emissoras de rádio. Sentiu-se um clima favorável, que se tirar as delações da Odebrecht o senhor seria favorecido, e talvez até absolvido, pudesse continuar o governo com mais tranquilidade, porque, mesmo que esse julgamento seja protelado, é natural que o seu governo fica em uma situação complicada, porque quem é que vai investir no Brasil, onde o presidente está sob suspeita de ser cassado, pode ser cassado a qualquer momento. O que é que o senhor, que é um homem de lei, tem a dizer sobre isso, Presidente?

 

Presidente: Deixe eu dizer a você, Datena, em primeiro lugar, eu estou deixando correr o processo lá no seu ritmo normal, mas o meu desejo é que isso seja decidido o mais breve possível. Até pelas razões que você está apontando. E mais do que isso, viu, Datena, pelo fato de que, quando há esse debate jurídico, fica sempre a impressão de que a gente quer evitar as eventuais delações e etc. Eu não quero evitar delação nenhuma, até porque você sabe que ao longo do tempo, o que tem se verificado é o seguinte: não sou eu quem falo, você veja, o próprio Odebrecht, o Marcelo Odebrecht quando prestou seu depoimento, disse: “olhe, o presidente Temer jamais falou em valores conosco, jamais falou em valores. O que havia eram contribuições oficiais”. Primeiro ponto.

Segundo ponto, o próprio Procurador-Geral Eleitoral, no processo que nós estamos comentando, deixou claro que contra mim não havia absolutamente nada, e até curioso, viu, Datena? Ele propõe, que haja a cassação da chapa, mas que se mantenha para mim, a elegibilidade. Retira a elegibilidade da ex-presidente, mas pede que mantenha a minha elegibilidade tendo em vista a minha não participação nestes fatos. Terceiro ponto: o próprio PSDB, que propôs ação atrás, nas suas alegações finais verificou os autos e disse: “olhe contra o então vice-presidente, agora presidente, não se comprovou absolutamente nada. Então, para o meu governo, e também para o meu paladar político e para o meu paladar moral, Datena, eu apreciaria que isso fosse julgado o mais rapidamente possível. Seja qual for a decisão judicial.

Você sabe que eu sou um homem da área jurídica, de modo que estarei sempre obediente às decisões que os tribunais, depois, naturalmente, transitado e julgado a sentença, que os tribunais venham a tomar. Então, eu até tomo a liberdade de lhe dizer isso, porque, sabe que você, você não vai se surpreender, eu quando posso ouço o seu programa, seja pela rádio, seja a noite, então um dia desses eu até ouvi você dizer umas coisas que eu fiz isso fiz aquilo, etc, e é interessante, viu, Datena? E nós vamos ter oportunidade de conversar mais pessoalmente sobre isso, interessante que os dados todos até hoje, são reveladores de que eu não tive participação em nenhuma, se me permite a expressão, de nenhuma bandalheira, nada disso, então qual é o meu desejo? Desejo meu, desejo para a tranquilidade do governo, nós que graças a Deus já fizemos muita coisa, nesses poucos meses de governos, é que se decida rapidamente. Que daí você tira, digamos assim, uma pauta negativa da sua frente, porque a todo momento diz: “ah o Temer, vai indo bem, a economia vai melhorar daqui a pouco, etc, mas tem o TSE, tem o Tribunal Superior Eleitoral”. Então para mim, veja que, é concluindo agora, veja que para mim é importantíssimo que se julgue o mais rapidamente possível. Esse é o meu desejo, viu, Datena?

