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DIRCEU CARDOSO – Educação, protestos e exploração ideológica

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Vivemos um dia de manifestações contra os cortes nas verbas para as universidades federais. É compreensível que professores, alunos e outros integrantes da comunidade universitária façam pressão para evitar a diminuição dos recursos. Mas a tomada dos atos por partidos políticos e aproveitadores ideológicos é pelo menos estranha. Não atende à causa e ainda serve para reforçar as denúncias de que as instituições de ensino estão aparelhadas e, em vez de ensinar e qualificar os alunos, têm como prioridade a sua transformação em militantes. O viés político-ideológico tem sido grande foco de tensão e não serve em nada para o desenvolvimento do ensino.

Ocorridas as manifestações, o ideal seria que a comunidade universitária – direção das instituições, representantes dos professores, do alunado e dos servidores – buscasse formas de negociação com as autoridades do governo, com quem têm de se relacionar. Ouvissem as razões colocadas pelo Ministério da Educação para definir os cortes e buscassem definir qual a natureza e o montante deles. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, que compareceu, convocado, à Câmara dos Deputados para explicar as medidas, anunciou em entrevistas desde o começo da semana que não se trata de cortes, mas de contingenciamento e garantiu que essas verbas poderão ser liberadas nos próximos meses. Ainda prometeu verificar caso-a-caso e resolver os problemas onde a falta dos recursos possa inviabilizar atividades. Garantiu, ainda, que a suspensão de recursos não passa dos 3% do orçamento (ou 30% das verbas que a universidade tem liberdade para aplicar).

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O contingenciamento – ou corte – de verbas não é novidade no orçamento público. Acontece rotineiramente, já que o governo trabalha com déficit nas finanças. Nos anos anteriores não se viu nenhum contingenciado fazendo manifestação política e nem servindo de cavalo para os partidos de oposição contestarem ações de governo. Para o exercício de 2019, há que se considerar ainda que, por ser o primeiro ano do mandato, o governo do presidente Jair Bolsonaro trabalha com o orçamento herdado da gestão anterior e ainda enfrenta as dificuldades da baixa arrecadação decorrente da fraca atividade econômica.

Melhor do que servirem de armas para os contumazes oposicionistas, as universidades e suas comunidades deveriam estar tentando negociar a própria situação e – mais que isso – tentando garantir melhores condições para o orçamento de 2020. Contestar ideologicamente o governo não é o melhor caminho. A comunidade acadêmica, que hoje estuda gratuitamente deveria lembrar que existem propostas das mais diferentes como, por exemplo, a cobrança de anuidades, já que as famílias de muitos dos alunos, que investem alto para prepará-los ao ingresso, tem condições de pagar. Fala-se, inclusive em cobrar dos que podem pagar e manter a gratuidade aos impossibilitados que conseguirem passar no vestibular. Melhor negociar isso do que ter pautas político-ideológicas…

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Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

aspomilpm@terra.com.br                                                                                                     

         

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JOSÉ DE PAIVA NETTO – A virtude da temperança

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Não haverá Paz duradoura enquanto prevalecerem privilégios injustificáveis, que desonram a condição humana, pela ausência de Solidariedade, que deve iluminar homens e povos. Escreveu Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865): “A paz obtida com a ponta de uma espada não passa de uma simples trégua”. Por isso, nestes milênios de “civilização”, milhões morreram sob a chacina das armas, da fome e da doença. (…)

Jesus sempre pregou e viveu a Fraternidade Ecumênica. Como realmente acreditamos no Divino Chefe, temos de batalhar pelo que apresentou como solução para os tormentos que ainda afligem as nações. A temperança é virtude indispensável nesta peleja. Entretanto, diante dos desafios, não confundamos pacifismo com debilidade de caráter.

Bem a propósito, estas palavras da autora Eleanor L. Doan (1914-2010): “Qualquer pusilânime pode louvar a Cristo, todavia é preciso ânimo forte para segui-Lo”. Não podemos também nos esquecer dos exemplos dos cristãos primitivos, mas, sim, neles buscar a vivência que precisa ser repetida neste mundo, qual seja, a da Paz: “Da multidão dos que creram, era um o coração e a alma. (…) E assim, perseguidos por todos os meios, passaram a viver em comunidade, não havendo necessitados entre eles, porque todos se socorriam, cada qual com o que possuía” (Atos dos Apóstolos de Jesus, 4:32 a 34).

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José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor. paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

 

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ONOFRE RIBEIRO – Sonhos

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Na semana passada escrevi  neste espaço artigo em que falava da falta de planejamento no governo de Mato Grosso com vistas ao futuro. E disse que o desenvolvimento atual pouco deve às políticas públicas oficiais. Citei viagem do ex-governador Dante de Oliveira aos Estados Unidos, em 2000, onde se reuniu com a diretoria do fabricante de tratores de pneus, John Deere. Defendeu a instalação de uma fábrica em Mato Grosso e ouviu que o planejamento estratégico da empresa antevia para os próximos dez anos até 2010, uma profunda mudança na produção de alimentos no mundo. E via o Brasil, o Centro-Oeste e particularmente Mato Grosso como um grande berço alimentar do mundo.

Bom lembrar que naquele momento a China ainda não era esse gigante atual. Lá se vão 19 anos desde aquele ano de 2000 em Moulines, Illinois, nos EUA.

O CEO da John Deere colocou três questões ao governador Dante de Oliveira pra que uma empresa instalasse uma fábrica em Mato Grosso que ele aliás, conhecia de muitas viagens anteriores ao  nosso Estado. As condições seriam:

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1 – VIAS DE ESCOAMENTO. Para o transporte de insumos e da produção da fábrica de tratores. Na época não havia o suficiente porque uma fábrica nunca vem só. Atrai sucessivas cadeias produtivas agregadas;

2 –  ENERGIA ELÉTRICA. Na época esse não era problema, porque Mato Grosso já exportava energia graças à usina termoelétrica movida a gás, inaugurada recentemente e hoje paralisada. Hoje já seria problema;

3 – RECURSOS HUMANOS. Levando em conta a crescente adoção de tecnologias desde aquela época, era necessária a garantia de recursos humanos qualificados pra ocupar postos de todas as naturezas dentro da fábrica e para atender também aos associados de todas as cadeias produtivas agregadas. Aqui o bicho pegou. Não havia e nem há recursos humanos adequados porque a nossa educação não tem objetividade no mercado de trabalho. O agronegócio desenvolveu-se e qualificou a sua mão-de-obra porque de outra forma não teria gente qualificada.

Passados 19 anos desde aquela conversa o agronegócio evoluiu uma barbaridade. As agroindústrias estão entrando em escala crescente. A expansão produtiva promete saltos enormes no curto prazo.

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O conjunto desses fatores ainda impedem uma afirmativa de pleno desenvolvimento no futuro próximo sem que os setores produtivos improvisem, na falta de planejamento oficial.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso. onofreribeiro@onofreribeiro.com.br     www.onofreribeiro.com.br

           

 

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