 

Jornalista: Presidente, do meu ponto de vista específico, que eu já expressei, e o senhor deve ter visto no Brasil Urgente, e deve ter ouvido na rádio, que foi o comentário que eu fiz, acho que foi no Primeira Hora de anteontem, e eu acho que o senhor e a Dilma estão juntos e misturados desde o começo, o que eu falei aqui, que na hora de tirar a fotografia, botar faixa, tomar champagne, erguer os braços, vocês estavam juntos ali. PT o PMDB, o senhor e a presidente Dilma. Eu não disse que o senhor fez bandalheira, mesmo porque eu não tenho condição de dizer que o senhor fez bandalheira, quem disse foi o Marcelo Odebrecht. Não fui eu. E o que eu disse, é que a classe política brasileira é que está fazendo bandalheira pra caramba. É uma sujeira desgraçada. Foi isso que eu disse. O que eu disse é que até agora o senhor fez muito pouco pelo país. Isso eu disse e continuo achando. Pelo pouco tempo que está, não sei. Pelas dificuldades que o senhor tem, não sei. Foi isso que eu coloquei para ficar bem claro aqui.

 

Presidente: Entendi.

 

Jornalista: Na sequência, presidente Temer, uma outra estratégia de defesa, seria tentar o julgamento da chapa  Dilma/Temer, de uma forma separada. Separar as contas do senhor na campanha e separar as contas da Dilma. É realmente esse o objetivo? Realmente isso aconteceu?

 

Presidente: Você sabe que nosso principal objetivo, evidentemente, é examinando as provas, isso quem vai decidir, evidentemente, é o Tribunal na análise dos mil e tantas páginas do relatório do processo. Mas talvez a ideia fosse a improcedência da ação. Primeiro ponto. O segundo ponto: isso daria tranquilidade ao país, em segundo ponto, é claro, eu estou juridicamente, os meus advogados estão juridicamente convencidos de que as contas da Dilma foram prestadas separadamente. E foram julgadas em conjunto. Primeiro ponto. Segundo ponto é que o problema não é da aplicação dos recursos, mas da arrecadação. Se ela foi lícita ou ilícita. E no tocante à arrecadação, que é o fundamento para a própria ação, é que digo eu, as nossas contas são inteiramente separadas. Porque eu arrecadei uma pequena parte, para a campanha do vice-presidente da República, em conta separada no processo. E a demais disso, aqui não daria para explicar tudo, mas todo contexto constitucional revela que o vice-presidente é uma pessoa apartada da presidente. Só é, digamos, conectadas, ajuntada, no momento da eleição. Que ambos são eleitos em conjunto. Agora, quando você diz assim, houve 54 milhões de votos, etc, muito bem, houve 54 milhões de votos porque houve uma coligação de partidos que permitiram e ensejaram esses 54 milhões de votos.

Então, veja, este é um primeiro ponto. O segundo ponto, e aí eu gostaria, se você me convidar, eu vou aí e nós conversamos durante todo o programa, para eu revelar para você, Datena, olhe eu estou aqui na minha frente com um folder que tem 56 medidas que nós tomamos esses últimos tempos e, veja bem quais são, vou só ressaltar algumas importantíssimas. A inflação estava em 10,70[%], hoje, precisamente no dia de hoje, Datena, está em 4,7[%], a indicar que ao final do ano nós estaremos em 4[%] qualquer coisa, primeiro ponto. Os juros estão caindo. Você sabe que caiu a Selic, está começando a cair os juros. Mesmo no cartão de crédito, você sabe que nós acabamos com aquela história do crédito rotativo que tinha juros de 482%. Você veja os recursos que nós injetamos na economia com a liberação das contas inativadas do Fundo de Garantia. Você sabe que está sendo uma festa, viu Datena? Eu vejo, meu pessoal vai às Caixas, às agências da Caixa Econômica, e verifica a festa que as pessoas fazem quando sacam o dinheiro, primeiro ponto. Segundo ponto, é que nós estamos injetando cerca de 41 bilhões na economia. E olha, se você me permite, não sei se temos algum tempo. Posso continuar?

 

Jornalista: Pode. Se o senhor que é presidente da República não tiver tempo, quem é que vai ter tempo? O senhor tá de brincadeira. Claro que tem o tempo que quiser.

 

Presidente: Deixe eu lhe dizer: você vê que a credibilidade do Brasil está começando a ser recuperada. Muito recentemente houve leilões, nós estamos concedendo e privatizando muitos setores, mais quatro aeroportos, dois portos, uma companhia de energia elétrica em Goiás. Isto teve licitante, e teve licitante, Datena, com ágil extraordinário. E você sabe que o empresário nacional e estrangeiro, ele só investe se ele confiar, não é no momento presente, se confia no futuro…

 

Jornalista: Mas Presidente, me permita um aparte: esses investimentos vêm mais dos empresários estrangeiros porque os empresários nacionais - com a sua presença, depois que a Dilma foi embora, e já foi tarde - esperava-se que houvesse um aporte maior dos empresários brasileiros, que os empresários brasileiros começassem a investir no Brasil. Isto está demorando demais para acontecer. O senhor não acha que é um período que começa preocupar, Presidente? O empresário estaria acreditando, o que deveria estar acreditando? Porque parece que não até agora.

 

Presidente: Está começando não é, Datena. Você sabe… eu vou reproduzir a você um fato que ocorreu ao longo desse período: eu tenho seis meses de mandato efetivo, os quatro primeiros meses foram como interino. Estava ainda correndo processo de impedimento. E nestes seis meses, você verificou que agora em fevereiro, por exemplo, aconteceu uma coisa que nós esperávamos que acontecesse só no 2º semestre, ou seja, quase 36 mil vagas abertas e preenchidas. Portanto, recuperando minimamente, ainda, mas recuperando o emprego.

Você veja que a agenda internacional, a Moody’s, nos tirou no negativo para o estável. E você sabe… aqui um dado um pouco técnico, Datena, mas é importante explicitar. É o seguinte: quando nós pegamos o governo, nós tínhamos 571 pontos negativos nas agências internacionais. Hoje estamos com 275 pontos. Ou seja, quando chegarmos a 240 pontos nós recuperaremos o chamado grau de investimento, que tem uma função internacional muito relevante porque significa confiabilidade no país.

Então, veja que estou falando de pouco tempo, não é Datena? E eu poderia relacionar a você, vamos combinar até fazer isso em um dia que eu vá ao seu programa pessoalmente, para que eu possa evidenciar porque é importante que seus ouvinte, que são muitos, possam se inteirar do que nós estamos fazendo.

 

Jornalista: Bom, o senhor entende muito mais de economia do que eu, o senhor entende muito mais de política do que eu, o senhor entende muito mais de lei do que eu, até porque o senhor é presidente da República, mas algumas coisas eu estou preocupado desse aspecto que o senhor disse aí. Primeiro, vou lembrar aqui São Francisco de Assis que dizia assim: “Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado, resignação para aceitar o que não pode ser mudado e sabedoria para distinguir entre uma coisa e outra”. O senhor vai ter que promover as reformas políticas, a reforma na Previdência, reforma trabalhista. E são medidas totalmente impopulares. Que os seus pares, me permita dizer, o senhor não se sente meio abandonado? O senhor está jantando com os senadores do PMDB, o senhor está almoçando com senadores do PMDB, são 22, e mais quem o senhor possa cooptar como aliados. Primeiro, que eu tenho preocupação com seu estado físico, o senhor vai engordar um pouquinho. E esses encontros todos são para anular uma briga que o senhor tem com o Renan, que não é de hoje. O senhor já tentou agradar o Renan de todo jeito oferecendo cargos, ajudando até o Renanzinho lá no estado dele. Mas...primeiro detalhe, Presidente, o senhor não acha que esses 10% que foram divulgados da sua popularidade, que é muito pouco, é muito pouco a medida de 10%, já não é reflexo dessas medidas, e que os parlamentares vão deixar o senhor na mão puxados pelo Renan Calheiros, que não se bica com o senhor já há algum tempo?

 

Presidente: Você sabe de uma coisa, Datena, eu não me sinto abandonado não. Vou contar a você: nós já propusemos coisas dificílimas no Congresso Nacional que teve uma aprovação muito expressiva. Vou dar um exemplo para você: quando nós resolvemos cortar na própria carne, ou seja, estabelecer um teto para os gastos públicos, isso é uma emenda à Constituição que demandava 308 votos, nós tivemos 366 votos na Câmara dos Deputados, e tivemos igual percentagem no Senado Federal. E em todas as medidas que nós estamos propondo, e eu já disse a você que são muitas,  nós temos tido o apoio fechado do Congresso Nacional. Neste momento - você mencionou o caso do Renan - eu compreendo o Renan, as dificuldades dele. De alguma maneira, Datena, ele sempre agiu dessa maneira, ele vai, volta. Então, eu estou tratando com muito cuidado, politicamente com muito cuidado. Até porque não posso a todo momento estar brigando com quem não é presidente da República, primeiro ponto. O segundo ponto é que os senadores todos com quem eu converso, e você sabe que eu tenho tido este apoio tanto da Câmara como do Senado Federal. E faço aqui uma distinção - viu, Datena? - que é muito importante: eu não tomo medidas populistas. Medidas populistas são aquelas irresponsáveis, que causam um benefício imediato, mas, depois, um prejuízo fantástico, que foi o que aconteceu no passado. Não é sem razão que nós tivemos, o ano passado, que declarar um déficit de R$ 170 bilhões.

       O que eu tomo - e aqui eu faço a distinção - são medidas populares. As medidas populares são aquelas que demandam reconhecimento posterior. Então, digamos assim, o fato de ter 10 ou 9, ou 11, não me assusta. O que eu acho é que eu tenho que continuar o nosso governo, acho que tem que continuar fazendo as coisas que serão reconhecidas lá adiante.

       Eu dou o exemplo para você da Previdência, Datena. Se nós não fizermos uma reforma da Previdência agora... E eu, até antes de atender você, estava conversando com o relator e com o presidente da Comissão da Reforma da Previdência, permitindo que se faça as adequações necessárias, porque você governa num diálogo do Executivo com o Legislativo. E eu tenho ouvido muito os membros do Legislativo e eles fazem ponderações, do tipo aposentadoria do trabalhador rural, a questão dos deficientes, o chamado benefício de prestação continuada. E eu acabei de autorizar o relator a fazer os acordos necessários nesse tópico, desde que se mantenha a idade mínima, que é o que aconteceu em vários países. Então, eu tenho quase… E, veja, nós teremos aí…

 

Jornalista: Tem alguns fatores, não é, Presidente? Me permita interrompê-lo. Por exemplo, o cara que está a cinco anos de se aposentar, para quem chega mais perto da aposentadoria, a situação só vai piorando. O caso das mulheres. As mulheres ganham menos. É injusto ter o tratamento na aposentadoria por tempo de serviço para a mulher e para o homem. São adequações. Eu acho que foi o José Sarney que conversou com o senhor e que deu um toque no senhor, dizendo o seguinte: “Olha, presidente Michel Temer, eu, quando fui atrás de economista, quase que me cassaram, não precisa nem do senhor estar junto com a Dilma”. Então, o que o senhor está querendo dizer é que o senhor pode flexibilizar essas mudanças que são necessárias? Porque o aposentado é sempre o primeiro a pagar a conta, o trabalhador é sempre o primeiro a pagar a conta. E o governo - não é o do senhor só , não, o senhor herdou esse governo -, e o governo normalmente corrupto, de políticos ladrões, de improbidade política, quebraram o país, de gastos públicos desnecessários e que quem vai pagar a conta é o aposentado, que, que é o trabalhador inativo, e o trabalhador que está aí, procurando um espaço, um caminho sol. Agora, chega do trabalhador pagar a conta, não há um meio termo? O senhor disse que sem a reforma o país está quebrado, quebra mais ainda, é isso que eu estou entendendo, que a reforma tem que ser feita, que as reformas têm que ser feitas. Mas não há que se chegar a um meio termo?

Porque, se o senhor não morre de amores pelo Renan, eu morro menos ainda. O Renan tem 12 processos a responder aí. O Renan não está preocupado com a mudança ferrar o trabalhador brasileiro, com a mudança ferrar o povo brasileiro, ele está preocupado em não ter voto. A maioria dos parlamentares, a maioria está preocupada em não ter voto, porque as medidas que o senhor vai implementar são medidas absolutamente impopulares. E ele disse: “É, mas o Temer não precisa de ter voto, porque ele está lá, foi guindado ao poder e não precisa ter voto”. O Renan não está brigando pelo povo brasileiro. A maioria dos políticos brasileiros, que são casuísticos, porque a nossa Constituição, ela é casuística, é formada por políticos, diferente da maioria dos países desenvolvidos, formada por casuísmo político desde o seu nascedouro. Os caras estão preocupados é com eles mesmos, não é com o povo brasileiro.

 

Presidente: Eu sei, eu sei.

 

Jornalista: O senhor está dizendo que as reformas precisam ser feitas, mas que podem ser menos dolorosas ao trabalhador, que paga sempre a conta de político ladrão, de desmandos, gastos públicos desnecessários. É isso que o senhor está dizendo, que eu estou querendo entender, presidente Temer?

 

Presidente: Deixa eu explicar para você, Datena, deixa eu explicar para você. Primeiro, eu acabei de dizer que nós vamos flexibilizar essas regras, primeiro ponto. Segundo ponto, o aposentado não terá prejuízo nenhum. Primeiro, porque divulgam inverdades, não é Datena? Dizendo que todos aqueles que têm direitos já adquiridos, que a reforma da Previdência vai tirar esses direitos. Não vai tirá-los, porque são direitos já formatados, já adquiridos. Primeiro ponto.

       Segundo ponto: hoje você sabe que a aposentadoria varia de 76 a 80%. Ninguém recebe aposentadoria integral, pelo menos os que se aposentam de uns tempos para cá. Terceiro, que no sistema que nós estamos fazendo, a aposentadoria será maior do que aquela que hoje se verifica. Porque, vamos tomar o caso de alguém que tenha 65 anos de idade, 35 anos de contribuição, ele vai se aposentar com 86%, portanto, mais do que a média de hoje, viu, Datena? 76 a 80%.

       Eu até aproveito o seu programa para fazer esses brevíssimos esclarecimentos, especialmente para ressaltar que nós não vamos prejudicar ninguém. Quando eu digo “nós vamos flexibilizar a reforma da Previdência”, é exata e precisamente para atender aos reclamos da população e àquilo que o Congresso tem estabelecido, não é?

       Mas olhe, Datena, eu preciso…

 

Jornalista: Grosso modo, presidente, grosso modo… Eu sei que o senhor precisa sair. Mas quando o senhor fala aqui, por exemplo, a terceirização que o trabalhador brasileiro vai ganhar, eu não concordo muito com isso. É rápido. Porque o trabalhador brasileiro, ele ganha por investimento, investimento de empresário brasileiro, investimento no exterior, com o crescimento e oferta de trabalho, não com terceirização. E a terceirização, o senhor conseguiu aprovar acho que com 240, 230 votos, mas ela não é uma dessas medidas constitucionais, que precisam de 308, como a que o senhor já falou e que teve aprovação. O senhor acha que o senhor consegue as outras reformas, que são constitucionais, atingir esse número de 308, no mínimo, presidente Temer?

 

Presidente: Olha, em primeiro lugar, Datena, deixa eu lhe dizer: nós, o governo não entrou nessa coisa da terceirização. Nós não fizemos nenhum trabalho. Ficou absolutamente por conta do Congresso Nacional, primeiro ponto. Segundo ponto é que eu examinei com muito cuidado, viu, Datena, no momento de vetar um ou outro artigo, verifiquei que não causa prejuízo nenhum para os trabalhadores, não é? Terceiro ponto, no caso da Previdência, aí sim, aí nós estamos trabalhando intensamente para obter os 308 votos.

Mas, olhe, deixa eu dizer uma coisa a você: se você me convidar, eu terei muito gosto de estar aqui…

 

Jornalista: Posso fazer uma última pergunta, porque eu sei que o senhor tem que dar no pé, o senhor tem que atender o rei da Suécia , não é isso?

 

Presidente: Isto.

 

Jornalista: É, eu não vou ter a pretensão de atrapalhar o rei da Suécia, pelo contrário. Mas uma última pergunta, que é importante, já que o senhor tem que ir embora. Quanto à Lava Jato, o senhor tem acho que cinco ou seis ministros que estão sendo investigados pela Lava Jato, dois deles importantíssimos: o Moreira e o Padilha. Tem um pânico no Congresso, existe um pânico geral no Congresso porque muitos, muitos políticos estão envolvidos com a Lava Jato e que estaria aí, no meio do caminho, um processo para você desmoralizar as investigações da Lava Jato. Repito: o senhor tem ministros importantes aí, do seu governo, na Lava Jato.

       O senhor já teve uma medida corajosa, isso que eu tenho que falar, e o senhor já se posicionou contra a anistia ao caixa 2, o senhor vetaria a anistia ao caixa 2. Quanto à Lava Jato e esses outros processos todos que existem, de abuso de autoridade, que visam minar as investigações e favorecer quem já cometeu crimes políticos, ou não. Qual é a sua posição? O senhor defende a Lava Jato, Presidente, curto e grosso?

 

Presidente: Eu vou falar pela enésima vez, viu, Datena? Eu defendo a Lava Jato, os resultados da Lava Jato, mas não interfiro nela. Não é porque queira ou não queira. É porque a Constituição faz uma distinção entre o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Essa é uma matéria que cabe exclusivamente ao Ministério Público e ao Judiciário. Qualquer interferência que eu fizesse seria inconstitucional, no plano institucional. Agora, no plano pessoal, eu devo dizer que elogio os trabalhos da Lava Jato e, evidentemente que, no plano pessoal, também não interferia. Primeiro ponto.

       Segundo ponto: você sabe o que é uma delação, não é Datena? Delação é o seguinte: eu falo de você, e daí você está definitivamente condenado. Para minha conceituação político e jurídica o que eu faço é o seguinte: quando alguém fala de outrem, a primeira coisa que você precisa fazer é indagar, inquirir, e isso se faz por meio de um instrumento chamado inquérito, no caso, inquérito administrativo. Quem faz, no geral, é a Polícia Federal. Depois do inquérito administrativo, e  veja o percurso que nós temos que percorrer, o Promotor Público vai dizer se arquiva o inquérito ou se dá prosseguimento. Se der prosseguimento, ele vai pedir um inquérito judicial. Daí o juiz tem que deferir ou indeferir o inquérito judicial. Se ele deferir, faz-se o inquérito judicial. Quando o inquérito judicial termina, o Promotor Público, o Ministério Público vai dizer se denuncia ou manda arquivar. Se ele denunciar, o Judiciário tem que dizer se recebe ou não recebe a denúncia. Se receber, daí Datena, é que começa o processo. Por isso que eu decidi aqui, publicamente, o seguinte: ministro, ou quem seja acusado por um delator, ou seja, “eu falei de você”, fica no cargo até uma eventual denúncia. Se houver denúncia, e a denúncia for recebida, daí se afasta do cargo. Você percebe que eu tomei uma decisão compatível com o Direito, com a regração constitucional. É isso…

 

Jornalista: Já que não vai dar para alongar, vamos deixar isso para outro dia,. porque não dá para alongar, que eu ia falar do Moreira, que disseram que o senhor criou, como a Dilma, criou um cargo para defender o Moreira das acusações que têm sobre ele. Mas isso fica para outra oportunidade, a não ser que o senhor queira responder.

 

Presidente: Na próxima conversa nossa, viu?

 

Jornalista: É que tem um cara de Tietê, aqui, perguntando o que o senhor acha da lista fechada. Mas como é da sua cidade, não é? Perguntou da lista fechada.

 

Presidente: Olha, você sabe que eu sempre fui adepto do chamado “distritão”, que é o chamado “voto majoritário”, para eleger deputados. A lista fechada está surgindo agora como hipótese para se criar um fundo público que possa patrocinar partidos políticos. Mas a minha posição sempre foi no sentido de prestigiar o voto majoritário. Mas quem de Tietê que está aí, Datena?

 

Jornalista: É o Luiz Carlos. Não deu o endereço total, mas é o Luiz Carlos. Ele disse que gosta muito do senhor.

 

Presidente: Está bom, então. Está bom, Datena.

 

Jornalista: Está entre os 10% aí. Mas, Presidente, é o seguinte: o senhor tem pouco tempo para fazer a sua história? Como é que o senhor acha que vai passar para a história? Um cara odiado por fazer essas reformas que são contra o trabalhador? Como é que o senhor pensa em passar para a história, Presidente?

 

Presidente: Eu penso em passar para a história com o reconhecimento daquilo que eu fiz ao longo do tempo, não é? Não será um reconhecimento imediato, mas será um reconhecimento, penso eu, ao final do meu governo, logo após à minha saída. E quem sabe até lá eu tenha o seu reconhecimento? Está bom?

 

Jornalista: Por que não? Se fizer por isso terá, com o maior prazer. Eu acho o senhor um cara muito simpático, bacana e tal. Espero gostar do senhor como presidente também, pode ter certeza absoluta.

 

Presidente: Foi um grande prazer, viu?

 

Jornalista: Foi um prazer falar com o senhor.

 

Presidente: Está bem. Um grande abraço!

 

 

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    Esse homem é um perigo como Presidente. Já que ele muito provavelmente não concorrerá a reeleição. Estamos vendo resultados, reforma da previdência, terceirização e outras que são frontalmente contra o povo. Eu não defendo nenhum partido político, mas entendo que as reformas sempre começam pelo lado mais fraco da história. Porque não começar as reformas de cima para baixo, cortando na carne, por exemplo um juiz ou membro do ministério público que rouba bilhões de reais é protegido da constituição porque tem a vitaliciedade e mesmo que ele roube ainda assim continuará recebendo seu salário sendo somente obrigado a se aposentar, isso é justo? nesse caso de desvio de dinheiro público ele ainda teria direito de se aposentar? Há diversos casos de juizes e magistrados que deram causas a desvios de dinheiro público, veja no link um exemplo. E também como pode um Presidente da República, Senadores, Deputados Federais, escolherem aqueles que iram julgá-los no futuro? Que independência há entre os poderes? Isso ocorre para os julgadores de contas públicas também, todos estão escolhidos pelos políticos, se as contas atendem ou deveriam atender todos os critérios técnicos, então porque os membros dessa corte não é formado por técnicos de reconhecido conhecimento? o mesmo vale para o STF, STJ? Nota ao PMDB, ao Michel Temer, ao PSDB, ao PT, PC do B, e todos os partidos, até porque não adianta escolher entre um ou outro com a mesma estrutura dos poderes, não tem como um partido não ser considerado corrupto, pois sempre pairará a dúvida sobre suas escolhas. Link: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2016/12/05/brasil-gasta-r-164-mi-ao-ano-com-aposentadorias-de-juizes-condenados-pelo-cnj.htm
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    Autor:
    Fiquei muito animada para comentar a entrevista com meus alunos, ficaram animados, mas no momento que li, achei um tanto atrapalhada, apesar de entender que Datena quis ser um pouco simpático. Assisti a entrevista no dia e achei de grande valia para meus alunos, pois é de grande importância para mim que eles entendam o nosso momento político.